
No domingo a Igreja celebrou a Festa de Cristo Rei.
Quando eu era jovem, este era um grande dia para a Acção Católica.
Reuniam-se na Sé todos os dirigentes dos vários ramos da A.C. para fazerem o seu juramento :
"... Assim prometo e juro e assim Deus me ajude "
Era pessoal, colectivo e impressionante:
Agrários, estudantes, independentes, operários, universitários,todos juntos num mesmo sentimento e em igual desejo: servir a Igreja e testemunhar o Evangelho.
Saias ou calças azul escuras e blusas azuis claras enchiam a Sé. Todos orgulhosos da missão a que se tinham dedicado e da causa que tinham prometido servir : Jesus Cristo, Senhor e Rei do Universo.
Não sei explicar o que todos e cada um sentia. Só sei que ser da A.C. era algo que modificava a vida e nos fazia ser diferentes. Não nos cansavam as reuniões em que participávamos; não nos enfastiavam as várias acções de que nos encarregavam; não nos sentíamos descriminados, antes orgulhosos por usar um emblema que testemunhava o zelo pelo apostolado que tínhamos jurado praticar.
E vivíamos o Hino que cantávamos:
Abram alas, terra em fora
por entre frémitos de luz.
Deus nos chama é nossa a hora

Àlerta pela cruz....
Foi assim até vir para o convento. Primeiro na JECF e depois na JUCF. Sempre estive "ao serviço"
Ainda me lembro do entusiasmo com que me preparei para receber emblema. Sim! na altura não era brincadeira nenhuma... Havia que se trabalhar em três vertentes "ver, julgar e agir" no nosso meio.O que era necessário fazer e como fazer. Depois, a nossa acção, o nosso empenhamento, eram apreciados e valorizados ou não.
Bons tempos? Outros tempos!...
Ao vir para o Ramalhão, deixei a Acção Católica. Mas não a esqueci e à influência que ela teve em mim. Até trouxe o emblema que mantenho guardado...
Mas, não alimentei saudades. Outros caminhos se me depararam; outras actividades me esperavam. E ser Dominicana não é um modo de servir a Igreja, espalhar a Verdade, testemunhar o Evangelho? E não tinha o mesmo entusiasmo e o mesmo empenhamento dos meus tempos de estudante?
Os tempos mudaram! A Acção Católica "morreu" ou quase. Outros movimentos surgiram .
Que sirvam a Igreja com o mesmo entusiasmo com que a A.C. a serviu.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.