domingo, 4 de março de 2018

As agruras da profecia


" Os profetas só não são aceites na sua terra..."  São palavras de Jesus

E nós, podemos perguntar-nos : por quê ?
Se reflectirmos no assunto podemos chegar à conclusão de que um dos motivos é porque a população da terra os conhece bem, sabe quem são, julga saber como são e não aceita que tenham dons, capacidades, objectivos diferentes dos de toda a gente.
Não compreendem sequer que os profetas têm uma missão difícil, às vezes mesmo dolorosa. Nem tudo são alegrias e facilidades.
Inveja... chama-se a isso?
Mas também pode haver a atitude do profeta que nem sempre reconhece a sua pequenez; nem sempre entende que tudo o que tem foi dom de Deus ao serviço dos irmãos; nem sempre actua com humildade perante aqueles a quem dirige a sua palavra ou a sua acção.
Orgulho... Chama-se a isso?
Nesta caminhada para a morte e ressurreição de Jesus Cristo, seu supremo dom e prova de amor, procuremos desenvolver em nós a humildade e eliminar a inveja. Só assim estaremos em condições de entender o que Ele fez por nós.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 3 de março de 2018

A coragem de voltar

"Pai, dá-me a parte da herança..." pediu o filho do Evangelho
Pai, dá-me os dons que me destinaste: as qualidades, as potencialidades, as capacidades... pedimos nós, mesmo que inconscientemente.
E, como o filho do Evangelho, partimos, utilizando mal ou bem, pondo a render nas mãos de outros, desperdiçando.
E um dia, descobrimos que estamos sós, vazios, despidos de graças de possibilidades, de amigos, de entusiasmo.
Então!... Recordamos o Pai; lembramos a nossa ingratidão; arrependemo-nos e voltamos, humildemente, desprendidos de tudo , dispostos a tudo.
É a conversão!
E o Pai lá está e vem ao nosso encontro para nos acolher.
Nesta Quaresma é esta a atitude de "retorno", de conversão, de caminhada, que se impõe. Mesmo quando há um irmão que olha de lado para o perdão do Pai.  Mas Ele, indiferente a tudo o mais, só se preocupa com o nosso regresso. Disso, podemos ter a certeza e é ela que nos anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O dom

Jesus está rodeado de fariseus e doutores da Lei, homens que esperam um Messias, um pouco à sua maneira, pois não acreditam naquele que têm à sua frente.
Entretanto, chegam os que acreditam no Seu poder e na Sua misericórdia. E lutam para se aproximarem  d ´Ele; derrubam os entraves que os impedem; vencem as barreiras que parecem impedi-los de chegar junto do Mestre.
E Ele, diante da sua Fé, oferece-lhes, não o que eles esperam, mas simplesmente o perdão dos pecados. E é suficiente. e é  mesmo tudo. 
É que o perdão limpa o coração, torna-o capaz de ver o dom da Graça e dá-lhe a certeza da cura.
Abramos nós também o nosso coração e peçamos o perdão que nos torna capazes de acolher a Graça do Natal que vem.

domingo, 26 de novembro de 2017

Solenidade de Cristo Rei

Este dia,  habituámo-nos  a considera-lo como uma solenidade a Deus Rei do Universo. Nele, noutros tempos, se fazia o Juramento da Acção Católica. Nele, muitas vezes fizemos Profissão Religiosa. Nele, certos seminaristas faziam a sua Ordenação Sacerdotal. Tudo coisas sérias e solenes. Tudo apelos a que o Senhor, o Rei do mundo e das almas, nos chamava.
Solenidade de Cristo Rei. E vemo-Lo na Sua dignidade de Filho de Deus, na Sua importância de Rei e Senhor. Mas Ele quer mostrar-nos outra faceta e... 
Hoje, os textos da Eucaristia, falam-nos dum Jesus pastor, dum Mestre preocupado com os seus rebanhos, dum Guia que orienta e procura as suas ovelhas.
E não nos devemos admirar. Afinal, Jesus sempre se apresentou como o que trata, como o que chama, como o que acolhe. Como o que se preocupa com aqueles que o Pai lhe confiou.
Apenas diante de Pilatos aceita ser Rei mas para afirmar que o seu Reino não era deste mundo.
Tentemos pertencer a este rebanho; deixemo-nos guiar por este Pastor; orientemos as nossas vidas para podermos, depois, pertencer ao Reino eterno de Deus. Em cada momento aproveitemos da Misericórdis que o Senhor nos oferece.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Perdoar, como?

Quando lemos, no Evangelho, a história do servo que foi perdoado e não soube perdoar, há qualquer coisa que nos toca cá dentro, no coração e no cérebro. Algo que nos obriga a pensar.
Aquele homem não entendeu o que representava aquele perdão que lhe era concedido, gratuitamente, o que significava a condescendência que o senhor estava a ter para com ele. O servo apenas viu a dívida que não era preciso pagar, a família que não ia ser castigada, a prisão que não tinha que sofrer. O imediato.
Certamente ele não tinha a Fé , o discernimento, a confiança do centurião romano que acreditou que, para curar o seu criado, Jesus não precisava sequer de ir a sua casa. Bastava uma palavra. Afinal, a mesma palavra que Ele dirigiu ao devedor quando lhe disse que lhe perdoava as dívidas. Sempre a misericórdia feita dom.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Solenidade de S. Domingos

Domingos de Gusmão.
Foi jovem, estudante, sacerdote, cónego de Osma. Sempre, se preocupou com a pobreza; com os que não tinham pão e com aqueles que ignoravam a palavra de Deus. A uns e outros dava o que lhes faltava.
Um dia foi ao norte da Europa e lá confrontou-se com as heresias do seu tempo. Foi o despoletar do sonho. Homens e mulheres se converteram e o quiseram seguir. 
Enviou-os, dois a dois, a espalhar a Palavra do Senhor. Criou mosteiros e conventos e... fundou a Ordem dos Pregadores, que o Papa reconheceu.
Como Dominicana quero, pela oração e pelo estudo, espalhar junto dos que passam ao meu lado, a Verdade que é o Lema da nossa Ordem.
Que S. Domingos nos proteja e abençoe.
Ir. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Peixes bons e menos bons

O Evangelho ontem falava de rede lançada ao mar e de peixes que o pescador, sentado na areia, escolhia e separava.
Também nós, na vida, a temos cheia de projectos, planos, silêncios, contratempos, pausas, desejos...
O importante é que saibamos escolher o que podemos e devemos realizar. Não nos deixarmos envolver de tal maneira que não consigamos distinguir o importante e o necessário; não consigamos, sobretudo, saber qual o plano de Deus para nós, onde Ele se encontra nos objectivos que perseguimos.
Façamos um momento de pausa e consigamos entender quais os "peixes" bons que o Mestre vai guardar.