quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ouvidos moucos

Esta manhã batiam incessantemente à nossa porta. Batiam e tornavam a bater e ninguém abria. Deviam estar todas demasiado ocupadas...
Quase sem querer lembrei-me  de Jesus.  Também Ele bateu às portas sem sucesso. E começou mesmo antes de nascer... " Não havia lugar para eles na hospedaria..." 
Arranjaram-lhe um espaço, sim. Simples, humilde, pobre embora  real . Ofereceram-lhe um lugar, mas não O acolheram.
Também o "jovem rico" conheceu este impacto do apelo de Jesus, que o olhou e lhe falou com amor. Mas o jovem não o quis seguir ... "porque tinha muitos bens..." Não havia lugar para Jesus no seu coração.
Na Sua vida pública, Jesus foi a Nazaré, bater à porta da família, dos amigos, daqueles com quem vivera... E eles não O receberam. Espantaram-se com o que Ele fazia... Não acreditavam... Achavam que estava louco...
No fim do Seu Tempo, bateu à porta e à compreensão de Pedro e ele negou-O : "Não O conheço..."
Jesus sofreu o desconforto de ser rejeitado, incompreendido, abandonado, mas continua a bater às nossas portas. E insiste! Mas não é dominador, exigente ou possessivo. Ele apenas sugere, aconselha, convida...
Mas nós andamos tão ocupados... temos a vida tão preenchida... estamos tão cheios de tudo...Não temos tempo para ouvir o apelo de Deus.
Quantas vezes Jesus, na pessoa dum amigo, dum conhecido, necessitado da nossa compreensão, do nosso apoio, do nosso tempo, nos bate à porta e nós... nem damos por isso ?
Não deixemos que o Senhor Jesus nos bata à porta e nós o deixemos cá fora.
Porque estamos ocupados...
Porque temos o coração fechado...
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

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