quarta-feira, 13 de março de 2019

Portas que se abrem

Numa conversa de "portas que se abrem e se fecham à nossa frente", veio-me ao pensamento uma história que ouvi outro dia: Um jovem marginal encontrava-se todos os dias vagueando à porta duma estação. Quando as coisas lhe corriam mal, puxava dum bilhete amarrotado que tinha na algibeira e lia-o. Era do pai e dizia: " A porta pequena está sempre aberta".
Era o convite para que voltasse pois o perdão estava assegurado.
E um dia, ele voltou a casa. Entrou, foi direito ao quarto, deitou-se e dormiu. Quando acordou, o pai estava lá e abraçou-o, em sinal de perdão.
A nós também é sempre feito este convite de regresso. E, nesta época, duma maneira especial.Temos também um Pai que nos espera...
Queremos ir ao Seu encontro nesta Quaresma?
É fácil! Basta parar um momento  para reflectir no que devemos abandonar livremente. E, também lembrar o que o Pai nos oferece em alegria e dom.
Ele está sempre de braços abertos para nos acolher.

quarta-feira, 6 de março de 2019

4ª feira de cinzas

" Lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar"

Era o slogan desta 4ª feira solene.

Uma afirmação séria  e uma alusão ao início da vida sobre a Terra ao mesmo tempo que uma chamada de atenção para o quanto é fugaz a permanência do homem neste planeta.
Está nesta referência o simbolismo da colocação das cinzas.
Mas, com esta expressão e este simbolismo estamos simplesmente a considerar o aspecto material. Esquecemos que o Homem é também e sobretudo alma, espírito e coração.
Talvez por isso se usa agora o incentivo: " Convertei-vos e acreditai no Evangelho" 
A conversão pressupõe o olhar a Palavra do Senhor para a meditar e seguir. E S. Mateus ensina-nos a maneira de acolher, de meditar o Evangelho: "... entra no teu quarto, fecha a porta e ora."
É o caminho para a reflexão, a interiorização da Palavra e a sua vivência.
Sigamos esta recomendação do apóstolo e comecemos, olhando para dentro de nós, este tempo que nos vai conduzir até à Ressurreição. Caminho árduo, doloroso, difícil mas santificante.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Um Amigo é um tesouro


Quando lemos ou ouvimos ler o Livro do Eclesiástico, temos sempre uma surpresa que nos provoca. A semana passada foi a dissertação sobre a verdadeira amizade.

O texto começa por nos chamar a atenção para as falsas amizades, aquelas que só se aproximam de nós para sua satisfação pessoal. Mas depois, faz um elogio espantoso, que merece um tempo de reflexão e diz mesmo que "um verdadeiro amigo é um tesouro".
E, depois, vêem os conselhos para uma verdadeira relação de amizade.
E estas palavras tão sábias e tão profundas não nos podem deixar indiferentes. Há que meditar na maneira de cultivar a amizade verdadeira e no modo de a manter.
A amizade é uma das manifestações do Amor e uma das maneiras de participar neste Amor.
Ter Amigos verdadeiros  são graças que Deus nos ofereceu e devem ocupar o lugar que o Pai lhes destinou.
Como me posso esquecer daquele conferencista que se tornou um Amigo e tem acompanhado a minha vida?!... É assim. A amizade aparece de repente e temos a certeza de que os Amigos estão presentes nos momentos de alegria como nas alturas de crise. Longe ou perto estão presentes.
Saibamos cultivar estas Amizades sinceras , gratuitas, disponíveis, presentes.
E, durante esta Quaresma, que vai começar, tenhamos bem presente o AMIGO que deu a vida por nós.

domingo, 3 de março de 2019

Incongruências

O Evangelho do dia de hoje provoca-nos verdadeiramente com aquela questão do argueiro e da trave.
Qual de nós não cometeu já o erro de ajuizar o nosso irmão, com base às vezes em coisas insignificantes, sem reflectir primeiro nas deficiências que  manifestamos  todos os dias?
É tão fácil ver aquilo a que chamamos "erro" no proceder do outro e tão difícil reconhecer as nossas próprias deficiências!...
É por causa desta incoerência que o Senhor chama a nossa atenção. E chama duma maneira insistente e talvez um pouco dura. É que temos   tanta dificuldade em nos virarmos para dentro de nós...
E  esta incoerência é uma manifesta injustiça e, uma demonstração do nosso orgulho, do nosso inconsciente desejo de "superioridade". Mas Jesus disse também: " Quem quiser ser o maior, seja o servo de todos os outros".
Aproveitemos este tempo especial que se aproxima para fazermos uma pausa de reflexão sobre as "traves" que se escondem ao nosso olhar.

sábado, 2 de março de 2019

...Sede como crianças


O Evangelho de hoje trouxe-me algo de novidade que me fez reflectir.

"Deixai vir a Mim as criancinhas..." disse Jesus indignado com a atitude dos que O rodeavam. É que esta é realmente uma reacção original. Habitualmente as crianças não eram mencionadas quando se referiam assembleias ou multidões que acompanhavam Jesus. Acho que ninguém pensava nelas. Devem mesmo ter ficado surpreendidos com o pedido/ordem de Jesus. E pior pois Ele acrescenta: " Se não receberdes o Reino de Deus como estas criancinhas não entrareis nele".
É Jesus a lembrar-nos que temos que alimentar em nós a simplicidade, a confiança, a alegria das crianças. São elas que nos dão o testemunho da verdadeira liberdade, aquela que deve ser defendida pelos filhos de Deus. É que elas não estão presas a ambições, a egoismos, a falsos compromissos.
Ser como criancinhas é não ter malícia,fingimentos, duplos sentidos. 
É ser capaz de estender as mãos  e ficar, simplesmente, ao colo da mãe.
Procuremos cultivar esta atitude na Quaresma que se aproxima, Tentemos aproximarmo-nos do Reino de Deus, despidos de egoismo, ideias pré-concebidas, falsos idealismos. Estejamos certos que o Pai nos espera.

domingo, 4 de março de 2018

As agruras da profecia


" Os profetas só não são aceites na sua terra..."  São palavras de Jesus

E nós, podemos perguntar-nos : por quê ?
Se reflectirmos no assunto podemos chegar à conclusão de que um dos motivos é porque a população da terra os conhece bem, sabe quem são, julga saber como são e não aceita que tenham dons, capacidades, objectivos diferentes dos de toda a gente.
Não compreendem sequer que os profetas têm uma missão difícil, às vezes mesmo dolorosa. Nem tudo são alegrias e facilidades.
Inveja... chama-se a isso?
Mas também pode haver a atitude do profeta que nem sempre reconhece a sua pequenez; nem sempre entende que tudo o que tem foi dom de Deus ao serviço dos irmãos; nem sempre actua com humildade perante aqueles a quem dirige a sua palavra ou a sua acção.
Orgulho... Chama-se a isso?
Nesta caminhada para a morte e ressurreição de Jesus Cristo, seu supremo dom e prova de amor, procuremos desenvolver em nós a humildade e eliminar a inveja. Só assim estaremos em condições de entender o que Ele fez por nós.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 3 de março de 2018

A coragem de voltar

"Pai, dá-me a parte da herança..." pediu o filho do Evangelho
Pai, dá-me os dons que me destinaste: as qualidades, as potencialidades, as capacidades... pedimos nós, mesmo que inconscientemente.
E, como o filho do Evangelho, partimos, utilizando mal ou bem, pondo a render nas mãos de outros, desperdiçando.
E um dia, descobrimos que estamos sós, vazios, despidos de graças de possibilidades, de amigos, de entusiasmo.
Então!... Recordamos o Pai; lembramos a nossa ingratidão; arrependemo-nos e voltamos, humildemente, desprendidos de tudo , dispostos a tudo.
É a conversão!
E o Pai lá está e vem ao nosso encontro para nos acolher.
Nesta Quaresma é esta a atitude de "retorno", de conversão, de caminhada, que se impõe. Mesmo quando há um irmão que olha de lado para o perdão do Pai.  Mas Ele, indiferente a tudo o mais, só se preocupa com o nosso regresso. Disso, podemos ter a certeza e é ela que nos anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.