quinta-feira, 20 de abril de 2017

A força do encontro

Eram dois homens solitários, tristes, deprimidos. Iam a caminho de Emaús. Desiludidos, pois os seus sonhos tinham caído por terra.
De repente, junta-se a eles um terceiro indivíduo e começam a conversar. Ele parecia ignorar tudo o que tinha acontecido em Jerusalém mas explica-lhes as escrituras, enquanto vão andando.
Era quase noite e,por isso, convidam-no a ficar com eles naquela noite. Ele aceita e, ao partir do pão, maravilha! Reconhecem o Mestre. A alegria enche-lhes o coração. Ele desapareceu da sua vista mas a certeza da sua presença  não se dissipou. E isso, mudou tudo. Deixam a casa e voltam a Jerusalém para dar a notícia aos discípulos. Acabou-se a tristeza, a angústia, a desilusão, com aquele encontro com o Senhor.
Talvez seja o momento de pararmos e de nos perguntarmos: Quando nos encontrámos com Jesus? Que modificação se operou na nossa vida com esse encontro?
Ele continua lá e procura-nos... Temos,  pelo menos, que deixar que Ele nos encontre..

Ir. Maria Teresa de carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A oitava

Continuamos a viver esta semana da Páscoa com os olhos postos nesse Jesus Ressuscitado. E lembramos que a Sua primeira aparição foi a uma mulher que, ainda por cima, não era nenhum exemplo de santidade - Maria Madalena. 
Mas foi um testemunho de Fé e de Amor. Por isso, foi encarregada de levar a Boa nova : "Vai dizer aos meus discípulos..."
E ela não fez discursos nem deu explicações. Limitou-se a fazer uma afirmação em que pôs toda a sua Fé: "Vi o Senhor..."
Se olharmos para o que aconteceu uns anos antes, encontramos outro acto de Fé . Aquela jovem a quem apareceu um anjo anunciando que ela ia ser a mãe do Salvador. E a resposta:" Eis aqui a escrava do Senhor..."
Olhando estas duas simples anotações podemos pensar como foi importante o papel da Mulher na construção da Igreja.
Hoje, também continuamos a ter um importante papel com a nossa presença, o nosso testemunho.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 15 de abril de 2017

O grande silêncio

"E um grande silêncio se estendeu sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão"
Desde ontem à tarde. Parece que tudo parou. A capela está deserta, as luzes apagadas, o sacrário vazio.
Apenas o crucifixo a lembrar a morte de Jesus. Mas Ele já lá não está. Foi descido da cruz, entregue a Sua Mãe e depositado num sepulcro vazio. À porta, uma grande pedra.
"Um grande silêncio e uma grande solidão..."
Durante vinte e quatro horas como que nos sentimos órfãos e esmagados pela cruz. Sim! É que Jesus não está mas a cruz permanece lá, à espera que a façamos nossa e, com Jesus, deixemos que ela faça parte do nosso dia-a-dia.
Olho a minha cruz vazia. Também ela tem um Cristo ausente à espera que seja eu que me ofereça para preencher este vazio.
Mais um sábado Santo. Mais uma sucessão de angústias, dores, interrogações. 
Mas logo, será a ressurreição. Que nos tenhamos preparado, através da paixão e da morte, para esta nova Vida, é o que o Senhor espera de nós.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.




sexta-feira, 14 de abril de 2017

A caminho do calvário

Sexta-feira Santa!
Jesus é julgado, condenado e levado até ao Calvário.
Já todos lemos, certamente, a descrição desta caminhada dolorosa; já vimos talvez,em filme, o que foi esse percurso difícil, sofrido, humilhante.
Mas quem já foi a Jerusalém e percorreu a Via Crucis, teve com certeza uma nova percepção.
Vai-se percorrendo aquelas vielas, parando em cada estação da Via Sacra, rezando e cantando. Olham-nos os turistas, que ali foram por curiosidade e a quem aquela cerimónia nada diz. Juntam-se a nós outros que compreendem o significado do que estamos a fazer. 
Mas o que impressiona é a atitude dos vendedores. Dum e doutro lado da rua, tendas onde pessoas  entram e saem , onde se apreciam mercadorias, onde se discutem preços.
Mas nós, continuamos, tentado ficar indiferentes à confusão que nos rodeia.
E chegamos ao Calvário.
Lá, dizemos que Cristo morreu por nós. Mas este "nós" parece desvalorizar o dom maravilhoso que nos foi feito, desvanecer a graça imensa dessa morte. É que Jesus morreu por mim, por ti, por cada um.
De joelhos, junto à cruz, ofereçamos também a nossa vida: a minha, a tua, a nossa... e aceitemos que Jesus disponha dela.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Recordando...

Foi há vários anos.
Tal como hoje era 5ªfeira Santa. Só que nesse dia, nesse ano, estava em Milão com um grupo de finalistas do colégio e seus professores.
Encontrávamo-nos no refeitório dos frades no Convento Dominicano de Santa Maria das Graças. Ao fundo, o extraordinário fresco de Leonardo da Vinci - a Última Ceia.
Muitos turistas. Mas todos, como nós, admirando aquela cena que parecia real. E o silêncio imperava. Certamente todos se sentiam, como nós, transportados àquela sala em que Jesus, num gesto supremo de Amor, deixava aos seus discípulos mas a todos nós também, o dom da sua presença real na Eucaristia.
E revivíamos o gesto magnífico de humildade ao lavar os pés aos 12. E também o anúncio chocante da traição dum deles. E, porque não, igualmente, a negação de Pedro e o seu arrependimento?
Tudo relembrado naquela hora. Momento único vivido diante daquele fresco, minutos que recordarei sempre e que quero tornar vida, nesta Tarde de Quinta feira Santa.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Em espera

Foram-se escoando lentamente os dias desta semana cheia de contradições.
Jesus retirou-se discretamente sabendo que "não tinha chegado ainda a sua hora".
.Mas são já dias de tristeza, de dor, de angústia:  "Pai, se quereis, afasta de mim este cálice. Mas que se faça a Tua vontade".
E essa vontade pressupõe humilhação, sofrimento, morte. 
E, durante estes dias "de espera" tudo isso vai passando pelos olhos de Jesus e atravessando o Seu coração. Podemos e devemos associar-nos a esta dor.
Mas, ao mesmo tempo, olhemos para a outra vertente dos acontecimentos e temos a certeza da Ressurreição e da presença de Jesus na Eucaristia.
São dias difíceis mas cheios.
Sentemo-nos diante do Sacrário, despidos de tudo o que impede as nossas relações com Deus. E, em Amor e com Amor, nesta longa espera que nos separa da Ressurreição, digamos o nosso Sim, aquele que pronunciámos no dia da nossa escolha e continuemos à espera dos alleluias pascais.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.