quarta-feira, 12 de abril de 2017

Em espera

Foram-se escoando lentamente os dias desta semana cheia de contradições.
Jesus retirou-se discretamente sabendo que "não tinha chegado ainda a sua hora".
.Mas são já dias de tristeza, de dor, de angústia:  "Pai, se quereis, afasta de mim este cálice. Mas que se faça a Tua vontade".
E essa vontade pressupõe humilhação, sofrimento, morte. 
E, durante estes dias "de espera" tudo isso vai passando pelos olhos de Jesus e atravessando o Seu coração. Podemos e devemos associar-nos a esta dor.
Mas, ao mesmo tempo, olhemos para a outra vertente dos acontecimentos e temos a certeza da Ressurreição e da presença de Jesus na Eucaristia.
São dias difíceis mas cheios.
Sentemo-nos diante do Sacrário, despidos de tudo o que impede as nossas relações com Deus. E, em Amor e com Amor, nesta longa espera que nos separa da Ressurreição, digamos o nosso Sim, aquele que pronunciámos no dia da nossa escolha e continuemos à espera dos alleluias pascais.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Super moda

Ao ver um Dominicano /a envergando o seu Hábito branco podemos ser levados a perguntar: Por que o usam? Por costume, obrigação, defesa?...
Ou antes, porque o Hábito é um testemunho da vida que se escolheu, do projecto que se pretende realizar, da missão que nos foi confiada?...
Podíamos fazer um inquérito para saber das razões dos que o usa. Podíamos... mas não vale a pena  É que mesmo sem inquérito temos a certeza que os religiosos consideram o Hábito como um dom, uma graça, um testemunho a transmitir. Ele é o símbolo duma verdade, duma alegria, duma Fé a viver e a espalhar entre os homens. Não se pode comparar com qualquer outro vestuário até porque, para cada peça,há uma oração particular.
Túnica - Vesti-me, senhor com a veste nupcial da castidade para que me possa apresentar sem mancha diante do vosso tribunal
                                      Escapulário - Vesti-me ,Senhor com este escapulário e que ele me livre das chamas do Inferno e até das do purgatório
                                      Correia - Senhor Jesus que te fizeste obediente até à morte e morte de cruz dai-me o verdadeiro espírito de humildade
                                      Rosário -Ó Maria, refúgio dos pecadores, rogai por nós. Jesus fazei que eu tome a minha cruz , renuncie a mim mesma e vos siga
                                      Véu- Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação e dai-me forças contra os vossos inimigos

sábado, 1 de abril de 2017

Questões com difícil solução

Quando temos ocasião de contactar com o que se passou, por exemplo na Polónia, quando da invasão russa,várias questões se nos põem  e se apresentam de difícil solução.
Por exemplo o problema da Fé. Como encarar o mal que não se deseja mas nos é imposto? Deus não quer o mal mas permite-o desde o momento que deu ao Homem a liberdade... Há que admitir esta verdade, o que nem sempre é fácil.
Outra questão é o problema da dor, nas suas várias facetas. A dor em abstracto e a dor daqueles que a sofrem. Como encará-la? como vivê-la, como ultrapassá-la? 
A dor não assumida é um drama que desgasta a alma.
Ainda podemos pensar no conflito entre  um compromisso feito e o problema da defesa da vida.
As soluções, que às vezes encontramos, chocam com direitos e deveres, com compromissos e até com problemas de Fé. E a tudo isto, soma-se ainda a questão do remorso que pode  levar mesmo ao desespero.
Mas o mal, a dor, o remorso, são questões que a Fé , a oração e até uma boa inspiração conseguem resolver.
Saibamos encontrar em Deus a solução para as nossas dificuldades, por maiores que elas sejam.
A Deus não importa o erro mas sim a conversão; Deus que está sempre pronto a perdoar e a nos encher com o Seu amor.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Palavras com significado

Há uns dias vi-me confrontada com o problema da vergonha: a nossa vergonha porque fomos confrontados por outro, face ao nosso erro; vergonha face a Deus, porque nos desviámos do caminho certo; vergonha face a nós mesmos, porque constatamos que não somos o que julgávamos ser ,porque fizemos o que pensávamos nunca ser capazes de fazer. Vergonha porque, de alguma maneira despimos a nossa "máscara" a "couraça" que nos protegia e defendia. Ficamos assim "despidos" diante dos outros e de nós mesmos.
Esta vergonha, este desgosto, pode levar-nos ao remorso, o qual nos diminui mesmo aos nossos olhos e não nos deixa caminhar face à Felicidade, que Deus quer para nós.
Mas para o remorso temos um grande remédio que se chama confissão. Ela consegue eliminar este sentimento, pela graça que nos oferece. 
Deus, que é Pai, apaga a nossa dor e o nosso remorso com o Seu manto de Amor.
A vergonha é que é mais difícil de eliminar porque podemos ter dificuldade de verbalizar o erro que cometemos. Custa a dizê-lo a nós mesmos e, mais ainda, a expôr-nos diante do outro, mesmo que seja o Amigo, ainda que saibamos que é o Senhor que está diante de nós.
Mas, precisamos ser capazes de entrar dentro de nós e de "nos despirmos" verdadeiramente para deixar que o Senhor nos cubra com a Sua graça, o Seu perdão, o Seu amor.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O significado da cruz

Esta manhã consciencializei-me duma realidade que é válida há  quase  60 anos.
Reflectida no vidro da janela estava a cruz que trago ao peito. A cruz que recebi no dia da minha profissão. Branca e negra, como são as cores dominicanas. E uma cruz sem crucifixo porque no Seu lugar devemos estar nós.
Não sei porque me impressionei. Afinal não é uma realidade nova...
Talvez... porque estamos a caminho daquela outra cruz em que pregaram Jesus e depois ficou despida quando O desceram dela... Talvez... porque me lembrei duma frase do Evangelho que também me impressionou : " O meu Pai trabalha incessantemente para vos confrontar com a sua imagem"...
Talvez... porque é tempo de reflexão e interioridade...
Olhar a cruz, possuir uma cruz, maior ou menor, não é motivo para tristeza mas sim para acção. Agarrar nela e viver, cada dia , na busca da participação naquele momento único da ressurreição.


quinta-feira, 2 de março de 2017

A voz e os ecos


" Se hoje ouvirdes a voz do Senhor..."

Este "se " é a oportunidade para nos negarmos a ouvir e, portanto, a não aceder ao convite que a segunda parte da frase nos faz: "não fecheis o vosso coração" .
Não ouvimos a voz do Senhor... E por quê? Muito simplesmente porque queríamos uma voz real, sonante, falando ao nosso ouvido. Não o apelo dos acontecimentos, não a palavra meiga ou agressiva da pessoa que chega junto de nós, não a súplica muda daquele que se cruza connosco, não aquela situação que pede o nosso apoio...
A voz de Deus... que está nas circunstâncias de cada dia, no encontro casual que aconteceu, no telefonema amigo num momento de desânimo... essa voz, passa-nos despercebida e a ela não abrimos o coração. No entanto, neste tempo de Quaresma é preciso estar atento, ter o coração e as mãos abertos, numa atitude de escuta e de oferta. 
Nestes dias que vamos percorrendo, acompanhando o percurso de Jesus, olhemos todas e cada uma das situações que se nos apresentam e façamos delas a nossa dádiva ; com elas, o nosso jejum e a nossa oração. Nelas, está a voz do Senhor que se nos dirige.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Novamente


Ao iniciarmos esta Quaresma há que preparar o nosso coração para aquilo que ela nos pede: jejum, oração, esmola. E, antes de mais nada, pôr o nosso espírito em Deus  e intensificar a nossa Fé.
Deus... que está sempre presente, que acolhe os nossos problemas e dificuldades; Deus... que cuida de nós, porque até se preocupa com "as aves do céu e os  peixes do mar". Deus... que tudo criou de maneira maravilhosa e de tudo continua a cuidar.
Recordemos o fado de Amália Rodrigues em que ela nos lembra que "foi Deus que perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar... deu luz ao firmamento e pôs o azul nas ondas do mar..."
E a nós... Deus não dá muito mais que tudo isso? Não dá, em cada momento, a Graça de que necessitamos, a Sua força, a Sua protecção?
É com esta certeza, que é da Fé que nos foi dada no Baptismo, que vamos hoje receber as cinzas que nos lembram que somos pó mas também que Deus nos olha desde toda a eternidade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.