quarta-feira, 12 de abril de 2017

Em espera

Foram-se escoando lentamente os dias desta semana cheia de contradições.
Jesus retirou-se discretamente sabendo que "não tinha chegado ainda a sua hora".
.Mas são já dias de tristeza, de dor, de angústia:  "Pai, se quereis, afasta de mim este cálice. Mas que se faça a Tua vontade".
E essa vontade pressupõe humilhação, sofrimento, morte. 
E, durante estes dias "de espera" tudo isso vai passando pelos olhos de Jesus e atravessando o Seu coração. Podemos e devemos associar-nos a esta dor.
Mas, ao mesmo tempo, olhemos para a outra vertente dos acontecimentos e temos a certeza da Ressurreição e da presença de Jesus na Eucaristia.
São dias difíceis mas cheios.
Sentemo-nos diante do Sacrário, despidos de tudo o que impede as nossas relações com Deus. E, em Amor e com Amor, nesta longa espera que nos separa da Ressurreição, digamos o nosso Sim, aquele que pronunciámos no dia da nossa escolha e continuemos à espera dos alleluias pascais.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Super moda

Ao ver um Dominicano /a envergando o seu Hábito branco podemos ser levados a perguntar: Por que o usam? Por costume, obrigação, defesa?...
Ou antes, porque o Hábito é um testemunho da vida que se escolheu, do projecto que se pretende realizar, da missão que nos foi confiada?...
Podíamos fazer um inquérito para saber das razões dos que o usa. Podíamos... mas não vale a pena  É que mesmo sem inquérito temos a certeza que os religiosos consideram o Hábito como um dom, uma graça, um testemunho a transmitir. Ele é o símbolo duma verdade, duma alegria, duma Fé a viver e a espalhar entre os homens. Não se pode comparar com qualquer outro vestuário até porque, para cada peça,há uma oração particular.
Túnica - Vesti-me, senhor com a veste nupcial da castidade para que me possa apresentar sem mancha diante do vosso tribunal
                                      Escapulário - Vesti-me ,Senhor com este escapulário e que ele me livre das chamas do Inferno e até das do purgatório
                                      Correia - Senhor Jesus que te fizeste obediente até à morte e morte de cruz dai-me o verdadeiro espírito de humildade
                                      Rosário -Ó Maria, refúgio dos pecadores, rogai por nós. Jesus fazei que eu tome a minha cruz , renuncie a mim mesma e vos siga
                                      Véu- Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação e dai-me forças contra os vossos inimigos

sábado, 1 de abril de 2017

Questões com difícil solução

Quando temos ocasião de contactar com o que se passou, por exemplo na Polónia, quando da invasão russa,várias questões se nos põem  e se apresentam de difícil solução.
Por exemplo o problema da Fé. Como encarar o mal que não se deseja mas nos é imposto? Deus não quer o mal mas permite-o desde o momento que deu ao Homem a liberdade... Há que admitir esta verdade, o que nem sempre é fácil.
Outra questão é o problema da dor, nas suas várias facetas. A dor em abstracto e a dor daqueles que a sofrem. Como encará-la? como vivê-la, como ultrapassá-la? 
A dor não assumida é um drama que desgasta a alma.
Ainda podemos pensar no conflito entre  um compromisso feito e o problema da defesa da vida.
As soluções, que às vezes encontramos, chocam com direitos e deveres, com compromissos e até com problemas de Fé. E a tudo isto, soma-se ainda a questão do remorso que pode  levar mesmo ao desespero.
Mas o mal, a dor, o remorso, são questões que a Fé , a oração e até uma boa inspiração conseguem resolver.
Saibamos encontrar em Deus a solução para as nossas dificuldades, por maiores que elas sejam.
A Deus não importa o erro mas sim a conversão; Deus que está sempre pronto a perdoar e a nos encher com o Seu amor.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Palavras com significado

Há uns dias vi-me confrontada com o problema da vergonha: a nossa vergonha porque fomos confrontados por outro, face ao nosso erro; vergonha face a Deus, porque nos desviámos do caminho certo; vergonha face a nós mesmos, porque constatamos que não somos o que julgávamos ser ,porque fizemos o que pensávamos nunca ser capazes de fazer. Vergonha porque, de alguma maneira despimos a nossa "máscara" a "couraça" que nos protegia e defendia. Ficamos assim "despidos" diante dos outros e de nós mesmos.
Esta vergonha, este desgosto, pode levar-nos ao remorso, o qual nos diminui mesmo aos nossos olhos e não nos deixa caminhar face à Felicidade, que Deus quer para nós.
Mas para o remorso temos um grande remédio que se chama confissão. Ela consegue eliminar este sentimento, pela graça que nos oferece. 
Deus, que é Pai, apaga a nossa dor e o nosso remorso com o Seu manto de Amor.
A vergonha é que é mais difícil de eliminar porque podemos ter dificuldade de verbalizar o erro que cometemos. Custa a dizê-lo a nós mesmos e, mais ainda, a expôr-nos diante do outro, mesmo que seja o Amigo, ainda que saibamos que é o Senhor que está diante de nós.
Mas, precisamos ser capazes de entrar dentro de nós e de "nos despirmos" verdadeiramente para deixar que o Senhor nos cubra com a Sua graça, o Seu perdão, o Seu amor.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O significado da cruz

Esta manhã consciencializei-me duma realidade que é válida há  quase  60 anos.
Reflectida no vidro da janela estava a cruz que trago ao peito. A cruz que recebi no dia da minha profissão. Branca e negra, como são as cores dominicanas. E uma cruz sem crucifixo porque no Seu lugar devemos estar nós.
Não sei porque me impressionei. Afinal não é uma realidade nova...
Talvez... porque estamos a caminho daquela outra cruz em que pregaram Jesus e depois ficou despida quando O desceram dela... Talvez... porque me lembrei duma frase do Evangelho que também me impressionou : " O meu Pai trabalha incessantemente para vos confrontar com a sua imagem"...
Talvez... porque é tempo de reflexão e interioridade...
Olhar a cruz, possuir uma cruz, maior ou menor, não é motivo para tristeza mas sim para acção. Agarrar nela e viver, cada dia , na busca da participação naquele momento único da ressurreição.


quinta-feira, 2 de março de 2017

A voz e os ecos


" Se hoje ouvirdes a voz do Senhor..."

Este "se " é a oportunidade para nos negarmos a ouvir e, portanto, a não aceder ao convite que a segunda parte da frase nos faz: "não fecheis o vosso coração" .
Não ouvimos a voz do Senhor... E por quê? Muito simplesmente porque queríamos uma voz real, sonante, falando ao nosso ouvido. Não o apelo dos acontecimentos, não a palavra meiga ou agressiva da pessoa que chega junto de nós, não a súplica muda daquele que se cruza connosco, não aquela situação que pede o nosso apoio...
A voz de Deus... que está nas circunstâncias de cada dia, no encontro casual que aconteceu, no telefonema amigo num momento de desânimo... essa voz, passa-nos despercebida e a ela não abrimos o coração. No entanto, neste tempo de Quaresma é preciso estar atento, ter o coração e as mãos abertos, numa atitude de escuta e de oferta. 
Nestes dias que vamos percorrendo, acompanhando o percurso de Jesus, olhemos todas e cada uma das situações que se nos apresentam e façamos delas a nossa dádiva ; com elas, o nosso jejum e a nossa oração. Nelas, está a voz do Senhor que se nos dirige.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Novamente


Ao iniciarmos esta Quaresma há que preparar o nosso coração para aquilo que ela nos pede: jejum, oração, esmola. E, antes de mais nada, pôr o nosso espírito em Deus  e intensificar a nossa Fé.
Deus... que está sempre presente, que acolhe os nossos problemas e dificuldades; Deus... que cuida de nós, porque até se preocupa com "as aves do céu e os  peixes do mar". Deus... que tudo criou de maneira maravilhosa e de tudo continua a cuidar.
Recordemos o fado de Amália Rodrigues em que ela nos lembra que "foi Deus que perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar... deu luz ao firmamento e pôs o azul nas ondas do mar..."
E a nós... Deus não dá muito mais que tudo isso? Não dá, em cada momento, a Graça de que necessitamos, a Sua força, a Sua protecção?
É com esta certeza, que é da Fé que nos foi dada no Baptismo, que vamos hoje receber as cinzas que nos lembram que somos pó mas também que Deus nos olha desde toda a eternidade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Surpresas

Não me lembro de alguma vez me ter interessado o suficiente pelo Festival da Canção para ter passado uma parte da noite a assistir ao espectáculo. 
Mas desta vez era diferente . Tinha um interesse pessoal em saber o que se ia passar e em participar nas votações.
Constato a minha ignorância pois pensava que num Festival, as canções deviam ser alegres , movimentadas, com ritmos activos. Pelo que ouvi, verifiquei que estava enganada e que o importante são outros valores talvez como os estilos e a execução, entre outros aspectos.
Nestas coisas há sempre os que ganham e os que perdem. E serão sempre os melhores a serem valorizados? No fundo os gostos do público são tão diversificados... E sempre justos?
Mas, quem tem valor, a quem Deus concedeu dons especiais, não os vai perder só porque não foi vencedor. Outras oportunidades surgirão.
Tenhamos presente a palavra do poeta: " Quando Deus quer, o homem sonha e a obra surge."
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lições que se aprendem


A primeira leitura da Missa de hoje fala-nos de Adão e Eva e da sua desobediência.
Claro que são simbolismos mas também são lições que se aprendem.
Eles começam por desobedecer e depois, empurrando as culpas uns para os outros: foi a mulher...foi a serpente...
Mas o que é notório é que nenhum nega o erro que cometeu. Quando interrogados por Deus admitem logo a sua falta, ainda que supondo já um castigo. Nem sempre valorizamos este aspecto.
Mas,são estas três visões do problema que nos devem servir de lição. É que ser tentado, por alguém, pelas circunstâncias, pelos desejos... é comum. Desculparmo-nos, porque uma pessoa ou alguma coisa nos influenciou... também acontece. Todos nós sofremos desse mal e caímos nesses erros. Mas o que nem sempre acontece é reconhecermos que errámos, admitirmos a culpa, aceitarmos as consequências.
Aprendamos, com Adão e Eva, a não fugir às nossas responsabilidades. Só assim nos vamos fazendo grandes de verdade.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Recordando...


Sábado foi a festa de S. Tomás de Aquino. o Patrono das Escolas Católicas.
Fui à missa na minha Basílica, a Basílica da Estrela, claro!
O celebrante lembrou as virtudes de S. Tomás, a sua qualidade de filósofo e de teólogo. Depois, referiu-se à designação que davam a Tomás, por ele ser muito calado: "o boi mudo". Mas acrescentou que quando ele falava a sua palavra enchia os corações e a sua verdade corria o mundo. No fim, pediu que fôssemos como S. Tomás: não usássemos palavras inúteis mas quando falássemos a nossa palavra fosse o testemunho de Jesus Cristo.
Depois, lembrei outros dias de S. Tomás, no Ramalhão. Era o Dia do Professor e nele, os alunos homenageavam os seus Mestres e a comunidade os colaboradores de todos os dias.
Havia sempre celebrações, jograis, versos lembrando factos da vida do professor, presentes, um almoço melhorado , uma tarde recreativa, um lanche partilhado, que sei eu!...
Não há como esquecer esses tempos e esses factos.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Impressões

Às vezes  há fenómenos que nos impressionam porque não conseguimos explicar e nos apanham de surpresa.Ontem foi uma dessas ocasiões.
Entrei na capela para fazer uma despedida rápida a Nosso Senhor , antes de subir para acabar o trabalho que tinha em mãos. Mas não consegui ser rápida.. É que do Sacrário, naquela meia obscuridade que me envolvia, tive a sensação dum brilho em que nunca reparara. Não era o Sacrário todo, era a porta, que parecia sobressair do resto do altar. Talvez a lembrar-me que Jesus estava ali , Ele que é a luz para o nosso coração e a nossa vida. Talvez a dizer que Ele está sempre ali e nos espera e às nossas dúvidas e problemas.
Não consegui pensar nada, naquele momento. Fiquei simplesmente olhando e agradecendo ao Senhor as mil graças que me concede cada dia.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Recomeçar

Novo dia... nova caminhada se nos apresenta.
Comecemos louvando o dia que começa e o Deus que no-lo deu. Iniciemos a caminhada com uma oração sincera, intima, verdadeira.
Ela nos dará a força e a consistência necessárias para enfrentar acontecimentos , dificuldades, fracassos.
Recordemos que Jesus também foi pródigo em caminhadas. E, não foi só no tempo da sua vida pública. Já antes de nascer desceu a Belém e depois, ainda Menino, foi de Belém para Nazaré passando pelo Egipto.
E como adulto... percorreu a Terra Santa e terminou em Jerusalém, pregado numa cruz. E até para ser crucificada teve que subir o monte... 
Não é certamente assim a nossa caminhada mesmo que apresente dificuldades e contratempos. 
Mas, seja mais ou menos difícil, não deixemos de dar graças e de pedir a protecção do Pai.
E sigamos,  na senda de Domingos de Gusmão.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Provérbio japonês

Ainda estou a pensar no provérbio japonês: " Quão mais fácil se torna o caminho quando connosco vai um amigo...". É bem verdadeiro. Caminhar sòzinho e resolver sòzinho dificuldades e barreiras não é fácil. A presença do amigo , com a palavra certa, na altura oportuna ou mesmo com o silêncio que é palavra, facilita a caminhada e torna claro o que se apresenta nubloso.
Simplesmente,  lamentamo-nos muitas vezes da falta desse amigo, desse apoio, dessa consolação e esquecemo-nos  que temos um Amigo sempre presente, sempre acolhedor, sempre pronto a ouvir-nos. Também é verdade que é um Amigo muitas vezes silencioso, distante, ausente mesmo. E isso é que faz com que nos esqueçamos d´Ele. Mas, Ele não está ausente. Quer apenas que O procuremos, que O sigamos, que vamos ao Seu encontro. Então, paremos para pensar e certamente notaremos a Sua presença no fundo do nosso coração.
Tentemos ser como aquela mulher a quem Jesus elogiou :" Mulher, como é grande a tua Fé!"  Assim, saberemos que temos o Amigo connosco, que vai fazer  connosco a nossa caminhada, que acompanha alegrias e tristezas, dificuldades e sucessos da nossa vida.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Revendo a História

A pouco e pouco vamo-nos afastando da grande festa que é o Natal.
Ao mesmo tempo, podemo-nos lembrar da caminhada feita por esse Jesus que começou "andando", de Nazaré para Belém, mesmo antes de nascer .
E depois, ainda pequenino, teve que fugir para o Egipto porque era perseguido por Herodes.
Realmente, a História repete-se!
Hoje, continuamos a saber de meninos que têm que fugir porque estão a ser perseguidos por causa desse outro Menino, que veio para os salvar mas que muitos não conhecem e continuam perseguindo. Ele mesmo acabou morrendo às mãos dos que não O quiseram aceitar.
Mas... voltando ao percurso de Jesus , constatamos que regressou do Egipto, não sabemos quando, mas aos 12 anos devia andar por ali pois foi aos Templo com Maria e José.
E então, a grande preocupação infligida aos pais: "Filho, por que razão nos fizeste isto? Teu pai e eu procurávamos-te aflitos..." E a resposta convincente e explicativa: " Não sabíeis que tinha que tratar das coisas do meu Pai?"
Também nós podemos causar preocupações e sofrimentos à nossa família. Mas, se é por um "bem maior", se é para ir ao encontro da vontade do Pai, então não há que lamentar ou olhar para trás.
Ele acolhe-nos e resolve as dores que, eventualmente, provocámos. Afinal a Sua paternidade estende-se a todos os homens.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Uma história que é um apelo

                                                                     
Foi há uma semana. Era dia de Natal.
Tinha acabado a Missa do Galo. Terminara já a Ceia do Natal. Os membros da família, a pouco e pouco, haviam saído para regressar às suas casas.
Nós, "os da casa”, arrumada minimamente a sala, recolhidos os presentes que tinham cabido a cada um, acauteladas as virtualhas para o almoço do dia seguinte, como recomendara a minha avó, íamo-nos retirando para os nossos quartos.
E eu fui também. E… deitei-me e dormi.
Acordei sobressaltada com uma luz intensa que parecia vir do presépio pequenino que estava em cima da secretária.
Levantei-me num pulo, impressionada com aquela luz e aquele Menino que parecia saltar da mesa.
Fui à janela e sosseguei. A luz não era senão a do candeeiro da rua cuja luminosidade entrava pelas cortinas abertas.
Tudo normal… Tudo natural…
Mas o sorriso do Menino, esse… estava lá. E estava lá também o Seu olhar, tão intenso que parecia fitar-me. E aquela voz, dentro do meu peito, igual certamente à que um dia fora dirigida ao jovem rico: Queres?...
Sentei-me no chão a pensar. É Natal. Natal mais uma vez. Natal que se repete ao longo de dois mil anos. Natal!... Sempre igual e sempre novo.
E o Menino que continua a olhar-me e a perguntar: Queres?
E eu quero… mas o quê?
Continuo a olhar o Menino do meu presépio pequenino e compreendo que o que Ele quer é que O amemos e nos amemos uns aos outros, fazendo, de cada coisa pequenina, o nosso Sim, como Maria.
É já manhã e eu mantenho-me a olhar esse Menino que é Deus feito Homem e que sorri, porque espera um mundo diferente, em que o amor vença o ódio e a generosidade a indiferença.
Fico olhando e acabo adormecendo. E sonho com um mundo em que “o lobo e o cordeiro habitam juntos, o menino brinca na toca da serpente e o leão e o boi comem ambos palha”.
É isto o Natal: “Um homem que olha outro homem e o trata como irmão"

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O ontem e o hoje

Ontem festa dos Santos Inocentes.
Recordo os tempos da minha juventude em que este era "um dia diferente" para as noviças e postulantes.
Desde a meia-noite podíamos fazer quase tudo aquilo que nos estava vedado no resto do ano: preparar um repasto melhorado "assaltando" a dispensa, ensaiar representações para a comunidade, ir bater à porta das superioras a pedir um presente para festejar o dia...
Enfim!... dos Inocentes massacrados lembrávamo-nos pouco...Eles já estavam no céu, junto do Pai, gozando das alegrias eternas.
Hoje, a situação é outra. Para mim, que já não brinco aos "santos Inocentes" e para todos nós que lembramos, nestes dias de Alegria, que há outros mártires: crianças,também, mas jovens, adultos e idosos. Gente que morre simplesmente porque é cristã, porque é apanhada numa luta entre os que seguem Jesus Cristo e os que O odeiam.
E neste tempo de Natal, em que tudo devia ser Alegria, porque Jesus veio habitar entre nós, há esta sombra negra que torna mais escura e mais presente as preocupações e dores que nos apoquentam.
Mas, não nos podemos deixar abater. Há que aumentar a nossa Fé e a nossa Esperança e cantar como os anjos: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra" . Temos que saber que uma coisa e outra são possíveis,
porque Ele está connosco.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A coragem de João

Ontem foi a festa de S. João Evangelista. Ele, aquele apóstolo "que Jesus amava" o que estava junto à cruz e a quem o Senhor entregou a Sua Mãe.
Talvez por tudo isso me lembrei duma meditação de Monsenhor Francesco Follo em que ele comenta a coragem de João ao levar consigo Maria, a mãe dum criminoso.
Nunca tinha pensado nisso... Mas, realmente, naquele momento, aos olhos do povo e dos chefes que o haviam condenado, Jesus era simplesmente um homem que tinha sido acusado e merecido o suplício da cruz. Só depois é que veio a ressurreição , a descida do Espírito Santo, a capacidade dos apóstolos de superar o medo e se dirigirem a todos os que os ouviam e acusá-los de terem morto um inocente e que era Deus.
João, no momento em que acolheu Maria superou todas as dúvidas, arriscou todas as inventivas, desprezou todas as ameaças. Foi realmente um Homem de coragem !
E ele, convida-nos a sermos corajosos, a receber Maria em nossa casa, abrindo-lhe o nosso coração. Assim, podemos ter a certeza de que carimbamos a nossa felicidade, sobretudo neste tempo em que ainda estamos a viver o Natal de Jesus Cristo.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Últimos passos

É ante véspera do Natal.
Fazem-se os últimos preparativos para receber Jesus.
Ultimam-se os ornamentos do presépio e da capela, arranja-se o refeitório para a ceia de Natal, compram-se as últimas lembranças que quereríamos oferecer como recordação da vinda do Menino...
Âs vezes pensa-se que estamos mais ocupados com o "acidental" do que com o "principal" que é o Deus que vem,
o que pressupõe a nossa preparação interior.
Mas eu, que gosto de me interrogar, pergunto-me se não estamos a cumprir a mensagem que os Anjos nos trouxeram: " Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens". Toda esta actividade a que nos dedicámos não é um reflexo desse desejo de louvor e um propósito de paz?
Esqueçamos dúvidas e questões, inquietações e dores e, na Alegria e na Esperança, preparemos a nossa caminhada até Belém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Dúvidas e certezas

Um amigo meu, outro dia em conversa, deu-me uma "dica" que me fez pensar: Na vida, há mais soluções que problemas. 
Engraçado! Nunca tinha visto assim as coisas. Habitualmente, preocupamo- nos com as nossas dificuldades, inquietamo-nos com questões que se nos apresentam, desiludimo-nos com as oportunidades que se nos escapam... E ficamos acabrunhados, doloridos, inquietos.
Mas, lembramo-nos da imensidade de soluções que se nos podem apresentar? Tentamos, alegremente, encontrar resposta para os problemas que nos incomodam? Se o fizermos, certamente  vemos uma solução mais perto do que imaginávamos. É que " Deus não se deixa vencer em generosidade"  e se Ele permite dificuldades e dores, vai proporcionar certamente, processos eficientes de resolução.
Onde está a nossa Fe?
Que fizemos da nossa Alegria de viver?
Onde deixámos a certeza de que " nada acontece por acaso" ?
Neste tempo de Advento é bom que alimentemos a certeza de que "há mais soluções que problemas".
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Apelos

" Ide.. não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias, nem dinheiro..."
Era uma recomendação feita por Jesus aos apóstolos antes de  os enviar.
Será que ela não se dirige também a nós, nesta caminhada  que somos chamados a percorrer até ao Natal? Talvez pararmos para reflectir: O que espera Deus de nós? 
Não vale a pena pensar em situações complexas, em planos sofisticados, em compromissos que ultrapassam as nossas capacidades de doação... 
Levar o Evangelho "à letra" não é pedido dirigido a todos. Mas o que Jesus solicita de cada um de nós, neste Advento, é que abdiquemos do supérfluo, renunciemos mesmo a um pouco do necessário, olhemos com Amor para os que nos rodeiam e partilhemos o que temos com os que não têm.
Não nos angustiemos com o "amanhã". É por isso que não devemos levar bagagem connosco. Basta-nos a confiança e a certeza de que na oração encontramos sempre força para enfrentar e ultrapassar dificuldades e inquietações. 
Olhemos o presépio, onde se espera a vinda do Menino e, entretanto, vamos ao encontro dos outros, em que Ele já está presente.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.