sábado, 1 de abril de 2017

Questões com difícil solução

Quando temos ocasião de contactar com o que se passou, por exemplo na Polónia, quando da invasão russa,várias questões se nos põem  e se apresentam de difícil solução.
Por exemplo o problema da Fé. Como encarar o mal que não se deseja mas nos é imposto? Deus não quer o mal mas permite-o desde o momento que deu ao Homem a liberdade... Há que admitir esta verdade, o que nem sempre é fácil.
Outra questão é o problema da dor, nas suas várias facetas. A dor em abstracto e a dor daqueles que a sofrem. Como encará-la? como vivê-la, como ultrapassá-la? 
A dor não assumida é um drama que desgasta a alma.
Ainda podemos pensar no conflito entre  um compromisso feito e o problema da defesa da vida.
As soluções, que às vezes encontramos, chocam com direitos e deveres, com compromissos e até com problemas de Fé. E a tudo isto, soma-se ainda a questão do remorso que pode  levar mesmo ao desespero.
Mas o mal, a dor, o remorso, são questões que a Fé , a oração e até uma boa inspiração conseguem resolver.
Saibamos encontrar em Deus a solução para as nossas dificuldades, por maiores que elas sejam.
A Deus não importa o erro mas sim a conversão; Deus que está sempre pronto a perdoar e a nos encher com o Seu amor.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Palavras com significado

Há uns dias vi-me confrontada com o problema da vergonha: a nossa vergonha porque fomos confrontados por outro, face ao nosso erro; vergonha face a Deus, porque nos desviámos do caminho certo; vergonha face a nós mesmos, porque constatamos que não somos o que julgávamos ser ,porque fizemos o que pensávamos nunca ser capazes de fazer. Vergonha porque, de alguma maneira despimos a nossa "máscara" a "couraça" que nos protegia e defendia. Ficamos assim "despidos" diante dos outros e de nós mesmos.
Esta vergonha, este desgosto, pode levar-nos ao remorso, o qual nos diminui mesmo aos nossos olhos e não nos deixa caminhar face à Felicidade, que Deus quer para nós.
Mas para o remorso temos um grande remédio que se chama confissão. Ela consegue eliminar este sentimento, pela graça que nos oferece. 
Deus, que é Pai, apaga a nossa dor e o nosso remorso com o Seu manto de Amor.
A vergonha é que é mais difícil de eliminar porque podemos ter dificuldade de verbalizar o erro que cometemos. Custa a dizê-lo a nós mesmos e, mais ainda, a expôr-nos diante do outro, mesmo que seja o Amigo, ainda que saibamos que é o Senhor que está diante de nós.
Mas, precisamos ser capazes de entrar dentro de nós e de "nos despirmos" verdadeiramente para deixar que o Senhor nos cubra com a Sua graça, o Seu perdão, o Seu amor.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O significado da cruz

Esta manhã consciencializei-me duma realidade que é válida há  quase  60 anos.
Reflectida no vidro da janela estava a cruz que trago ao peito. A cruz que recebi no dia da minha profissão. Branca e negra, como são as cores dominicanas. E uma cruz sem crucifixo porque no Seu lugar devemos estar nós.
Não sei porque me impressionei. Afinal não é uma realidade nova...
Talvez... porque estamos a caminho daquela outra cruz em que pregaram Jesus e depois ficou despida quando O desceram dela... Talvez... porque me lembrei duma frase do Evangelho que também me impressionou : " O meu Pai trabalha incessantemente para vos confrontar com a sua imagem"...
Talvez... porque é tempo de reflexão e interioridade...
Olhar a cruz, possuir uma cruz, maior ou menor, não é motivo para tristeza mas sim para acção. Agarrar nela e viver, cada dia , na busca da participação naquele momento único da ressurreição.


quinta-feira, 2 de março de 2017

A voz e os ecos


" Se hoje ouvirdes a voz do Senhor..."

Este "se " é a oportunidade para nos negarmos a ouvir e, portanto, a não aceder ao convite que a segunda parte da frase nos faz: "não fecheis o vosso coração" .
Não ouvimos a voz do Senhor... E por quê? Muito simplesmente porque queríamos uma voz real, sonante, falando ao nosso ouvido. Não o apelo dos acontecimentos, não a palavra meiga ou agressiva da pessoa que chega junto de nós, não a súplica muda daquele que se cruza connosco, não aquela situação que pede o nosso apoio...
A voz de Deus... que está nas circunstâncias de cada dia, no encontro casual que aconteceu, no telefonema amigo num momento de desânimo... essa voz, passa-nos despercebida e a ela não abrimos o coração. No entanto, neste tempo de Quaresma é preciso estar atento, ter o coração e as mãos abertos, numa atitude de escuta e de oferta. 
Nestes dias que vamos percorrendo, acompanhando o percurso de Jesus, olhemos todas e cada uma das situações que se nos apresentam e façamos delas a nossa dádiva ; com elas, o nosso jejum e a nossa oração. Nelas, está a voz do Senhor que se nos dirige.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Novamente


Ao iniciarmos esta Quaresma há que preparar o nosso coração para aquilo que ela nos pede: jejum, oração, esmola. E, antes de mais nada, pôr o nosso espírito em Deus  e intensificar a nossa Fé.
Deus... que está sempre presente, que acolhe os nossos problemas e dificuldades; Deus... que cuida de nós, porque até se preocupa com "as aves do céu e os  peixes do mar". Deus... que tudo criou de maneira maravilhosa e de tudo continua a cuidar.
Recordemos o fado de Amália Rodrigues em que ela nos lembra que "foi Deus que perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar... deu luz ao firmamento e pôs o azul nas ondas do mar..."
E a nós... Deus não dá muito mais que tudo isso? Não dá, em cada momento, a Graça de que necessitamos, a Sua força, a Sua protecção?
É com esta certeza, que é da Fé que nos foi dada no Baptismo, que vamos hoje receber as cinzas que nos lembram que somos pó mas também que Deus nos olha desde toda a eternidade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Surpresas

Não me lembro de alguma vez me ter interessado o suficiente pelo Festival da Canção para ter passado uma parte da noite a assistir ao espectáculo. 
Mas desta vez era diferente . Tinha um interesse pessoal em saber o que se ia passar e em participar nas votações.
Constato a minha ignorância pois pensava que num Festival, as canções deviam ser alegres , movimentadas, com ritmos activos. Pelo que ouvi, verifiquei que estava enganada e que o importante são outros valores talvez como os estilos e a execução, entre outros aspectos.
Nestas coisas há sempre os que ganham e os que perdem. E serão sempre os melhores a serem valorizados? No fundo os gostos do público são tão diversificados... E sempre justos?
Mas, quem tem valor, a quem Deus concedeu dons especiais, não os vai perder só porque não foi vencedor. Outras oportunidades surgirão.
Tenhamos presente a palavra do poeta: " Quando Deus quer, o homem sonha e a obra surge."
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lições que se aprendem


A primeira leitura da Missa de hoje fala-nos de Adão e Eva e da sua desobediência.
Claro que são simbolismos mas também são lições que se aprendem.
Eles começam por desobedecer e depois, empurrando as culpas uns para os outros: foi a mulher...foi a serpente...
Mas o que é notório é que nenhum nega o erro que cometeu. Quando interrogados por Deus admitem logo a sua falta, ainda que supondo já um castigo. Nem sempre valorizamos este aspecto.
Mas,são estas três visões do problema que nos devem servir de lição. É que ser tentado, por alguém, pelas circunstâncias, pelos desejos... é comum. Desculparmo-nos, porque uma pessoa ou alguma coisa nos influenciou... também acontece. Todos nós sofremos desse mal e caímos nesses erros. Mas o que nem sempre acontece é reconhecermos que errámos, admitirmos a culpa, aceitarmos as consequências.
Aprendamos, com Adão e Eva, a não fugir às nossas responsabilidades. Só assim nos vamos fazendo grandes de verdade.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.