sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lições que se aprendem


A primeira leitura da Missa de hoje fala-nos de Adão e Eva e da sua desobediência.
Claro que são simbolismos mas também são lições que se aprendem.
Eles começam por desobedecer e depois, empurrando as culpas uns para os outros: foi a mulher...foi a serpente...
Mas o que é notório é que nenhum nega o erro que cometeu. Quando interrogados por Deus admitem logo a sua falta, ainda que supondo já um castigo. Nem sempre valorizamos este aspecto.
Mas,são estas três visões do problema que nos devem servir de lição. É que ser tentado, por alguém, pelas circunstâncias, pelos desejos... é comum. Desculparmo-nos, porque uma pessoa ou alguma coisa nos influenciou... também acontece. Todos nós sofremos desse mal e caímos nesses erros. Mas o que nem sempre acontece é reconhecermos que errámos, admitirmos a culpa, aceitarmos as consequências.
Aprendamos, com Adão e Eva, a não fugir às nossas responsabilidades. Só assim nos vamos fazendo grandes de verdade.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Recordando...


Sábado foi a festa de S. Tomás de Aquino. o Patrono das Escolas Católicas.
Fui à missa na minha Basílica, a Basílica da Estrela, claro!
O celebrante lembrou as virtudes de S. Tomás, a sua qualidade de filósofo e de teólogo. Depois, referiu-se à designação que davam a Tomás, por ele ser muito calado: "o boi mudo". Mas acrescentou que quando ele falava a sua palavra enchia os corações e a sua verdade corria o mundo. No fim, pediu que fôssemos como S. Tomás: não usássemos palavras inúteis mas quando falássemos a nossa palavra fosse o testemunho de Jesus Cristo.
Depois, lembrei outros dias de S. Tomás, no Ramalhão. Era o Dia do Professor e nele, os alunos homenageavam os seus Mestres e a comunidade os colaboradores de todos os dias.
Havia sempre celebrações, jograis, versos lembrando factos da vida do professor, presentes, um almoço melhorado , uma tarde recreativa, um lanche partilhado, que sei eu!...
Não há como esquecer esses tempos e esses factos.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Impressões

Às vezes  há fenómenos que nos impressionam porque não conseguimos explicar e nos apanham de surpresa.Ontem foi uma dessas ocasiões.
Entrei na capela para fazer uma despedida rápida a Nosso Senhor , antes de subir para acabar o trabalho que tinha em mãos. Mas não consegui ser rápida.. É que do Sacrário, naquela meia obscuridade que me envolvia, tive a sensação dum brilho em que nunca reparara. Não era o Sacrário todo, era a porta, que parecia sobressair do resto do altar. Talvez a lembrar-me que Jesus estava ali , Ele que é a luz para o nosso coração e a nossa vida. Talvez a dizer que Ele está sempre ali e nos espera e às nossas dúvidas e problemas.
Não consegui pensar nada, naquele momento. Fiquei simplesmente olhando e agradecendo ao Senhor as mil graças que me concede cada dia.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Recomeçar

Novo dia... nova caminhada se nos apresenta.
Comecemos louvando o dia que começa e o Deus que no-lo deu. Iniciemos a caminhada com uma oração sincera, intima, verdadeira.
Ela nos dará a força e a consistência necessárias para enfrentar acontecimentos , dificuldades, fracassos.
Recordemos que Jesus também foi pródigo em caminhadas. E, não foi só no tempo da sua vida pública. Já antes de nascer desceu a Belém e depois, ainda Menino, foi de Belém para Nazaré passando pelo Egipto.
E como adulto... percorreu a Terra Santa e terminou em Jerusalém, pregado numa cruz. E até para ser crucificada teve que subir o monte... 
Não é certamente assim a nossa caminhada mesmo que apresente dificuldades e contratempos. 
Mas, seja mais ou menos difícil, não deixemos de dar graças e de pedir a protecção do Pai.
E sigamos,  na senda de Domingos de Gusmão.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Provérbio japonês

Ainda estou a pensar no provérbio japonês: " Quão mais fácil se torna o caminho quando connosco vai um amigo...". É bem verdadeiro. Caminhar sòzinho e resolver sòzinho dificuldades e barreiras não é fácil. A presença do amigo , com a palavra certa, na altura oportuna ou mesmo com o silêncio que é palavra, facilita a caminhada e torna claro o que se apresenta nubloso.
Simplesmente,  lamentamo-nos muitas vezes da falta desse amigo, desse apoio, dessa consolação e esquecemo-nos  que temos um Amigo sempre presente, sempre acolhedor, sempre pronto a ouvir-nos. Também é verdade que é um Amigo muitas vezes silencioso, distante, ausente mesmo. E isso é que faz com que nos esqueçamos d´Ele. Mas, Ele não está ausente. Quer apenas que O procuremos, que O sigamos, que vamos ao Seu encontro. Então, paremos para pensar e certamente notaremos a Sua presença no fundo do nosso coração.
Tentemos ser como aquela mulher a quem Jesus elogiou :" Mulher, como é grande a tua Fé!"  Assim, saberemos que temos o Amigo connosco, que vai fazer  connosco a nossa caminhada, que acompanha alegrias e tristezas, dificuldades e sucessos da nossa vida.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Revendo a História

A pouco e pouco vamo-nos afastando da grande festa que é o Natal.
Ao mesmo tempo, podemo-nos lembrar da caminhada feita por esse Jesus que começou "andando", de Nazaré para Belém, mesmo antes de nascer .
E depois, ainda pequenino, teve que fugir para o Egipto porque era perseguido por Herodes.
Realmente, a História repete-se!
Hoje, continuamos a saber de meninos que têm que fugir porque estão a ser perseguidos por causa desse outro Menino, que veio para os salvar mas que muitos não conhecem e continuam perseguindo. Ele mesmo acabou morrendo às mãos dos que não O quiseram aceitar.
Mas... voltando ao percurso de Jesus , constatamos que regressou do Egipto, não sabemos quando, mas aos 12 anos devia andar por ali pois foi aos Templo com Maria e José.
E então, a grande preocupação infligida aos pais: "Filho, por que razão nos fizeste isto? Teu pai e eu procurávamos-te aflitos..." E a resposta convincente e explicativa: " Não sabíeis que tinha que tratar das coisas do meu Pai?"
Também nós podemos causar preocupações e sofrimentos à nossa família. Mas, se é por um "bem maior", se é para ir ao encontro da vontade do Pai, então não há que lamentar ou olhar para trás.
Ele acolhe-nos e resolve as dores que, eventualmente, provocámos. Afinal a Sua paternidade estende-se a todos os homens.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Uma história que é um apelo

                                                                     
Foi há uma semana. Era dia de Natal.
Tinha acabado a Missa do Galo. Terminara já a Ceia do Natal. Os membros da família, a pouco e pouco, haviam saído para regressar às suas casas.
Nós, "os da casa”, arrumada minimamente a sala, recolhidos os presentes que tinham cabido a cada um, acauteladas as virtualhas para o almoço do dia seguinte, como recomendara a minha avó, íamo-nos retirando para os nossos quartos.
E eu fui também. E… deitei-me e dormi.
Acordei sobressaltada com uma luz intensa que parecia vir do presépio pequenino que estava em cima da secretária.
Levantei-me num pulo, impressionada com aquela luz e aquele Menino que parecia saltar da mesa.
Fui à janela e sosseguei. A luz não era senão a do candeeiro da rua cuja luminosidade entrava pelas cortinas abertas.
Tudo normal… Tudo natural…
Mas o sorriso do Menino, esse… estava lá. E estava lá também o Seu olhar, tão intenso que parecia fitar-me. E aquela voz, dentro do meu peito, igual certamente à que um dia fora dirigida ao jovem rico: Queres?...
Sentei-me no chão a pensar. É Natal. Natal mais uma vez. Natal que se repete ao longo de dois mil anos. Natal!... Sempre igual e sempre novo.
E o Menino que continua a olhar-me e a perguntar: Queres?
E eu quero… mas o quê?
Continuo a olhar o Menino do meu presépio pequenino e compreendo que o que Ele quer é que O amemos e nos amemos uns aos outros, fazendo, de cada coisa pequenina, o nosso Sim, como Maria.
É já manhã e eu mantenho-me a olhar esse Menino que é Deus feito Homem e que sorri, porque espera um mundo diferente, em que o amor vença o ódio e a generosidade a indiferença.
Fico olhando e acabo adormecendo. E sonho com um mundo em que “o lobo e o cordeiro habitam juntos, o menino brinca na toca da serpente e o leão e o boi comem ambos palha”.
É isto o Natal: “Um homem que olha outro homem e o trata como irmão"