quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Rebanho com ou sem pastor

"Eu sou o bom pastor e cuido das minhas ovelhas..."
Lemos isto hoje no responso da leitura do Ofício de Leituras.
São palavras de Jesus Cristo e indicam como Ele está atento a todos e a cada um de nós; como nos espera, quando nos demoramos a encontrá-Lo; como vai à nossa procura quando nos desviámos do caminho.
Ele é o bom pastor: aquele que cuida da ovelha doente, que vai em auxílio da que se transvia, que pega ao colo naquela que não consegue ir adiante. A imagem do bom pastor é sempre uma imagem carinhosa e impressionante, de atenção e de cuidado pelos que constituem o rebanho.
Mas às vezes também nos sentimos chocados com esta mesma imagem. Sobretudo quando pensamos no rebanho como um grupo anónimo, acéfalo, sem vontade própria, que se deixa conduzir sem pensar nem reagir. E há rebanhos assim, não é verdade?
Mas não podemos ficar com esta imagem ,porque para o Pai cada um de nós é único e insubstituível. Ele vê-nos como aquele filho que Ele aguarda com amor e com certezas mas a quem deu a liberdade para fazer as suas opções, certas ou erradas.
Saibamos fazer as escolhas certas e, quando erramos, tenhamos a coragem de voltar atrás e recomeçar.
O Pai está sempre à nossa espera no fundo do caminho.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mártires de hoje como de ontem

Ontem, dia em que estávamos convocados para viver um dia de oração pela paz e em que a Igreja fazia memória dos Mártires da Coreia, lembrei uma frase que ouvi há tempos: "Temos que nos preparar para ser mártires..."
Claro que quando ouvimos uma coisa destas pensamos logo nos mártires dos primeiros séculos do cristianismo, cristãos devorados pelas feras, martirizados no coliseu de Roma.
Depois, andamos mais uns séculos e pensamos no Japão, na Coreia, no Wietnam, nas centenas de cristãos que perecem às mãos daqueles que não querem ouvir falar de Jesus Cristo.
E, nos dias de hoje, há que lembrar as vítimas dos radicalismos, na Síria ou no Líbano, por exemplo.
Mártires... deram a sua vida porque acreditavam em Jesus Cristo, porque eram fiéis à Verdade, porque não aceitaram renegar a sua Fé.
Mas se olharmos à nossa volta, no nosso mundo "civilizado e livre" , quantos martírios não constatamos... a fome,o desemprego, os maus tratos, as deportações, as pressões sobre trabalhadores, os raptos e... a falta de amor dentro das famílias. Afinal, há muita gente que sofre, silenciosamente, uma ou outra forma de martírio. Talvez sem sangue, sem aparato, sem notícia na comunicação social mas, com a mesma dor, a mesma angústia, o mesmo caminho do calvário.
Preparemo-nos para ser mártires, aumentando a nossa Fé, a nossa confiança e a nossa generosidade.
Olhemos o crucificado que foi o primeiro, mesmo antes de dar a vida na cruz, a sofrer... a incompreensão dos homens, o afastamento dos amigos, o abandono dos apóstolos...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mudam-se os tempos...

Realmente estamos em tempo de mudança.
A começar pelo tempo. Vamos mudar de estação e os efeitos já se fazem sentir: o sol mais baço, o céu menos azul, o ar mais fresco, as folhas secas caídas das árvores...
Também muda a situação dos jovens. Acabaram-se as férias e há que recomeçar. Dar início a um novo ano com tudo o que ele traz de novidade, de esforço, de alegrias e dificuldades.
Para muitos adultos também foi um recomeço, porque acabaram férias, porque arranjaram emprego , porque mudaram de trabalho...
Nós, Irmãs Dominicanas, também temos uma novidade para este tempo de mudanças. Será no dia 7 de Outubro, festa da nossa padroeira, Nossa Senhora do Rosário, que um grupinho de Irmãs vai começar uma nova missão no Algarve.
Na véspera, ao fim do dia, no Colégio do Restelo, juntar-nos-emos para uma "celebração do Envio". Estão todos convidados. E já agora, também, uma oração especial por essa intenção. 
O Algarve precisa da nossa acção e nós precisamos de Graça para a poder realizar. Contamos com o apoio, a presença e a oração de todos e de cada um.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FESTA DA EXALTAÇÂO DA SANTA CRUZ

Cruz é símbolo de dor, de aflição, de sofrimento.
Pensar em cruz é ter presente momentos de lágrimas, de angústia, de inquietação.
Pode portanto parecer um pouco contraditório fazer uma festa para exaltar precisamente esta cruz, este sofrimento, esta dor.
Só que a cruz de que estamos a celebrar a exaltação não é uma cruz qualquer. É a cruz da nossa salvação , a cruz em que se ofereceu Jesus Cristo para nos libertar dos nossos pecados, dos nossos males, dos nossos erros.
E exaltando esta dádiva de Cristo aos Homens, estamos a agradecer-Lhe a oferta que Ele nos fez de si mesmo, estamos a reconhecer o imenso amor que levou Jesus a dar avida pela nossa salvação.
Exaltamos...Festejamos...
Mas por que não fazemos nós, neste dia, a experiência duma disponibilidade total, duma entrega sem restrições à vontade dum Deus que nos deu o Seu Filho sem pedir nada senão que O amássemos?
Ele está lá, só, despojado, entregue...
Como S. Domingos, ajoelhemo-nos aos pés da cruz para dizer o nosso Sim.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

SER FELIZ...

"Podes ter defeitos, estar ansioso
e viver irritado algumas vezes,
 mas não te esqueças
que a tua vida é a maior
empresa do mundo.

Só tu podes evitar que ela
vá em decadência.

Há muitos que te apreciam,
admiram e te querem.

Gostaria que recordasses que ser feliz,
 não é ter um céu sem tempestades,
caminho sem acidentes, trabalhos sem fadiga,
relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é encontrar força no perdão,
esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo,
amor nos desencontros

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso,
mas também reflectir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso,
mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter alegria com os aplausos,
mas ter alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise"


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Rotina ou talvez não~

Acabaram-se as férias. Voltamos ao dia-a-dia, ao ambiente do costume, ao trabalho habitual, aos amigos de sempre.
A rotina! - dizemos
Mas porque é que voltar de férias tem que ser mergulhar na rotina e olhar a vida com um certo fastio? Porque não podemos ver a vida e os acontecimentos com outros olhos, aqueles com que contemplámos o mar, admirámos a destreza dos surfistas ou seguimos o voo ágil das gaivotas?
As férias são precisamente para isso: para mudar os nossos horizontes, fazer esquecer o que nos incomoda, desprendermo-nos do que nos ligava a costumes e modos.
Comecemos, olhando a vida com uma energia nova, uma alegria mais profunda, com objectivos inovadores. O ciclo da vida colabora nesta novidade que devemos estabelecer. É que todos os dias começam e acabam e, no entanto, nenhum é igual...
Aproveitemos as diferenças para estabelecer novas expectativas, novos sonhos e novas realizações. As contrariedades, as inquietações e os aborrecimentos fazem parte e não nos devem abafar e tirar a paz e a alegria. Em cada momento não é verdade que Deus está presente e nos olha e apoia?
Sento-me na capela; olho a cruz grande do altar  e espero que Ele me mostre a novidade que vai alterar a minha rotina.

Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 27 de agosto de 2016

Falso alarme

Ontem íamos apanhando um susto.
Íamos... mas não chegámos a afligir-nos porque não nos deixámos impressionar.
Quando vínhamos da praia, à hora do almoço, um imenso aparato policial: carro de bombeiros, INEM, polícia marítima, GNR e o trânsito cortado.
Tivemos que ir dar uma grande volta para chegar a casa e como perguntei o que estavam a fazer ali aqueles agentes da autoridade, a resposta não foi animadora : Estamos a zelar pela segurança das senhoras...
"Mas o que aconteceu?" perguntei. Com alguma condescendência o polícia lá me respondeu: "É um objecto suspeito que deixaram ficar nas escadas"
Viemos calmamente para casa almoçar. Ainda vimos a brigada de minas e armadilhas, facilmente identificada pelo vestuário.  De repente, um estampido.
Devíamos ter tido receio mas não tivemos. Fomos à janela e não vimos nada. Almoçámos calmamente.
Inconsciência ou demasiada confiança?
Só à tarde soubemos que tinham sido as Testemunhas de Geová que tinham deixado uma mala com panfletos. Com a detonação os panfletos foram pelos ares e os serviços de limpeza levaram os restos.
Uma quase aventura em fim de férias.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.