quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dia diferente

Era dia de Nossa Senhora, um dia de festa. Por isso, resolvemos ir almoçar fora. Fomos a um sítio típico, um restaurante de caldo verde e pão com chouriço. Não sei se seria o mais próprio,  para dia de festa, mas calhou e fomos.
Enquanto esperava na fila, enquanto não chegava a minha vez, fui observando as pessoas que me rodeavam: Jovens acabados de chegar da praia e ainda molhados; famílias com crianças, um olho no serviço e outro nos filhos; senhoras idosas, solitárias, que aproveitavam o almoço para tentar conviver...
E depois, enquanto uns esperam na fila, outros, realizam um jogo secreto de conseguir uma mesa livre.
Finalmente, chegou a altura de me entregarem o tabuleiro com o caldo verde, o pão com chouriço, uma bebida, o arroz doce e o café. Almoço completo.
Sentámo-nos numa mesa conseguida previamente. Em volta, havia quem estivesse deliciado, quem franzisse o nariz, quem simplesmente matasse a fome.
Não tínhamos pressa. Comemos calmamente, conversando, trocando impressões, fazendo comentários Depois, saímos com a certeza que este almoço não era para repetir Nada adequado a um dia de Verão na praia. Ainda tivemos que dar uma grande volta , debaixo dum sol bem quente, para tentar fazer a digestão.
Enfim! Experiências de quem se deixou influenciar por aquela multidão que, todos os dias faz fila para conseguir o seu caldo verde e o pão com chouriço.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Mais uma festa em que a Igreja celebra a Virgem Maria. Esta é a grande festa de Agosto, em que a maioria das terras presta homenagem à Mãe do Céu.
É verdade que, a pare da parte religiosa, da Missa, da pregação, da procissão e tudo o mais, temos a manifestação profana do arraial, dos petiscos, do artesanato, etc.
Mas esta celebração, tão típicas das terras e do povo português, também é manifestação de alegria, de partilha de bens, de ocasião de convívio.
Muita gente lamenta a associação do profano que - dizem - ofusca a devoção, o carácter religioso das celebrações litúrgicas.
Talvez... Mas será que não agrada mesmo à Senhora em honra de quem tudo foi preparado e vai ser vivido?!...
Saibamos dar graças, neste dia, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. Subiu ao céu onde o lugar estava reservado desde toda a eternidade.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 14 de agosto de 2016

Finalmente

Terminou, finalmente. o incêndio na ilha da Madeira. E terminou com uma homenagem aos bombeiros da ilha. Homenagem merecida, manifestação sincera daquele povo que reconhece o muito que aqueles homens deram para os proteger e ajudar.
Até me comovi quando assisti à reportagem na TV. E, ao mesmo tempo, recordei imagens daquela ilha que visitei várias vezes com as minhas alunas.
Certamente elas também se lembram dessas viagens. Ficámos num dos Hotéis, com nome das flores da Madeira, situado perto da Fundação onde trabalham as Irmãs Dominicanas. E tínhamos uma guia que nos levava a visitar os vários locais típicos da ilha: Santana, Monte, Porto Moniz, Pico do Areeiro,etc.
E comprámos orquídeas no largo da Sé; e andámos nos carros típicos, que descem a encosta, puxados por homens experientes; e visitámos o centro histórico; e almoçámos bifes de atum que pareciam de vitela; e assistimos à festa das flores; e até conseguimos entrada na exposição no dia que era só para as autoridades... Privilégio para um grupo de alunas do continente...
Hoje, ao ver as imagens na TV, sinto um arrepio. Pelo pavor que foi e pela beleza que está destruída e é necessário fazer renascer.
Apetecia-me agradecer ao Cristiano Ronaldo e a quantos que, como ele, se prontificaram para ajudar à reconstrução. Espero que o pedido dos Bispos também seja bem acolhido.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 13 de agosto de 2016

Incêndios

Chega o Verão, o calor, o sol, a alegria. E, sem aviso prévio, abate-se sobre as florestas, as casas, as populações, o terror dos incêndios.
São florestas queimadas, casas destruídas, populações em perigo e mesmo feridos e mortos.
E não há dedicação de bombeiros que seja suficiente, não se consegue que os meios terrestres e aéreos sejam eficientes.
Pelo caminho, acusa-se a prevenção, a falta de meios, a intervenção tardia...Mas a catástrofe continua porque o calor é intenso, os ventos adversos e um grupo de indivíduos, sem escrúpulos nem respeito pelo próximo, continua a atear os fogos.
E há quem pergunte: "Será que Deus não sabe do calor, dos ventos, da falta de consciência dos homens?" .. Claro que sabe, que está atento, que acompanha os acontecimentos - diz-nos a nossa Fé.
Simplesmente Deus deu a liberdade ao Homem e com ela os homens conseguem ultrapassar todos os limites, preticar todas as inconsequências, até actuar negativamente nas condições atmosféricas.
Ao Homem Deus deu a Liberdade. Para o Bem e para o mal. E, por isso, vemos os acontecimentos evoluírem sem que Deus intervenha. Ele está atent; Ele quer a Felicidade de todos e de cada um de nós; Ele não pode aprovar aqueles que escolhem o caminho do mal. Mas, antes de tudo está a Liberdade e é ela que nos tem que conduzir ao encontro do Bem.
Mas lembremos esses homens e mulheres, destemidos e corajosos, que têm arriscado a vida para defender floresta,bens e vidas de outros homens. Esses Homens que se chamam BOMBEIROS e não lutam por nenhuma medalha.
 Peçamos por eles ao Pai e colaboremos com eles na medida das nossas forças.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O dom do perdão

O Evangelho de ontem trazia à luz da ribalta o problema do perdão: o perdão que se pede e o perdão que se dá. 
Aqueles dois trabalhadores de que nos fala o texto sabiam pedir perdão mas o inverso não era tão verdadeiro. Aquele que mais tinha sido perdoado não foi capaz de agir em conformidade com o perdão recebido. Às vezes é difícil pedir perdão. Mas, não é tantas vezes mais difícil perdoar e perdoar realmente? 
É que perdoar não é simplesmente dizer que sim, que se perdoa. É necessário todo um trabalho interior de disponibilização do nosso coração para dar, acolher, mudar.
Perdoar tem que utilizar aquela componente de dádiva de que o proprietário se serviu quando perdoou a dívida, aceitando não receber o dinheiro em falta.
Perdoar é abrir o nosso coração e acolher o outro , como ele é, aceitando a ofensa que ele nos fez, passando por cima do aborrecimento, da contrariedade que ele nos causou.
Perdoar é começar um caminho novo em que deixámos para trás todas as coisas, injustiças e ofensas com que nos magoaram.
Por isso... perdoar não é fácil. Sobretudo não é simples fazê-lo de coração sincero e livre.
É muito mais simples pedir perdão, dizer aquela palavra, às vezes também difícil, mas que pode ser somente "palavra".
Não esqueçamos que é preciso seguir Jesus que está sempre pronto para nos perdoar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

" Querer é poder "

Emprestaram-me, para ler nas férias,um livro com título original: " Só avança quem descansa ". Suscitou-me a curiosidade e folheei-o.
Constatei que se tratava da explanação duma conferência feita aos pais dos alunos dum colégio com o tema: "A gestão do tempo". Outra curiosidade...
No livro fala-se de tempo , sua ocupação e falta dele. Chama-se a atenção para o facto de nós  fazermos sempre o que queremos. O pior é que nem sempre queremos o que devemos. E aqui temos a razão de ser necessário estabelecer prioridades e saber que "umas são as prioridades da cabeça e outras as do coração".
E, se pararmos para pensar, constatamos, como o fez este sacerdote, que são as prioridades do coração que levam a melhor quando se trata de escolher o caminho.E sempre bem?!...
Outra coisa que me tocou neste livro, ou melhor, no prólogo da conferência, foi o pregador ter pedido à assistência para " estar mesmo ali" já que tinha vindo para o ouvir.
Quantas vezes vamos mas não estamos... quantas vezes assistimos mas de coração longe, de espírito arredado...
Razões?... As mais variadas. Mas, realmente, necessitamos convencer-nos que, para conseguir qualquer coisa é preciso querer e que "querer é poder". Mas, não esqueçamos que, para querer, efectiva e afectivamente é preciso pedir.
É palavra do Pai: Pedi e recebereis!
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

S. Domingos de Gusmão

Ontem foi a solenidade de Nosso Pai S. Domingos.
S. Domingos, o santo, o pregador, o fundador da Ordem que está a celebrar os seus 800 anos de existência.
Não podia dispensar a Eucaristia, muito embora às 2ª feiras  não haja  Missa aqui, onde estou a passar as férias.. 
Em vista disso, fomos onde sabíamos que havia  E, com grande emoção, voltei à capela da praia onde passei as minhas primeiras férias, depois de directora do Colégio.
Voltei a ver aquelas paredes, a rezar naquele espaço que me traz tantas recordações, a participar numa Eucaristia , como há tantos anos atrás.
Os celebrantes foram outros, a homilia diferente, os participantes em menor número mas... que alegria por ter podido celebrar S. Domingos ali, recordando o ontem, pensando no hoje e tentando deslumbrar o àmanhã.
Claro que não pude deixar de recordar o sr. P. Domingos, o amigo, o capelão, o professor...
Era ele que sempre nos levava até lá, com a sua disponibilidade e generosidade.
Era ele que celebrava para nós e para quantos nos queriam acompanhar.
É ele que continua presente naquelas paredes que ajudou a erguer.
E é ele que do céu, certamente, continua a pedir por todos nós, os que aqui na terra o lembramos com saudade.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.