sábado, 13 de agosto de 2016

Incêndios

Chega o Verão, o calor, o sol, a alegria. E, sem aviso prévio, abate-se sobre as florestas, as casas, as populações, o terror dos incêndios.
São florestas queimadas, casas destruídas, populações em perigo e mesmo feridos e mortos.
E não há dedicação de bombeiros que seja suficiente, não se consegue que os meios terrestres e aéreos sejam eficientes.
Pelo caminho, acusa-se a prevenção, a falta de meios, a intervenção tardia...Mas a catástrofe continua porque o calor é intenso, os ventos adversos e um grupo de indivíduos, sem escrúpulos nem respeito pelo próximo, continua a atear os fogos.
E há quem pergunte: "Será que Deus não sabe do calor, dos ventos, da falta de consciência dos homens?" .. Claro que sabe, que está atento, que acompanha os acontecimentos - diz-nos a nossa Fé.
Simplesmente Deus deu a liberdade ao Homem e com ela os homens conseguem ultrapassar todos os limites, preticar todas as inconsequências, até actuar negativamente nas condições atmosféricas.
Ao Homem Deus deu a Liberdade. Para o Bem e para o mal. E, por isso, vemos os acontecimentos evoluírem sem que Deus intervenha. Ele está atent; Ele quer a Felicidade de todos e de cada um de nós; Ele não pode aprovar aqueles que escolhem o caminho do mal. Mas, antes de tudo está a Liberdade e é ela que nos tem que conduzir ao encontro do Bem.
Mas lembremos esses homens e mulheres, destemidos e corajosos, que têm arriscado a vida para defender floresta,bens e vidas de outros homens. Esses Homens que se chamam BOMBEIROS e não lutam por nenhuma medalha.
 Peçamos por eles ao Pai e colaboremos com eles na medida das nossas forças.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O dom do perdão

O Evangelho de ontem trazia à luz da ribalta o problema do perdão: o perdão que se pede e o perdão que se dá. 
Aqueles dois trabalhadores de que nos fala o texto sabiam pedir perdão mas o inverso não era tão verdadeiro. Aquele que mais tinha sido perdoado não foi capaz de agir em conformidade com o perdão recebido. Às vezes é difícil pedir perdão. Mas, não é tantas vezes mais difícil perdoar e perdoar realmente? 
É que perdoar não é simplesmente dizer que sim, que se perdoa. É necessário todo um trabalho interior de disponibilização do nosso coração para dar, acolher, mudar.
Perdoar tem que utilizar aquela componente de dádiva de que o proprietário se serviu quando perdoou a dívida, aceitando não receber o dinheiro em falta.
Perdoar é abrir o nosso coração e acolher o outro , como ele é, aceitando a ofensa que ele nos fez, passando por cima do aborrecimento, da contrariedade que ele nos causou.
Perdoar é começar um caminho novo em que deixámos para trás todas as coisas, injustiças e ofensas com que nos magoaram.
Por isso... perdoar não é fácil. Sobretudo não é simples fazê-lo de coração sincero e livre.
É muito mais simples pedir perdão, dizer aquela palavra, às vezes também difícil, mas que pode ser somente "palavra".
Não esqueçamos que é preciso seguir Jesus que está sempre pronto para nos perdoar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

" Querer é poder "

Emprestaram-me, para ler nas férias,um livro com título original: " Só avança quem descansa ". Suscitou-me a curiosidade e folheei-o.
Constatei que se tratava da explanação duma conferência feita aos pais dos alunos dum colégio com o tema: "A gestão do tempo". Outra curiosidade...
No livro fala-se de tempo , sua ocupação e falta dele. Chama-se a atenção para o facto de nós  fazermos sempre o que queremos. O pior é que nem sempre queremos o que devemos. E aqui temos a razão de ser necessário estabelecer prioridades e saber que "umas são as prioridades da cabeça e outras as do coração".
E, se pararmos para pensar, constatamos, como o fez este sacerdote, que são as prioridades do coração que levam a melhor quando se trata de escolher o caminho.E sempre bem?!...
Outra coisa que me tocou neste livro, ou melhor, no prólogo da conferência, foi o pregador ter pedido à assistência para " estar mesmo ali" já que tinha vindo para o ouvir.
Quantas vezes vamos mas não estamos... quantas vezes assistimos mas de coração longe, de espírito arredado...
Razões?... As mais variadas. Mas, realmente, necessitamos convencer-nos que, para conseguir qualquer coisa é preciso querer e que "querer é poder". Mas, não esqueçamos que, para querer, efectiva e afectivamente é preciso pedir.
É palavra do Pai: Pedi e recebereis!
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

S. Domingos de Gusmão

Ontem foi a solenidade de Nosso Pai S. Domingos.
S. Domingos, o santo, o pregador, o fundador da Ordem que está a celebrar os seus 800 anos de existência.
Não podia dispensar a Eucaristia, muito embora às 2ª feiras  não haja  Missa aqui, onde estou a passar as férias.. 
Em vista disso, fomos onde sabíamos que havia  E, com grande emoção, voltei à capela da praia onde passei as minhas primeiras férias, depois de directora do Colégio.
Voltei a ver aquelas paredes, a rezar naquele espaço que me traz tantas recordações, a participar numa Eucaristia , como há tantos anos atrás.
Os celebrantes foram outros, a homilia diferente, os participantes em menor número mas... que alegria por ter podido celebrar S. Domingos ali, recordando o ontem, pensando no hoje e tentando deslumbrar o àmanhã.
Claro que não pude deixar de recordar o sr. P. Domingos, o amigo, o capelão, o professor...
Era ele que sempre nos levava até lá, com a sua disponibilidade e generosidade.
Era ele que celebrava para nós e para quantos nos queriam acompanhar.
É ele que continua presente naquelas paredes que ajudou a erguer.
E é ele que do céu, certamente, continua a pedir por todos nós, os que aqui na terra o lembramos com saudade.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 7 de agosto de 2016

Segredos

Ontem foi a festa da Transfiguração de Jesus.
Imagino os apóstolos escolhidos, no monte com Jesus, e serem surpreendidos pela revelação que Ele lhes faz . Ficam espantados, encantados, disponíveis para ali ficar, para fazerem três tendas, nenhuma para eles. Não precisavam. A emoção chegava-lhes. Mas certamente, na alegria que lhes transborda do coração, não esperam a imposição que lhes é feita: não podem contar a ninguém o que viram e souberam.
É um segredo, o que Jesus lhes pede.Um segredo que eles queriam certamente partilhar, desvendar, contar talvez "aos quatro ventos"... Mas, ainda não chegou a hora.
Quantas vezes nos acontece ter o coração apertado por não poder dividir com alguém a alegria ou a angústia que nos invade?!...
No entanto, é assim a amizade. Sempre disponível, sempre pronta, sempre atenta, mas também exigente. É preciso saber cultivá-la, estar aberto ao dar e ao receber.
E agradecer, porque a Amizade é um dom mas que é preciso cultivar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Novo dia

Sentada na areia, contemplo o mar. As ondas, umas vezes calmas, beijam a areia; outras, mais zangadas, bordam de espuma a beira da praia.
O céu azul, um pouco nublado, lembra a nossa vida nem sempre isenta de perturbações ou contrariedades.
Ao longe, um veleiro passa...lentamente, rumo a outras paragens.
Tudo calmo, tudo tranquilo, tudo em paz.
Mesmo sem querer não conseguimos esquecer, nestes ambientes calmos, aqueles incidentes que tanto perturbam a humanidade, sejam desastres naturais ou atentados humanos, sejam derrocadas ou cheias,sejam actos terríveis de terrorismo.
E recordo as palavras do Papa Francisco lembrando que o terrorismo não é só no exterior mas que também temos que ter em atenção o que se passa dentro das famílias: jovens que abandonam idosos, mães que afogam crianças, pais que matam mulheres e filhos...
Não são estas também formas de terrorismo?
Mas, nem umas nem outras podem ter o aval de Deus. Ele criou-nos para sermos felizes, seguindo a palavra de Jesus: "Amai-vos uns aos outro como Ele vos amou" .
E diante de tudo isto, ouvindo o apelo de Deus, reflectindo na palavra do Evangelho, podemos continuar calmamente, centrados na nossa vida e nos nossos "bens", ou temos que ir... seguindo a vontade do Pai?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Férias

Cheguei ontem!
É quase incomodativo falar em férias quando há tanta gente que não as pode ter... Mas aproveito para dar graças a Deus, olhando este mar que se avista... imenso... desta minha varanda voltada ao oceano.
E fico, silenciosamente, tentando imitar Maria que, sentada aos pés do Mestre o escutava para "guardar tudo no seu coração" como Maria, a mãe de Jesus.
É também para isto que servem as férias. Para termos tempo de, livres de trabalhos, podermos reflectir, pensar em mil coisas esquecidas durante o tempo de agitação, de actividade, de ocupação. É tempo para nos consciencializarmos de que, mesmo quando andamos ocupados, inquietos, angustiados, o Pai continua lá, esperando por nós, pela nossa palavra, pela nossa oração.
Cheguei! Estou de férias... não tenho nada que me ocupe, obrigatòriamente.
Fico à varanda olhando o mar, as pessoas que passam, os surfistas que mostram as suas habilidades, as crianças que, alegremente, correm pela areia.
Amanhã juntar-me-ei a elas para o primeiro banho neste mar que nos convida.
Hoje, limito-me a olhar e a dar graças pelos dons recebidos e a Fé que me anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.