domingo, 7 de agosto de 2016

Segredos

Ontem foi a festa da Transfiguração de Jesus.
Imagino os apóstolos escolhidos, no monte com Jesus, e serem surpreendidos pela revelação que Ele lhes faz . Ficam espantados, encantados, disponíveis para ali ficar, para fazerem três tendas, nenhuma para eles. Não precisavam. A emoção chegava-lhes. Mas certamente, na alegria que lhes transborda do coração, não esperam a imposição que lhes é feita: não podem contar a ninguém o que viram e souberam.
É um segredo, o que Jesus lhes pede.Um segredo que eles queriam certamente partilhar, desvendar, contar talvez "aos quatro ventos"... Mas, ainda não chegou a hora.
Quantas vezes nos acontece ter o coração apertado por não poder dividir com alguém a alegria ou a angústia que nos invade?!...
No entanto, é assim a amizade. Sempre disponível, sempre pronta, sempre atenta, mas também exigente. É preciso saber cultivá-la, estar aberto ao dar e ao receber.
E agradecer, porque a Amizade é um dom mas que é preciso cultivar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Novo dia

Sentada na areia, contemplo o mar. As ondas, umas vezes calmas, beijam a areia; outras, mais zangadas, bordam de espuma a beira da praia.
O céu azul, um pouco nublado, lembra a nossa vida nem sempre isenta de perturbações ou contrariedades.
Ao longe, um veleiro passa...lentamente, rumo a outras paragens.
Tudo calmo, tudo tranquilo, tudo em paz.
Mesmo sem querer não conseguimos esquecer, nestes ambientes calmos, aqueles incidentes que tanto perturbam a humanidade, sejam desastres naturais ou atentados humanos, sejam derrocadas ou cheias,sejam actos terríveis de terrorismo.
E recordo as palavras do Papa Francisco lembrando que o terrorismo não é só no exterior mas que também temos que ter em atenção o que se passa dentro das famílias: jovens que abandonam idosos, mães que afogam crianças, pais que matam mulheres e filhos...
Não são estas também formas de terrorismo?
Mas, nem umas nem outras podem ter o aval de Deus. Ele criou-nos para sermos felizes, seguindo a palavra de Jesus: "Amai-vos uns aos outro como Ele vos amou" .
E diante de tudo isto, ouvindo o apelo de Deus, reflectindo na palavra do Evangelho, podemos continuar calmamente, centrados na nossa vida e nos nossos "bens", ou temos que ir... seguindo a vontade do Pai?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Férias

Cheguei ontem!
É quase incomodativo falar em férias quando há tanta gente que não as pode ter... Mas aproveito para dar graças a Deus, olhando este mar que se avista... imenso... desta minha varanda voltada ao oceano.
E fico, silenciosamente, tentando imitar Maria que, sentada aos pés do Mestre o escutava para "guardar tudo no seu coração" como Maria, a mãe de Jesus.
É também para isto que servem as férias. Para termos tempo de, livres de trabalhos, podermos reflectir, pensar em mil coisas esquecidas durante o tempo de agitação, de actividade, de ocupação. É tempo para nos consciencializarmos de que, mesmo quando andamos ocupados, inquietos, angustiados, o Pai continua lá, esperando por nós, pela nossa palavra, pela nossa oração.
Cheguei! Estou de férias... não tenho nada que me ocupe, obrigatòriamente.
Fico à varanda olhando o mar, as pessoas que passam, os surfistas que mostram as suas habilidades, as crianças que, alegremente, correm pela areia.
Amanhã juntar-me-ei a elas para o primeiro banho neste mar que nos convida.
Hoje, limito-me a olhar e a dar graças pelos dons recebidos e a Fé que me anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
  

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Buscas

Acabei de ler um artigo que faz alusão a uma passagem do Génesis:
"O mais importante não é que eu Te procure mas sim que Tu me procuras por todos os caminhos"
E fiquei a pensar que esta é que é uma grande verdade e de que nos esquecemos muitas vezes. Sentamo-nos a chorar faltas passadas, lamentamos andar longe da oração e dos sacramentos, prometemos estar mais presentes e mais atentos.
Tudo bem! Tudo certo! Tudo louvável!...
Mas, quando vamos parar para pensar que, em cada momento em que estivemos ausentes, Ele não deixou de nos procurar?
É a história do Filho Pródigo. Em boa verdade ele só se lembrou do pai quando o necessário lhe faltou, quando se encontrou só e consciente dos erros cometidos.
Mas o pai... esse, nunca o esqueceu e sempre se esforçava por avistar qualquer indício do seu regresso. 
Não somos nós que O escolhemos... que O procuramos... Foi Ele que nos chamou desde toda a eternidade e, com amor, procura desenhar o caminho das nossas vidas.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dados que se adicionam

Hoje acordei ao som duma canção antiga mas que sempre me interpela. É que nos pretende lembrar uma grande realidade que nos pode levar mais além : " o sol nasce todos os dias "
E é tão fácil esquecermo-nos disto!... Quando o dia amanhece escuro, triste, sem brilho, parece que também a nossa alma fica ensombrada, o nosso olhar menos luminoso, a nossa palavra menos animada. Nem nos lembramos do sol que vai aparecer...
E pior ainda é quando o sol brilha luminoso mas no nosso espírito há escuridão e bruma.
Talvez sentarmo-nos junto ao sacrário ou no silêncio do nosso quarto e perguntar: por quê? Desânimo, inquietação, neurastenia ?... Ou simplesmente cansaço?!...
Nem sempre é fácil ultrapassar situações complicadas, mesmo quando temos a certeza de que a graça nos acompanha... Nem sempre conseguimos resolver problemas difíceis mesmo quando acreditamos que o Pai está connosco...
Mas, como cristãos, temos que saber que possuímos outro trunfo: " para os cristãos,a fraternidade e a amizade não são opções". Representam muito mais do que isso. Fazem parte da essência da sua Fé e da sua vida. Portanto, há que confiar nisso tal como contamos com a Graça e imploramos a protecção do Pai.
É que os Amigos, mesmo já ausentes, mesmo distantes, mesmo silenciosos, estão lá. E não foi por acaso que o Pai os colocou
ao nosso lado, no nosso caminho.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Festa de Maria Madalena

Madalena... a pecadora, a perdoada, a que se senta aos pés de Jesus para O ouvir...
Madalena... a primeira mulher a ser testemunha da ressurreição de Jesus;  a que foi enviada a anunciar esta grande Verdade.
Madalena que se senta, a chorar, à beira do sepulcro, porque não sabe do seu Senhor.
Madalena que O reconhece, simplesmente, quando Ele a chama pelo seu nome : Maria!
Impressionante!
Um nome... um chamamento... E a resposta é imediata : Mestre...
A nós, também o Senhor nos chamou desde o dia da concepção. A nós também o Senhor nos chamou, pelo nome, um dia, e nos mandou anunciar a Boa Nova do Evangelho: Domingos, Joana, Tomás, Teresa, José, Catarina...
A cada um chamou pelo seu nome; a cada um concedeu uma Graça; a cada um entregou uma Missão... De cada um espera O reconhecê-lo nos acontecimentos de cada dia; de cada um espera a resposta ao Seu apelo.
Que, "com humildade e misericórdia" realizemos essa missão e façamos crescer essa Graça.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 17 de julho de 2016

Opções

Jesus descansa em casa de Lázaro.
Maria, sentada aos seus pés, escuta-O.
Marta, afadigada, prepara todas as coisas para acolher bem o Mestre. Prepara com amor, com zelo,  e queixa-se porque a irmã a deixou sozinha a trabalhar. Queixa-se e espera que o Senhor diga uma palavra em seu favor, qualquer coisa que demova a irmã da sua aparente inércia.
Mas não. O que Ele afirma é que "Maria escolheu a melhor parte"
E esta afirmação pode.nos deixar um pouco confusos.
Então o trabalho não é também meritório, não o podemos considerar oração, se feito por dever, por amor, por correspondência ao apelo de Deus?
Marta não estava a trabalhar para que o acolhimento a Jesus fosse perfeito?
É verdade tudo isso. Mas é também verdade que o trabalho não pode ocupar nas nossas vidas o lugar da contemplação, daqueles momentos em que, como Maria, nos sentamos a ouvir o mestre.
É que Ele tem sempre algo para nos dizer, algo para aliviar as nossas almas, para fortalecer os nossos corações. Nós é que nem sempre estamos em condições de O ouvir...
Mas façamos um propósito, neste domingo em que o Evangelho nos fala de Maria e da sua escolha: sem descurar o dever saibamos "escolher a melhor parte".
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.