segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Férias

Cheguei ontem!
É quase incomodativo falar em férias quando há tanta gente que não as pode ter... Mas aproveito para dar graças a Deus, olhando este mar que se avista... imenso... desta minha varanda voltada ao oceano.
E fico, silenciosamente, tentando imitar Maria que, sentada aos pés do Mestre o escutava para "guardar tudo no seu coração" como Maria, a mãe de Jesus.
É também para isto que servem as férias. Para termos tempo de, livres de trabalhos, podermos reflectir, pensar em mil coisas esquecidas durante o tempo de agitação, de actividade, de ocupação. É tempo para nos consciencializarmos de que, mesmo quando andamos ocupados, inquietos, angustiados, o Pai continua lá, esperando por nós, pela nossa palavra, pela nossa oração.
Cheguei! Estou de férias... não tenho nada que me ocupe, obrigatòriamente.
Fico à varanda olhando o mar, as pessoas que passam, os surfistas que mostram as suas habilidades, as crianças que, alegremente, correm pela areia.
Amanhã juntar-me-ei a elas para o primeiro banho neste mar que nos convida.
Hoje, limito-me a olhar e a dar graças pelos dons recebidos e a Fé que me anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
  

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Buscas

Acabei de ler um artigo que faz alusão a uma passagem do Génesis:
"O mais importante não é que eu Te procure mas sim que Tu me procuras por todos os caminhos"
E fiquei a pensar que esta é que é uma grande verdade e de que nos esquecemos muitas vezes. Sentamo-nos a chorar faltas passadas, lamentamos andar longe da oração e dos sacramentos, prometemos estar mais presentes e mais atentos.
Tudo bem! Tudo certo! Tudo louvável!...
Mas, quando vamos parar para pensar que, em cada momento em que estivemos ausentes, Ele não deixou de nos procurar?
É a história do Filho Pródigo. Em boa verdade ele só se lembrou do pai quando o necessário lhe faltou, quando se encontrou só e consciente dos erros cometidos.
Mas o pai... esse, nunca o esqueceu e sempre se esforçava por avistar qualquer indício do seu regresso. 
Não somos nós que O escolhemos... que O procuramos... Foi Ele que nos chamou desde toda a eternidade e, com amor, procura desenhar o caminho das nossas vidas.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dados que se adicionam

Hoje acordei ao som duma canção antiga mas que sempre me interpela. É que nos pretende lembrar uma grande realidade que nos pode levar mais além : " o sol nasce todos os dias "
E é tão fácil esquecermo-nos disto!... Quando o dia amanhece escuro, triste, sem brilho, parece que também a nossa alma fica ensombrada, o nosso olhar menos luminoso, a nossa palavra menos animada. Nem nos lembramos do sol que vai aparecer...
E pior ainda é quando o sol brilha luminoso mas no nosso espírito há escuridão e bruma.
Talvez sentarmo-nos junto ao sacrário ou no silêncio do nosso quarto e perguntar: por quê? Desânimo, inquietação, neurastenia ?... Ou simplesmente cansaço?!...
Nem sempre é fácil ultrapassar situações complicadas, mesmo quando temos a certeza de que a graça nos acompanha... Nem sempre conseguimos resolver problemas difíceis mesmo quando acreditamos que o Pai está connosco...
Mas, como cristãos, temos que saber que possuímos outro trunfo: " para os cristãos,a fraternidade e a amizade não são opções". Representam muito mais do que isso. Fazem parte da essência da sua Fé e da sua vida. Portanto, há que confiar nisso tal como contamos com a Graça e imploramos a protecção do Pai.
É que os Amigos, mesmo já ausentes, mesmo distantes, mesmo silenciosos, estão lá. E não foi por acaso que o Pai os colocou
ao nosso lado, no nosso caminho.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Festa de Maria Madalena

Madalena... a pecadora, a perdoada, a que se senta aos pés de Jesus para O ouvir...
Madalena... a primeira mulher a ser testemunha da ressurreição de Jesus;  a que foi enviada a anunciar esta grande Verdade.
Madalena que se senta, a chorar, à beira do sepulcro, porque não sabe do seu Senhor.
Madalena que O reconhece, simplesmente, quando Ele a chama pelo seu nome : Maria!
Impressionante!
Um nome... um chamamento... E a resposta é imediata : Mestre...
A nós, também o Senhor nos chamou desde o dia da concepção. A nós também o Senhor nos chamou, pelo nome, um dia, e nos mandou anunciar a Boa Nova do Evangelho: Domingos, Joana, Tomás, Teresa, José, Catarina...
A cada um chamou pelo seu nome; a cada um concedeu uma Graça; a cada um entregou uma Missão... De cada um espera O reconhecê-lo nos acontecimentos de cada dia; de cada um espera a resposta ao Seu apelo.
Que, "com humildade e misericórdia" realizemos essa missão e façamos crescer essa Graça.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 17 de julho de 2016

Opções

Jesus descansa em casa de Lázaro.
Maria, sentada aos seus pés, escuta-O.
Marta, afadigada, prepara todas as coisas para acolher bem o Mestre. Prepara com amor, com zelo,  e queixa-se porque a irmã a deixou sozinha a trabalhar. Queixa-se e espera que o Senhor diga uma palavra em seu favor, qualquer coisa que demova a irmã da sua aparente inércia.
Mas não. O que Ele afirma é que "Maria escolheu a melhor parte"
E esta afirmação pode.nos deixar um pouco confusos.
Então o trabalho não é também meritório, não o podemos considerar oração, se feito por dever, por amor, por correspondência ao apelo de Deus?
Marta não estava a trabalhar para que o acolhimento a Jesus fosse perfeito?
É verdade tudo isso. Mas é também verdade que o trabalho não pode ocupar nas nossas vidas o lugar da contemplação, daqueles momentos em que, como Maria, nos sentamos a ouvir o mestre.
É que Ele tem sempre algo para nos dizer, algo para aliviar as nossas almas, para fortalecer os nossos corações. Nós é que nem sempre estamos em condições de O ouvir...
Mas façamos um propósito, neste domingo em que o Evangelho nos fala de Maria e da sua escolha: sem descurar o dever saibamos "escolher a melhor parte".
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Esperança - a irmã mais nova das virtudes

" Mas a esperança, diz Deus
 isso sim, até para mim me causa estranheza.
Que estes pobres filhos vejam como as coisas vão hoje
e acreditem que amanhã tudo irá melhor.
Isso sim, é assombroso e é a maior maravilha da Nossa graça.

Eu próprio estou assombrado.
Quanto não será preciso que seja a Minha graça
e a força da Minha graça
para que esta pequena esperança,
vacilante ante o sopro do pecado,
temerosa ante os ventos,
agonizante ante o menor sopro,
continue viva, impossível de apagar?

Esta pequena esperança que parece coisa de nada,
esta pequena esperança, imortal.
Pelo caminho empinado, arenoso e estreito,
arrastada e amparada pelos braços das suas
irmãs mais velhas ( Fé e Caridade),
vai a pequena esperança como uma criança
que não tem força para caminhar.

Mas na realidade é ela que faz andar as outras duas,
aquela que as arrasta,
aquela que faz andar e mover o mundo inteiro.
Porque, em verdade, não se trabalha senão pelos filhos,
e as duas virtudes maiores só avançam
Graças à mais pequena"
Charles Peguy

segunda-feira, 11 de julho de 2016

" Ser feliz é...

"Podes ter defeitos, estar ansioso
e viver irritado algumas vezes,
mas não te esqueças
Que a tua vida é a maior
empresa do mundo.

Só tu podes evitar que ela
vá em decadência.

Há muitos que te apreciam,
admiram e te querem.

Gostaria que recordasses que ser feliz,
não é ter um céu sem tempestades,
caminho sem acidentes, trabalho sem fadiga,
relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é encontrar força no perdão,
presença nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso,
mas também reflectir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso,
mas aprender lições nos fracassos.

Não é apenas ter alegria com os aplausos,
 mas ter alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise."


terça-feira, 5 de julho de 2016

Alunas


              Quem se lembra destas "lindas Alunas"?

São a Vanessa, a Carla e a Filipa
São do tempo em que havia batas azuis, encarnadas, verdes e pretas, conforme os ciclos.
Só depois é que veio o costume do uniforme para todos os dias.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O Nome

"Os vossos nomes estão escritos nos céus..." são palavras de Jesus Cristo que não nos podem deixar indiferentes.
Como podemos viver, de qualquer maneira, sem pensar que, desde a nossa concepção, Deus nos chamou pelo nome  e reservou para nós um lugar entre os eleitos?
Como podemos andar afastados do Pai, ocupados com as nossas "coisas", os nossos interesses, as nossas preocupações e aborrecimentos e não procurar  ter Deus como centro de tudo o que fazemos, pensamos e queremos?
Como podemos afastar-nos, errar, seguir por caminhos tortuosos e não fazer como o filho pródigo?
Mas, façamos o que fizermos, Deus está lá, esperando-nos. E, " o nosso nome está escrito nos céus"
Impressiona-me ler ou ouvir esta frase tão cheia de significado e, ao mesmo tempo, de exigência.
É um apelo, um convite. Como corresponder a ele?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

sábado, 2 de julho de 2016

Relembrando...


                               02 / 07 / 1958
São dias que não esquecem!
                Muitas graças meu Deus. Eis-me aqui...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

"vem..."


Ao ler ou escrever este verbo lembro-me sempre do "Cântico negro" de José Régio.
São muitos os convites, muitas as solicitações, muitas as hipóteses apresentadas. E o maior convite é mesmo o que Deus nos faz.
O Evangelho dum destes domingos falava deste convite, do seguimento de Cristo: " Quem quer ser meu discípulo..."
E não se referia apenas a pegar na cruz de cada dia. Era talvez exigente em aspectos concretos : " deixa que os mortos enterrem os seus mortos..." " Quem põe a mão no arado e olha para trás..."  
Talvez não possamos atender a tudo isto de uma maneira absoluta. Há que contar com as nossas fragilidades, tentações e liberdade. E depois, há sempre uma interpretação mais abrangente...
Mas o que não podemos esquecer é que Deus tem que estar antes e acima de tudo o mais. Se O pomos como centro e cúpula das nossas vidas, então o "olhar para trás"  é um pormenor; o querer ir despedir-se da família ou enterrar os seus mortos" são as fraquezas a que nos prendemos, mesmo involuntariamente, as solicitações que deixamos que sejam mais fortes que o nosso querer.
Deus fez-nos um apelo, antes de tudo à santidade
Paremos para pensar o que , em cada dia, nos prende, nos solicita, nos leva a "olhar para trás", nos impede de seguir o Pai.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Reencontro

Mais uma vez voltei àquela Igreja dominicana onde me senti tão estranha mas tão bem.
Realmente há demasiado cimento,demasiada madeira talhada abruptamente, um sacrário a meio do espaço, ao lado duma janela estreita que dá para um jardim.
Do outro lado, uma janela rasgada mostrando um fundo verde lindíssimo.
Tudo diferente do que estamos habituados e, ao princípio parece que nos vamos sentir abafados, esmagados, demasiado pressionados...
Mas depois... que bom! Que sossego, que ambiente intimista, que pequenez naquela grandiosidade... E ficamos nós e Deus.
Não importa se a Igreja está cheia, se se está a velar um Irmão defunto, se há uma Missa com um grupo de Dominicanos... Nada disso tira a certeza de que estamos ali, nós e Deus, presente naquele sacrário.
Mais uma vez, uma experiência que não esqueço e enche o coração, mesmo quando há inquietação e dor e
neurastenia...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

Festa na Vila

Solenidade de S. Pedro e S. Paulo
Aqui em Sintra, é simplesmente a festa de S. Pedro com feriado e tudo. É o " santo popular " comemorado nesta zona, "com pompa e circunstância".
E, realmente, S. Pedro merece ser evocado por todos nós.Era um homem simples, pescador de profissão, um homem a quem Jesus mudou o nome de Saulo para Paulo, e percebemos porquê.
Não era grande a sua Fé mas era um indivíduo de entusiasmos: " Senhor que eu ande sobre as ondas..." E foi. Mas o medo fê-lo perder o pé e quase se afundar.
Era medroso e por isso negou o seu Mestre: "Não O conheço..." 
Mas a sua capacidade de arrependimento era igual à do seu entusiasmo.
Foi por reconhecer as suas virtudes que Jesus fez dele o primeiro chefe da Sua Igreja.
Modelo para nós, tentemos segui-lo e acompanhá-lo na sua confiança, mesmo quando errou.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Os convidados reticentes

Nos anos 80 do século passado havia uma canção muito frequente nos encontros religiosos cujo refrão dizia assim: 
         Muitos são os convidados
         Quase ninguém tem tempo
         Se ouvires a voz do vento
         Querendo-te enganar
         A decisão é tua
Estes versos remetem-nos, talvez, para a conversa de Jesus com o jovem rico: "vende o que tens... e segue-me"; faz-nos pensar nas palavras do Evangelho: "muitos são os chamados e poucos os escolhidos"; ou no convite do Mestre a Zaqueu: " desce da árvore que quero jantar em tua casa"...
A todos foi dirigido o convite. A resposta é que dependeu  da vontade, do discernimento, da luz de cada um deles. 
A todos nós, baptizados ou não, é dirigido o convite de seguir o Senhor: "muitos são os chamados..." Por quê "poucos os escolhidos"? Será que, "quase ninguém tem tempo" para pensar no convite que lhe é feito? Ou é o vento que nos engana?... Jesus a excluir alguns é que não é de certeza... 
Talvez, como o jovem rico, tenhamos demasiados bens a que estamos apegados... Bens, que podem não ser os económicos. Antes, egoísmo, orgulho, vaidade, que sei eu... E esses, não nos deixam ver a luz, aquela que levou Zaqueu a descer da árvore, ir preparar o jantar e mudar de vida.
Não "ouçamos a voz do vento querendo-nos enganar". Pensemos que a vida depende dos sins e dos nãos  que somos chamados a dizer.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Festas especiais

Hoje a Igreja celebra a Festa de Santo António de Lisboa.
Os italianos bem querem que ele seja de Pádua e lá o veneram com "grande pompa e circunstância". E realmente,Santo António dedicou grande parte da sua vida à pregação em França e Itália. 
Mas o facto é que foi em Lisboa que ele nasceu, entrou nos cónegos regrantes de Santo Agostinho e se fez depois franciscano.
Hoje, é o padroeiro secundário de Portugal e os portugueses têm-lhe imensa devoção. Claro que se misturam devoções religiosas com práticas de cariz popular... mas isso é próprio do nosso povo.
Santo António não é o santo casamenteiro e o advogado das causas perdidas?!...
A sua igreja, junto da Sé de Lisboa, é das mais visitadas pelos turistas, sobretudo neste mês dos "santos populares".
Que como ele saibamos pregar a Palavra entre os que dela necessitam.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 12 de junho de 2016

Mudar

" Os teus pecados são-te perdoados. Vai e não peques mais".
Foram as palavras de Jesus à mulher pecadora que O abordou no jantar em casa do fariseu.
São as palavras que o sacerdote nos dirige, em nome de Jesus, de cada vez que nos vamos confessar.
" Os teus pecados são-te perdoados".
Por maiores que eles sejam... por maior número de vezes que os repitamos... por mais difícil que seja enumerá-los...
Porque temos, então, tanta dificuldade em nos confessarmos? Porque é difícil entrar dentro de nós e dizer: pequei....
Mas, de cada vez que nos arrependemos e ajoelhamos aos pés do sacerdote, para lhe dizer o que de mal fizemos, ouvimos sempre as mesmas palavras: " Os teus pecados são-te perdoados"
Até porque Jesus não se cansa, não se aborrece, não se indigna, não vira as costas...
Ele está lá sempre, pronto para nos acolher, animar, perdoar.
Nós é que nem sempre estamos dispostos a ouvi-Lo e seguir o Seu apelo.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 11 de junho de 2016

Anjos

Ontem foi o dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas.
Houve mesmo direito a uma celebração bi- partida entre França e Portugal, com o presidente francês a condecorar duas portuguesas que se distinguiram quando dos atentados em Paris.
Esta condecoração, por ser de portugueses por um presidente francês, foi um facto inédito de quebra de protocolo...
A Igreja, por sua vez, celebrou o Anjo de Portugal.
E não podemos deixar de ter presente que os anjos sempre tiveram um papel importante, quer no Antigo quer no Novo Testamento.
"Eis que um Anjo chega e diz a Maria que vai ser Mãe do Filho de Deus..." É um coro de anjos que desperta os pastores para que vão adorar o Menino recem-nascido... E são dois anjos que anunciam, aos que chegam ao túmulo,  que Jesus ressuscitou: " Não está aqui; ressuscitou!..."
.E, no século passado, foi  um anjo que preparou as três crianças para a visita de Maria...
Que o Anjo de Portugal esteja atento ao desenrolar dos acontecimentos no país que ele protege. E que nós, portugueses, saibamos pedir a sua intercessão e confiar nela.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sugestões

Frei Felicísimo Martínez,O.P. ao escrever sobre o projecto fundacional de S. Domingos, nomeia, embora de maneira diferente, os quatro conhecidos pilares:  

. A dimensão contemplativa e a experiência de Deus;
. A pobreza, fraternidade-irmandade e a radicalidade do             Evangelho;
. A vida apostólica e a urgência da Missão
                                                      . O anúncio da Palavra e a prioridade da Evangelização.

Mas depois, acrescenta algo de novo: a inserção 
E dá como exemplos de um tipo especial  de inserção, que devemos considerar, a cura do cego Bartimeu, a conversão do publicano Zaqueu e, mais do que tudo, o mandato aos apóstolos para que se dirijam à Galileia onde se encontrarão com o Ressuscitado. 
A Galileia, uma zona simples, longe da tradição dos judeus.
E a pergunta que nos põe é : qual será a nossa Galileia, aquela  onde nos encontraremos com o Senhor Ressuscitado? Será que já temos resposta?
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Espantos e esperanças

Esta manhã abri a Bíblia e mesmo sem saber a razão dei comigo a ler o Apocalipse. Este é um livro intrigante e algo assustador mesmo, se não o pudermos interpretar. São demasiadas tragédias para um livro só!...
Muita gente vê aquelas profecias como acontecimentos que ainda se vão dar num futuro mais ou menos próximo. Há mesmo quem arrisque pronunciar-se sobre uma data. Não é verdade que o "fim do mundo" esteve anunciado para o ano 2000? Já lá vão 16 anos...
Não é certo que alguns relacionam tsunamis, tremores de terra, atentados, etc. com profecias descritas no Apocalipse?
Mas, alguns exegetas, estudiosos conscientes, declaram que o livro profético de João  se destinava às gentes daquele tempo e que as profecias nele descritas eram o anúncio de acontecimentos que se verificaram, como a queda do Império romano ou o incêndio de Roma.
Podemos então perguntar  qual a razão de se assustarem aqueles povos, já com tanto medo e perseguidos, com histórias tão aterradoras.
Talvez porque, simultaneamente, elas dão uma lição de confiança e tentam espalhar a esperança de um "novo mundo" que vai surgir. Estas profecias são a promessa de que as dores vão acabar e são o prenúncio duma Igreja que vai nascer e dum povo - os cristãos - que vai florir.
O Apocalipse pode ser um livro de profecias aterradoras mas também deve ser um testemunho de esperança. Procuremos nele a Palavra de Jesus Cristo e a promessa da Sua vinda e presença.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Suspiros inúteis

Faltam ainda dois meses!
Dois meses para me poder estender ao sol; dois meses para poder apreciar a beleza da paisagem marítima; dois meses para mudar de ambiente, de rotina, de espaços. 
Faltam ainda dois meses!... e apetece-me suspirar desejando que estes 60 dias, não! 56... passem depressa.
Ainda por cima com um dia tristonho como o de hoje...
Mas, em boa verdade, não tenho o direito de me lamentar nem de suspirar pelas férias.
Claro que eu gosto da praia, do cheiro a maresia, da areia quente, dos passeios sem destino, das reflexões à beira mar ...
É evidente que a nesga de azul que descortino da minha janela é demasiado pequena para traduzir a imensidão do mar...
Mas... Não tenho uma paisagem verde a rodear-me? Não abro a janela e não me invade o aroma da erva fresca? Não possuo alamedas selvagens que convidam a passear?...
E não há tanta gente que não tem nada disto? E, pior, não tem férias?
Bem posso dar graças a Deus e aproveitar estes dois meses de espera, sem suspirar pelo outro que há-de chegar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.