domingo, 12 de junho de 2016

Mudar

" Os teus pecados são-te perdoados. Vai e não peques mais".
Foram as palavras de Jesus à mulher pecadora que O abordou no jantar em casa do fariseu.
São as palavras que o sacerdote nos dirige, em nome de Jesus, de cada vez que nos vamos confessar.
" Os teus pecados são-te perdoados".
Por maiores que eles sejam... por maior número de vezes que os repitamos... por mais difícil que seja enumerá-los...
Porque temos, então, tanta dificuldade em nos confessarmos? Porque é difícil entrar dentro de nós e dizer: pequei....
Mas, de cada vez que nos arrependemos e ajoelhamos aos pés do sacerdote, para lhe dizer o que de mal fizemos, ouvimos sempre as mesmas palavras: " Os teus pecados são-te perdoados"
Até porque Jesus não se cansa, não se aborrece, não se indigna, não vira as costas...
Ele está lá sempre, pronto para nos acolher, animar, perdoar.
Nós é que nem sempre estamos dispostos a ouvi-Lo e seguir o Seu apelo.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 11 de junho de 2016

Anjos

Ontem foi o dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas.
Houve mesmo direito a uma celebração bi- partida entre França e Portugal, com o presidente francês a condecorar duas portuguesas que se distinguiram quando dos atentados em Paris.
Esta condecoração, por ser de portugueses por um presidente francês, foi um facto inédito de quebra de protocolo...
A Igreja, por sua vez, celebrou o Anjo de Portugal.
E não podemos deixar de ter presente que os anjos sempre tiveram um papel importante, quer no Antigo quer no Novo Testamento.
"Eis que um Anjo chega e diz a Maria que vai ser Mãe do Filho de Deus..." É um coro de anjos que desperta os pastores para que vão adorar o Menino recem-nascido... E são dois anjos que anunciam, aos que chegam ao túmulo,  que Jesus ressuscitou: " Não está aqui; ressuscitou!..."
.E, no século passado, foi  um anjo que preparou as três crianças para a visita de Maria...
Que o Anjo de Portugal esteja atento ao desenrolar dos acontecimentos no país que ele protege. E que nós, portugueses, saibamos pedir a sua intercessão e confiar nela.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sugestões

Frei Felicísimo Martínez,O.P. ao escrever sobre o projecto fundacional de S. Domingos, nomeia, embora de maneira diferente, os quatro conhecidos pilares:  

. A dimensão contemplativa e a experiência de Deus;
. A pobreza, fraternidade-irmandade e a radicalidade do             Evangelho;
. A vida apostólica e a urgência da Missão
                                                      . O anúncio da Palavra e a prioridade da Evangelização.

Mas depois, acrescenta algo de novo: a inserção 
E dá como exemplos de um tipo especial  de inserção, que devemos considerar, a cura do cego Bartimeu, a conversão do publicano Zaqueu e, mais do que tudo, o mandato aos apóstolos para que se dirijam à Galileia onde se encontrarão com o Ressuscitado. 
A Galileia, uma zona simples, longe da tradição dos judeus.
E a pergunta que nos põe é : qual será a nossa Galileia, aquela  onde nos encontraremos com o Senhor Ressuscitado? Será que já temos resposta?
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Espantos e esperanças

Esta manhã abri a Bíblia e mesmo sem saber a razão dei comigo a ler o Apocalipse. Este é um livro intrigante e algo assustador mesmo, se não o pudermos interpretar. São demasiadas tragédias para um livro só!...
Muita gente vê aquelas profecias como acontecimentos que ainda se vão dar num futuro mais ou menos próximo. Há mesmo quem arrisque pronunciar-se sobre uma data. Não é verdade que o "fim do mundo" esteve anunciado para o ano 2000? Já lá vão 16 anos...
Não é certo que alguns relacionam tsunamis, tremores de terra, atentados, etc. com profecias descritas no Apocalipse?
Mas, alguns exegetas, estudiosos conscientes, declaram que o livro profético de João  se destinava às gentes daquele tempo e que as profecias nele descritas eram o anúncio de acontecimentos que se verificaram, como a queda do Império romano ou o incêndio de Roma.
Podemos então perguntar  qual a razão de se assustarem aqueles povos, já com tanto medo e perseguidos, com histórias tão aterradoras.
Talvez porque, simultaneamente, elas dão uma lição de confiança e tentam espalhar a esperança de um "novo mundo" que vai surgir. Estas profecias são a promessa de que as dores vão acabar e são o prenúncio duma Igreja que vai nascer e dum povo - os cristãos - que vai florir.
O Apocalipse pode ser um livro de profecias aterradoras mas também deve ser um testemunho de esperança. Procuremos nele a Palavra de Jesus Cristo e a promessa da Sua vinda e presença.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Suspiros inúteis

Faltam ainda dois meses!
Dois meses para me poder estender ao sol; dois meses para poder apreciar a beleza da paisagem marítima; dois meses para mudar de ambiente, de rotina, de espaços. 
Faltam ainda dois meses!... e apetece-me suspirar desejando que estes 60 dias, não! 56... passem depressa.
Ainda por cima com um dia tristonho como o de hoje...
Mas, em boa verdade, não tenho o direito de me lamentar nem de suspirar pelas férias.
Claro que eu gosto da praia, do cheiro a maresia, da areia quente, dos passeios sem destino, das reflexões à beira mar ...
É evidente que a nesga de azul que descortino da minha janela é demasiado pequena para traduzir a imensidão do mar...
Mas... Não tenho uma paisagem verde a rodear-me? Não abro a janela e não me invade o aroma da erva fresca? Não possuo alamedas selvagens que convidam a passear?...
E não há tanta gente que não tem nada disto? E, pior, não tem férias?
Bem posso dar graças a Deus e aproveitar estes dois meses de espera, sem suspirar pelo outro que há-de chegar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.              

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Neste dia,vivamos com Jesus bem presente no meio de nós.
Ele que deu a Sua vida por nós e permanece presente para nos acolher e apoiar.
Mas, neste dia, não posso também deixar de recordar a Madre Sagrado Coração de Jesus.
Foi minha Prioresa, aqui no Ramalhão, e depois Superiora geral.
Todas lhe conhecemos as capacidades, o carinho, a compreensão que tinha para com todas e cada uma.
Morreu inesperadamente num acidente de automóvel.
Não prometeu, como S. Domingos, ser-nos mais útil depois da sua morte, mas sempre contei com isso.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Beijo... símbolo de ternura?

É raro o dia em que a rádio ou os jornais não nos chamem a atenção para um dia especial ou para alguém que passou esquecido no tempo. Por isso, não é de estranhar que a rádio, o mês passado, tenha anunciado, com ênfase, o "dia internacional do beijo".
Comecei por achar estranho mas depois pensei: há tantos dias especiais, que é só mais um.
E fiquei a raciocinar sobre os inúmeros sentidos que podemos dar a um beijo. Habitualmente, dar um beijo significa um gesto de amizade, de carinho, de amor. Qualquer coisa que explicita o que se sente e se quer transmitir. Às vezes quer simplesmente marcar uma presença e dar força a quem dela precisa.
Mas, de repente, pensamos naquela passagem do Evangelho que narra o encontro de Judas com Jesus. E a nossa imaginação constrói a cena desse beijo que foi o sinal da traição que levou o Mestre até Pilatos e à Sua posterior condenação e morte.
Claro que o dia internacional não quer salientar estes beijos que traduzem fingimento e traição... só que não os podemos afastar e esquecer. Mas podemos lembrar outros beijos bem diferentes. Por exemplo os que  Teresa de Calcutá dava a cada enfermo, a cada moribundo que encontrava no seu caminho...
 Neste Ano da Misericórdia, que os nossos beijos traduzam a nossa ternura , a nossa amizade e a nossa compreensão para todos os que precisam delas.
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.