quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sugestões

Frei Felicísimo Martínez,O.P. ao escrever sobre o projecto fundacional de S. Domingos, nomeia, embora de maneira diferente, os quatro conhecidos pilares:  

. A dimensão contemplativa e a experiência de Deus;
. A pobreza, fraternidade-irmandade e a radicalidade do             Evangelho;
. A vida apostólica e a urgência da Missão
                                                      . O anúncio da Palavra e a prioridade da Evangelização.

Mas depois, acrescenta algo de novo: a inserção 
E dá como exemplos de um tipo especial  de inserção, que devemos considerar, a cura do cego Bartimeu, a conversão do publicano Zaqueu e, mais do que tudo, o mandato aos apóstolos para que se dirijam à Galileia onde se encontrarão com o Ressuscitado. 
A Galileia, uma zona simples, longe da tradição dos judeus.
E a pergunta que nos põe é : qual será a nossa Galileia, aquela  onde nos encontraremos com o Senhor Ressuscitado? Será que já temos resposta?
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Espantos e esperanças

Esta manhã abri a Bíblia e mesmo sem saber a razão dei comigo a ler o Apocalipse. Este é um livro intrigante e algo assustador mesmo, se não o pudermos interpretar. São demasiadas tragédias para um livro só!...
Muita gente vê aquelas profecias como acontecimentos que ainda se vão dar num futuro mais ou menos próximo. Há mesmo quem arrisque pronunciar-se sobre uma data. Não é verdade que o "fim do mundo" esteve anunciado para o ano 2000? Já lá vão 16 anos...
Não é certo que alguns relacionam tsunamis, tremores de terra, atentados, etc. com profecias descritas no Apocalipse?
Mas, alguns exegetas, estudiosos conscientes, declaram que o livro profético de João  se destinava às gentes daquele tempo e que as profecias nele descritas eram o anúncio de acontecimentos que se verificaram, como a queda do Império romano ou o incêndio de Roma.
Podemos então perguntar  qual a razão de se assustarem aqueles povos, já com tanto medo e perseguidos, com histórias tão aterradoras.
Talvez porque, simultaneamente, elas dão uma lição de confiança e tentam espalhar a esperança de um "novo mundo" que vai surgir. Estas profecias são a promessa de que as dores vão acabar e são o prenúncio duma Igreja que vai nascer e dum povo - os cristãos - que vai florir.
O Apocalipse pode ser um livro de profecias aterradoras mas também deve ser um testemunho de esperança. Procuremos nele a Palavra de Jesus Cristo e a promessa da Sua vinda e presença.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Suspiros inúteis

Faltam ainda dois meses!
Dois meses para me poder estender ao sol; dois meses para poder apreciar a beleza da paisagem marítima; dois meses para mudar de ambiente, de rotina, de espaços. 
Faltam ainda dois meses!... e apetece-me suspirar desejando que estes 60 dias, não! 56... passem depressa.
Ainda por cima com um dia tristonho como o de hoje...
Mas, em boa verdade, não tenho o direito de me lamentar nem de suspirar pelas férias.
Claro que eu gosto da praia, do cheiro a maresia, da areia quente, dos passeios sem destino, das reflexões à beira mar ...
É evidente que a nesga de azul que descortino da minha janela é demasiado pequena para traduzir a imensidão do mar...
Mas... Não tenho uma paisagem verde a rodear-me? Não abro a janela e não me invade o aroma da erva fresca? Não possuo alamedas selvagens que convidam a passear?...
E não há tanta gente que não tem nada disto? E, pior, não tem férias?
Bem posso dar graças a Deus e aproveitar estes dois meses de espera, sem suspirar pelo outro que há-de chegar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.              

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Neste dia,vivamos com Jesus bem presente no meio de nós.
Ele que deu a Sua vida por nós e permanece presente para nos acolher e apoiar.
Mas, neste dia, não posso também deixar de recordar a Madre Sagrado Coração de Jesus.
Foi minha Prioresa, aqui no Ramalhão, e depois Superiora geral.
Todas lhe conhecemos as capacidades, o carinho, a compreensão que tinha para com todas e cada uma.
Morreu inesperadamente num acidente de automóvel.
Não prometeu, como S. Domingos, ser-nos mais útil depois da sua morte, mas sempre contei com isso.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Beijo... símbolo de ternura?

É raro o dia em que a rádio ou os jornais não nos chamem a atenção para um dia especial ou para alguém que passou esquecido no tempo. Por isso, não é de estranhar que a rádio, o mês passado, tenha anunciado, com ênfase, o "dia internacional do beijo".
Comecei por achar estranho mas depois pensei: há tantos dias especiais, que é só mais um.
E fiquei a raciocinar sobre os inúmeros sentidos que podemos dar a um beijo. Habitualmente, dar um beijo significa um gesto de amizade, de carinho, de amor. Qualquer coisa que explicita o que se sente e se quer transmitir. Às vezes quer simplesmente marcar uma presença e dar força a quem dela precisa.
Mas, de repente, pensamos naquela passagem do Evangelho que narra o encontro de Judas com Jesus. E a nossa imaginação constrói a cena desse beijo que foi o sinal da traição que levou o Mestre até Pilatos e à Sua posterior condenação e morte.
Claro que o dia internacional não quer salientar estes beijos que traduzem fingimento e traição... só que não os podemos afastar e esquecer. Mas podemos lembrar outros beijos bem diferentes. Por exemplo os que  Teresa de Calcutá dava a cada enfermo, a cada moribundo que encontrava no seu caminho...
 Neste Ano da Misericórdia, que os nossos beijos traduzam a nossa ternura , a nossa amizade e a nossa compreensão para todos os que precisam delas.
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 29 de maio de 2016

Solenidades que marcam

Foi na 5ª feira! Um feriado reposto mas que para nós, católicos, é muito mais do que isso: um dia marcante, um apelo à nossa Fé, uma presença que se perpetua.
Solenidade do SSmo Corpo e Sangue de Cristo.
Foi na 5ª feira e não é por acaso que se celebra numa 5ª feira... É que esta festa torna presente uma outra, a de 5ª Feira Santa.
Nessa noite, Jesus deu-se aos seus Apóstolos sob a forma de pão e de vinho e encarregou-os de fazer isso "em Sua memória".
São os Apóstolos que O vão substituir para O tornarem presente sob as duas espécies, tal  como hoje são os seus sucessores que  continuam a fazer o que Ele fez.
E será que os Apóstolos entenderam logo o que o Mestre esperava deles? Será que perceberam imediatamente qual a sua Missão? Talvez não. Mas certamente com a descida do Espírito Santo...
Engraçado que os Evangelhos nos contam um outro episódio em que Jesus tem o "papel principal" de multiplicar os pães; mas depois, compete aos Apóstolos o distribuírem-nos pela assistência. Tal e qual como são eles que recolhem as sobras.
E são doze cestos que ficam cheios... tantos quantos os Apóstolos.
Coincidência? Claro que não! É mais uma vez uma chamada de atenção para o papel que Jesus quis dar aos seus Apóstolos. Tudo na Bíblia tem um significado.
Solenidade do Corpo de Deus... Eucaristia... Dobremos os joelhos e digamos: Meu Senhor e meu Deus, eu Creio.E confiemos que o Espírito Santo aumente a nossa Fé.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Museus: histórias de ontem vividas hoje


Na semana passada comemorou-se o dia internacional dos Museus.
Falar em museu é evocar várias sensações e ideias distintas: coisas mais ou menos antigas, preciosidades ou não tanto, casas grandiosas que nos esmagam. Tudo isso e pode não ser nada disso.
Se pensarmos em termos tradicionais, estamos a evocar o museu como um conjunto de peças que representam uma época, um estilo, uma tendência. Talvez algo que aborrece um pouco, sobretudo os que não são especialistas do assunto.
E esse tipo de museus continua a existir...
Mas hoje em dia, há muita informação que se nos fornece, acompanhantes que explicam e, mais moderno ainda, os meios informáticos que permitem que os museus sejam, no seu todo ou em parte, inter activos.
Mas, duma maneira ou doutra, não podemos desprezar o património e o arquivo histórico que cada museu nos transmite.
Não me consigo esquecer que, com o incêndio da velha Faculdade de Ciências, se perdeu um arquivo biológico impossível de reaver. Eram espécies raras e únicas que o fogo consumiu .
Museus... recordações do passado, histórias que se contam sem palavras, viagens que se fazem sem necessidade de transporte.
Visitar um museu é entrar num mundo de conhecimentos e recordações que nada pode igualar.
Sempre gostei de visitar museus e convido-vos a fazê-lo mas com olhos de quem quer aprender.
Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.