segunda-feira, 6 de junho de 2016

Suspiros inúteis

Faltam ainda dois meses!
Dois meses para me poder estender ao sol; dois meses para poder apreciar a beleza da paisagem marítima; dois meses para mudar de ambiente, de rotina, de espaços. 
Faltam ainda dois meses!... e apetece-me suspirar desejando que estes 60 dias, não! 56... passem depressa.
Ainda por cima com um dia tristonho como o de hoje...
Mas, em boa verdade, não tenho o direito de me lamentar nem de suspirar pelas férias.
Claro que eu gosto da praia, do cheiro a maresia, da areia quente, dos passeios sem destino, das reflexões à beira mar ...
É evidente que a nesga de azul que descortino da minha janela é demasiado pequena para traduzir a imensidão do mar...
Mas... Não tenho uma paisagem verde a rodear-me? Não abro a janela e não me invade o aroma da erva fresca? Não possuo alamedas selvagens que convidam a passear?...
E não há tanta gente que não tem nada disto? E, pior, não tem férias?
Bem posso dar graças a Deus e aproveitar estes dois meses de espera, sem suspirar pelo outro que há-de chegar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.              

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Neste dia,vivamos com Jesus bem presente no meio de nós.
Ele que deu a Sua vida por nós e permanece presente para nos acolher e apoiar.
Mas, neste dia, não posso também deixar de recordar a Madre Sagrado Coração de Jesus.
Foi minha Prioresa, aqui no Ramalhão, e depois Superiora geral.
Todas lhe conhecemos as capacidades, o carinho, a compreensão que tinha para com todas e cada uma.
Morreu inesperadamente num acidente de automóvel.
Não prometeu, como S. Domingos, ser-nos mais útil depois da sua morte, mas sempre contei com isso.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Beijo... símbolo de ternura?

É raro o dia em que a rádio ou os jornais não nos chamem a atenção para um dia especial ou para alguém que passou esquecido no tempo. Por isso, não é de estranhar que a rádio, o mês passado, tenha anunciado, com ênfase, o "dia internacional do beijo".
Comecei por achar estranho mas depois pensei: há tantos dias especiais, que é só mais um.
E fiquei a raciocinar sobre os inúmeros sentidos que podemos dar a um beijo. Habitualmente, dar um beijo significa um gesto de amizade, de carinho, de amor. Qualquer coisa que explicita o que se sente e se quer transmitir. Às vezes quer simplesmente marcar uma presença e dar força a quem dela precisa.
Mas, de repente, pensamos naquela passagem do Evangelho que narra o encontro de Judas com Jesus. E a nossa imaginação constrói a cena desse beijo que foi o sinal da traição que levou o Mestre até Pilatos e à Sua posterior condenação e morte.
Claro que o dia internacional não quer salientar estes beijos que traduzem fingimento e traição... só que não os podemos afastar e esquecer. Mas podemos lembrar outros beijos bem diferentes. Por exemplo os que  Teresa de Calcutá dava a cada enfermo, a cada moribundo que encontrava no seu caminho...
 Neste Ano da Misericórdia, que os nossos beijos traduzam a nossa ternura , a nossa amizade e a nossa compreensão para todos os que precisam delas.
Irmã Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 29 de maio de 2016

Solenidades que marcam

Foi na 5ª feira! Um feriado reposto mas que para nós, católicos, é muito mais do que isso: um dia marcante, um apelo à nossa Fé, uma presença que se perpetua.
Solenidade do SSmo Corpo e Sangue de Cristo.
Foi na 5ª feira e não é por acaso que se celebra numa 5ª feira... É que esta festa torna presente uma outra, a de 5ª Feira Santa.
Nessa noite, Jesus deu-se aos seus Apóstolos sob a forma de pão e de vinho e encarregou-os de fazer isso "em Sua memória".
São os Apóstolos que O vão substituir para O tornarem presente sob as duas espécies, tal  como hoje são os seus sucessores que  continuam a fazer o que Ele fez.
E será que os Apóstolos entenderam logo o que o Mestre esperava deles? Será que perceberam imediatamente qual a sua Missão? Talvez não. Mas certamente com a descida do Espírito Santo...
Engraçado que os Evangelhos nos contam um outro episódio em que Jesus tem o "papel principal" de multiplicar os pães; mas depois, compete aos Apóstolos o distribuírem-nos pela assistência. Tal e qual como são eles que recolhem as sobras.
E são doze cestos que ficam cheios... tantos quantos os Apóstolos.
Coincidência? Claro que não! É mais uma vez uma chamada de atenção para o papel que Jesus quis dar aos seus Apóstolos. Tudo na Bíblia tem um significado.
Solenidade do Corpo de Deus... Eucaristia... Dobremos os joelhos e digamos: Meu Senhor e meu Deus, eu Creio.E confiemos que o Espírito Santo aumente a nossa Fé.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Museus: histórias de ontem vividas hoje


Na semana passada comemorou-se o dia internacional dos Museus.
Falar em museu é evocar várias sensações e ideias distintas: coisas mais ou menos antigas, preciosidades ou não tanto, casas grandiosas que nos esmagam. Tudo isso e pode não ser nada disso.
Se pensarmos em termos tradicionais, estamos a evocar o museu como um conjunto de peças que representam uma época, um estilo, uma tendência. Talvez algo que aborrece um pouco, sobretudo os que não são especialistas do assunto.
E esse tipo de museus continua a existir...
Mas hoje em dia, há muita informação que se nos fornece, acompanhantes que explicam e, mais moderno ainda, os meios informáticos que permitem que os museus sejam, no seu todo ou em parte, inter activos.
Mas, duma maneira ou doutra, não podemos desprezar o património e o arquivo histórico que cada museu nos transmite.
Não me consigo esquecer que, com o incêndio da velha Faculdade de Ciências, se perdeu um arquivo biológico impossível de reaver. Eram espécies raras e únicas que o fogo consumiu .
Museus... recordações do passado, histórias que se contam sem palavras, viagens que se fazem sem necessidade de transporte.
Visitar um museu é entrar num mundo de conhecimentos e recordações que nada pode igualar.
Sempre gostei de visitar museus e convido-vos a fazê-lo mas com olhos de quem quer aprender.
Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Pregador e Santo

Não é hoje a grande festa de Nosso Pai S. Domingos. Ela realiza-se a 8 de Agosto. Mas hoje, 24 de Maio, celebramos a transladação do seu corpo da campa rasa, "aos pés dos seus irmãos", na Igreja de S. Nicolau de Vinhas em Bolonha, para o túmulo que Gregório IX sugeriu que se construísse.
Foi nesse momento da transladação que o corpo começou a exalar um perfume maravilhoso, "manifestando como Domingos era um bom odor de Cristo".
E porque Agosto é tempo de férias, frades e freiras Dominicanos reúnem-se, neste dia, para homenagear o seu Pai Domingos de Gusmão.
E S. Domingos bem merece duas festas dos seus filhos. Foi ele que lhes ensinou o caminho da santidade por Jesus Cristo; foi ele que lhes chamou a atenção para todos aqueles que, ávidos da Verdade, necessitavam a sua palavra e o seu exemplo; foi ele que lhes apresentou como modelo um Jesus Cristo sofredor, presente em todos os que choram; foi ele que lhes mostrou a fraternidade entre os irmãos.
Somos Dominicanos e queremos segui-lo: na oração, no estudo, na vida comum e na pregação, os quatro pilares da Vida Dominicana.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 21 de maio de 2016

Presentes com sentido

Outro dia estava no meu facebook uma foto da imagem de S. Tomás de Vila Nova. E tinha a indicação de que era porque eu sou devota deste santo. Ora esta é que é uma grande verdade.
É a ele que eu recorro não só quando perco alguma coisa mas também sempre que necessito que algo aconteça. Todos os meus amigos me conhecem esta faceta de devota de S. Tomás de Vila Nova e recorrem a mim sempre que necessitam de algo particular e difícil.
Acho que a ocasião mais sensacional foi numa viagem de Finalistas em que, "em desespero de causa" fomos à Sicília. E no aeroporto começaram as aventuras e a minha fé a ser testada. Por um lado, não aparecia a guia que nos havia de conduzir e por outro, apresentava-se uma senhora muito atrapalhada porque o seu grupo, supostamente de brasileiros, não aparecia. Chegados à fala, concluiu-se que os "brasileiros" éramos nós e começou a viagem. S. Tomás de Vila Nova tinha feito o seu papel...
Depois, no dia seguinte, íamos ao Etna mas a excursão estava em dúvida porque o tempo ameaçava chuva. E chovia mesmo... mas, quando chegámos à base do vulcão um sol radioso nos esperava.
E foi assim toda a viagem : chuva quando na camioneta e sol ao sairmos. Até a guia me pediu a oração, para fazer com outros grupos... Só que não basta a oração .É necessária a Fé. 
É necessário pedir e acreditar que ele intercede junto do Pai que é quem tem poder de conceder as graças.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.