quarta-feira, 2 de março de 2016

Pára e tenta


Quem não conhece a parábola do vinhateiro e da figueira estéril?
A figueira não dava frutos. Logo, era inútil e o dono da vinha queria cortar a árvore. Natural...
Mas o agricultor, mais experiente e talvez mais caridoso, pediu para não o fazer. Iria tratar, cavar, adubar e logo se veria. Se continuasse a não dar frutos, então haveria razão para a cortar.
Perante qualquer coisa ou alguém que não está de acordo com o que desejamos a nossa tentação é eliminar, afastar, desistir.
Mas o Agricultor ( imagem de Jesus Cristo) aconselha-nos a dar uma segunda oportunidade.  É o que Ele faz e não apenas uma segunda vez...
Mas  claro! não podemos apenas ficar a assistir ao desenrolar dos acontecimentos. Como o agricultor temos que tratar , cavar a terra, adubar... Isto é, ajudar, ensinar, aconselhar...
Depois... porque não pensar que talvez a segunda oportunidade esteja também em mais alguma coisa, numa palavra pequenina mas difícil de pronunciar e mais ainda de viver: perdão ?
Então, Talvez o problema esteja resolvido e não seja necessário qualquer corte.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


terça-feira, 1 de março de 2016

Julgar pelas aparências

Abri os Evangelhos e deparei-me com o texto de S. Lucas em que ele nos fala do cisco e da trave nos olhos e do modo como é fácil ver um pequeno mal no vizinho e não nos apercebermos do erro enorme que há em nós. Realmente, é muito fácil constatar o que há de errado , de defeituoso, de problemático naqueles ou naquilo que nos rodeia. E, muito difícil olharmos para nós mesmos e reconhecermos o mal que faz parte de nós e da nossa vida e atitudes.
Muito fácil também julgar pelas aparências...
A propósito, lembrei-me dum pequeno vídeo  que nos dá uma grande lição sobre este tema. Um casal com uma filhita foram ao médico e tiveram dificuldade em se sentarem porque ao seu lado estava um jovem que não lhes pareceu ter grande aparência.
Mas a surpresa chegou quando o médico chamou o jovem e o apresentou ao casal como tendo sido o cirurgião que tinha operado e salvo a filha deles.
Terão aprendido a lição? Ela destinava-se a todos os que iam ver o vídeo. Portanto, a mim e a ti também.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Guerra e perdão

É raro abrirmos a TV e não nos depararmos com as notícias angustiantes dos conflitos no Iraque e na Síria: bombardeamentos, mortes, refugiados...
E esses refugiados ( homens, mulheres e crianças) fogem... para não morrerem mas muitos também para não renegarem a sua fé. Deixaram tudo: a terra, o trabalho, os amigos, os bens. E vêm, à procura da"terra prometida". Vêm... à procura de paz mas também de pão e de tecto.
Como vêem eles os seus perseguidores, aqueles de quem fogem, que lhes tiraram tudo? Certamente é com revolta que encaram a situação e pensam nos inimigos.
No entanto, se rezam o Pai Nosso, são confrontados no fundo do seu coração, com um pedido do Pai: o do perdão. E serão eles capazes de perdoar?
Se pensarem que todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai que está no céu!...
E nós? Não temos também momentos de revolta e desejo de vingança? Também sofremos por vezes indiferenças e sentimos a injustiça. Como perdoamos?
Nesta Quaresma é mais um momento que nos é dado para parar e pensar no perdão do Pai que pedimos, "assim como nós perdoamos".
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Para pensar

Realmente não há acasos nem coincidências! Tudo serve para despertar a nossa atenção para situações e factos, às vezes demasiado conhecidos mas que nos passam ao lado. Aconteceu comigo ao ver um vídeo sobre D. Bosco e Domingos Sávio. Mesmo sem querer veio-me ao pensamento o problema da santidade a que todos somos chamados : " Sede santos como o vosso Pai é santo!"
D. Bosco dizia a Domingos que não era difícil ser santo. Era simplesmente preciso tornar fáceis todas as coisas ; que não era necessário fazer grandes coisas mas sim tornar grandes as coisas pequenas de cada dia, pelo amor com que as fazemos.
Realmente, na maneira como olhamos as coisas e as pessoas é que está o amor com que as vemos. É este o testemunho que damos àqueles que nos rodeiam. E eles às vezes precisam que os "abanemos" para que se levantem e vejam a vida com os olhos do Pai.
E o "abanar" não se faz só com a palavra mas também com um gesto, um sorriso, uma oferta, uma presença.
Nesta Quaresma tenhamos presente que temos que ser Santos, fazendo Grandes, com amor, as coisas pequenas.
Deus espera o nosso esforço.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Momentos que são vida

Quaresma - tempo de conversão e de perdão.

" Junto à estação duma grande cidade, todos os dias se reuniam muitos marginais, isto é, jovens e adultos mais ou menos rejeitados pela sociedade. Reuniam-se para se animarem mutuamente.
Entre eles um jovem, todo sujo, cabeleira comprida, ar de pouco alimento. Mas nos olhos,  o reflexo de quem ainda tem esperança.
Quando as coisas corriam pior, tirava da algibeira um bilhete todo amarrotado e lia-o. Depois, voltava a guardá-lo. Nesse bilhete apenas seis palavras: A porta pequena está sempre aberta. Era um bilhete que o pai lhe tinha mandado. Significava que estava perdoado se voltasse para casa.
E uma noite, fê-lo. Entrou e deitou-se no seu quarto. Quando acordou, o pai estava junto dele. Abraçaram-se sem palavras."

Nós também temos sempre uma porta aberta...
A nós também o Pai nos espera...
Que vamos fazer?


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta-feira de cinzas

A capela está silenciosa e despida de ornamentos. Os  altares vazios de flores ou de luzes. Apenas a lâmpada que lembra a presença do Santíssimo, a vela que será acesa para o Ofício divino e o círio, memória do Jubileu da Ordem.
Tempo de expectativa, de reflexão, de mudança e de perdão.
Mais logo, a Missa com o simbolismo da imposição das cinzas " Lembra-te, ó Homem, que és pó e em pó te hás-de tornar".
Nessa capela despida, diante dessa cruz, preço da nossa salvação, desse sacrário onde Cristo continua como dom, apenas uma certeza, a de que nada pode ficar igual.
Deus espera. Que vou fazer?
Há compromissos a fazer, respostas a dar, resoluções a tomar
Não posso fingir que não sei...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O mês das contradições

Estamos em Fevereiro e, se pararmos um instante para reflectir, sentimo-nos impressionados com tudo o que este mês nos revela.
É o mês mais pequeno do ano e, no entanto, o único que nos apresenta duas facetas bem contraditórias. Primeiro, a ansiedade e a excitação dos preparativos para o Carnaval. Depois, de repente, a quietude a que nos convida o tempo da Quaresma.
Carnaval versus Quaresma.
Tempo de alegria exuberante às vezes com consequências indesejáveis. Depois, vem ( ou deve vir)  a tranquilidade, a reflexão, a preparação para todo esse drama que valeu a nossa salvação como cristãos.
Quaresma...tempo de confronto, de reflexão, de perdão. Tempo que pressupõe mudança, conversão. É tempo de parar para ouvir o Senhor que nos chama.
Podemos fingir-nos surdos, estar desatentos, dizer não ao Seu convite. Mas Ele está lá, pregado na cruz, fechado no Sacrário, falando ao nosso coração e esperando.
Temos duas opções: continuar, de olhos cerrados e ouvidos fechados, embrenhados nos nossos trabalhos e preocupações.Ou... levantarmo-nos, tomar decisões e seguir o Seu apelo.
A opção é nossa.
Mas não podemos apagar a grande certeza, a do infinito que Deus nos ofereceu pela Paixão, Morte e Ressurreição do Seu Filho Jesus. 
A luz está lá; a chama continua a iluminar; a voz a falar no fundo de nós mesmos. Que vamos Fazer?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.