quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta-feira de cinzas

A capela está silenciosa e despida de ornamentos. Os  altares vazios de flores ou de luzes. Apenas a lâmpada que lembra a presença do Santíssimo, a vela que será acesa para o Ofício divino e o círio, memória do Jubileu da Ordem.
Tempo de expectativa, de reflexão, de mudança e de perdão.
Mais logo, a Missa com o simbolismo da imposição das cinzas " Lembra-te, ó Homem, que és pó e em pó te hás-de tornar".
Nessa capela despida, diante dessa cruz, preço da nossa salvação, desse sacrário onde Cristo continua como dom, apenas uma certeza, a de que nada pode ficar igual.
Deus espera. Que vou fazer?
Há compromissos a fazer, respostas a dar, resoluções a tomar
Não posso fingir que não sei...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O mês das contradições

Estamos em Fevereiro e, se pararmos um instante para reflectir, sentimo-nos impressionados com tudo o que este mês nos revela.
É o mês mais pequeno do ano e, no entanto, o único que nos apresenta duas facetas bem contraditórias. Primeiro, a ansiedade e a excitação dos preparativos para o Carnaval. Depois, de repente, a quietude a que nos convida o tempo da Quaresma.
Carnaval versus Quaresma.
Tempo de alegria exuberante às vezes com consequências indesejáveis. Depois, vem ( ou deve vir)  a tranquilidade, a reflexão, a preparação para todo esse drama que valeu a nossa salvação como cristãos.
Quaresma...tempo de confronto, de reflexão, de perdão. Tempo que pressupõe mudança, conversão. É tempo de parar para ouvir o Senhor que nos chama.
Podemos fingir-nos surdos, estar desatentos, dizer não ao Seu convite. Mas Ele está lá, pregado na cruz, fechado no Sacrário, falando ao nosso coração e esperando.
Temos duas opções: continuar, de olhos cerrados e ouvidos fechados, embrenhados nos nossos trabalhos e preocupações.Ou... levantarmo-nos, tomar decisões e seguir o Seu apelo.
A opção é nossa.
Mas não podemos apagar a grande certeza, a do infinito que Deus nos ofereceu pela Paixão, Morte e Ressurreição do Seu Filho Jesus. 
A luz está lá; a chama continua a iluminar; a voz a falar no fundo de nós mesmos. Que vamos Fazer?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tu podes...

" Querer é poder!"
É uma afirmação do povo que a História de Portugal ajuda a confirmar.
Afinal... Quisémos e mostrámos novos mundos ao Mundo; quisémos e construímos um património até reconhecido pela Unesco; quisémos e conseguimos libertar-nos da opressão que parecia ir cair sobre nós.
Lá dizia o poeta e com razão ." Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce ".
Mas para a obra nascer é preciso que o Homem sonhe e o seu sonho vá ao encontro do querer de Deus;  é quando o Homem põe o seu "engenho e arte" ao serviço do Senhor dos senhores.
O povo continua a afirmar o seu slogan  mas, sobretudo os jovens, dão-nos a sensação de que não acreditarem muito nisso. Parece estarem mais centrados na "capacidade do improviso", no " há-de acontecer" , no "talvez", no "logo se vê". 
A geração dos tempos de hoje está muito mais interessada no imediato  e no prazer do agora do que no futuro e no esforço. Parece que nada vale a pena, que o lutar por um sonho é trabalho perdido. Será que os jovens ainda sonham?!... 
De onde em onde um nome português destaca~se na investigação, no desporto, na solidariedade... Então, volta-nos a esperança. É que nos dizem que continua a haver jovens que se empenham, que lutam , que querem. Que continuam a manter válido o velhinho ditado : "Querer é poder".
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Saudades e não só...

Muitas vezes somos cépticos em relação ao nosso desempenho junto dos alunos que passaram pelo Colégio e estão anos e anos sem aparecer. Mas estamos enganados se pensamos que a nossa acção foi algo sem consequências. A Vida, muitas vezes, impede os nossos alunos de voltar, de dizer das suas saudades, de enumerar as suas recordações.
Mas quando voltam... Às vezes 30, 40 anos depois, que deslumbramento!...
Querem ver tudo: os dormitórios que já o não são; a floresta, onde comiam, em tal mesa; a varanda onde vinham muitas vezes afogar as suas mágoas a olhar o mar; o ginásio que guarda a lembrança das grandes festas que aqui se realizaram... E vão à capela e lembram o sr. Padre Domingos, a sua bondade, a facilidade com que as acolhia. E recordam as suas aulas de Matemática, os passeios à presa em que iam com ele e  as viagens em que todos participávamos.
E muitas vezes, acabam com uma confidência: " O que sou hoje devo-o ao Colégio e o que ensino aos meus filhos foi o que aqui aprendi!"
E há lágrimas e abraços e comoção.
O tempo passa mas as saudades ficaram porque o tempo que passaram no Colégio as marcou positivamente. Nada foi em vão. "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena"
Ir. M.Teresa C. Ribeiro,O.P.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Ainda com Nossa Senhora

Nossa Senhora tinha vindo ao Ramalhão. Tinha estado connosco. As Irmãs e o  Colégio inteiro a tinham cumprimentado e rezado com ela. Feitas as despedidas, dito o último adeus com lenços brancos a acenar... o pátio foi-se despejando lentamente. Nossa Senhora desceu a rampa acompanhada por Irmãs e alunos. Foi...para outras paragens .
Mas a comoção ficou.
Lentamente voltei ao pátio principal, cumprimentando antigas alunas, pais de alunos, pessoas conhecidas.
Eis quando uma senhora se aproxima de mim e me pergunta : "Aqui na capela não há confissões?"
Expliquei-lhe que não era uma paróquia, que as Irmãs tinham um confessor que vinha regularmente mas não estava em permanência, que o capelão confessaria se lhe pedisse, antes da Missa.
A senhora aproveitou para se lamentar da indisponibilidade dos sacerdotes e da maneira leviana como tanta gente encara a confissão. " Como queremos ser santos se desperdiçamos esta graça?..."
Depois dela ir embora fiquei a pensar na cara que muitos jovens fazem quando lhes falamos da confissão: "Confessar? Hum!... Para quê?" e muitos acrescentam: " Eu rezo a confissão na Missa e o padre perdoa..."
Não sei se por detrás disto tudo está simples ignorância ou antes um conjunto de pequenas - grandes coisas que nos incomodam e temos vergonha de confiar a outro.
Esquecemo-nos que esse outro está ali no lugar de Jesus Cristo e que com o seu perdão nos dá a graça do Pai. Acho que todos os que engelham o nariz, ao ouvir a palavra confissão, deviam experimentar porque então veriam que inquietações, dores e dúvidas teriam uma outra dimensão.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sinais de indiferença?

Duas pessoas conhecidas morreram esta semana: o explorador britânico Henry Wersley e o actor português
José Boavida. Talvez o segundo fosse conhecido apenas em Portugal, nos meios do cinema, do teatro e da televisão... Mas o primeiro era de notoridade mundial até porque depois de muitos outros feitos se propôs atravessar a Antártida, sozinho e a pé.
Pois... e aqui está a minha surpresa... a morte deles passou pràticamente ignorada pela comunicação social. Porquê?
Rezo por um e por outro e lembro as suas famílias. À Mariana mando um abraço de todas nós .Não esquecemos que ela foi aluna no nosso Colégio.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Crianças

O Presidente da República ainda em exercício vetou há dias a proposta de adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
Não discuto se fez bem ou fez mal; se a Assembleia da República vai aprovar, contrariando este parecer ou se vai reflectir um pouco e segue a opinião do Presidente da República... A mim, o que me levanta questões é o problema das crianças.
Todos sabemos, não vale a pena fantasiar, que as características psicológicas  de Homem e Mulher são distintas. Duma maneira geral, a Mulher é muito mais afectiva, carinhosa e meiga. O Homem, por sua vez é infinitamente mais racional, objectivo e intransigente. 
Uma coisa e outra são indispensáveis para o normal desenvolvimento duma criança, sua educação e crescimento afectivo. 
Será que, num meio em que a exclusividade é apenas dum aspecto, o desenvolvimento da criança se faz sem desvios nem transtornos? Os meus conhecimentos de Psicologia dizem-me que dificilmente. Mas, quem sou eu para me opôr às grandes "cabeças pensantes" que dizem o contrário?!...
Aguardemos que a Lei seja homologada e peçamos ao Pai que todas e cada uma dessas crianças crescidas nesses ambientes se tornem adultos com  as plenas faculdades com que Deus as beneficiou.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.