segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dúvidas e certezas

" Senhor, se não estás aqui, se estás ausente, onde vos procurarei?" Sto Anselmo
É o grito que muitas vezes nos sai do fundo da alma. Quando nos assalta o desânimo, quando à nossa volta tudo é dúvida, quando queríamos sentir o consolo da presença de Deus...
Muitas vezes parece ser impossível contactar Deus ,entrar em relação com Ele. O nosso entusiasmo, o nosso querer e o nosso esforço não são suficientes para termos a certeza desse encontro.
É que continuamos sem nos lembrar que o nosso Deus é um "Deus escondido", ausente... Um Deus que é Pai, que está atento a cada um de nós e às nossas necessidades, alegrias e dificuldades, mas que espera que o procuremos com insistência, com vontade e sem a certeza de podermos dizer "Está aqui!". Um Deus que nos aguarda ansioso, como o pai do filho pródigo, mas que quer que demos o primeiro passo. É um Deus que, como Pai, segue o percurso dos seus filhos e não os quer perdidos, mas...
É um Deus que, para ser encontrado, exige um clima de silêncio, de despojamento, de entrega. precisa que estejamos dispostos a despir todas as nossas certezas e parar, na simplicidade do nosso eu para dizer: Estou aqui.
Então, no silêncio "na brisa suave, na réstea de luz" Deus fala ao nosso coração, apaga as nossas mágoas, cura as nossas feridas, dá novo ânimo ao nosso desânimo.
E, sem darmos por isso, estamos ajoelhados na gruta de Belém e contemplamos o Menino que nos sorri.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 6 de dezembro de 2015

O princípio

"Tudo começa com um encontro" 
Encontramos por aí escrito nas paredes do Colégio. E é verdade. Tudo começa, cada ano, com o encontro com o Menino de Belém. O encontro com Aquele que o Pai enviou para nos levar até Ele, o encontro com o Deus feito homem que quis fazer-se pequenino, pobre, humilde e nascer numa gruta para que todos tenham um lugar junto dele. Ali não há rico nem pobre, letrado ou ignorante, judeu ou grego... Ali apenas o acolhimento de Jesus e o despojamento do homem. Vieram pastores e vieram Magos; houve prendas humildes e presentes grandiosos... A todos Jesus aceitou com o mesmo carinho e a mesma alegria.
Tudo começou com este encontro... Talvez...Porque, na verdade, tudo começou com a Palavra , "a voz daquele que clama no deserto", que anunciou que a salvação havia de vir, que o futuro seria diferente;que nos mandou "aplanar os caminhos e endireitar as veredas ".
Foi com João Baptista e a Palavra que do Alto o inundou, que tudo teve início.
Ou antes, quando os antigos, em séculos anteriores, esperavam "o que havia de vir" também eles confiantes no anúncio que lhes tinha sido feito.
Neste segundo domingo do Advento voltemos a pensar no que nos falta para tornar grande este encontro da noite do Nascimento de Jesus.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Num banco de jardim...

Ouvi hoje uma canção de Carlos do Carmo que me transportou rapidamente a outros lugares e a outros tempos:
            Num banco de jardim
            Uma velhinha...
Voltei aos meus tempos de estudante e a este Jardim da Estrela que atravessava todos os dias.
Lá estavam as velhinhas, sós ou com os seus cães, olhando os pombos que as rodeavam e gozando os últimos raios de sol. E esperando... talvez nem elas sabiam o quê!
Mas, neste tempo de Natal, certamente um presente, que não tem que ser, necessàriamente, material. Pode ser simplesmente um sorriso, uma palavra simpática, um gesto de carinho. Afinal, estas também são formas de presente!... E, não sei se mais importantes do que aqueles que se compram e se dão muito enfeitados e, quantas vezes, vazios de afecto.
Uma velhinha num banco de jardim...
Não teremos no"jardim de nossa casa" velhinhas sentadas, esperando o nosso carinho, a nossa atenção, o nosso apoio?
É Natal! Altura para receber e transmitir o Amor do Pai que nos ofereceu o Seu Filho.
Não deixemos que estes dias de preparação sejam demasiado preenchidos com a compra e o arranjo dos tais presentes e nos impeçam de ver os que, ao nosso lado, aguardam o nosso sorriso.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A aposta de Deus

Deus apostou no homem... quando o criou, quando está presente nas suas aspirações, nos seus anseios, nas suas dores.
Apostou de tal maneira no homem que lhe deu o Seu Filho, feito Homem, para que o salvasse.
E estamos caminhando para a celebração desse dia de dádiva em que festejamos o nascimento de Jesus. Estamos percorrendo estas quatro semanas que nos separam dessa ocasião única, sempre repetida e sempre nova. Iniciámos com o 1º domingo do Advento o novo ano litúrgico, uma nova etapa, um novo tempo de aperfeiçoamento, uma nova festa. 
Mas, preparámos este começo de ano? Despejámos as nossas "malas" de toda a inutilidade que as vai enchendo ao longo do ano?Despimos todos os ornamentos , mais ou menos válidos, com que tentámos testemunhar o nosso Eu? Limpámos a nossa alma de vaidades, tentações, orgulho? Este é o tempo de o fazermos...
É que o Deus que esperamos é uma criança que nasce numa gruta, que é envolta em panos, deitada numa manjedoura, porque " não havia lugar para eles na hospedaria"
Que haja lugar para Jesus no nosso coração de criança, na simplicidade dum sorriso de confiança, na alegria da transparência do nosso ser.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Banco Alimentar

" O pão nosso de cada dia nos dai hoje..."
Esta frase do Pai Nosso martelou-me na cabeça durante este fim-de-semana, dias em que se fazia o peditório para o Banco alimentar.
Centenas de voluntários , espalhados pelos centros comerciais, convidavam os que iam fazer compras a partilhar com os que têm necessidades. E uns davam o que lhes sobrava; outros, o que lhes faria falta; outros ainda, passavam sem olhar.
Não pude deixar de pensar no óbolo da viúva que deitou duas pequenas moedas... tudo quanto tinha. E, por contraste, recordei o jovem rico que se afastou de Jesus com tristeza porque não foi capaz de partilhar os seus bens.
Mas podemos pensar noutros exemplos positivos como o de Zaqueu. Ele apenas queria ver Jesus... Mas, depois de O ver, mudou tudo na sua vida. Restituiu o que tinha tirado aos que havia enganado e deu metade dos seus bens aos pobres.
Foram temas para este fim de semana mas podem, de alguma maneira, preparar a nossa caminhada até à gruta de Belém. 
Ao longo destas quatro semanas vamo-nos despindo dos bens que nos atrapalham; vamos restituindo aos outros aquela alegria , aquela confiança que talvez lhes tenhamos tirado; vamos partilhando o que temos em excesso ou mesmo o pouco que possuímos.
De alma renovada e coração mais livre estaremos em condições de percorrer o caminho que nos leva até ao Natal e responder ao Amor do Menino que nos espera no presépio.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 22 de novembro de 2015

Festa de Cristo Rei

Tu és Rei ? perguntou Pilatos
Tu o dizes. - respondeu Jesus. Mas o meu Reino não é deste mundo.
É a afirmação dum Reino de alegria , de paz, de cooperação; dum Reino em que não há atentados, nem provocações nem ameaças.
Mas, neste Reino também há "soldados", a milícia celeste dos Anjos, das Virgens e dos Mártires. Também há "exércitos" de cristãos  que procuram espalhar a Verdade, praticar as obras de Misericórdia, ensinar a Justiça. E aqui, alinham os Dominicanos  com os seus 800 anos de existência a ensinar ao mundo a Verdade do Evangelho, a dar todo o seu esforço por essa Verdade, a entregar a vida pelos Valores do Evangelho.
Uns e outros, Dominicanos ou simples cristãos, como baptizados, têm como "armas" a Fé, a Esperança e a Caridade, que o Espírito Santo lhes depositou no coração.
Uns e outros usam "munições": a pregação, a solidariedade, o testemunho.
" O meu Reino não é deste mundo"... Mas é neste mundo que vivem e desenvolvem a sua actividade os que n´Ele acreditam.
Dia de Cristo Rei! Noutros tempos, a Sé enchia-se do grito de cristãos comprometidos: 
" Abram alas terra em fora..."
Fiz parte desse grupo.
Hoje, precisamos de continuar a gritar que estamos aqui e queremos testemunhar  que pertencemos a esse Reino que começa aqui e tem a sua glória na eternidade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A vontade de Deus

" Pai , que se faça não a minha vontade mas a Tua ..." foram palavras de Jesus naquela noite terrível de solidão e angústia. Só, inquieto, em oração, enquanto os discípulos, os amigos, dormiam...
Era a angústia de ter que escolher entre a Sua Vontade e a do Pai. Era a tentação de seguir o Seu querer e não aquilo que Deus Lhe pedia. Como Homem que era, tinha a liberdade de todos os filhos de Deus que os cria livres.Podia ter feito outra opção que não a que se traduzia em entrega, paixão e morte. Mas não quis.
Cada um de nós, ao rezar o Pai Nosso, repete este pedido..." Seja feita a Vossa Vontade..." , a vontade do Pai.
Mas nem sempre é fácil conhecer esta Vontade muito embora Ele no-la mostre na oração, nos sinais dos tempos, na vontade dos outros. Mas, mais difícil ainda é ser fiel, é cumprir essa Vontade. Mas, Deus não nos salva sem a nossa colaboração e para isso, nos oferece o Seu amor misericordioso de Pai.
Estejamos atentos e tenhamos tudo isso presente quando dissermos Pai nosso...
  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.