domingo, 22 de novembro de 2015

Festa de Cristo Rei

Tu és Rei ? perguntou Pilatos
Tu o dizes. - respondeu Jesus. Mas o meu Reino não é deste mundo.
É a afirmação dum Reino de alegria , de paz, de cooperação; dum Reino em que não há atentados, nem provocações nem ameaças.
Mas, neste Reino também há "soldados", a milícia celeste dos Anjos, das Virgens e dos Mártires. Também há "exércitos" de cristãos  que procuram espalhar a Verdade, praticar as obras de Misericórdia, ensinar a Justiça. E aqui, alinham os Dominicanos  com os seus 800 anos de existência a ensinar ao mundo a Verdade do Evangelho, a dar todo o seu esforço por essa Verdade, a entregar a vida pelos Valores do Evangelho.
Uns e outros, Dominicanos ou simples cristãos, como baptizados, têm como "armas" a Fé, a Esperança e a Caridade, que o Espírito Santo lhes depositou no coração.
Uns e outros usam "munições": a pregação, a solidariedade, o testemunho.
" O meu Reino não é deste mundo"... Mas é neste mundo que vivem e desenvolvem a sua actividade os que n´Ele acreditam.
Dia de Cristo Rei! Noutros tempos, a Sé enchia-se do grito de cristãos comprometidos: 
" Abram alas terra em fora..."
Fiz parte desse grupo.
Hoje, precisamos de continuar a gritar que estamos aqui e queremos testemunhar  que pertencemos a esse Reino que começa aqui e tem a sua glória na eternidade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A vontade de Deus

" Pai , que se faça não a minha vontade mas a Tua ..." foram palavras de Jesus naquela noite terrível de solidão e angústia. Só, inquieto, em oração, enquanto os discípulos, os amigos, dormiam...
Era a angústia de ter que escolher entre a Sua Vontade e a do Pai. Era a tentação de seguir o Seu querer e não aquilo que Deus Lhe pedia. Como Homem que era, tinha a liberdade de todos os filhos de Deus que os cria livres.Podia ter feito outra opção que não a que se traduzia em entrega, paixão e morte. Mas não quis.
Cada um de nós, ao rezar o Pai Nosso, repete este pedido..." Seja feita a Vossa Vontade..." , a vontade do Pai.
Mas nem sempre é fácil conhecer esta Vontade muito embora Ele no-la mostre na oração, nos sinais dos tempos, na vontade dos outros. Mas, mais difícil ainda é ser fiel, é cumprir essa Vontade. Mas, Deus não nos salva sem a nossa colaboração e para isso, nos oferece o Seu amor misericordioso de Pai.
Estejamos atentos e tenhamos tudo isso presente quando dissermos Pai nosso...
  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Dar...

Jesus estava junto à caixa das esmolas e observava os que iam deitando as esmolas.
Uma pobre viúva veio e deitou duas pequenas moedas. E o Senhor elogiou-a não pelo valor da esmola, que era pequeno, mas porque ela dera tudo quanto tinha.
Quando dispomos do nosso tempo, quando ultrapassamos as nossas faltas de entusiasmo, quando esquecemos os nossos afazeres, para escutar, dar um conselho, ouvir uma palavra de preocupação, não estaremos a fazer como a viúva, a dar tudo quanto temos?
Nem sempre possuímos muito para dar; nem sempre nos é fácil sair da nossa zona de conforto para ir ao encontro dos que precisam de nós; nem sempre nos disponibilizamos para ultrapassar os nossos cansaços, os nossos trabalhos, as nossas dores; nem sempre estamos dispostos a escutar, apoiar, dizer a palavra certa no momento oportuno.
Mas quando o fazemos... não estamos a ser imagem da viúva pobre que deu tudo quanto tinha? Também somos pobres e fazemos um esforço para dar... mesmo o que não temos: tempo, alegria, entusiasmo...
Ela confiou ! 
Porque não pensamos que aqueles minutos que oferecemos, aquelas palavras que procuramos para curar uma ferida, aquele trabalho que deixamos de fazer, terão, junto do Pai, a sua recompensa?
Nosso Senhor não elogiou o presente insignificante da viúva?
É tudo uma questão de perspectiva... 
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pedi e recebereis

Que queres que eu faça? pergunta Jesus
Senhor, que eu veja! respondeu o cego
Quantas vezes o Senhor nos dirige esta pergunta, nos momentos de dúvida, de inquietação, de incerteza!...
Só que nós não fomos ao Seu encontro, não parámos para Lhe pedir ajuda, não manifestámos a nossa Fé. Por isso, não escutámos a Sua pergunta, não percebemos que Ele quer atender à nossa dificuldade.
O cego levantou-se, deslocou-se atrás do Mestre, deixou a sua capa e pediu: Tende piedade de mim, Senhor. Por isso, foi acolhido, escutado e saiu curado. É esta atitude que nos falta:
. O movimento ao encontro de...  O cego foi!
.A proclamação da Fé... a afirmação do cego- Jesus Filho de David!
.O despojamento das ideias feitas, das intenções elaboradas... ele largou a capa!
. A humildade do pedido... Senhor, tem piedade de mim!
Ajoelhemo-nos aos pés de Jesus, que da cruz nos olha com Amor, e apresentemos-Lhe, confiantes, o que temos e o que somos. Mostremos-Lhe a nossa Fé e manifestemos o nosso amor. E Ele, curará os nossos males e aumentará a nossa confiança e dar-nos-á uma nova vida.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 25 de outubro de 2015

Nova oportunidade

Escutando o texto do Evangelho de S. Lucas que nos fala da figueira que não dá frutos há três anos e da atitude do agricultor que a procura proteger, não podemos deixar de pensar no significado, para nós, deste texto. Qual o apelo que ele nos dirige? Que lição nos procura dar? Que ensinamento pretende transmitir-nos?
O dono do terreno, como é natural, não está disposto a ter uma árvore que consome o terreno e não produz frutos. Propõe cortá-la.
Mas o agricultor, homem caridoso, preocupado com os bens que lhe foram confiados, acreditando nas "segundas oportunidades", pede clemência para a figueira descuidada, indiferente e ingrata. Promete que vai cavar à volta, regar, pôr adubo... Enfim! fazer tudo o que está ao seu alcance. Se nada conseguir, então o dono do terreno poderá mandar cortar a árvore.
E quem é este agricultor empenhado, caridoso, que tudo tenta para conseguir resultados? Nem mais nem menos do que a imagem de Jesus que tudo faz para que " nem um só se perca" daqueles que o Pai lhe confiou.
Mesmo quando nada queremos, quando a nossa Fé é diminuta ou nula, quando nos afastamos à procura duma vida sem fruto nem flor, Jesus lá está, chamando, falando ao nosso coração, mostrando o caminho que nos trará à casa do Pai, que nos restituirá a Felicidade.
Com Ele, temos sempre uma nova oportunidade. Aproveitemo-la.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 24 de outubro de 2015

Necessidade da persistência

Quem pede recebe...
Quem procura encontra...
Quem chama abrir-se-á.
No capítulo 7 do Evangelho de S. Mateus encontramos estas afirmações que podem tornar mais firma a nossa Fé.
No fundo, S. Mateus chama a nossa atenção para a certeza de que Deus tem presente as nossas necessidades e anseios e não fica surdo aos nossos pedidos.
Nós às vezes é que não temos bem essa certeza...
Talvez por isso, simultaneamente, o autor nos alerta para a importância da nossa oração, do nosso esforço, do nosso empenhamento; para a necessidade do nosso pedido.
É que," recebe quem pede, encontra quem procura, abre-se a porta a quem bate..." É a atitude precisa da nossa parte.
Deus estás sempre atento às nossas dificuldades, mas quer que lhas lembremos, que lutemos para as ultrapassar, que façamos a nossa parte, confiantes de que Deus faz a d´Ele.
Às vezes temos a sensação de que o Pai está insensível às nossas preces, não atende às nossas súplicas, não está atento às nossas necessidades... Esquecemo-nos que o nosso Deus é um Deus ausente que quer que o busquemos  e se manifesta de modo diferente daquele que esperaríamos.
 E depois, não será que pedimos aquilo que não é o melhor para nós? Será que o que solicitamos está em uníssono com a vontade de Deus a nosso respeito? Não será que as Graças que Ele nos concede são as que mais necessitamos e nós nem nos apercebemos disso? 
Há que parar, reflectir, julgar. Depois... Compreendemos.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Compras

Sair para compras a uma grande superfície é um exercício que pode constituir um divertimento mas simultaneamente é um treino de paciência e uma aprendizagem de vária ordem.
Por exemplo, ir ao talho do Pingo Doce é mais ou menos como ir a uma consulta ao hospital. Há que chegar... tirar uma senha e esperar a nossa vez. E esperar mais ou menos tempo conforme o movimento de clientes e aquilo que cada um quer e como quer: partido, com um corte, com vários,etc.  Parecem os tratamentos dum poli-traumatizado...
Enfim! Chegou o nosso número. E é uma porção disto, uns quilos daquilo, um coelho cortado e outro inteiro, um frango com cabeça mas sem unhas e uns bifes fininhos.
E vamos embora. Não, não vamos, porque ainda há que passar pela caixa para pagar. E nova fila nos espera. Enfim... agora é que só falta arrumar as compras no carro e regressar a casa.
Mas enquanto esperei, estive ocupada a observar o que me rodeava. E vi aquelas senhoras de idade que, incapazes de empurrar um carro de compras, transportam apenas duas ou três coisas. Mas a sua espera foi igual à minha... E aquelas mães de família que, para além dum carro cheio de compras levam ainda um bebé ao colo  e outro pela mão. Festinha aqui, repreensão acolá e, no meio, o olhar para a lista e ver o que ainda falta . Como conseguem ?!...
Digam lá que não é um tempo de aprendizagem bem completo!
Saibamos aproveitar as lições que o nosso dia-a-dia nos dá e tirar as conclusões que se nos impõem.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.