quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Compras

Sair para compras a uma grande superfície é um exercício que pode constituir um divertimento mas simultaneamente é um treino de paciência e uma aprendizagem de vária ordem.
Por exemplo, ir ao talho do Pingo Doce é mais ou menos como ir a uma consulta ao hospital. Há que chegar... tirar uma senha e esperar a nossa vez. E esperar mais ou menos tempo conforme o movimento de clientes e aquilo que cada um quer e como quer: partido, com um corte, com vários,etc.  Parecem os tratamentos dum poli-traumatizado...
Enfim! Chegou o nosso número. E é uma porção disto, uns quilos daquilo, um coelho cortado e outro inteiro, um frango com cabeça mas sem unhas e uns bifes fininhos.
E vamos embora. Não, não vamos, porque ainda há que passar pela caixa para pagar. E nova fila nos espera. Enfim... agora é que só falta arrumar as compras no carro e regressar a casa.
Mas enquanto esperei, estive ocupada a observar o que me rodeava. E vi aquelas senhoras de idade que, incapazes de empurrar um carro de compras, transportam apenas duas ou três coisas. Mas a sua espera foi igual à minha... E aquelas mães de família que, para além dum carro cheio de compras levam ainda um bebé ao colo  e outro pela mão. Festinha aqui, repreensão acolá e, no meio, o olhar para a lista e ver o que ainda falta . Como conseguem ?!...
Digam lá que não é um tempo de aprendizagem bem completo!
Saibamos aproveitar as lições que o nosso dia-a-dia nos dá e tirar as conclusões que se nos impõem.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A cruz

Trago ao peito uma cruz sem crucifixo, uma cruz que foi trazida da Irlanda pelas primeiras Irmãs, as que fizeram lá o seu Noviciado.
É uma cruz branca e negra, que uso desde a profissão e nunca chamou a minha atenção, muito embora soubesse desde sempre que nela, o crucificado era eu. Nunca pensei muito nisso, logo não fiz qualquer interpretação mais profunda.
Mas ontem, não sei por quê, vi-a reflectida no vidro da janela e isso, provocou-me uma sensação estranha. Aquelas duas cores... Não são por acaso, não estão ali apenas por serem as cores dos Dominicanos... É que têm ou devem ter outro significado: o branco, alegria do dom feito, das graças recebidas, da felicidade partilhada; o negro, o sacrifício, a dor, a participação na paixão de Cristo.
Branco e negro... as cores da cruz que trago ao peito e que devem traduzir o Sim da minha vida.
                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Agradecer é preciso!

Ao chegar de Benfica, da Missa de corpo presente do Frei Xavier, abri o Evangelho de S. Lucas. Deparei-me mais uma vez com a passagem da cura dos dez leprosos. Novamente aquela sensação estranha de constatar que apenas um voltou para agradecer.  Também Jesus fez notar a ausência dos outros nove. Até perguntou : ... onde estão os outros? 
Quantas vezes fazemos como esses homens?!... Fazemos os nossos pedidos, repetimo-los se necessário e depois, quando atendidos, esquecemos o nosso obrigada.
Geralmente não concordo com o sr. P. Dâmaso que diz muitas vezes que nós só sabemos pedir. Afinal foi mesmo Jesus que nos incentivou a fazê-lo : "Pedi e recebereis "... Mas ao ler o texto de S. Lucas, começo a dar alguma razão ao nosso capelão, muito embora apenas numa faceta do problema, a nossa falta de agradecimento.
E isto não  acontece  apenas com Deus. Também com aqueles que nos ajudam, que nos apoiam, que estão habitualmente ao nosso lado e nos estendem a mão para nos levantar quando caímos.
Agradecer é preciso e é tão fácil que nos esqueçamos disso...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 11 de outubro de 2015

Padres...homens como os outros?

Olho o sacerdote que se está a preparar para a celebração deste domingo. E penso no conceito que tantas vezes fazemos do padre: aquele personagem distante, investido em poderes divinos, ministro dos sacramentos...
Se é um frade, pior ainda porque traz com ele a carga duma comunidade, a estrutura duma vida em comum, a obrigatoriedade duns votos feitos.
E esquecemo-nos de que por detrás de tudo isso está o Homem, com os seus dons e as suas fragilidades, os seus anseios e as suas decepções, as suas lutas e as suas vitórias.
Está um homem ,como Zaqueu ou como Mateus, a quem Jesus chamou. Só que, em vez de se retirar compungido, como o jovem de que o Evangelho hoje falava, disse o seu Sim e O seguiu.
O padre é um homem que, no momento da Consagração, torna Cristo presente e, como Ele, está disposto a dar e a dar-se. Mas não é Deus nem ainda santo. E por isso, sofre, erra, recua e... recomeça. 
Recordo algumas notícias de jornal em que só o erro serve de assunto e lamento que seja tão pobre a ideia que fazemos do sacerdote. Ele é um homem mas dedicou a sua vida ao serviço dos homens. Merece o nosso apoio, a nossa estima, a nossa oração. Precisa da nossa compreensão e também do nosso incentivo.
Que o Pai olhe para a Igreja e perante as suas fragilidades faça o apelo a muitos jovens para que O sigam.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 10 de outubro de 2015

Nós e o Tempo

Geralmente, que estamos a pensar quando falamos de tempo? Acho que nem mais nem menos do que das condições atmosféricas. Hoje, por exemplo, estaríamos a lamentar o tempo horrível que se faz sentir: Vento, chuva, nevoeiro... Estamos no Outono e a chuva faz muita falta, mas... Portugal é o país da Europa com mais dias de sol , dizem as estatísticas... Logo, chuva e mau tempo é sinónimo de sacrifício para os que têm que sair e de neurastenia para os que o não podem fazer.
E mais uma vez estou a falar de condições atmosféricas!...
Mas a Bíblia fala-nos de outro Tempo. Por exemplo o Eclesiastes diz-nos que "há um tempo para nascer e um tempo para morrer... tempo para chorar e tempo para rir... um tempo para acumular e outro para dispersar..."
Um tempo para viver! É uma chamada de atenção, um imperativo para que aproveitemos, hoje e aqui, os dons que recebemos, o tempo que nos foi dado para realizarmos a Missão que o Pai nos confiou. É um incentivo para que agarremos a alegria e a felicidade que passam ao nosso lado e temos que construir e transmitir. Talvez um apelo para nos lembrar que temos que ser nós mesmos e que temos que distribuir pelos que nos rodeiam as graças que de Deus recebemos.
"Há um tempo para viver !" Tempo único, que temos que aproveitar e dele dar contas. Não vale a pena fechar os olhos, lamentar o mau tempo, proceder como se não houvesse amanhã... 
O Pai está connosco e é hoje que é preciso viver.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Festa de S.Luis Beltrão

No calendário Dominicano, neste dia 9 de Outubro, faz-se memória de S. Luis Beltrão, um jovem espanhol de Valência que viveu no sec. XVI. Foi, durante algum tempo, Mestre de Noviços no convento de Llombay. Mas depois foram as missões o seu grande campo de apostolado e pregação, influenciado por Frei Bartolomeu de las Casas.
Num dos seus escritos, que foi leitura para o Ofício de hoje, diz uma coisa que achei interessante. Cristo tem três formas de amizade. A primeira, é a dele pelos homens, com a Sua oferta por eles; a segunda, a dos homens uns pelos outros que devem amar à imagem d´Ele; a terceira é a amizade que os homens devem ter por esse Cristo que os ama. E a minha pergunta é coma vivemos a amizade de Deus por nós e como é a nossa amizade duns pelos outros e, pelo próprio Cristo. Afinal Jesus recomendou-nos que nos amássemos como Ele nos amou...  E a amizade é esta forma mais vulgar de designar o Amor.
E nós precisamos de amar.Aliás, a palavra amor , em qualquer das suas formas, é um lugar comum do vocabulário do Homem. Portanto,  precisamos de  amizade, do  apoio do  amigo,  da sua  colaboração,  do incentivo para recomeçar quando desfalecemos.
S. Luis Beltrão ao falar de amizade, como manifestação do amor do Pai, não se esquece de enumerar a amizade dos homens uns para com os outros. Ele certamente sabia como é importante sentir o ombro amigo em que nos podemos apoiar, mesmo sendo outro o tempo e ele um asceta...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Magia do mês de Outubro

Outubro um dos meses importantes do calendário porque nele se honra particularmente a Virgem Maria, Senhora do Rosário. É o mês em que lembramos a última aparição de Nossa Senhora em Fátima, o atentado sofrido por João Paulo II, a vinda de Papas ao Santuário, etc.
Para nós, Dominicanos, é um mês especial porque incentiva a nossa devoção a Maria e à reza do Rosário. O rosário é, aliás, uma das nossas tradicionais devoções. Há mesmo uma   lenda que  diz que foi Nossa Senhora que deu o Rosário a S. Domingos e, não há convento ou capela dominicana em que não esteja o quadro representativo dessa dádiva.
Claro que é história mas o que é verdade é que desde sempre esta devoção se espalhou e se manteve na Ordem de S. Domingos.
E certamente foi ela que o inspirou a tornar sua e da sua Ordem esta devoção, devoção esta que vem da Idade Média mas que só no sec. XV tomou a estrutura que lhe conhecemos. E isto deve-se a Alamo de la Roche e, no século seguinte ao papa dominicano S. Pio V.
O Rosário reza-se nos conventos, nas paróquias, nas comunidades leigas, nas famílias. Façamos um esforço para o termos mais presente neste mês que lhe é dedicado.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.