domingo, 11 de outubro de 2015

Padres...homens como os outros?

Olho o sacerdote que se está a preparar para a celebração deste domingo. E penso no conceito que tantas vezes fazemos do padre: aquele personagem distante, investido em poderes divinos, ministro dos sacramentos...
Se é um frade, pior ainda porque traz com ele a carga duma comunidade, a estrutura duma vida em comum, a obrigatoriedade duns votos feitos.
E esquecemo-nos de que por detrás de tudo isso está o Homem, com os seus dons e as suas fragilidades, os seus anseios e as suas decepções, as suas lutas e as suas vitórias.
Está um homem ,como Zaqueu ou como Mateus, a quem Jesus chamou. Só que, em vez de se retirar compungido, como o jovem de que o Evangelho hoje falava, disse o seu Sim e O seguiu.
O padre é um homem que, no momento da Consagração, torna Cristo presente e, como Ele, está disposto a dar e a dar-se. Mas não é Deus nem ainda santo. E por isso, sofre, erra, recua e... recomeça. 
Recordo algumas notícias de jornal em que só o erro serve de assunto e lamento que seja tão pobre a ideia que fazemos do sacerdote. Ele é um homem mas dedicou a sua vida ao serviço dos homens. Merece o nosso apoio, a nossa estima, a nossa oração. Precisa da nossa compreensão e também do nosso incentivo.
Que o Pai olhe para a Igreja e perante as suas fragilidades faça o apelo a muitos jovens para que O sigam.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 10 de outubro de 2015

Nós e o Tempo

Geralmente, que estamos a pensar quando falamos de tempo? Acho que nem mais nem menos do que das condições atmosféricas. Hoje, por exemplo, estaríamos a lamentar o tempo horrível que se faz sentir: Vento, chuva, nevoeiro... Estamos no Outono e a chuva faz muita falta, mas... Portugal é o país da Europa com mais dias de sol , dizem as estatísticas... Logo, chuva e mau tempo é sinónimo de sacrifício para os que têm que sair e de neurastenia para os que o não podem fazer.
E mais uma vez estou a falar de condições atmosféricas!...
Mas a Bíblia fala-nos de outro Tempo. Por exemplo o Eclesiastes diz-nos que "há um tempo para nascer e um tempo para morrer... tempo para chorar e tempo para rir... um tempo para acumular e outro para dispersar..."
Um tempo para viver! É uma chamada de atenção, um imperativo para que aproveitemos, hoje e aqui, os dons que recebemos, o tempo que nos foi dado para realizarmos a Missão que o Pai nos confiou. É um incentivo para que agarremos a alegria e a felicidade que passam ao nosso lado e temos que construir e transmitir. Talvez um apelo para nos lembrar que temos que ser nós mesmos e que temos que distribuir pelos que nos rodeiam as graças que de Deus recebemos.
"Há um tempo para viver !" Tempo único, que temos que aproveitar e dele dar contas. Não vale a pena fechar os olhos, lamentar o mau tempo, proceder como se não houvesse amanhã... 
O Pai está connosco e é hoje que é preciso viver.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Festa de S.Luis Beltrão

No calendário Dominicano, neste dia 9 de Outubro, faz-se memória de S. Luis Beltrão, um jovem espanhol de Valência que viveu no sec. XVI. Foi, durante algum tempo, Mestre de Noviços no convento de Llombay. Mas depois foram as missões o seu grande campo de apostolado e pregação, influenciado por Frei Bartolomeu de las Casas.
Num dos seus escritos, que foi leitura para o Ofício de hoje, diz uma coisa que achei interessante. Cristo tem três formas de amizade. A primeira, é a dele pelos homens, com a Sua oferta por eles; a segunda, a dos homens uns pelos outros que devem amar à imagem d´Ele; a terceira é a amizade que os homens devem ter por esse Cristo que os ama. E a minha pergunta é coma vivemos a amizade de Deus por nós e como é a nossa amizade duns pelos outros e, pelo próprio Cristo. Afinal Jesus recomendou-nos que nos amássemos como Ele nos amou...  E a amizade é esta forma mais vulgar de designar o Amor.
E nós precisamos de amar.Aliás, a palavra amor , em qualquer das suas formas, é um lugar comum do vocabulário do Homem. Portanto,  precisamos de  amizade, do  apoio do  amigo,  da sua  colaboração,  do incentivo para recomeçar quando desfalecemos.
S. Luis Beltrão ao falar de amizade, como manifestação do amor do Pai, não se esquece de enumerar a amizade dos homens uns para com os outros. Ele certamente sabia como é importante sentir o ombro amigo em que nos podemos apoiar, mesmo sendo outro o tempo e ele um asceta...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Magia do mês de Outubro

Outubro um dos meses importantes do calendário porque nele se honra particularmente a Virgem Maria, Senhora do Rosário. É o mês em que lembramos a última aparição de Nossa Senhora em Fátima, o atentado sofrido por João Paulo II, a vinda de Papas ao Santuário, etc.
Para nós, Dominicanos, é um mês especial porque incentiva a nossa devoção a Maria e à reza do Rosário. O rosário é, aliás, uma das nossas tradicionais devoções. Há mesmo uma   lenda que  diz que foi Nossa Senhora que deu o Rosário a S. Domingos e, não há convento ou capela dominicana em que não esteja o quadro representativo dessa dádiva.
Claro que é história mas o que é verdade é que desde sempre esta devoção se espalhou e se manteve na Ordem de S. Domingos.
E certamente foi ela que o inspirou a tornar sua e da sua Ordem esta devoção, devoção esta que vem da Idade Média mas que só no sec. XV tomou a estrutura que lhe conhecemos. E isto deve-se a Alamo de la Roche e, no século seguinte ao papa dominicano S. Pio V.
O Rosário reza-se nos conventos, nas paróquias, nas comunidades leigas, nas famílias. Façamos um esforço para o termos mais presente neste mês que lhe é dedicado.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.






quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Sim de Maria

Pelo menos uma vez por dia saudamos Nossa Senhora com a recitação do Angelus.
E dizemos que o Anjo lhe veio anunciar a encarnação de Jesus e que Maria, mesmo sem entender o que se estava a passar, disse o seu Sim : " Faça-se a Vossa vontade"
Maria não conhecia ainda Jesus. Tal como os apóstolos não sabiam quem Ele Ele quando os chamou e eles O seguiram.
Nós também não O vemos nem conhecemos plenamente. Sabemos a Verdade que nos transmitiu e temos a certeza que O recebemos na Eucaristia: Jesus, o Deus feito homem , o filho de Maria que encarnou e morreu por nós. E isto nos basta!
Não O conhecemos mas temos um caminho a percorrer para nos aproximarmos d´Ele  um caminho de esforço e de graça, um caminho de silêncio e de verdade, um caminho de trevas e de luz.
Aliás o nosso Deus é um Deus silencioso, escondido,desconhecido. Um Deus que está presente mas não se mostra, um Deus que parece ausente porque quer que O procuremos. Convida-nos a que O busquemos, pelos caminhos da Vida, pelas veredas suaves ou íngremes que se nos apresentam para que as sigamos, pelos atalhos pedregosos ou macios que somos induzidos a percorrer.
Deus apela à nossa Fé para que não desanimemos mesmo quando o percurso se apresenta difícil e a escuridão consegue ofuscar a luz.
Como Maria, no desconhecimento mas na confiança, continuamos convidados a dizer o nosso sim.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A magia do poder

Olhando à nossa roda apercebemo-nos com facilidade  que, quer sejamos adultos ,jovens ou crianças, há em todos uma sede imensa de poder, um desejo de mandar, uma necessidade de ser reconhecido.
Mesmo a criança, a quem se dá "dez reis" de liberdade se julga já única e insubstituível.
O jovem, que conseguiu ganhar uma competição desportiva, um prémio escolar, que sei eu... pensa já que é o centro do mundo  e dono do poder e da glória.
E os adultos? Esses então... ao conseguirem um lugar de destaque consideram que todos os outros lhes devem vassalagem.
Claro que estou a exagerar e a atribuir a todos aquilo que apenas respeita a uma parte, mas a magia do poder é muito cativante. No entanto, como são efémeros e transitórios o poder, a fama, a glória!...
E mais ainda se não os conquistámos com esforço e trabalho, se não os aceitamos com humildade, se não fizémos da nossa vida uma contínua acção de graças ao Pai e de inteira disponibilidade aos irmãos.
Não podemos esquecer a palavra de Jesus: " Quem quiser ser o primeiro, faça-se o servo de todos" e
ponhamo-la em prática
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 19 de setembro de 2015

O lugar do Encontro

"Tudo na nossa vida começa com um encontro" É a frase que, debaixo da torre da entrada, procura chamar a atenção de todos os que passam fazendo-lhes o convite para a reflexão sobre a importância do encontro.
Parei para reflectir neste tema do "encontro". O primeiro passo, foi no momento da concepção, por vontade dos nossos pais que quiseram colaborar com Deus. Mas depois, quantos momentos de encontro!... A começar no nascimento, o primeiro embate com a Vida; no Baptismo, o encontro com a Trindade que nos transmitiu a Graça; na Comunhão, o encontro com Jesus que nos alimenta e transmite a força para ser cada vez melhor; na opção por um caminho, qualquer que seja a nossa vocação. E no fim, quando os nossos dias terminarem, o encontro definitivo com o Pai, para a Vida eterna.
E o encontro com os outros... quantas lições de vidas; quanta aprendizagem; quantas amizades construídas...
Mas tudo isto só é possível quando começamos por nos encontrar com Deus e connosco mesmos, quando entramos dentro de nós e descobrimos o dom de Deus, as graças que encheram os nossos dias, os avanços e recuos que marcaram a nossa caminhada, as luzes e as trevas que povoaram a nossa vida.
O nosso encontro, autêntico e verdadeiro, com o Pai só é possível se Jesus, o filho de Deus feito Homem , ocupar o lugar central na nossa vida.
Não deixemos que tudo e os outros ocupem o lugar d´Ele.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.