domingo, 6 de setembro de 2015

Dúvidas e certezas

Ao abrir o Breviário, mais uma vez me deparei com aquela interrogação de S. Pedro:" Quem me pode separar do amor de Deus?"
E penso que é uma pergunta que podemos e devemos fazer quando, numa etapa mais ou menos avançada da vida, olhamos para trás e tentamos uma análise do percurso feito.
Alguma coisa nos podia ter separado do amor de Deus? A dor, a incerteza, a desgraça, a inquietação, a dúvida?!...
Mas às vezes sentimo-Lo distante, ausente, longe das nossas realidades e do nosso mundo...
Ou seremos nós que nos afastámos, que fechámos o coração, que nos esquecemos que Ele é um Deus que nos fala no silêncio, um Deus ausente que temos que procurar?!... 
Procurar Deus em cada momento, tendo a certeza que Ele está, mesmo quando não O vemos nem sentimos, não é tarefa fácil. No entanto, somos animados pela Fé e confiamos nas palavras da Escritura.
É possível que, como o filho pródigo, tenhamos partido para terras longínquas, tenhamos falado novas línguas, experimentado desconhecidos prazeres...
São as fraquezas da nossa humanidade que nos afastam do Pai mas não nos podem separar d´Ele.
Ele, permanece lá, atento, à espera que regressemos, para nos acolher com o Seu Amor.
           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 5 de setembro de 2015

Olha e Vê

"
Olha , Amigo e vê
Vê um mar de gentes
sem ninguém para as apoiar ou compreender.
Vê o sol
que todos os dias nasce para todos
sem se importar com raça ou cor
Vê a Terra
que dá fruto quando lhe lançam a semente
para ela gerar como uma mãe gera um filho.
E esse fruto nascido da terra
vai alimentar muitas bocas que estão à sua espera,
como se fosse algo sagrado.
Vê o que se passa à tua volta.
Acorda desse pesadelo
que não dá pão a ninguém e se chama indiferença,
e luta por um mundo melhor

Vê a vida que pulsa em ti .
Aceita o desafio da Paz.
Para vencer a guerra,
a fome,
a pobreza
e a incompreensão.
Mostra que sabes ser humano
e ajuda a lutar
contra tudo o que está mal no mundo.
Junta-te a outros irmãos
que, como tu, querem acordar da escuridão
e ver o sol
todos os dias,
levantar-se para todos"

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Papa e santo

Ontem, a Igreja Católica fazia memória dum grande homem, um Santo: o papa Gregório Magno.
Numa das suas homilias, do Ofício de Leituras, ele levanta um problema que nos dá, simultâneamente, uma lição. Fala-nos em como a vida activa põe dificuldades à oração e à contemplação. Relata-nos como era mais "eficiente", em termos de reflexão e interioridade , o tempo que passara no mosteiro.
E isto reporta-me a uma outra leitura, doutro autor, em que se fazia notar como o silêncio era importante para a vida interior.
Simplesmente, como S. Gregório, somos solicitados por mil situações de ruído e de escuta. Como ele, temos dificuldade em criar o clima que nos seja favorável ao encontro com Deus e connosco.
É a grande aprendizagem que temos que fazer, sabendo que é no silêncio que Deus nos fala. Ele é   um Deus de silêncio. 
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.                                                                            

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Projectos e realidades

As férias, o mar, as mudanças de actividade não fazem esquecer um passado que nós vivemos e construiu o "ontem" que nos encheu.
Claro que o "presente é sempre um instante entre o passado que já não é e o futuro que ainda não foi"... Talvez por isso mesmo, tudo o que ainda não vivemos vai ser norteado e marcado por aquilo que construímos e experimentámos.
O ano escolar vai recomeçar. As escolas vão estar novamente cheias de crianças e jovens. Vão recomeçar os gritos, os risos, as brincadeiras. 
As responsabilidades e o trabalho voltarão a povoar os dias de professores e alunos. As pastas, os livros novos, as roupas ainda de Verão apresentar-se-ão em profusão.
Nas ruas, outra animação se sente já. Mesmo o trânsito começa a retomar o ritmo mais acelerado de quem tem um horário a cumprir.
As Janelas das casas começam a abrir-se mais cedo numa tentativa de adaptação a novos esquemas e os jardins e praças a reflectir uma animação que não é da Primavera que vai chegar mas sim da juventude, neste período de expectativa.
Às vezes, vê-se alguns jovens subir os degraus duma qualquer igreja próxima. Vão aproveitar para pedira protecção do Pai, o apoio de Maria. Fazem bem, pedir apoio neste início de ano. Outros confiam apenas nas suas capacidades e nas circunstâncias... Mas todos parecem encarar com entusiasmo o ano que começa. Ainda não é o momento das preocupações com testes e notas. Agora, apenas a alegria de rever os amigos, de contar aventuras, de saber novidades.
Saudemos o ano que chega e procuremos vivê-lo com Fé e com Esperança.
                  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Regresso à actividade

As férias estão a acabar!
Dizem-no os filhos com tristeza; repetem-no os pais com inquietação mas também com algum alívio.
As férias estão a acabar... comentam todos aqueles que as tiveram, claro!...
Mas com férias ou sem férias a verdade é que o mês de Agosto já terminou e o de Setembro se iniciou com um ar bastante outonal. Será para não deixar tantas saudades?!...
Está um sol meio triste, um tempo nublado, uma brisa fresca. Até as pessoas se apresentam menos bem dispostas ainda que tentando parecer divertidas.
Mas é assim o ciclo das estações e a sequência dos tempos.
Não podemos ficar lamentando o que passou e aspirando pelo que ainda não chegou. Demos graças pelo momento presente e alegremo-nos com o que Deus nos vai proporcionando.
Saber agradecer o que se tem é capaz de ser um dom, mas é também uma necessidade. Façamo-lo cada dia e procuremos viver cada graça, cada acontecimento com a novidade que ele nos proporciona.
                  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Condução automática

É o Senhor que conduz a barca de Pedro!
É Deus que dirige a barca da nossa vida!
A nós, compete seguir o vento, remar da acordo com as marés, orientar-mo-nos pela informação que os astros nos dão. Não podemos mudar o vento nem comandar o mar. Não nos é dado modificar o ritmo das estações  nem a marcha do tempo. Mas podemos e devemos ler os acontecimentos, à luz de Deus, interpretar os sinais dos tempos, analisar os anseios da alma e actuar de acordo com eles, seguindo os ditames do nosso coração. 
Não queiramos comandar Deus, mas deixemos que Ele nos guie e correspondamos-Lhe na Fé.
"Se tiverdes Fé do tamanho dum grão de mostarda..."
Pela Fé Pedro deixou a barca e andou sobre as ondas : "Senhor, se és Tu, que eu vá ter contigo." 
"Vem!" disse-lhe Jesus. E ele não hesitou , não pensou duas vezes. Despiu a túnica e seguiu mar fora como se de uma estrada se tratasse. Só que em dado momento teve medo, faltou-lhe a coragem e afundou-se.
"Homens de pouca Fé, por que duvidais? foi a interrogação de Jesus.
E é a pergunta que Ele nos faz quando nos sente vacilantes, quando hesitamos no caminho,  quando pretendemos modificar a marcha dos acontecimentos. " Por que duvidas? diz-nos Jesus...
"Nada acontece por acaso " afirma o povo...
Então, num acto de Fé digamos o nosso Sim e sigamos em frente.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 30 de agosto de 2015

Dia internacional dos desaparecidos

Ao ouvir na rádio o anúncio para o  dia de hoje lembrei-me de todos aqueles que desapareceram das nossas vidas, que deixaram de fazer parte do nosso convívio, que já não estão no nosso grupo de vivência, porque o Senhor os chamou para irem integrar o grupo dos que O louvam no "coro dos céus".
São os avós, os pais, os irmãos, os amigos... 
Tantos que ontem estavam presentes e que hoje recordamos com saudade...
Mas a seguir, lembrei anúncios de jornais e reportagens de televisão: centenas de jovens e adultos, crianças e idosos, que as famílias procuram ansiosa e desesperadamente. E pergunto-me o porquê destes desaparecimentos, destas ausências, voluntárias ou involuntárias.
Às vezes é um caso de doença, a falta de estabilidade emocional que leva os idoso a saírem de casa e a perderem-se. Noutras circunstâncias, é a maldade dos homens que se aproveitam de crianças e jovens para satisfazerem os seus instintos distorcidos. Mas... há casos em que são os próprios  jovens que saem de casa e partem à aventura sem pensarem no desgosto e preocupação que deixam atrás de si.
Nesta manhã, talvez pararmos um momento para pensarmos nas causas de tudo isto: Insatisfação, traumas, ausência de valores...  E, sobretudo, afastamento de Deus, desconhecimento do Seu Amor, desinteresse pela Sua acção em nós.
Um dia para pensar em tudo isto. Uma altura para rever a parábola do filho pródigo e nos certificarmos que o Pai está lá e nos espera para fazer a festa.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.