domingo, 30 de agosto de 2015

Dia internacional dos desaparecidos

Ao ouvir na rádio o anúncio para o  dia de hoje lembrei-me de todos aqueles que desapareceram das nossas vidas, que deixaram de fazer parte do nosso convívio, que já não estão no nosso grupo de vivência, porque o Senhor os chamou para irem integrar o grupo dos que O louvam no "coro dos céus".
São os avós, os pais, os irmãos, os amigos... 
Tantos que ontem estavam presentes e que hoje recordamos com saudade...
Mas a seguir, lembrei anúncios de jornais e reportagens de televisão: centenas de jovens e adultos, crianças e idosos, que as famílias procuram ansiosa e desesperadamente. E pergunto-me o porquê destes desaparecimentos, destas ausências, voluntárias ou involuntárias.
Às vezes é um caso de doença, a falta de estabilidade emocional que leva os idoso a saírem de casa e a perderem-se. Noutras circunstâncias, é a maldade dos homens que se aproveitam de crianças e jovens para satisfazerem os seus instintos distorcidos. Mas... há casos em que são os próprios  jovens que saem de casa e partem à aventura sem pensarem no desgosto e preocupação que deixam atrás de si.
Nesta manhã, talvez pararmos um momento para pensarmos nas causas de tudo isto: Insatisfação, traumas, ausência de valores...  E, sobretudo, afastamento de Deus, desconhecimento do Seu Amor, desinteresse pela Sua acção em nós.
Um dia para pensar em tudo isto. Uma altura para rever a parábola do filho pródigo e nos certificarmos que o Pai está lá e nos espera para fazer a festa.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Transfiguração de Jesus

Jesus sobe ao monte com Pedro, Tiago e João
Lá,o Pai quer certificar a Divindade de Jesus: " Este é o meu Filho muito amado"
Com Jesus, Moisés, o homem da Lei e Elias o testemunho da profecia. 
Os apóstolos ficam estarrecidos, encantados e, ao mesmo tempo, desprendidos, prestáveis, generosos:"Façamos aqui três tendas. Uma para Ti, outra para Elias e outra para Moisés..."
E querem ficar a desfrutar da sua alegria ; querem talvez transmiti-la a toda a gente. Mas não tinha chegado o momento. Havia que calar e voltar ao que era habitual
Também connosco acontece isto. Há que, generosa e simplesmente, continuar aquilo que é o nosso "hoje" confiantes no"àmanhã" que Deus nos prometeu.
A Fé move montanhas e alimenta o nosso querer.


sábado, 11 de julho de 2015

Interpretações

Acabei de reler um excerto do  Evangelho de S. Mateus. No capítulo 8 ele apresenta-nos uma situação algo insólita, estranha e talvez perturbadora.
É a história dos endemoninhados, da vara de porcos e da população que vem pedir a Jesus para se afastar.
Os espíritos pedem ao mestre para irem habitar os porcos. Estes ficam excitados, correm pela colina abaixo e vão-se afogar no mar. E isto, sob o olhar impassível? de Jesus.
Os pastores assombrados vão contar o que se passou e a população vem pedir a Jesus que se afaste.
Podemo-nos perguntar o significado de tudo isto. E abstraindo  dos pormenores dos espíritos e dos porcos, fica-nos a situação que traduz afinal o quê? Nem mais nem menos do que a explicitação da liberdade que Deus dá ao Homem de escolher o caminho certo ou a vereda errada. A escolha é nossa. As consequências são o resultado da opção feita.
E a vinda da população pedindo o afastamento de Jesus?
Não é o que tantas vezes nós fazemos quando não queremos que Ele nos fale , nos solicite para uma realidade que não queremos ver?
Simplesmente os homens não são animais e, muito embora possuindo a possibilidade de escolha , têm também a capacidade de verificar que se enganaram  e arrepiar caminho.
E, no fim do caminho de regresso à "casa do Pai " lá está Ele esperando a chegada do filho pródigo,
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Solenidade

Na 2ª feira foi dia de S. Pedro e S. Paulo. Grande festa aqui na nossa zona, sobretudo lembrando S. Pedro, o patrono deste lugar.
Solenidade de S. Pedro e S. Paulo. Dois Apóstolos, dois Santos, dois seguidores de Jesus Cristo, dois pregadores da Sua mensagem. E, no entanto, se olharmos para um e para outro, quão diferentes!
Pedro, o pescador das margens do lago da Galileia a quem Jesus diz "Vem e segue-me " e não olha para trás. Paulo, o judeu culto, conhecedor da Lei, perseguidor da nova doutrina que o incomodava e a quem Jesus vai fazer cair do cavalo para lhe abrir os olhos.
Dois Homens, duas vidas, dois caminhos.
A negação de um que o leva à confiança absoluta; a ira do outro que se transforma em humildade e dom. Em ambos, a Fé, a confiança que vence todas as barreiras e ultrapassa todas as dificuldades.
" Senhor, Tu que sabes tudo sabes que te amo" responde Pedro à interrogação de Jesus.
" Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo" afirma Paulo com entusiasmo.
À maneira de Pedro ou de Paulo sigamos Cristo com a certeza da Sua presença e do Seu Amor.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Brinquedos

Ia a caminho da casa dos meus pais em Lisboa. A cabeça um pouco no ar, cheia de mil e um pensamentos diferentes , ocupações e preocupações para esse dia.
De repente estaquei diante da montra da loja do lado.Nem mais nem menos do que uma exposição de bonecas de pano.
Recordei a minha infância. Também eu, no meio de outras, tinha uma boneca dessas, de cabelos de lã, olhos redondos, muito bem pintados , boca risonha, apesar de linear... E uma colecção de fatos que a minha mãe me fazia para ela. 
São encantadoras essas bonecas!
E engraçado como parece que estão novamente na moda. Ou simplesmente serão as mães que as compram para recordar os seus tempos de infância?!... É que as meninas de hoje têm outro tipo de interesses: telemóveis, consolas, IPeds... Enfim! as altas tecnologias...
Tudo muito menos inofensivo que os brinquedos do meu tempo. Quando nos juntávamos a fazer jantarinhos para as bonecas ou os manos a organizarem corridas de carros, as mães sabiam o que ocupava o nosso tempo e a nossa mente. Hoje, saberão os pais o que se esconde por detrás duma conversa de telemóvel ou duma troca de frases no facebook?
A ciência evoluiu e trouxe imensas possibilidades mas os perigos também aumentaram e as consequências lemos e ouvimos todos os dias nos jornais.
Recordar as bonecas e lembrar brincadeiras de infância é voltar a um imaginário de que elas fazem parte e que hoje parece estar esquecido. São memórias dum passado bem vivido, dum tempo diferente em que " o sonho comandava a vida".
  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Contemplação- privilégio ou actividade?

"Contemplari et contenplata aliis tradere"
É o lema da Ordem a que pertence a minha Congregação - a Ordem Dominicana. Um Lema que S. Tomás de Aquino nos apresenta e que S. Domingos viveu desde a primeira hora : " Contemplar e dar aos outros o fruto da nossa contemplação"
Mas, o que é contemplar ? Acho que não encontramos em nenhum dicionário uma definição plena e absoluta para esta realidade.
É que contemplar é uma atitude interior, uma acção positiva de ser, um debruçarmo-nos sobre nós mesmos e olhar, sem ver. É admirar, extasiar-se perante Deus, a Sua obra de criação, o Seu Amor que O levou a dar-nos o Seu Filho para nossa salvação.
Contemplar é tentar incluir em nós, no nosso coração e na nossa vida, uma porção da perfeição que é Deus, da Sua Verdade infinita, do Seu Bem inesgotável.
Contemplar é ajoelhar e dar graças por todos os dons recebidos, por todas as graças alcançadas, por todas as virtudes desenvolvidas. Mesmo sem ver, sem entender.
E de tudo isso... partilhar, fazer participantes aqueles que nos rodeiam, dar com uma mesma simplicidade com que se recebeu, fazer os outros usufruir duma Alegria , duma Felicidade e duma Paz que foi um dom gratuito, numa atitude de disponibilidade e de entrega.
Abramos o coração e demos de graça o que de graça recebemos.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Paradoxos

Um dia destes ao ler um excerto do discurso de Sofar sobre retribuição saltou-me aos olhos esta frase " Se Deus falasse e abrisse os lábios para responder, se revelasse os mistérios da sabedoria que desconcertam o entendimento..." e apeteceu-me acrescentar: teríamos menos inquietações, poríamos menos interrogações e viveríamos com mais certezas.
Simplesmente, Deus não é assim que procede. Ele deseja que a Fé alimente a nossa inteligência e o nosso querer. Ele fala-nos através dos acontecimentos e daqueles que nos rodeiam; revela-nos os mistérios da sabedoria por meio das interrogações que  nós  próprios  nos   pomos a propósito das situações do dia-a-dia.
O nosso Deus é um Deus escondido que pretende que O procuremos; que quer que tenhamos a certeza de que está presente mesmo quando não O sentimos nem nos apercebemos da Sua presença e da Sua acção. É que Deus nos presenteou com a Fé e através dela descortinamos e acreditamos mesmo no que está oculto aos nossos olhos e imperceptível  aos nossos sentidos.
Aliás, coisa impressionante! Outro dia, um amigo meu chamou-me a atenção, a propósito da questão da Fé,
para o facto de que, segundo S. Tomás de Aquino, a Fé é uma questão de vontade.
Fiquei a olhar para ele algo céptica. É que numa primeira abordagem pareceu-me estranha esta afirmação.Mas, se S. Tomás diz... S. Tomás é S. Tomás...
E depois, pensando melhor... realmente para o que vemos não precisamos de Fé. Ela exige-se quando nos propomos acreditar naquilo que não vemos. E, como dizia o meu amigo,para dar esse salto no escuro, temos que querer fazê-lo. E isso, é um acto de vontade.
" Senhor, eu creio, mas aumentai a minha Fé"
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.