sábado, 11 de julho de 2015

Interpretações

Acabei de reler um excerto do  Evangelho de S. Mateus. No capítulo 8 ele apresenta-nos uma situação algo insólita, estranha e talvez perturbadora.
É a história dos endemoninhados, da vara de porcos e da população que vem pedir a Jesus para se afastar.
Os espíritos pedem ao mestre para irem habitar os porcos. Estes ficam excitados, correm pela colina abaixo e vão-se afogar no mar. E isto, sob o olhar impassível? de Jesus.
Os pastores assombrados vão contar o que se passou e a população vem pedir a Jesus que se afaste.
Podemo-nos perguntar o significado de tudo isto. E abstraindo  dos pormenores dos espíritos e dos porcos, fica-nos a situação que traduz afinal o quê? Nem mais nem menos do que a explicitação da liberdade que Deus dá ao Homem de escolher o caminho certo ou a vereda errada. A escolha é nossa. As consequências são o resultado da opção feita.
E a vinda da população pedindo o afastamento de Jesus?
Não é o que tantas vezes nós fazemos quando não queremos que Ele nos fale , nos solicite para uma realidade que não queremos ver?
Simplesmente os homens não são animais e, muito embora possuindo a possibilidade de escolha , têm também a capacidade de verificar que se enganaram  e arrepiar caminho.
E, no fim do caminho de regresso à "casa do Pai " lá está Ele esperando a chegada do filho pródigo,
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Solenidade

Na 2ª feira foi dia de S. Pedro e S. Paulo. Grande festa aqui na nossa zona, sobretudo lembrando S. Pedro, o patrono deste lugar.
Solenidade de S. Pedro e S. Paulo. Dois Apóstolos, dois Santos, dois seguidores de Jesus Cristo, dois pregadores da Sua mensagem. E, no entanto, se olharmos para um e para outro, quão diferentes!
Pedro, o pescador das margens do lago da Galileia a quem Jesus diz "Vem e segue-me " e não olha para trás. Paulo, o judeu culto, conhecedor da Lei, perseguidor da nova doutrina que o incomodava e a quem Jesus vai fazer cair do cavalo para lhe abrir os olhos.
Dois Homens, duas vidas, dois caminhos.
A negação de um que o leva à confiança absoluta; a ira do outro que se transforma em humildade e dom. Em ambos, a Fé, a confiança que vence todas as barreiras e ultrapassa todas as dificuldades.
" Senhor, Tu que sabes tudo sabes que te amo" responde Pedro à interrogação de Jesus.
" Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo" afirma Paulo com entusiasmo.
À maneira de Pedro ou de Paulo sigamos Cristo com a certeza da Sua presença e do Seu Amor.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Brinquedos

Ia a caminho da casa dos meus pais em Lisboa. A cabeça um pouco no ar, cheia de mil e um pensamentos diferentes , ocupações e preocupações para esse dia.
De repente estaquei diante da montra da loja do lado.Nem mais nem menos do que uma exposição de bonecas de pano.
Recordei a minha infância. Também eu, no meio de outras, tinha uma boneca dessas, de cabelos de lã, olhos redondos, muito bem pintados , boca risonha, apesar de linear... E uma colecção de fatos que a minha mãe me fazia para ela. 
São encantadoras essas bonecas!
E engraçado como parece que estão novamente na moda. Ou simplesmente serão as mães que as compram para recordar os seus tempos de infância?!... É que as meninas de hoje têm outro tipo de interesses: telemóveis, consolas, IPeds... Enfim! as altas tecnologias...
Tudo muito menos inofensivo que os brinquedos do meu tempo. Quando nos juntávamos a fazer jantarinhos para as bonecas ou os manos a organizarem corridas de carros, as mães sabiam o que ocupava o nosso tempo e a nossa mente. Hoje, saberão os pais o que se esconde por detrás duma conversa de telemóvel ou duma troca de frases no facebook?
A ciência evoluiu e trouxe imensas possibilidades mas os perigos também aumentaram e as consequências lemos e ouvimos todos os dias nos jornais.
Recordar as bonecas e lembrar brincadeiras de infância é voltar a um imaginário de que elas fazem parte e que hoje parece estar esquecido. São memórias dum passado bem vivido, dum tempo diferente em que " o sonho comandava a vida".
  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Contemplação- privilégio ou actividade?

"Contemplari et contenplata aliis tradere"
É o lema da Ordem a que pertence a minha Congregação - a Ordem Dominicana. Um Lema que S. Tomás de Aquino nos apresenta e que S. Domingos viveu desde a primeira hora : " Contemplar e dar aos outros o fruto da nossa contemplação"
Mas, o que é contemplar ? Acho que não encontramos em nenhum dicionário uma definição plena e absoluta para esta realidade.
É que contemplar é uma atitude interior, uma acção positiva de ser, um debruçarmo-nos sobre nós mesmos e olhar, sem ver. É admirar, extasiar-se perante Deus, a Sua obra de criação, o Seu Amor que O levou a dar-nos o Seu Filho para nossa salvação.
Contemplar é tentar incluir em nós, no nosso coração e na nossa vida, uma porção da perfeição que é Deus, da Sua Verdade infinita, do Seu Bem inesgotável.
Contemplar é ajoelhar e dar graças por todos os dons recebidos, por todas as graças alcançadas, por todas as virtudes desenvolvidas. Mesmo sem ver, sem entender.
E de tudo isso... partilhar, fazer participantes aqueles que nos rodeiam, dar com uma mesma simplicidade com que se recebeu, fazer os outros usufruir duma Alegria , duma Felicidade e duma Paz que foi um dom gratuito, numa atitude de disponibilidade e de entrega.
Abramos o coração e demos de graça o que de graça recebemos.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Paradoxos

Um dia destes ao ler um excerto do discurso de Sofar sobre retribuição saltou-me aos olhos esta frase " Se Deus falasse e abrisse os lábios para responder, se revelasse os mistérios da sabedoria que desconcertam o entendimento..." e apeteceu-me acrescentar: teríamos menos inquietações, poríamos menos interrogações e viveríamos com mais certezas.
Simplesmente, Deus não é assim que procede. Ele deseja que a Fé alimente a nossa inteligência e o nosso querer. Ele fala-nos através dos acontecimentos e daqueles que nos rodeiam; revela-nos os mistérios da sabedoria por meio das interrogações que  nós  próprios  nos   pomos a propósito das situações do dia-a-dia.
O nosso Deus é um Deus escondido que pretende que O procuremos; que quer que tenhamos a certeza de que está presente mesmo quando não O sentimos nem nos apercebemos da Sua presença e da Sua acção. É que Deus nos presenteou com a Fé e através dela descortinamos e acreditamos mesmo no que está oculto aos nossos olhos e imperceptível  aos nossos sentidos.
Aliás, coisa impressionante! Outro dia, um amigo meu chamou-me a atenção, a propósito da questão da Fé,
para o facto de que, segundo S. Tomás de Aquino, a Fé é uma questão de vontade.
Fiquei a olhar para ele algo céptica. É que numa primeira abordagem pareceu-me estranha esta afirmação.Mas, se S. Tomás diz... S. Tomás é S. Tomás...
E depois, pensando melhor... realmente para o que vemos não precisamos de Fé. Ela exige-se quando nos propomos acreditar naquilo que não vemos. E, como dizia o meu amigo,para dar esse salto no escuro, temos que querer fazê-lo. E isso, é um acto de vontade.
" Senhor, eu creio, mas aumentai a minha Fé"
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de Portugal

10 de Junho
Festa de Portugal de Camões e das comunidades Portuguesas.
E não é por acaso que foi escolhido este dia para as comemorações.É que foi precisamente o dia em que morreu Camões, o autor dos Lusíadas o poema das epopeias portuguesas.
E o país o comemora e festeja o dia da sua pátria.
Mas a Igreja portuguesa celebra um outro acontecimento. Lembra o Anjo de Portugal, aquele que veio preparar os pastorinhos para a vinda da  "Senhora mais brilhante que o sol".
Aliás os anjos sempre tiveram um papel importante tanto no Antigo como no Novo Testamento. Recordemos,por exemplo, o anjo que acompanhou Tobias ou anunciou a Zacarias que ele ia ser pai.
E depois, foi um anjo que convidou Maria para mãe de Jesus; foi outro que preparou José para receber Maria como sua esposa. E foram ainda os anjos que anunciaram aos pastores a novidade do nascimento do Salvador.
A cada um de nós Deus encarregou um anjo de velar pelas nossas vidas.
Rezemos-lhe sempre: Anjo da Guarda,
                                 Minha companhia
                                 Guardai minha alma
                                 de noite e de dia.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 7 de junho de 2015

Festa do Corpo de Deus

Novamente lembramos Quinta-feira Santa.
Mais uma vez recordamos a Última Ceia e os acontecimentos que a antecederam e que se seguiram a ela.
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo! É Jesus que se fez homem, morreu por nós e quis ficar entre nós para ser nosso alimento. 
É um acontecimento tão importante e que nos transcende de tal maneira que impõe uma festividade nova - a festa do Corpo de Deus, como lhe chamamos vulgarmente. Nela, todos nos devemos prostrar para agradecer, para glorificar, para dizer: Senhor, aqui estou!.
Em Lisboa, e certamente noutras cidades, a multidão dos cristãos desloca-se pelas ruas da Baixa acompanhando Cristo feito pão da Eucaristia. É o seu testemunho de Fé e um convite à renovação dessa mesma Fé. 
É impressionante a devoção dos que O seguem; a espera silenciosa e interior dos que aguardam a Sua passagem ; a atitude expectante mas respeitadora dos turistas ou simples curiosos.
Cristo desce à rua, entre orações e cânticos, neste dia em que veneramos publicamente o Seu Corpo e Sangue, a Sua oferta de Amor. Não O acompanhamos na Sua solidão, como na 5ª feira Santa; testemunhamos o Seu mandamento: "Ide e ensinai..."
E a procissão segue... em oração e adoração.
Cada um de nós, no íntimo da sua alma, no silêncio da sua vida, dobra os joelhos, inclina a cabeça e faz a sua oferta de amor.
                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.