segunda-feira, 29 de junho de 2015

Brinquedos

Ia a caminho da casa dos meus pais em Lisboa. A cabeça um pouco no ar, cheia de mil e um pensamentos diferentes , ocupações e preocupações para esse dia.
De repente estaquei diante da montra da loja do lado.Nem mais nem menos do que uma exposição de bonecas de pano.
Recordei a minha infância. Também eu, no meio de outras, tinha uma boneca dessas, de cabelos de lã, olhos redondos, muito bem pintados , boca risonha, apesar de linear... E uma colecção de fatos que a minha mãe me fazia para ela. 
São encantadoras essas bonecas!
E engraçado como parece que estão novamente na moda. Ou simplesmente serão as mães que as compram para recordar os seus tempos de infância?!... É que as meninas de hoje têm outro tipo de interesses: telemóveis, consolas, IPeds... Enfim! as altas tecnologias...
Tudo muito menos inofensivo que os brinquedos do meu tempo. Quando nos juntávamos a fazer jantarinhos para as bonecas ou os manos a organizarem corridas de carros, as mães sabiam o que ocupava o nosso tempo e a nossa mente. Hoje, saberão os pais o que se esconde por detrás duma conversa de telemóvel ou duma troca de frases no facebook?
A ciência evoluiu e trouxe imensas possibilidades mas os perigos também aumentaram e as consequências lemos e ouvimos todos os dias nos jornais.
Recordar as bonecas e lembrar brincadeiras de infância é voltar a um imaginário de que elas fazem parte e que hoje parece estar esquecido. São memórias dum passado bem vivido, dum tempo diferente em que " o sonho comandava a vida".
  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Contemplação- privilégio ou actividade?

"Contemplari et contenplata aliis tradere"
É o lema da Ordem a que pertence a minha Congregação - a Ordem Dominicana. Um Lema que S. Tomás de Aquino nos apresenta e que S. Domingos viveu desde a primeira hora : " Contemplar e dar aos outros o fruto da nossa contemplação"
Mas, o que é contemplar ? Acho que não encontramos em nenhum dicionário uma definição plena e absoluta para esta realidade.
É que contemplar é uma atitude interior, uma acção positiva de ser, um debruçarmo-nos sobre nós mesmos e olhar, sem ver. É admirar, extasiar-se perante Deus, a Sua obra de criação, o Seu Amor que O levou a dar-nos o Seu Filho para nossa salvação.
Contemplar é tentar incluir em nós, no nosso coração e na nossa vida, uma porção da perfeição que é Deus, da Sua Verdade infinita, do Seu Bem inesgotável.
Contemplar é ajoelhar e dar graças por todos os dons recebidos, por todas as graças alcançadas, por todas as virtudes desenvolvidas. Mesmo sem ver, sem entender.
E de tudo isso... partilhar, fazer participantes aqueles que nos rodeiam, dar com uma mesma simplicidade com que se recebeu, fazer os outros usufruir duma Alegria , duma Felicidade e duma Paz que foi um dom gratuito, numa atitude de disponibilidade e de entrega.
Abramos o coração e demos de graça o que de graça recebemos.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Paradoxos

Um dia destes ao ler um excerto do discurso de Sofar sobre retribuição saltou-me aos olhos esta frase " Se Deus falasse e abrisse os lábios para responder, se revelasse os mistérios da sabedoria que desconcertam o entendimento..." e apeteceu-me acrescentar: teríamos menos inquietações, poríamos menos interrogações e viveríamos com mais certezas.
Simplesmente, Deus não é assim que procede. Ele deseja que a Fé alimente a nossa inteligência e o nosso querer. Ele fala-nos através dos acontecimentos e daqueles que nos rodeiam; revela-nos os mistérios da sabedoria por meio das interrogações que  nós  próprios  nos   pomos a propósito das situações do dia-a-dia.
O nosso Deus é um Deus escondido que pretende que O procuremos; que quer que tenhamos a certeza de que está presente mesmo quando não O sentimos nem nos apercebemos da Sua presença e da Sua acção. É que Deus nos presenteou com a Fé e através dela descortinamos e acreditamos mesmo no que está oculto aos nossos olhos e imperceptível  aos nossos sentidos.
Aliás, coisa impressionante! Outro dia, um amigo meu chamou-me a atenção, a propósito da questão da Fé,
para o facto de que, segundo S. Tomás de Aquino, a Fé é uma questão de vontade.
Fiquei a olhar para ele algo céptica. É que numa primeira abordagem pareceu-me estranha esta afirmação.Mas, se S. Tomás diz... S. Tomás é S. Tomás...
E depois, pensando melhor... realmente para o que vemos não precisamos de Fé. Ela exige-se quando nos propomos acreditar naquilo que não vemos. E, como dizia o meu amigo,para dar esse salto no escuro, temos que querer fazê-lo. E isso, é um acto de vontade.
" Senhor, eu creio, mas aumentai a minha Fé"
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de Portugal

10 de Junho
Festa de Portugal de Camões e das comunidades Portuguesas.
E não é por acaso que foi escolhido este dia para as comemorações.É que foi precisamente o dia em que morreu Camões, o autor dos Lusíadas o poema das epopeias portuguesas.
E o país o comemora e festeja o dia da sua pátria.
Mas a Igreja portuguesa celebra um outro acontecimento. Lembra o Anjo de Portugal, aquele que veio preparar os pastorinhos para a vinda da  "Senhora mais brilhante que o sol".
Aliás os anjos sempre tiveram um papel importante tanto no Antigo como no Novo Testamento. Recordemos,por exemplo, o anjo que acompanhou Tobias ou anunciou a Zacarias que ele ia ser pai.
E depois, foi um anjo que convidou Maria para mãe de Jesus; foi outro que preparou José para receber Maria como sua esposa. E foram ainda os anjos que anunciaram aos pastores a novidade do nascimento do Salvador.
A cada um de nós Deus encarregou um anjo de velar pelas nossas vidas.
Rezemos-lhe sempre: Anjo da Guarda,
                                 Minha companhia
                                 Guardai minha alma
                                 de noite e de dia.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 7 de junho de 2015

Festa do Corpo de Deus

Novamente lembramos Quinta-feira Santa.
Mais uma vez recordamos a Última Ceia e os acontecimentos que a antecederam e que se seguiram a ela.
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo! É Jesus que se fez homem, morreu por nós e quis ficar entre nós para ser nosso alimento. 
É um acontecimento tão importante e que nos transcende de tal maneira que impõe uma festividade nova - a festa do Corpo de Deus, como lhe chamamos vulgarmente. Nela, todos nos devemos prostrar para agradecer, para glorificar, para dizer: Senhor, aqui estou!.
Em Lisboa, e certamente noutras cidades, a multidão dos cristãos desloca-se pelas ruas da Baixa acompanhando Cristo feito pão da Eucaristia. É o seu testemunho de Fé e um convite à renovação dessa mesma Fé. 
É impressionante a devoção dos que O seguem; a espera silenciosa e interior dos que aguardam a Sua passagem ; a atitude expectante mas respeitadora dos turistas ou simples curiosos.
Cristo desce à rua, entre orações e cânticos, neste dia em que veneramos publicamente o Seu Corpo e Sangue, a Sua oferta de Amor. Não O acompanhamos na Sua solidão, como na 5ª feira Santa; testemunhamos o Seu mandamento: "Ide e ensinai..."
E a procissão segue... em oração e adoração.
Cada um de nós, no íntimo da sua alma, no silêncio da sua vida, dobra os joelhos, inclina a cabeça e faz a sua oferta de amor.
                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 6 de junho de 2015

Perguntas sem resposta

" Com que autoridade fazes tu estas coisas? "
Foi pergunta que os fariseus dirigiram a Jesus. A esta pergunta Ele respondeu com outra pergunta. Mas "eles não responderam com medo de se comprometerem..."
Acontece assim connosco muitas vezes. Queremos uma resposta do Pai às nossas inquietações mas não atendemos às Suas solicitações, não respondemos aos Seus apelos. Preferimos retirarmo-nos sem resposta e ficar a lamentar o silêncio do Pai .
Também temos medo de nos comprometer?!...
Afinal, Deus o que espera de nós? Não é que Lhe façamos perguntas, que O interroguemos, que levantemos questões mais ou menos válidas... O que Ele espera é que O escutemos no silêncio das nossas almas e das nossas vidas.
Claro que podemos expôr-Lhe os nossos problemas, apresentar-Lhe as nossas dúvidas, questionar as nossas interrogações...
Mas atender, sobretudo, ao que o Senhor nos fala, às questões que Ele nos põe, aos caminhos que nos aponta.
" Vós, quem dizeis que Eu sou?" perguntou Jesus aos discípulos. E eles sabiam quem Ele era.
E nós, sabemos quem é Jesus? Conhecemos o que espera de nós?
Nesta primeira metade do ano é altura talvez para parar e encontrar as respostas.
                 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

No antes e no agora

Aristóteles, filósofo da antiga Grécia, dizia que ninguém pode viver sem amigos. Grande filósofo e grande verdade!...

Mas a isto, o dominicano actual Terry Dominique acrescenta que os amigos se podem distribuir por três círculos concêntricos:

  • o dos colegas com quem convivemos na escola ou no trabalho;
  • o dos companheiros com quem nos sentimos bem e com quem nos divertimos;
  • o dos íntimos com quem partilhamos confidências, alegrias e tristezas.
Agora, o importante é saber onde nos situamos e onde colocamos aqueles a quem chamamos amigos. É que a influência que exercemos ou exercem sobre nós é importante para o percurso de vida que estamos a fazer.
E os Amigos não são teorias filosóficas nem teoremas de matemática . Podem ser o paradigma que nos orienta e guia.
                       Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.