sexta-feira, 8 de maio de 2015

Maria, Mãe da Igreja e Mãe nossa

Ontem,. dia 7 de Maio, foi o aniversário do meu Baptismo. E é como Baptizada que festejo a Ressurreição de Jesus e a minha Consagração religiosa.
Alias o Baptismo, em que se recebe o Espírito Santo com os seus dons, insere-se nesta quadra que estamos a viver, o Tempo Pascal e em que, pouco a pouco, nos aproximamos da festa do Pentecostes.
Não sei se os meus pais e os meus padrinhos escolheram intencionalmente o mês de Maio para fazer cristã essa menina que era a primeira filha e o elevo de todos. Mas o facto é que aconteceu neste mês consagrado a Nossa Senhora e ela tem, de alguma maneira marcado a minha vida. Até escolhi uma Congregação Religiosa em que Maria e o Rosário têm um lugar privilegiado...
E a propósito, no próximo domingo, vamos ter connosco , durante a Missa, a imagem de Nossa Senhora do Cabo Espichel que anda em peregrinação por Sintra e se tem encontrado na Igreja de S.Pedro.
Esta é mais uma razão para termos presente Essa a quem Jesus, do alto da cruz nos entregou: "Mulher, tens aí o teu filho!".
Jesus referia-se a S. João mas nele englobava todos os Homens que assim se podem dirigir a Maria chamando-lhe Mãe.
Não sei porquê, lembrei-me duns versos de Paul Claudel, dirigidos a Nossa Senhora:
    "Não tenho nada para dar...
     Nada a pedir...
     Venho simplesmente, Mãe para te olhar.
     ... Sabendo apenas isto
      que eu sou teu filho,
      Mãe de Jesus Cristo..."

Ajoelho-me para cumprimentar Maria. De olhos postos nela e os dedos fazendo escoar contas do Rosário, vou murmurando:
                                          Avé Maria, cheia de graça...
                                          Santa Maria... rogai por nós...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.






quarta-feira, 6 de maio de 2015

Trânsito

Ontem foi o Dia Nacional do trânsito.

Enquanto me deslocava até Lisboa, ao sabor do pára - arranca do IC19, não pude deixar de pensar que, realmente há "dias nacionais" com grande originalidade. Este é um deles.
O que se pretende celebrar afinal? É o muito trânsito, a falta dele ou um processo civilizado de deslocação?
Se é o muito trânsito, o IC19 ou a ponte 25 de Abril, em "horas de ponta" ganham a medalha de ouro.
Se, pelo contrário, é a ausência de trânsito, então é porque, certamente, se procura chamar a atenção para algum acidente ou ameaça de bomba, como aconteceu ontem.
E isto porque, celebrar uma condução tranquila e civilizada , só por brincadeira.
Claro que se compararmos com o que eu vi em Roma há uns anos, em que "valia tudo" em termos de condução, podemo-nos considerar óptimos. Mas, a verdade, é que as estatísticas de acidentes de viação continuam a ser aterradoras e dão-nos razão para perguntar qual a consciência dos nossos automobilistas . E pior, qual o amor à vida, deles e dos outros.
Aqui há anos, lembro-me... em Sintra celebrou-se o Dia Nacional sem carros. Durante 24 horas nenhum veículo, excepto em situações de emergência, se podia deslocar na vila.
E foi uma euforia e um divertimento. Tudo a pé, passeando, fazendo peddy-papers, visitando locais onde nunca se tinha ido. Nós também participámos com as alunas do Colégio.
Acho que foi uma aprendizagem mas... "sol de pouca dura".
Não teve consequências práticas e mesmo já quase ninguém se lembra desse "grande"dia.
Que pena! É assim a memória dos homens...
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 5 de maio de 2015

"Amai-vos..."

Continuamos a viver o Tempo Pascal. Por toda a parte  continuam a soar os alleluias pascais. Mas eles não nos impedem de recordar  a advertência do Senhor:
"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei." 
E Ele amou-nos até à morte!
Claro que aqui, os cépticos, são logo levados a perguntar: Mas, o que é o amor?  Assim um pouco à semelhança de Pilatos que também se questionou:..." E o que é a Verdade?"
A Pilatos, Jesus nem respondeu directamente... A Sua vida testemunhava que Ele era a Verdade mas também o Caminho e a Vida.
Aos cépticos, talvez possamos aconselhar a leitura do livro da Bíblia - o Cântico dos cânticos. Ele é um autêntico hino de exaltação ao Amor.
Ao amor humano dirão...
Talvez! mas certamente com toda a incidência e o reflexo do Amor divino na busca, na procura daquele que se ama. E esse que temos que procurar é Jesus, Ele que é o Amor por excelência. E temos que O procurar sem dúvidas, sem desânimos, à luz do dia e no silêncio da noite, tal como a esposa do Cântico dos cânticos procura o seu amado.
É uma procura que é uma dádiva, um compromisso e que nos leva a seguir um caminho com um único sentido, o que nos conduz ao encontro do Pai.
"Pôr a mão no arado e olhar para trás..." É incompatível com a dádiva, o compromisso, o Amor.
Ir. maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.



segunda-feira, 4 de maio de 2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ontem, hoje e amanhã

O sol "nasce" cada manhã!
Cada dia é um novo dia!
Quaisquer que tenham sido as sombras da noite, independentemente das trevas que nos envolveram "ontem", o "hoje" é um novo dia em que o sol reaparece e nos quer iluminar e alegrar com a sua luz e o seu esplendor.
É um Hino à alegria e à esperança.
O "ontem" passou e o "amanhã" ainda não chegou. O "hoje" é que temos que viver em plenitude certos de que Deus nunca nos abandona nem nos pede nada para além das nossas forças.
O sol "nasce" cada dia! É uma lufada de esperança que deve dar alento ao nosso esforço, certeza na nossa caminhada.
É esta certeza que nos falta muitas vezes. Vemos o sol mas não acreditamos na sua luz e não confiamos que o "amanhã" vai ser melhor que o "hoje " e diferente do "ontem".
Onde está a nossa Fé?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Silêncio versus palavra

Lembrar Lázaro e o silêncio de Jesus reporta-nos a Betânia, à casa de família, à visita do Mestre às duas irmãs Marta e Maria . 
Evoca-se uma outra cena anterior à morte de Lázaro mas em que também o silêncio é felicitado.
Jesus chegou com os seus apóstolos. Marta afadiga-se a preparar tudo para a refeição.  Maria, sentada aos pés do Mestre, escuta- O em silêncio.
Desta vez não é o silêncio de Deus que está em causa.Deus fala através do Seu Filho. Fala a Maria e, certamente, dirige-se a nós também.
A nossa atenção deve centrar-se em Maria que, absorta, longe das preocupações e dos trabalhos, cria um clima de silêncio em que a palavra do Senhor se desenvolve.
Nem o chamamento da irmã e o apelo para a ajudar a faz afastar daqueles minutos de atenção, de contemplação.
Nem o pedido nem a censura feita perante Jesus a demove.
Permanece atenta, silenciosa.
E qual é a resposta de  Jesus? " Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada"
É uma chamada de atenção para nós. É a recomendação de que precisamos criar  clima, ambiente, atitude, para podermos escutar Jesus. Ele nem sempre fala; nem sempre nos responde, nem sempre parece preocupado  e interessado nas nossas dificuldades e inquietações. Mas está presente!
Só que a sua presença é uma "conquista" , um esforço de interioridade e de diálogo.
Não O podemos ouvir se não criarmos as condições necessárias, se em redor de nós não existir a escuta de Maria.

Ir. Maria de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Dia Internacional da voz

Voz... som... palavras... canto... louvor... Tanta coisa que nos vem à memória quando pensamos neste dom que nos foi dado para podermos comunicar, para entrarmos em contacto com os outros, para nos dirigirmos a Deus sem ser só em espírito.
E, ao falarmos em voz, em som, vem-nos imediatamente à memória o seu antagonismo - o silêncio.
O grande silêncio aquando da morte de Jesus, o silêncio da natureza quando tudo se cala e o mundo parece parar, o silêncio que, às vezes, somos capazes de criar em redor de nós, o silêncio de Deus. E este, é para nós, desconcertante, incompreensível, indecifrável.
E, por falar em silêncio de Deus, lembro-me duma conversa que tive há pouco tempo e que incluía um outro homem citado no Evangelho : Lázaro.
Lázaro era amigo de Jesus, irmão de Marta e de Maria, aquela família em casa de quem o Mestre ficava muitas vezes...
Mas Lázaro morreu. Vieram dar a notícia a Jesus mas Ele não se apressou em ir ao encontro da família, não se mostrou abalado com a dor que eles certamente sentiam. Ficou ainda dois dias no lugar onde estava e, não disse nada. Silêncio!...
Podemo-nos perguntar porquê, qual o motivo deste silêncio e desta espera.
Afinal, Jesus foi lá e ressuscitou Lázaro...
Talvez quisesse experimentar a Fé das duas irmãs, dos discípulos, de quantos O seguiam... Talvez nos quisesse dizer  que a resposta geralmente não é imediata, pode chegar tarde ou não chegar. Talvez pretendesse ensinar-nos que a oração tem um lugar privilegiado na hierarquia dos valores...  Talvez procurasse fazer-nos sentir que devemos entrar em relação com Aquele que permanece invisível... Talvez...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.