quarta-feira, 11 de março de 2015

Reflexões sobre adultos e crianças

Parece que chegou a Primavera. Estava uma manhã luminosa e cheia de sol
Enquanto a carrinha em que vou se desloca para Lisboa, vou analisando as pessoas que passam, nos outros carros.
Duma maneira geral  vão com um ar fechado, soturno, aborrecido, nada condizente com a alegria do ambiente exterior. Talvez tenham dormido mal... ou pouco... penso eu.
Tento sorrir a cada um que passa  numa tentativa de lhes lembrar  que, mesmo no meio das maiores preocupações ou adversidades há sempre um lugar para a esperança, uma réstia de luz ao fundo do túnel.
Às tantas, num automóvel, uma criança que me diz adeus com a mão. Correspondo e, durante segundos, conversamos, numa conversa muda, feita de sorrisos e de gestos.
Uma criança! A única que parecia condizer com este dia de quase primavera.
Lembrei a advertência de Jesus : "Se não fordes como crianças, não entrareis no reino dos céus..."
Como crianças... com a sua alegria, a sua espontaneidade, a sua natural generosidade...
Por que será que à medida que  crescemos vamos perdendo naturalidade, simplicidade, alegria e... nem sei que mais. Tudo o que nos afasta das crianças?
Vamo-nos deixando envolver pelos problemas, o trabalho, o imediato; permitimos que as preocupações e dificuldades agridam o nosso "eu" ; vamos esquecendo o essencial e o transcendente; deixamos de ter tempo para descer dentro de nós e nos confrontarmos com a imagem do Pai.
E, se calhar, ficamos "velhos" e "azedos" sem querer...
Acho que tenho que pedir : Senhor, devolve-nos o nosso espírito de criança!"
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 10 de março de 2015

" O saber não ocupa lugar"

Por isso é bom que conheçamos nomes e pessoas de quem não se fala ou se fala  muito pouco. No entanto, tiveram às vezes, um papel importante ou realizaram trabalhos reconhecidos . É o caso de frei Juan Bautista Maíno. Sabeis quem é? Já ouvistes falar nele? No entanto, foi um pintor, um  frade dominicano que até foi mestre de pintura do filho de Filipe II.
É um Italiano que, por acaso, tem uma costela portuguesa por parte da sua mãe. E, há circunstâncias na vida bem originais... conheceu a terra da sua mãe precisamente quando Filipe II veio a Portugal e Frei Juan o acompanhou.
Nasceu em Itália em 1581 e por lá fez a sua formação artística, influenciado por autores e obras bem conhecidos.
Durante a juventude foi convidado a pintar em inúmeros locais como a catedral de Toledo  e o convento dominicano de S. Pedro Mártir.
E talvez, porque não há acasos, foi aqui que Deus o chamou à vida religiosa, por influência do ambiente em que estava a trabalhar.
"Deus tem razões que a razão não conhece..."
Tinha 32 anos quando se fez Dominicano mas mesmo depois de professar não deixou de expressar a sua Fé e pregação através da pintura.
É mais um nome, uma figura que nos torna presente S. Domingos e a sua Ordem que se prepara para comemorar os 8oo anos da sua fundação.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

A caminho


Não pròpriamente da "terra prometida" mas da grande alegria da Ressurreição.
Faltam cinco semanas, porque chegámos ao fim da primeira semana da Quaresma. Esta começou no Domingo passado mas a sua preparação próxima é uns dias anterior. Iniciou-se na 4ª feira de cinzas com a cerimónia da imposição das cinzas, uma cerimónia sempre impressionante pelo seu grande simbolismo.
" Lembra-te ó homem que és pó !..."
Pó, na sua primeira realidade, quando Deus o criou do " pó da terra"; Pó... quando deixar a sua habitação terrestre para ir ao encontro do Pai.
Mas todo o simbolismo do pó tem uma dimensão muito mais alargada do que a realidade imediata da terra que pisamos ou da areia que o mar toca na praia.
Todo este simbolismo pretende centrar a nossa atenção na fragilidade do nosso ser, nas nossas deficiências, na nossa miséria humana.
Por mais perfeito que fôssemos ... e não somos!... havia sempre  algo a  corrigir, algo a  modificar, algo  a melhorar. Porque ainda temos uma caminhada a fazer para a perfeição, serão os nossos erros, as nossas faltas, os nossos conflitos internos que vão ser a matéria para o nosso trabalho quaresmal, a nossa preparação próxima para a Ressurreição. São eles o pó que 4ª feira de cinzas nos tornou presente. O pó que é triste, desprezível, sujo mas que é possível de ser levado pelo vento e deixar branco e limpo o nosso coração. É "o rasgar do nosso coração mais do que das nossas vestes" como sublinha o Papa Francisco, a mudança da nossa vida, a reestruturação dos nossos objectivos ,que constituirão o nosso jejum e a nossa mortificação quaresmais.
Preparemos assim a alegria da manhã de Páscoa.
                      Ir, Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Variações

É engraçado como a disposição das pessoas segue o paradigma do tempo: tão depressa está sol como se apresenta nublado; de repente chove "a cântaros" e a seguir um dia soalheiro; num instante a brisa suave se transforma numa ventania impetuosa.
Também nós, com a mesma facilidade com que sorrimos de felicidade, mostramos no momento seguinte um semblante carregado e tristonho.
E por quê? podemo-nos perguntar...
Qual a razão de não ser sempre a mesma a nossa disposição , dia-a-dia, momento a momento?
Talvez porque nos deixamos influenciar demasiado por tudo o que nos rodeia: as pessoas, as coisas, as opiniões, as circunstâncias...
Talvez porque temos dificuldade em entrar dentro de nós mesmos. Temos medo!? Medo de deparar com uma realidade que nos transcende e nos interpela. Medo de sermos humilhados face aos nossos desejos de grandeza e perfeição.
Talvez mudemos de disposição porque o nosso "centro de gravidade" não está conectado com o Pai que é sempre igual a si mesmo, sempre pai, porque sempre aberto às nossas dificuldades e necessidades.
Não é fácil cada dia , face a cada situação, ter sempre o mesmo sorriso e o mesmo sentimento de acção de graças  Mas, quem  alguma vez disse  que era fácil? O que sempre se disse é que "um santo triste é um triste santo" e o convite à santidade é para todos e para cada um de nós.
Não queres tentar?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

" Recordar é viver "


Ontem foi dia de festa em Lisboa.

Lá fomos todas aos Jerónimos à apresentação de cumprimentos ao sr. Cardeal Patriarca.
Igreja cheia! Eram os Bispos, os cónegos, os padres, os religiosos e os leigos...
Toda a família diocesana que se reuniu para cantar Vésperas e o Te Deum em acção de graças.
Porque fomos muito cedo (com a ameaça de que podia não haver lugar, foi um despacho...) houve tempo para pensar, rezar e recordar. Os Jerónimos - mosteiro de N. Srª de Belém - é demasiado grandioso para não trazer ao pensamento milhares de histórias da História E não só!... Lembranças de acontecimentos e vivências...
E, não sei porquê... ou sei!  recordei uma outra celebração  que, há quase 50 anos, ali também ocorreu. Também havia Padres, religiosas das nossas casas e não só, alunas, professores, amigos... 
Foi a Missa dos 25 anos do Colégio do Ramalhão.
Celebrou o sr. P. Victor Feytor Pinto e com ele concelebraram Frades Dominicanos, entre eles o sr. P. Domingos, O:P: nosso capelão.
E como "recordar é viver", vivi momentos intensos, com o sr. Cardeal e revivi situações inesquecíveis passadas lá e aqui no Colégio.
Lembrei igualmente a celebração comemorativa dos 5 séculos de Evangelização e encontro de culturas. Também foi lá nos Jerónimos e precedida duma marcha que devia ser apoteótica mas que decorreu debaixo de chuva intensa. Outros tempos.
Ir. Maria teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Festividades

Hoje, o calendário dominicano comemorava Fra Angélico, o pintor dominicano cujas obras todo o mundo conhece.Sobretudo a Anunciação a Maria, qualquer que seja a versão apresentada, tem a marca deste grande pintor e Frade Dominicano Mas, a liturgia romana comemora quarta-feira de cinzas e esta celebração sobrepõe-se a qualquer outra memória. É que esta quarta-feira é a "porta de entrada" para o tempo da Quaresma, a preparação para a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.Muito embora tendo presente o apelo que a Igreja faz aos cristãos, para que vivam este tempo em unidade com o espírito que lhes propõe, não podemos esquecer aqueles que se notabilizaram pela sua vida e a sua obra. Quase podíamos parafrasear Camões : " ... aqueles que por suas obras valorosas se vão da lei da morte libertando."
                               Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.