sábado, 14 de fevereiro de 2015

Santos Dominicanos

Ontem, a Liturgia Dominicana celebrou mais um santo da Ordem - o Beato Jordão de Saxónia. A Ordem dos Pregadores festeja-o porque é santo, dominicano mas também não se esquece que foi o 2º Mestre Geral da Ordem . Depois da morte de S. Domingos, foi eleito para dirigir os Irmãos Pregadores e f ê-lo, com sabedoria e santidade, durante quinze anos.
Era alemão mas fez os seus estudos de teologia em Paris . Foi lá que conheceu o bem-aventurado Reginaldo de Orleães. Talvez fosse o testemunho deste frade  que o incentivou a fazer-se dominicano... E foi este religioso que lhe impôs o hábito.
Tinha uma imensa devoção a Nossa Senhora. Por isso, ordenou que, a seguir à oração de Completas se rezasse a antífona da Salve Rainha, costume que ainda                                            hoje permanece nos conventos dominicanos.

Mas para a semana temos outra comemoração dominicana - o beato João de Fièsole, mais conhecido por fra Angélico.
Nasceu na Toscana ,nos princípios do sec. XV e a sua formação durante a adolescência foi dedicada à pintura. Mas Deus mudou o seu caminho. Ou, pelo menos, preencheu-o doutra maneira. Atraído pela vida religiosa, foi, com seu irmão Bento, apresentar-se ao convento dominicano de Fièsole onde foi recebido e onde se ordenou sacerdote. Dedicou-se à oração e à contemplação mas continuou a pintar. Era talvez uma outra forma de pregação porque, dizem os seus biógrafos, " pintava os divinos mistérios que contemplava na oração". São dele os frescos que enchem as paredes do convento de S. Marcos em Florença mas também há pinturas suas no palácio do Vaticano e em duas capelas da basílica de S. Pedro em Roma. Uma das mais conhecidas é a Anunciação do Anjo a Maria.
Frei João era um homem simples e recto, pobre e humilde. Nas suas pinturas apresentava-se devoto e angélico e daí o vir a ser chamado Beato Angélico.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

DIA DA RÁDIO

Lembro-me bem do entusiasmo com que eram seguidos os programas da rádio no tempo da minha infância e adolescência.
Ainda não havia televisão e depois, só tinha certas horas de emissão. Portanto, era a rádio que dava notícias, transmitia desafios, apresentava novelas, etc.
Quem , dessa época,  não se lembra das transmissões de hockey em patins que se prolongavam pela noite fora? Quem não recorda a rádio-novela " a Lelé e o Zequinha"? Quem se esqueceu dos inúmeros concursos em que era solicitada a nossa participação?
Uma coisa que sempre me fascinou era a empatia que os locutores tinham com os ouvintes. Eles convidavam...entusiasmavam... cativavam.
A rádio foi e continua a ser um óptimo veículo de transmissão de valores. Pode chamar a nossa atenção para problemas que quase nos passam despercebidos ; pode e deve falar-nos de moral, de costumes , de Vida. Mantem-nos actualizados e apela à nossa consciência de Homens e de Cidadãos.
Difunde música, dá entrevistas, anuncia eventos. 
Preenche o espírito enquanto nos ocupamos com mil outras actividades. E pode ir connosco para todo o lado.
Que a rádio continue a cumprir a sua missão e a estar presente no nosso dia-a-dia.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ouvidos moucos

Esta manhã batiam incessantemente à nossa porta. Batiam e tornavam a bater e ninguém abria. Deviam estar todas demasiado ocupadas...
Quase sem querer lembrei-me  de Jesus.  Também Ele bateu às portas sem sucesso. E começou mesmo antes de nascer... " Não havia lugar para eles na hospedaria..." 
Arranjaram-lhe um espaço, sim. Simples, humilde, pobre embora  real . Ofereceram-lhe um lugar, mas não O acolheram.
Também o "jovem rico" conheceu este impacto do apelo de Jesus, que o olhou e lhe falou com amor. Mas o jovem não o quis seguir ... "porque tinha muitos bens..." Não havia lugar para Jesus no seu coração.
Na Sua vida pública, Jesus foi a Nazaré, bater à porta da família, dos amigos, daqueles com quem vivera... E eles não O receberam. Espantaram-se com o que Ele fazia... Não acreditavam... Achavam que estava louco...
No fim do Seu Tempo, bateu à porta e à compreensão de Pedro e ele negou-O : "Não O conheço..."
Jesus sofreu o desconforto de ser rejeitado, incompreendido, abandonado, mas continua a bater às nossas portas. E insiste! Mas não é dominador, exigente ou possessivo. Ele apenas sugere, aconselha, convida...
Mas nós andamos tão ocupados... temos a vida tão preenchida... estamos tão cheios de tudo...Não temos tempo para ouvir o apelo de Deus.
Quantas vezes Jesus, na pessoa dum amigo, dum conhecido, necessitado da nossa compreensão, do nosso apoio, do nosso tempo, nos bate à porta e nós... nem damos por isso ?
Não deixemos que o Senhor Jesus nos bata à porta e nós o deixemos cá fora.
Porque estamos ocupados...
Porque temos o coração fechado...
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A espera

Quando esta manhã passava pelo pátio da magnólia, chamou-me a atenção a pergunta duma aluna: " Pai, e que recebo em troca?"
Não sei qual era o assunto nem qual a acção que, pelos vistos, merecia prémio, mas a pergunta fez-me lembrar uma questão semelhante posta pelos apóstolos a Jesus: " Senhor, qual é a nossa recompensa?"
E logo a seguir pensei que também nós, muitas vezes fazemos aos outros e a nós mesmos esta pergunta: Qual a nossa recompensa? 
E não admira porque nos acostumaram, desde crianças, que o fazer ou não fazer alguma coisa tinha um prémio.E agora que "somos grandes" continuamos a agir como crianças e a esperar recompensas pelas nossas obras.
Como os Apóstolos fazemos esta mesma pergunta e, como eles, esquecemo-nos que a recompensa prometida não é imediata. Ela vai surgir, sim! Mas está inscrita no céu. Às vezes a recompensa exige esforço, renúncia, sacrifício, dor. Às vezes não é visível aos olhos; está inscrita no coração e pressupõe fé, confiança.
Há todo um caminho a percorrer, uma caminhada a fazer, um esforço a despender. Há momentos de dúvida a solucionar, há incertezas a resolver, há frustrações a ultrapassar. 
Às  vezes duvidamos da recompensa prometida  e apetece-nos perguntar quando e como ela se vai concretizar. Momentos de falta de Fé?!...
É no céu que está a nossa recompensa, esse dom inexcedível que Jesus prometeu aos que O seguissem.
Ir. Meria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Perguntas com respostas difíceis

Ontem era a festa da conversão de S.Paulo
Paulo de Tarso, um judeu influente e culto; um conhecedor das leis e um defensor dos princípios da sua religião; um opositor acérrimo do "novo mandamento do amor" que um desconhecido vinha pregar. Por isso, era capaz de perseguir,  mandar prender e mesmo matar em defesa das orientações em que acreditava e em que tinha sido formado. Era um judeu fiel à sua religião e defensor dos seus princípios.
Isto foi há 2.000 anos mas hoje também há gente assim : pessoas facciosas, ferranhas defensoras das suas leis, capazes de matar, em nome do seu Deus.
Mas Paulo, apesar de tão apegado como estava às suas convicções, não encontrou outra maneira de responder ao apelo de jesus senão seguindo-O.
"Saulo, Saulo, por que me persegues?" - diz-lhe Jesus no caminho de Damasco.
Para esta pergunta, apenas uma resposta silenciosa: seguir os homens que o conduzem. E segui-los com docilidade  mas com firmeza, na certeza.
E depois, foi toda uma vida de fidelidade, de entrega, de disponibilidade, para fazer a vontade d´Aquele que o interrogava ..." por que me persegues?"
Como Samuel, uma única resposta: "Eis-me aqui , Senhor, para fazer a Tua Vontade".
Podemos lembrar outro acontecimento que o Evangelho nos narra: o chamamento de Pedro e André, de Tiago e João. Igualmente eles responderam com o silêncio, limitando-se a deixar as redes, o barco e o pai e seguir Jesus.
No fundo do nosso coração também nós sentimos muitas vezes o apelo de Deus.
E qual é a nossa resposta? Um sim incondicional como S. Paulo e os Apóstolos ou um talvez cheio de reticências e dúvidas?!...
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Pequenos mas grandes

Há pouco, percorrendo o facebook, voltei a deparar com uma imagem que já me tinha chamado a atenção, a primeira vez que a vi. 
Era a representação da " fuga para o Egipto" mas bem mais original do que esta com que ilustro o meu texto. É que era um burro muito grande comparativamente a Maria e José que são representados por imagens bem pequeninas. E então o Menino Jesus nem se fala . Era minúsculo.
À primeira vista e numa interpretação um pouco simplista e superficial, pode parecer uma representação sem sentido, contraditória mesmo. Mas para mim, não é.
As grandes figuras, as grandes personagens, não necessitam ter grandes representações. São grandes em si mesmas.
É o que acontece com Jesus , Maria  e José. Eles são, por excelência. Não precisam de "tamanho" para testemunharem a sua grandeza.
Jesus, o filho de Deus, na simplicidade da sua humanidade, foi "imenso" na sua correspondência à vontade do Pai. 
Maria e José, gente simples, iguais a outros da sua terra, dão-nos o imenso testemunho da sua fidelidade ao que Deus lhes pede. 
Só o burro, coitado! é que precisa de ser valorizado na sua representação. Ele é simplesmente um "meio de transporte" muito embora vá levar para longe aquele Menino que Herodes quer matar antecipadamente.
Fico a olhar, mais uma vez, essa imagem e penso em quantas ocasiões, procuramos exactamente o contrário, quando afinal o importante é sermos grandes na nossa pequenez.
                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O passado no presente

Extraordinário como uma revista de há doze anos e deixada em cima duma mesa, veio trazer tantas recordações!
Realmente foi por acaso, num momento de aborrecimento, que abri aquela revista, deixada esquecida em cima duma mesa. E, com desinteresse, comecei a folheá-la do fim para o princípio. Eis senão quando deparei com fotografias conhecidas e que trouxeram mil recordações à lembrança. Lembram-ase da festa dos 60 anos do Colégio? São dessa altura estas imagens...
Recordo a M. João Avilez, a Francisca Távora , a Vanessa Neffe, a Sofia Duarte Silva e todas as outras que não estão aqui mas se encontram em muitas outras fotografias desse dia e dessa festa.