segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A caminhada continua...

Pelas ruas das cidades e das vilas prepara-se o Natal. Há enfeites; há luzes; há alegria; há vendas e há música.
As pessoas preocupam-se com o que necessitam para a celebração, com as prendas a dar à família e aos amigos. As crianças antecipam a festa pensando nos presentes que vão receber.
Tudo isto é a preparação exterior do dia de Natal.
Algumas pessoas, mais desprendidas do que é exterior, talvez parem uns instantes para olhar o Menino que em breve vai chegar. Talvez recordem com nostalgia os Natais da sua infância...
Mas Jesus já está, porque nunca deixou de estar no nosso coração e, por que não? nas nossas vidas.
Na televisão e na rádio, música festiva e, nos jornais, anúncios alusivos à quadra. Tudo a lembrar-nos que há festa e uma festa que se estende a todo o mundo.Mas, em simultâneo, notícias que nos deixam preocupados e inquietos :
. Na Austrália, num café de Sidney, um grupo de refens aterrorizados esperava que se decidisse a sua sorte;
. Na Bélgica, um grupo armado que entrou numa residência e cuja actuação era, ainda há pouco, desconhecida;
. Nos Estados Unidos, alerta máxima nas embaixadas de todo o mundo, com receio de ataques terroristas.
Haverá certamente quem, neste momento, chocado com tudo isto, faça a pergunta  que foi tema do último programa "Prós e contras" : Deus tem futuro?
Mas os que acreditam, os que têm vindo a preparar o Natal, sabem que Deus é presença e que nunca esquece os homens. Eles é que O esquecem... Por isso, é necessário que, cada ano, venham os anjos recordar cantando :Glória a Deus nas alturas e na terra paz aos homens de boa vontade.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.




domingo, 14 de dezembro de 2014

A caminho do Natal

Terceiro Domingo do Advento. Domingo da Alegria, porque o Natal está próximo. 
Caminhamos a passos rápidos para ele.
Talvez fosse altura de parar para nos interrogarmos como têm sido esses passos : Lentos, atentos, reflectidos ou rápidos e sem cuidado?
Como tem corrido a nossa preparação? Como temos acolhido e vivido o convite de Jesus? Mesmo se Ele transtornou os nossos planos e modificou os nossos objectivos...
Olhemos para Maria. Também ela foi apanhada de surpresa e viu alterados os seus projectos de vida. 
Encontrou-se comprometida com uma família e com um bebé nos braços. Um bebé que, por desígnio do Altíssimo, é o Filho de Deus que vem para salvação da humanidade.
Claro que Maria pôs interrogações, fez perguntas ao Anjo da Anunciação. Talvez ficasse inquieta e receosa mas... a sua resposta foi simplesmente : Faça-se em mim a Sua vontade.
Neste Advento, podemos ter novamente presente toda esta realidade que a Bíblia nos conta; devemos reflectir no modelo que é para nós Maria; talvez pensar como reagiríamos se fosse connosco este convite feito por Deus. Que, em boa verdade é!...
Também a nós Ele se dirige para nos perguntar : Queres? Queres aceitar as contrariedades como as alegrias? As dificuldades como as linhas rectas da vida?
O Natal aproxima-se... Até a atmosfera resolveu mostrar que estamos no Inverno, tempo propício para enquadrar o nosso presépio.
Olhando a chuva que cai penso que ela vai limpando também as nuvens escuras do nosso espírito para nos deixar antever as graças e dons que o Natal oferece.
Estamos a tempo de preparar o nosso coração para cantar o Adeste fideles.
                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A Novidade é precisa...

A rotina marca muitas vezes a nossa vida e de tal maneira nos habituamos a ela que a vida se nos torna uma monotonia . Tira-nos mesmo toda a alegria de viver e torna-nos uma espécie de robôs cumpridores de tarefas.  
Esquecemo-nos que, embora a rotina seja necessária e útil, há um outro aspecto igualmente importante e que dá cor aos nossos dias: a novidade.
E o que é a novidade?. São os pequenos e grandes acontecimentos diários, revestidos de algo que os torna diferentes. Ou são os nossos olhos , fechados e abertos de novo, que vêem de modo diferente a realidade, mesmo a conhecida.
Afinal, cada dia é diferente do dia que o precedeu e distinguir-se-á do que lhe segue.
Cada noite dá sempre  lugar a uma manhã. Tudo igual e tudo diferente, como  diferentes são as estações e os dias do ano.
E se pensarmos no Ano Litúrgico, embora comece sempre com o Advento, tenha o seu ponto alto na Páscoa e continue pelo "tempo comum", o facto é que os textos só se repetem de três em três anos . E, cada um deles nos apresenta a sua versão, sempre igual e sempre nova.
Quando nos deitamos, olhamos para o hoje, talvez para o ontem; mas só podemos perspectivar o àmanhã.
Amanhã, como será? Este "desconhecido"é a Novidade que chega. E que é importante...
Precisamos de parar, na rotina que enche os nossos dias, para encontrar a alegria do novo dia que nos deslumbra e entusiasma. E nessa alegria da novidade, temos a maneira nova de oferecer o conhecido de cada dia, de renovar a oferta sempre igual e sempre nova.
A Rotina estiola o coração do Homem , feito à imagem de Deus. Sempre abertos ao que é novo, vivamos cada dia buscando a novidade que Ele encerra.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Festa da Imaculada Conceição

É uma grande festa para a Igreja, celebrada precisamente neste período em que nos preparamos para a vinda do seu Filho Jesus.
Não foi por acaso, como não é por acaso que se mantem o feriado neste dia.
Foi o Papa Sisto IV  que, em Fevereiro de 1476, fez desta comemoração uma festa universal celebrada, portanto,  em todo o mundo. Nela somos convidados a fazer uma reflexão sobre o tipo de resposta que damos aos desafios que Deus nos propõe ; como O ouvimos, como Lhe falamos. É por isso, certamente, que a liturgia nos propõe como modelo Maria de Nazaré. Ela, simplesmente, com confiança e humildade, colaborou com os planos de Deus. O seu Sim foi o motor para a salvação do mundo. A sua plena aceitação ao convite do Anjo permitiu a vinda de Jesus Cristo.
Talvez seja altura de, mais uma vez, nos perguntarmos como temos vivido os nossos Sins...
Esta festa da Imaculada Conceição é também , para os católicos, a celebração do Dogma que apresenta Maria como isenta de pecado desde a sua concepção. Foi no século XIX , em 1854 que Pio IX definiu este dogma.Mas, para nós portugueses, a Imaculada Conceição desempenha um outro papel. Ela é  padroeira de Portugal. E isto deve-se a D. João IV  que, depois da Restauração, nas cortes de 1646, coroou a imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal.
Há festa em Vila Viçosa; há festa em Portugal ; e há festa no meu coração porque faz anos que cheguei a esta casa para começar a minha vida religiosa.
Junto de Maria agradeço todas as graças recebidas e lembro os meus Amigos para que também eles encontrem em Maria um "porto seguro" que os abrigue na caminhada do seu Sim, até ao Pai.
Maria, Padroeira de Portugal, Mãe de Deus e nossa mãe, rogai por nós.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
        


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Em rodagem...

Estamos a caminho! Vamos percorrendo o tempo que nos separa do Natal.
E ao pensarmos no nascimento de Jesus, recordamos que também Maria e José tiveram que preparar esta chegada, necessitaram procurar um lugar para que Ele nascesse. "Não havia lugar para eles na hospedaria..."
Despojamento... Desprendimento... confiança na divina providência...
E este aspecto situa-nos igualmente naquele momento em que Jesus envia os discípulos " como ovelhas no meio de lobos" mas lhes recomenda que "não levem bolsa, nem alforge, nem sandálias nem dinheiro".
Esta recomendação também nos é dirigida nesta nossa caminhada até ao Natal. É um convite ao desprendimento e à confiança; uma recomendação de que partilhemos com os que não têm; que atendamos à dificuldade dos momentos que vivemos.
Estamos a chegar ao fim desta primeira semana do Advento. Como a vivemos? Que esperava e espera Deus de nós? Como correspondemos?
São perguntas que se impõem e que pedem uma resposta.
Talvez tenhamos planeado situações sofisticadas, sacrifícios exaustivos, partilhas temerárias...
Tudo sonhos que não chegamos a concretizar, desejos grandiosos que não cabem na nossa capacidade de ser generosos... É que levar o Evangelho "à letra" ... partir sem farnel, sem bolsa, sem duas túnicas, é uma dimensão de desprendimento que não é pedida a todos. Mas o que nos é pedido, neste Advento, é que olhemos com amor para os que nos rodeiam, atentos às suas necessidades materiais mas também de carinho, de acolhimento, de compreensão.
Vamos sem farnel e sem alforge porque não nos angustia o "àmanhã". Já há demasiada preocupação e dor no mundo. É preciso espalhar a confiança e a alegria enquanto esperamos a vinda de Jesus.
Junto do presépio, enquanto aguardamos o grande dia, rezemos para que saibamos acolher o dom de Deus e o partilhemos com os outros.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Eis que Ele vem

Chegou o Advento! A a advertência que o primeiro domingo nos faz é : Vigiai! É por assim dizer não só a vinda breve do Messias mas também o anúncio duma vinda, " não sabemos como nem quando"  no fim dos tempos.
Vigiai! porque não sabeis o dia nem a hora. É simplesmente um anúncio duma vinda de que Isaías já falava , apresentando Deus como Pai e Redemptor  que deixa que os filhos se afastem mas a quem promete a salvação. É um passado de esperança e confiança, o texto de Isaías.
Depois, temos S. Paulo chamando a atenção dos Coríntios para o modo de viver de todos e cada um. Anuncia-lhes a presença de Jesus Cristo que deu aos homens "todo o dom da Graça" esperando que eles o aproveitem para se prepararem para o encontro definitivo com o filho de Deus.
Mas o alerta para a vigilância indispensável é-nos dado por S. Marcos no seu Evangelho, dizendo-nos que temos que ser como aquele porteiro que guarda a casa do seu senhor, atento e vigilante "porque não conhece o dia nem a hora" em que ele vai regressar. É a preparação para uma vinda futura, desconhecida mas certa.
Nesta caminhada de certezas que é o Advento, devemos ter espelhado o caminho da vida, cheio de dúvidas e incertezas mas que é necessário percorrer confiantes, na senda de Jesus, à guarda da Igreja que Ele nos deixou.
O Natal é a antecipação simbólica da última vinda, aquela que nos conduzirá ao "mundo que há-de vir", mas que não sabemos quando nem como.
Entretanto, permaneçamos seguros e confiantes.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Curiosidades

A propósito do Hábito branco dos Dominicanos, lembrei-me da origem da veste branca do Papa que é uma consequência da eleição dum Papa que era frade da Ordem dos Pregadores- S. Pio V e vestia portanto de branco.
Mas talvez porque os frades da Ordem dos Pregadores existem desde o século XIII, e tiveram muitos conventos em Portugal ; talvez porque a Ordem engloba vários ramos : frades, monjas, religiosas de vida apostólica e leigos comprometidos com a Ordem, há em Portugal outras influências. 
Uma, acabei de a ouvir contar...
Conheceis a bandeira da Câmara municipal de Lisboa? 
Lembrai-vos das cores que a formam?
Pois nem mais nem menos do que branco e preto como o nosso hábito dominicano. E isto, por quê?
Talvez haja muitas razões; dão-se imensas explicações, certamente válidas...
Mas uma delas e a que diz quem parece saber, está relacionada com a Ordem Dominicana. Talvez seja invenção, talvez boa vontade de amigos e admiradores, mas não deixa de ter o seu quê de curioso.
Diz aquele conhecedor que se deve a cor da bandeira ao 1º Presidente da Câmara de Lisboa, que era Terceiro Dominicano, um dos tais leigos comprometidos com a Ordem.
Então, por admiração ou como testemunho duma presença,quis que a bandeira da sua câmara tivesse as cores da Ordem a que pertencia: o branco e o negro característicos.
Não tem representada a cruz que surge no emblema da Ordem. Era demasiado!... Mas a disposição das cores pode fazer lembrar essa mesma cruz.
Talvez não seja verdade; pode ser apenas desejo dum   entusiasta; mas, é um dado que sempre nos chama a atenção para uma Ordem que teve e tem a sua acção positiva e insubstituível na Igreja portuguesa.
                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.