quinta-feira, 23 de outubro de 2014

800 anos depois...

Pensando nos Dominicanos, nos seus conventos, nas suas actividades, na sua fundação, constatei que em 2016 fará 800 anos de existência  a Ordem dos Pregadores - os Frades Dominicanos como vulgarmente são conhecidos.
800 anos... 8 séculos... milhares de frades e freiras espalharam-se pelos cinco continentes, constituíram uma variedade de Províncias, dedicaram-se a difundir a verdade e o bem. Em toda a parte exerceram a sua missão evangelizadora, de pregadores que são.
E há santos e mártires; Bispos e Papas; religiosos e religiosas; frades e Irmãos cooperadores; monjas e fraternidades leigas...
Muitas Universidades foram criadas pelos Dominicanos; em muitas outras são eles professores. Muitos colégios são obra e trabalho de Dominicanos e Dominicanas; em muitas paróquias há a marca do seu trabalho , da sua pregação, da sua vida.
E no entanto, quantas pessoas conhecem realmente a vocação dominicana , a sua origem, a figura e vida do seu fundador? Quantos jovens o procuram seguir?
Quem sabe que S. Domingos  era cónego da catedral de Osma e que foi depois de uma viagem ao norte da Europa, como companheiro do seu Bispo - Diego de Osma , que teve contacto com a heresia de Tártaros e Albigenses e aí começou o seu apostolado?
Quem conhece a preocupação de S. Domingos pela pregação da Verdade e portanto a necessidade de arranjar colaboradores que, com ele, levassem ao mundo a pregação mas também o testemunho de vida?
Quem compreende que um ano após a constituição do 1º convento em Toulouse, S. Domingos tenha enviado os seus Frades, dois a dois, a pregar pela Europa?
Quem sabe que o 1º convento da Ordem Dominicana , em Prouille, se destinou não a Frades mas a um grupo de mulheres convertidas da heresia  e que pretendiam seguir Domingos? Eram monjas e , como as de hoje, não pregavam nem exerciam qualquer forma de apostolado exterior...

Quem alguma vez leu que um dos prémios Nobel da Paz foi entregue em 1958 a um Dominicano belga - Frei Dominique Pire - pela sua liderança do "Europe du coeur au service du monde" associação que ele fundou para ajuda dos que sofriam, depois da 2ª Grande Guerra?
Quem consegue perceber o que são os conventos dominicanos e qual a importância que tiveram e têm nas cidades e na cultura?
Quem, por curiosidade, foi investigar e descobriu que os Jogos Olímpicos tiveram o seu início no sec. XIX num convento dominicano, perto de Grenoble?
Quem já ouviu dizer que os quatro pilares da vida dominicana são a oração, o estudo, a pregação e a vida comum?
Será que hoje se considera difícil ser Dominicano/a?
Talvez seja a hora dos jovens deste tempo procurarem saber as respostas a estas perguntas e compreenderem que Deus continua a chamar hoje, como há 8 séculos, para se fazerem filhos e filhas de S. Domingos.
                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Amizade em duplicado

Cada vez me convenço mais que as amizades do tempo de estudante são verdadeiras, constantes, persistentes. Criam-se laços muito fortes que nada consegue quebrar: nem distâncias, afastamento ou modo de vida.
Passam dias, meses, talvez anos... Falamo-nos  apenas de longe em longe.... Vemo-nos "quando Deus quer" mas, nada abala a estima que sentimos, os laços que nos unem. Sabemos que elas estão lá, firmes, disponíveis, prontas a acolher-nos. Temos a certeza que não fomos esquecidas. Tudo como nos anos distantes em que estudávamos juntas, discutíamos matérias, trocávamos apontamentos, naquelas salas inóspitas da velha faculdade.
Mal pensava eu, quando escrevi um texto sobre a Amizade, que ela vinha , fresca e verdadeira, ao meu encontro, como antigamente. Intuição ou saudades? Deus o sabe!
O facto é que me encontrei com duas amigas  de sempre, dos tempos antigos, dos dias de hoje: uma ao telefone ( foram minutos sem fim...); outra em pessoa, numa conversa amena e cheia de recordações.
Que alegria! Que comoção!
Acho que só agora, algumas horas depois, sentada a escrever o que me vai na alma, me consciencializo da realidade do que costumo afirmar: Amizades verdadeiras não se esquecem nem se apagam. São! simplesmente.
Falámos como se tivéssemos estado juntas ontem; recordámos episódios passados; pessoas que conhecemos, que fizeram parte do nosso imaginário; rimos com nomes que não recordávamos... Enfim!...
Um sem número de "ontems " e de "hojes". E, porque nos conhecemos e somos amigas, não precisamos de explicações nem averiguações. Tudo simples. Tudo natural.
 E, não terminou, porque o nosso adeus é simplesmente um até sempre, até à próxima.
E, junto do Pai ,não posso deixar de me ajoelhar e  Lhe agradecer estas e outras Amizades que se têm vindo construindo ao longo dos tempos e que são um reflexo do Amor que Ele tem por cada um de nós. 
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 18 de outubro de 2014

Amizade

" Onde estão os meus velhos amigos?
Onde estão? O que é feito de vós?
Tanto tempo passou entre nós..."
Cada vez que oiço esta canção recordo todos aqueles que passaram pela minha vida e a quem tive a felicidade de poder chamar Amigos.
Talvez me achem piegas, mas não faz mal. É que a amizade é um dom que eu cultivo com carinho. Por isso, por que não hei-de dizer que ao recordá-los sinto uma certa saudade, uma vaga nostalgia , uma lembrança alegre e triste de coisa que fizemos juntos, de acontecimentos que vivemos em unísseno, de projectos que construímos em conjunto?...
Alguns destes Amigos já estão no céu , junto do Pai, mas acredito que de lá, apoiam as minhas iniciativas, inspiram os meus "quereres", corrigem as minhas aspirações, ajudam a viver melhor o meu dia-a-dia.
Outros Amigos perdi-lhes o rasto, afastámo-nos e não sei por quê deixámos de nos relacionar. Uma vez ou outra encontramo-nos numa rua de Lisboa e é com alegria e comoção  que nos reconhecemos e abraçamos.
Estamos diferentes, claro! O tempo deixa as suas marcas... Às vezes hesitamos ao esbarrar com uma cara que nos parece conhecida, mas... há sempre um "todo" que nos interpela e que não nos deixa enganar.
Mas ainda há os outros, os Amigos presentes que, mesmo longe estão, para nos acolher, para uma palavra de repreensão ou de esperança, para nos oferecer o seu ombro onde as nossas lágrimas podem correr.
Um Amigo é um bem precioso que é preciso cultivar, compreender, aceitar como é, ajudar a santificar.
Mas não esqueçamos que, entre todos, sobrepondo-se a todos, está aquele Senhor que, presente cada dia e cada hora, do Sacrário nos fala e lá nos espera. É o grande Amigo que nunca se ausenta e que nunca falha quando precisamos . E mesmo quando julgamos que não necessitamos Ele lá está.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


CANTIGA PARA QUEM SONHA

Tu que tens dez reis de esperança e de amor
grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor.
Tudo o que é belo não é de vender
Não vendem ondas do mar
nem brisa ou estrelas, sol ou lua-cheia
Não vendem moças de amar
nem certas janelas em dunas de areia.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
Crê que esse mundo começa por ti.
Traz uma viola, um poema,
um passo de dança, um sonho maduro.
Canta glosando este tema,
Em cada criança há um homem puro.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Letra de Leonel Neves
Música de João Gomes

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

À conquista da paz

" Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz..."
Talvez seja altura de perguntar : e que paz é essa? Certamente não se trata apenas daquela paz que é antónimo de guerra, que significa ausência de luta, de armas, de mortes. Não é certamente só a paz que o dicionário descreve como tranquilidade pública, final de hostilidades.
E não foi de certeza por essa paz sem armas e ausência de sangue que foi distinguida uma jovem de dezassete anos com o Prémio Nobel da Paz.
A paz que merece cada ano tal distinção é antes uma luta, mas luta pela defesa de valores, de princípios , de direitos.
Malala Yousafzai tem dezassete anos, não usava armas mas lutava por um direito que ela considerava  de todas as jovens do seu sexo e da sua idade - o direito ao conhecimento, aos estudos, à aprendizagem.
Vive longe, num "país de direitos", onde pode realizar as suas aspirações mas continua a bater-se pelas jovens do seu país que não têm as mesmas possibilidades que ela, não podem, como ela, ter acesso ao conhecimento, não podem ir à escola, não podem aprender.
Mas a paz que Jesus nos deixou é ainda mais do que isso, porque é a Sua presença, a Sua graça, a Sua vida.A paz de Jesus Cristo, aquela que Ele veio trazer à terra , é a que emana do amor, da fraternidade, da doação. É a felicidade do Reino Messiânico, a paz de Cristo, a reconciliação com Deus e os Homens.
Paz, é um fruto do Espírito Santo que recebemos no Baptismo e confirmamos pelo sacramento do Crisma.
Paz, é um desejo do nosso coração pelo qual pedimos e lutamos, procurando a tranquilidade interior, a serenidade de espírito, a harmonia das coisas, a concórdia entre os homens.
Saibamos acolher a palavra de Jesus e realizá-la:
"Dou-vos a paz; deixo-vos a minha paz"
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Fátima

                          Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Rogai por nós
"Arrependei-vos e baptizai-vos"
           

" Fazei tudo o que Ele vos disser"

domingo, 12 de outubro de 2014

A Ecologia

Fui outro dia assistir a um colóquio sobre Ecologia. Anunciava-se como trazendo à ribalta grandes e novos conhecimentos científicos. Mas em boa verdade, não fiquei a saber muito mais do que aquilo que aprendi durante o meu Curso, com as duas cadeiras obrigatórias: Ecologia animal e Ecologia vegetal.
Qualquer delas tratava da interação entre os seres vivos e o seu ambiente, isto é, faziam o estudo científico das interações que determinam a distribuição dos seres vivos e consequentemente a sua abundância em determinado espaço em que se desenvolvem.
Sem nos apercebermos bem, o meio ambiente afecta os seres vivos, sejam eles animais ou vegetais. E isto, não só pelo espaço que eles necessitam para viver e reproduzir, mas também pelas necessidades inerentes ao seu metabolismo. Mas o inverso também é verdadeiro. Os seres vivos alteram o ambiente, fornecem elementos indispensáveis (oxigénio, por ex.) ou introduzem elementos tóxicos que afectam a saúde e conservação dos ecossistemas.
Relembrei, com este colóquio, que foi Ernst Haeckel que utilizou pela primeira vez o termo Ecologia para definir esta ciência  de relação entre os seres vivos e o meio ambiente. E isto, já em 1869, lembrando a origem grega do termo oikos ( casa) e logos (estudo).
Recordei também como o conceito de competição  se põe aqui, quer seja competição pelo espaço, pelo alimento ou por parceiro para a reprodução. Igualmente a ideia de simbiose, comensalismo ou parasitismo.
Tomei ainda contacto com conhecimentos mais recentes  da aplicação prática da Ecologia, em ordem a melhor gestão dos recursos naturais  ou da Biologia de conservação.
Mas os conceitos mais fora daquilo que eu aprendera  diziam respeito à Ecologia humana. Esta, relaciona o ser humano com o ambiente natural e mostra como o homem tem capacidade de adaptar o meio às suas necessidades e como o consegue fazer.
E agora, perguntamo-nos e perguntam-se os cientistas, afinal, com que Ciência se conecta a Ecologia humana? Várias outras ciências reivindicam a propriedade sobre ela, porque de facto, este tipo de Ecologia é uma Ciência transdisciplinar que é demasiado nova para ter revelado todo o seu potencial.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.