segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Acontece...

É bem verdade que "nada acontece por acaso"
Hoje, exactamente hoje, quando entrei na capela, em cima do banco ,no meu lugar, uma estampa que tem mais de cinquenta anos e que eu não via há imenso tempo.
 Acaso? Ou chamada de atenção?

domingo, 5 de outubro de 2014

O mistério da Eucaristia

Estou em Lisboa e, como de costume, fui participar na Eucaristia da minha Igreja de estimação - a Basílica da Estrela.
Desde pequena me habituei a esta igreja onde tudo me convida à reflexão, à calma, às lágrimas por vezes.
Entrei! O mesmo silêncio, o mesmo ambiente de interioridade, o mesmo convite à oração.
Ajoelhei-me para me preparar para a Eucaristia e lembrei-me das palavras duma pessoa amiga: "A Eucaristia é um mistério demasiado intenso para poder ser vivido de qualquer maneira."
Se já estava emocionada, pior fiquei.  Como se consegue viver este Mistério grandioso que é Cristo presente connosco e por nós?
Tentei acompanhar cada gesto e cada palavra do sacerdote, muito sereno, muito compenetrado, muito cuidadoso com o mistério que celebrava.
De joelhos , durante a Consagração,olhei aquela hóstia que parecia sair dos dedos do celebrante e vir até nós. Esse pão que é Deus feito Homem, presente sobre o altar,  para que O possamos receber.
"Senhor, eu não sou digna..."
E não sou, não somos. ..
Só Deus, na sua generosidade, pode vir até nós, apesar da nossa fraqueza e da nossa indignidade.
Ele, do fundo do seu amor, olha-nos e convida-nos para que nos abeiremos da Sua mesa e aceitemos o Seu dom.
Comovida, impressionada, sensibilizada, não encontrei palavras para dizer o meu obrigada  e repetir o meu acto de adoração.
Há dias assim!..
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Oração

Eu nunca Te direi vezes que bastem,
Obrigado , Senhor, pelas maravilhas que o Teu amor em mim realizou.
Por esta frágil âncora de barro, morada transitória do meu ser,
pelos olhos imensos onde a alma está constantemente debruçada;
pela voz com que sou veludo e pedra, asa de luz ou dissonante grito;
pelas mãos com que lavro pelos dias as leiras onde o sonho se enraíza;
pelos pés que procuram nos caminhos o rumo do Teu Nome e do Teu Rosto;
pelas transparentes lágrimas, os rios em que navego até à Tua Foz;
pelo riso suave, crepitar da Alegria ainda imaculada;
pelo meu coração pingo de Fogo do Teu lume sagrado desprendido;
por todo o invisível que há em mim e pelo que parece sem valor,
eu nunca Te direi vezes que bastem : Obrigado Senhor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sempre Ramalhão

Há várias coisas que sempre fizeram parte da vida do Colégio e que sempre considerámos indispensável para a formação cultural, humana e social dos alunos. Entre essas coisas, as festas, as viagens e as actividades artísticas e desportivas, marcam o seu lugar. 
São estas que hoje me vêm ao pensamento até porque me cruzei com um dos professores que mais aprecio.
É que sempre considerámos extraordinárias as exibições de acrobática, a concentração das alunas, a sua elegância, a colaboração de toda a equipa. As suas apresentações, por vezes eram de perder o fôlego, com as mais velhas, muito profissionais, a fazer sobressair o talento das mais novas. Desde que entravam até que saiam sabiam mostrar o ar disciplinado com que os treinos decorriam e a aprendizagem , dura mas linda, com que se preparavam.
Mas não posso também esquecer os campeonatos inter-turmas  de volley, de basket, de football: a excitação anterior ao jogo, o entusiasmo no seu decorrer , a alegria de uns e a tristeza e irritação de outros, no fim. Há sempre quem ganhe e quem perde mas nem todos sabem perder
Recordo a ida para participarem em campeonatos nacionais e o orgulho do regresso com as medalhas ao peito. Nem sempre o conseguiam, mas muitas vezes atingiram o seu grande objectivo.
Também de salientar as exibições de Ballet  Com mais ou menos jeito, melhor ou menos boa forma, a Nilma sabia sempre tirar partido dos dons de cada uma para as pôr em cima do palco, no encanto dos seus fatos brancos de tule, adornados com faixas de cor ou flores garridas.
Mas não esqueçamos também o ténis, o karaté ou a esgrima, a cujos alunos quero prestar a minha merecida homenagem.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poesia

 Viver
É crer nalguma coisa:
é sonhar com algo de belo e de grande.
é acreditar,
é ter esperança de que àmanhã será melhor.

Viver
é nunca desesperar:
é cada dia recomeçar,
é cada dia crescer,
é ser cada dia melhor,
é a cada momento sorrir!

Viver
é gastar a vida por uma causa:
é estar acordado para a realidade presente,
é ser homem simplesmente!

Viver
é nunca descansar enquanto no mundo houver ódio:
é lutar por um ideal,
é nunca nos darmos por vencidos,
é ser cada dia, unicamente, jovem!

Viver
é dar-nos generosamente ao mundo!
Viver, Viver, é Amar

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Acontecimentos

Ontem tive a oportunidade e a alegria de assistir à apresentação dum novo livro, apresentação essa feita no auditório da Ordem dos Médicos. Claro que não foi por acaso que fui convidada, nem por acaso que a apresentação se fez naquele lugar. É que o livro conta a história dum médico conhecido e grande médico - o dr. António Gentil Martins. Era portanto muito a propósito a apresentação ser feita num local a que ele pertence e de que foi mesmo figura iminente.
O título do livro é apelativo " Ser bom aluno não basta" . Para mim, que fui professora "de corpo e alma" , este título diz-me muito porque são verdades que eu defendo.. É preciso possuir valores, ter convicções pelas quais se luta, defender princípios em que se acredita. É tudo isso que faz o homem, mais do que ser apenas bom aluno. E essas são as verdades do personagem do livro .
Mas, houve outras razões para eu estar presente : Quem escreveu o livro, depois de horas de conversa e troca de impressões, foi uma ex-aluna do Colégio, hoje jornalista - a Marta Reis. E a responsável pela edição, outra relação muito querida, que foi professora aqui no Ramalhão - a Cristina Ovídio.
Foi uma tarde muito rica. Aliás foi a Cristina quem fez as explicações necessárias, no seu estilo poético de quem gosta e sabe de Português.
A Marta, igual a si mesma, simples, discreta, contou como tudo tinha acontecido e o prazer que lhe dera escrever este livro e conhecer a história deste homem que fica para a História da medicina em Portugal.
Depois, o professor Adriano Moreira, com a sua graça e a sua maneira de expôr, muito próprias, falou do homem, do amigo, dos seus valores, das suas convicções e do seu trabalho, das histórias que o livro relata e que o entusiasmaram e comoveram.
A sessão acabou com o protagonista da história a agradecer a todos e a cada um e a justificar o trabalho, as alegrias e dificuldades.
Agora, tenho em cima da secretária, uma história autografada que é uma vida e me torna presente uma panóplia de amigos e acontecimentos.
"Ser bom aluno não chega" ...
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Venturas e desventuras de viagens

Sair de viagem com um grupo de alunos, sejam eles pequenos ou grandes, é sempre uma aventura.
Os mais novos porque requerem cuidados especiais: estar atentos a que não percam nada, preparar a refeição, ver se comeram, estar presentes ao deitar e ao levantar, fazer as mais insignificantes recomendações.
Com os mais velhos os problemas são outros: as saídas à noite, as trocas de números de telefone, a algazarra nos quartos... Mas é sempre bom e ganha-se mais do que se imagina.
Um ano resolvemos ir à Disneyland Paris com um grande grupo. Éramos oitenta ao todo embora dez ou doze fossem professores.
À ida é sempre a mesma coisa: encontro no aeroporto às sete da manhã, porque a partida é às nove. Mas porque a pontualidade não é o forte desta gente jovem ( e desconfio que nem dos pais...) sempre tem alguém que ficar à porta até ao último momento. Geralmente o sr. Eliseu, o nosso guia de sempre. Entretanto, grande excitação nos que já estão e ansiedade pelos que faltam. No fim, sempre estamos todos.
Depois, a viagem de avião é uma festa.  Para muitos é o seu baptismo de voo. Até dá direito a ir ver dirigir o avião... Mas a chegada é o deslumbramento, o encontro com o sonho e a magia: Um hotel do Far west americano, empregados que parecem cow boys, decoração com cavalos, cordas e afins... E depois, um palácio de sonho e o contacto com as figuras dos filmes da Disney.
São dois dias e meio de experiências inesquecíveis. Não há cansaço que chegue nem aborrecimento que incomode.
Andam em tudo, assistem a todos os espectáculos, entram em todas as exposições, deliciam-se com a parada.
Habitualmente tudo corre bem.
Almoça-se no parque em qualquer restaurante temático e janta-se no hotel, um menu ao gosto de cada um.
O regresso, ao fim da tarde, é feito em camioneta que nos vai buscar ao hotel, a hora prèviamente combinada e nos deixa no aeroporto.
Só que desta vez, tivemos um pequeno, grande, percalço. Seis participantes, felizmente adultos, tinham partida de um outro local de embarque e, depois de nos deixar, o motorista recusou-se a conduzi-los, pois havia manifestações ou acidente ou não sei o quê.
E nós, calmamente na ignorância... Só soubemos no fim, quando eles chegaram meio-mortos, exaustos, ofegantes, angustiados. Tinham tido que vir a pé e até correram pela pista dos aviões, com as malas às costas. Mas, apanharam o avião.
São aventuras duma aventura que fica na lembrança e depois se conta com graça e emoção.
Tudo é bom quando acaba bem. E ir à Disney era uma aventura que se repetia todos os anos, com mais ou menos alunos, mais novos ou mais crescidos.
                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.