terça-feira, 16 de setembro de 2014

Festas

Começaram no dia 13 deste mês de Setembro as festividades, religiosas e profanas, em honra de Nossa Senhora do Cabo Espichel. De 25 em 25 anos a imagem de Nossa Senhora regressa aqui, à paróquia de S. Pedro, onde permanece por doze meses. Depois, com as honras da entrada, segue para outra paróquia aqui do concelho de Sintra, e assim sucessivamente até as ter percorrido todas. 
Durante vários dias, após a chegada de N. Srª, há celebrações, conferências, concertos mas claro! também arraial, "comes e bebes", actividades várias,como não podia deixar de ser.
Temos, portanto, Nossa Senhora aqui, na nossa igreja paroquial.
Nossa Senhora do Cabo Espichel!
Mais uma designação para a mãe que Deus escolheu para o Seu Filho . A mesma que Jesus nos destinou para nossa mãe.
A devoção a esta imagem de Nossa Senhora começou com a visão de um pastor, há mais de setecentos anos. Disse ele que tinha visto uma grande luz sobre o cabo e depois Nossa Senhora a subir a escarpa montada numa mula.
É a lenda mas a devoção mantem-se e naquele lugar foi, no sec. XIV, erigida uma ermida - a Ermida da Memória - na qual ficava guardada a imagem. Depois, levantaram-se instalações para os peregrinos e finalmente construiu-se o Santuário.
Esta designação de Nossa Senhora do Cabo é mais uma das que os homens usam para relacionar com situações ou necessidades: Nossa Senhora das Graças, da Piedade, do Socorro, do Mar, dos Navegantes, das Dores, dos Remédios, da Nazaré, da Conceição... Que sei eu!
Mas todas e cada uma são a mesma Senhora que nos ensinou a dizer Sim , perante um convite que surpreende; que nos incentivou a ficar de pé mesmo perante as dificuldades, acompanhando as dores.
Esta N. Srª do Cabo Espichel vai ficar aqui na nossa capela, àmanhã. Vem visitar-nos, trazer-nos a sua Graça, acolher os nossos pedidos, ouvir os nossos louvores. Junto dela recitaremos o Rosário, a oração grata aos Dominicanos e do agrado de Maria, a Senhora do Rosário, que em Fátima pediu esta devoção para conversão dos pecadores e o fim da guerra.
Connosco estarão todos os que quiserem vir até ao Ramalhão para acompanhar Maria.
             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Luz

Senhor, perante mim há uma vela
Arde intranquila às vezes com uma chama pequena,
outras com uma chama grande.
Senhor, também eu estou muitas vezes intranquilo
Oxalá encontre a tranquilidade em Ti.

Ela oferece-me luz e calor
Senhor, oxalá também eu me converta
numa luz para o mundo.

A vela derrete em seu serviço.
Senhor, oxalá que eu me transforme
num /a servidor/a para o mundo.

Com esta vela posso acender outras velas
Senhor, que eu possa assim contribuir
para que outras se iluminem.

Vienna International Religious centre





segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Natividade de Maria

Hoje a Igreja comemora uma das festas de Nossa Senhora - o seu nascimento.
É festa na Igreja, como não podia deixar de ser. Celebramos o nascimento daquela que, desde sempre, se preparou para a resposta ao apelo de Deus " Eis aqui a serva do Senhor".
Foi um Sim voluntário e livre, o mesmo que cada um de nós pode dar , se quiser ser fiel à sedução que Deus dirige a cada homem : Queres?
Para mim é também um dia especial de festa, um dia de celebração, entre mim e o Pai.
É que faz anos, muitos... que fiz a minha Profissão religiosa. 
Foi aqui, no Ramalhão, nesta mesma capela que é a nossa, na presença duma comunidade que não é a actual mas é como se fosse. Irmãs minhas que para mim cantaram o Magnificat de Galineau que nunca mais esqueci e que tento ouvir cada dia 8 de Setembro.
Lembro-me como se fosse hoje.
Havia pouco mais de ano e meio que deixara a minha casa, a minha família, os meus amigos, a minha vida de estudante universitária.
Fui acolhida com carinho e introduzida num meio muito diferente daquele em que vivera vinte e um anos. Até porque eu estava habituada a ser independente e era voluntariosa. Duas "virtudes" achava eu, de que tive que me ir desabituando.
Não me arrependo. Não lamento nada nem coisa nenhuma. Sou feliz hoje como estava nesse dia.
Ontem, num espaço de reflexão que impus a mim mesma, tentei preparar-me para fazer , interiormente, a minha oferta: Eis-me aqui , Senhor, neste dia em que festejamos a Mãe que nos ensinou a dizer o sim, mesmo quando não se entende nem se deseja.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, OP


sábado, 6 de setembro de 2014

Chuva!...

Manhã nublada, sol encoberto, chuva miudinha, por vezes  mais agressiva, tempo ameno mas repleto de humidade.
Tudo a lembrar que o Outono vai chegar. Ou, já chegou ,neste ano de estações  um pouco transtornadas.
A chuva lava caminhos, folhas sujas do Verão, telhados empoeirados. Anima as flores dos canteiros  e leva com ela as inquietações, as dúvidas, as incertezas.
Mas, ao mesmo tempo, cria uma certa melancolia, uma certa angústia no coração daqueles que olham pela janela e não encontram respostas nesta cortina húmida e sombria.
São as crianças que, despreocupadas, gostam da chuva, de a acolher como uma bênção , apreciam deixar-se molhar como se fosse um banho de graça. 
Os adultos olham a chuva e levantam outras questões...
Mas o Outono é lindo com as folhas secas espalhadas pelo chão, folhas que cantam quando as pisamos. Lembro-me da minha infância, quando brincava no jardim  e me divertia a pisar as folhas para ouvir o seu cantar. Ou seria o seu lamento?
Hoje, procuro não pisar as folhas secas porque elas  também têm uma história de vida para contar, uma história que ninguém certamente quer ouvir mas que elas vão guardar, como nós guardamos os nossos sonhos, as nossas esperanças, as nossas alegrias mais profundas.
Contemplemos a chuva e pensemos que cada estação do ano é como cada etapa da nossa vida que necessitamos viver de coração aberto, cheio de confiança e amor para dar.
         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Olhar a paz com os olhos das crianças

Todos nós queremos e suspiramos pela paz mas, ao ouvir os noticiários, ficamos em dúvida se estaremos a lutar pela paz. É que a toda a hora eles nos falam de guerra, de conflitos, de perseguições, de mortes.
É a Rússia e a Ucrânia, a Palestina e Israel, o Iraque e a Síria... Um conflito que pode não ficar confinado ao Médio Oriente, muito embora tentemos pensar que sim. É que a maioria das populações actuais não recordam o que aconteceu há 75 anos!
Depois, menos preocupante talvez mas igualmente inqualificável, gente que assalta, que ataca, que mata, numa febre de destruição, de revolta, de vandalismo.
E, como se tudo isso fosse pouco para encher noticiários, poucos são os dias em que não se fala de crianças que vão parar ao hospital ou que morreram devido a maus tratos.
E coisa espantosa! São os próprios pais ou os que estão no  lugar deles que assim procedem, descarregando sobre inocentes não sei se a fúria, se a frustração, se as incapacidades reconhecidas.
E esta situação que tem levado tantas crianças ao hospital e terminado com a vida de algumas, deve-se a quê?
À crise? A situações económicas adversas? Acho que não. Antes, penso estar aqui em causa problemas de alcool, de droga, uma educação deficiente, questões de realização pessoal, situações sentimentais e afectivas, que sei eu...
Mas perante estas crianças injustamente tratadas, não posso deixar de pensar naquele episódio do Evangelho em que crianças se tentavam aproximar de Jesus e que os apóstolos procuravam repelir. Qual foi a reacção de Jesus? Como repreendeu Ele os Apóstolos?
"Deixai vir a Mim as criancinhas..." 
Deixai-as vir, elas que  são simples, sinceras, inocentes. Deixai-as vir, elas que não têm maldade, que não conhecem o ódio, que são confiantes e crédulas.
E esta é também uma recomendação para os adultos , aqueles que querem a paz mas já perderam a Fé e a confiança. " Sede como crianças para poderes entrar no Reino dos céus e trabalhardes pela paz."
Cada passo que damos para nos tornarmos como crianças, é um passo que nos aproxima dos nossos grandes objectivos.
Ir. maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

guerra e paz


" Dou-vos a Paz; deixo-vos a minha Paz" São palavras de Jesus que falam aos nossos corações.
No entanto ,é de guerra que hoje nos recordamos . Faz 75 anos que teve início a Segunda Grande Guerra, com um ataque do Reino Unido à Alemanha.
Milhares de mortos, destruições em massa, muito dinheiro gasto... muitos traumatismos instalados...
Mas já vinte e dois anos antes Nossa Senhora anunciara o fim da Primeira Grande Guerra mas pedira a conversão dos homens, para que não houvesse outra pior.
Onde estavam os nossos ouvidos? Por onde andavam os nossos corações?
E em que estamos pensando enquanto o leste da Europa se  confronta e pode arrastar o resto da Europa?
Que a nossa Fé se mantenha acesa e a nossa oração insistente.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Respostas difíceis

A homilia da Missa de ontem, dum sacerdote nosso amigo deixou-me, e deve deixar a quem a ouviu, uma certa inquietação, porque nos levanta questões muito sérias.
Depois de explanar as ideias do Evangelho de S. Mateus com todo o dramatismo que o mesmo apresenta, uma vez que Jesus fala na perspectiva da Sua morte, é-nos apresentado o convite que Ele nos faz de O seguimos, transportando a nossa cruz. E esta cruz é a luta interior entre as aspirações que se nos impõem e a felicidade que encontramos na obediência  à vontade do Pai. Até aqui, tudo bem, com uma grande interioridade e matéria para reflexão.
Só que a homilia terminou com uma questão que é consequência de tudo o resto mas se sobrepõe a ele: " Afinal por quê ou por quem estamos nós dispostos a perder a vida?"
Grande pergunta e difícil resposta.
Para começar, estamos dispostos a morrer, mesmo que seja só às nossas aspirações imediatas, às nossas satisfações pessoais, aos nossos desejos de alegria e felicidade?
E se estamos, fazêmo-lo por quem? Por nós próprios? Pelos que nos reconhecem valor? Pelos que desejávamos que nos apreciassem?
Ou, em verdade, para remodelar a nossa vida, encontrar o caminho certo, deixar o supérfluo, o que nos pesa, o que nos impede de caminhar ligeiros ao encontro do Pai?
Grande homilia, grande pergunta, que deve  estar sempre presente no nosso espírito e no nosso coração:
" Afinal, por quê  ou por quem estamos nós dispostos a perder a vida?"
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.