domingo, 31 de agosto de 2014

A voz do silêncio

Já cheguei de férias há dois dias mas só hoje é que tive ocasião de me sentar calmamente e só na nossa velha capela , diante daquele crucifixo enorme que parece encher todo o espaço e chamar-nos para que o olhemos e escutemos.
Sentei-me, para o ouvir, talvez! mas para lhe contar das minhas alegrias e angústias, das coisas boas e das dificuldades que me aguardam, dos sonhos sonhados e das desilusões sofridas.
Talvez, como muito raramente acontece, encontrasse aquele ambiente de paz, de tranquilidade, de convite à reflexão e ao diálogo interior.
Olhar aquele crucifixo que parece  "imenso"  e nos fala, é sempre impressionante. E não pude deixar de pensar naquela outra situação  e naquele outro crucifixo, face ao qual, se tinha feito frade um jovem talentoso, cheio de dons e de projectos.
São os planos de Deus!...
E é que no silêncio, num ambiente em que o Amor e a Misericórdia estão bem presentes, sentimos melhor o apelo de Cristo para que O sigamos e O testemunhemos.
Lembro a propósito as palavras de Jeremias, lidas hoje na Missa: " Ele me seduziu  e eu deixei-me seduzir".  Penso que a questão está mesmo aí: Primeiro, em deixar-se seduzir e depois, em viver de acordo com esse apelo  e essa sedução, tendo presente que Jesus é amor e está sempre connosco mesmo quando a dor, o sofrimento, a inquietação nos invade.
Continuei desfrutando dessa quietude  e desse silêncio que nos torna mais capazes de ouvir a voz que é silêncio mas fala dentro do nosso coração.
Saí diferente? Certamente não. Os problemas, as inquietações, as dúvidas persistem ... 
Mas voltei às ocupações que me esperavam com a certeza que tudo vale a pena quando abrimos o nosso coração à graça.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Liberdade

Manhã a caminho da praia.
No ar, ainda uma ténue neblina que não deixava o sol mostrar-se sorridente. O mar, ao longe, ainda um pouco encoberto pela névoa e a areia ligeiramente húmida.
Mas ao chegar ao areal, um surpresa. Um bando enorme de gaivotas estendendo-se pela praia.Não sei se estavam a descansar se a fazer a digestão do pequeno almoço...
De onde em onde duas levantavam voo, davam um volta e desciam, em voo planado, para se juntarem ao grupo. Mas às vezes uma partia sòzinha, voava mais alta e parecia não voltar.
Não podia deixar de recordar a história de Fernão Capelo Gaivota, da sua ânsia de novos rumos, novas descobertas, grandes novidades.
Ao mesmo tempo, pensei em nós, homens. Pertencemos a uma sociedade, temos uma família, constituímos um grupo,formamos  uma comunidade...
Isto pressupõe entrar num esquema, estabelecer uma linha coerente, identificar-se com ideias e orientações. Foi uma escolha, uma opção.Mas depois, quantas vezes, a ânsia de conhecer novos rumos,de seguir novas estradas, de experimentar novos caminhos!... E o desejo de partir à descoberta
É a ânsia de liberdade, de pensar pela nossa cabeça, de não seguir ninguém. Mas afinal, em qualquer circunstância somos livres porque, se baptizados, "já não somos nós que vivemos mas Cristo que vive em nós" . E Cristo é a Liberdade por excelência.
Fico olhando o mar e as gaivotas que, em bando, partiram para novas paragens.
Afinal, optaram por manter o grupo, lutar por ele, testemunhar valores.
Será que temos uma lição a aprender das gaivotas?
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 24 de agosto de 2014

Caminhos.

Somos três amigas de tempos idos. Conhecemo-nos no liceu ; criámos laços; fizemos planos juntas. Os nossos caminhos cruzaram-se mas depois cada ums seguiu a sua estrada.Tirámos cursos diferentes:a Joana Arquitectura, a Catarina Serviço Social e eu Biologia. E as nossas opções de vida também foram diferentes: A Joana casou, organizou a sua vida e tem quatro filhos amorosos. A Catarina não quis casar e preferiu dedicar-se aos jovens e adultos com quem trabalhava. Eu... recebi um apelo diferente e escolhi segui-lo fazendo-me Dominicana.
As três continuamos a servir o Pai , cada uma à sua maneira. As três somos felizes e nos sentimos realizadas. As três permanecemos amigas.
Às vezes, ao pensar nos nossos percursos de vida, sinto que somos como testemunhas daquilo que Deus pede a cada um. Nem só o matrimónio realiza a missão de mulher.Ser religiosa é estar disponível para servir sem responsabilidades de família , sem preocupações de filhos, mas... com outras responsabilidades, outras preocupações, numa doação total de si mesma à vontade do Pai. E algo parecido acontece com o celibato por opção , em que se renuncia a constituir família para estar livre para outras famílias e outros serviços.
A questão está na escolha. Ou melhor... na resposta a dar ao que Deus nos pede.
 Porque em qualquer dos casos estamos a falar de Vocação.
Não se escolhe um caminho, qualquer que ele seja, ( matrimónio, religiosa, celibato leigo ) sem que se tenha sentido um apelo de Deus e se queira corresponder a ele, com disponibilidade, alegria, generosidade. Não devemos ser nós a escolher. Quem escolheu, desde toda a eternidade, foi o Pai que nos falou como aos Apóstolos: "Queres? Vem e segue-Me..."
No nosso Sim está a correspondência à vontade de Deus.
Estejamos atentos aos apelos do Pai, ao Seu chamamento, à Sua palavra no nosso coração. Só atentos, na oração, Lhe podemos responder e encontrar assim a nossa felicidade.
                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 

sábado, 23 de agosto de 2014

A Paz é possível

Quando abrimos a TV e os noticiários só nos falam de lutas, de guerras, de tréguas precárias, de ódios,de mortes, apetece perguntar onde fica a noção daquela paz que Jesus veio trazer à terra, que estão os homens a fazer dela.
É verdade que há quem defenda a paz, quem lute, sem armas, pela igualdade, o respeito, a fraternidade..
É certo que todos os anos há personalidades a quem é atribuído o prémio Nobel da Paz Entre esses temos, por exemplo Nelson Mandela que tanto lutou , sem armas, pela igualdade dos direitos dos homens.
Mas são casos isolados. Aqueles que procuram a paz até parecem seres estranhos, seres isolados e idealistas, num mundo em que grassa o ódio e a luta.
E depois, se olharmos mais profundamente para o problema ficamos com a ideia que se calhar a paz não convem a muitos países. Que fariam ao armamento, à fábrica de explosivos e de material bélico? Não viriam logo as questões económicas a sobreporem-se aos problemas humanos?
Aflige-me ouvir todos os dias falar em luta, em destruição, em perseguições e em morte. E preocupa-me pensar na dificuldade em arranjar meios de sanar conflitos , de fazer que os homens se olhem com respeito e colaboração.
Mas, acreditemos. A paz é possível. Ela é um fruto do Espírito Santo. Lutemos para a conquistar.Trabalhemos para que os Homens a entendam e a ponham em prática, acompanhando os votos do Papa Francisco, ao falar aos habitantes da Coreia do Sul.
Há guerra nos países, entre irmãos. Mas mais grave ainda é o conflito dos nossos corações, o desencontro entre o que queremos e o que fazemos entre o que acreditamos e o que defendemos , o que sonhamos e pomos em prática.
Que o nosso coração se abra a esta paz e a estendamos a todos os que nos rodeiam.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A recompensa prometida

" Qual a nossa recompensa,nós que deixámos tudo e Te seguimos?" É a pergunta dos apóstolos a Jesus. Uma pergunta que talvez nos choque até porque vem num contexto do Evangelho em que são valorizados os que optaram pela pobreza ou vivem essa condição: "É mais fácil um camelo entrar pelo fundo duma agulha que um rico entrar no reino dos céus"
Mas Jesus não se aborrece nem se indigna. Limita-se a responder aos discípulos que a sua recompensa não será imediata . Tê-la-ão, sim, mas quando o seu reino for instituído.
Será que eles compreenderam esta resposta? Entenderam eles que só na eternidade receberiam a recompensa , depois de dores, sacrifícios, graças?
Ou, mais positivos e imediatos, pensavam que o reino do Mestre estava próximo e em breve teriam a sua recompensa por terem deixado família, casa, trabalho?
A compreensão só chegaria muito mais tarde , quando o Espírito Santo descesse, lhes abrisse o coração e lhes desse força para aceitar tudo o que o amor de Deus lhes pedisse.
Também nós muitas vezes temos a tentação  de imitar os apóstolos e interpelar Jesus: Que receberemos em troca do sacrifício que fizemos, do bem que praticámos, da opção de vida que escolhemos? Quando teremos essa recompensa?
Mas também a nós Jesus nos poderá responder com a certeza duma recompensa na eternidade. E é isso que não nos satisfaz porque não sabemos compreender. É a pobreza de coração, a disponibilidade, a capacidade de doação, que nos torna aptos para a Vida do Reino dos céus. E esta é a recompensa que Jesus nos reserva.
E estamos a prepará-la? Como olhamos a correspondência ao Amor que Jesus nos oferece? Como damos tudo sem esperar nada em troca ? Como estamos disponíveis para o "hoje e o aqui"?
" Será grande a  vossa recompensa" é uma promessa que não deixará de se realizar na medida da nossa oferta, da abertura do nosso coração.
Deus não falha. Quem pode falhar somos nós se não olharmos para o futuro vivendo o presente.
O importante é acreditar no amor de Deus e procurar corresponder a ele.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 16 de agosto de 2014

Viagens, cultura, surpresa, alegria

Viajar é algo sempre agradável e cultural. 
Mesmo que já conheçamos o sítio que visitamos, há sempre facetas novas que se nos deparam , pormenores que nos tinham passado despercebidos, realidades sempre as mesmas e sempre diferentes.
E depois, durante uma viagem há mil episódios que se nos apresentam mais ou menos engraçados, mais ou menos trágicos e que depois de passados são relembrados com saudade e alegria.
Sentada na praia, olhando o mar, recordo... conhecimentos adquiridos, aventuras partilhadas, amizades intensificadas.
Por exemplo aquela viagem a Veneza com a sua praça de S. Marcos,as deslocações sempre em vaporeto, as ruelas e recantos típicos.
.Não podemos esquecer aquele hotel que parecia um casinha de bonecas e aquele carnaval em que, pela primeira vez, encontrámos máscaras maravilhosas passeando pelas ruas.
E a outra viagem a Roma, em que ao chegar ao hotel o encontrámos fechado!
Claro que estava um senhor à nossa espera, mas nós nem queríamos saber de explicações. Só pensávamos em telefonar para a Agência de Viagens.
Quando finalmente acalmámos ouvimos as indicações do responsável pela Agência em Roma que nos conduziu a outro Hotel. E por sinal, ainda melhor...
A Viagem à Sicília também merece menção especial. Fomos recebidos com champanhe e honras de turistas endinheirados (que não éramos...) Mas a grande aventura foi no dia do regresso quando exigimos o pequeno almoço às quatro da manhã e o autocarro a seguir para depois estarmos duas horas no aeroporto à espera que abrisse o chec-in. A Guia bem nos avisara que Palermo não era Lisboa...
Mas, durante a viagem, a sensação foi a actuação de S. Tomás de Vila Nova que fazia que a chuva parasse de cada vez que tínhamos de sair. Até conseguimos ir ao Etna com sol!...
A Guai ficou com tal devoção ao S. Tomás que garantiu ir invocá-lo sempre que tivesse que ir com turistas  e tivesse tempo adverso.
Outra viagem notória foi a ida a Praga e Budapeste.
Devido ao mau tempo tivemos que ir aterrar a 300 Km de Praga, em Breno, onde fomos recebidos, no aeroporto, por oficiais que mais pareciam membros da Gestapo. Depois de muita perguntas e respostas, em várias línguas, conseguimos uma camioneta que nos trouxe até Praga. Mas a Viagem não se fez sem medo porque era noite e dum lado e doutro da camioneta era só neve. A toda a hora uma pergunta: " Ó Madre, não é perigoso? O motorista sabe por onde vai?
 Nestas circunstâncias que responder? Apenas calma. " Não, filhas, ele vai no intervalo da neve!" Oh poder de convicção!
À chegada, no quarto de cada um, um saco de plástico e dentro  um panado duas vezes maior que o pão dentro do qual estava e uma lata com um líquido frio que, com algum esforço, se deduziu ser café com leite.
Mas àquela hora e com tantas emoções sofridas, não havia que refilar. Era comer,deitar e sonhar com melhores acontecimentos.
Não podemos esquecer quantas aventuras, quantas gargalhadas, quantas recordações guardadas!.,..

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Maria, Mãe de Deus e mãe nossa




Dia 15 de Agosto
          Festa da Assunção de Nossa Senhora



 Maria nossa Mãe olha pelos teus filhos e que eles nunca se  esqueçam que te têm presente para olhar por eles.

Santa Maria , rogai por nós