sábado, 23 de agosto de 2014

A Paz é possível

Quando abrimos a TV e os noticiários só nos falam de lutas, de guerras, de tréguas precárias, de ódios,de mortes, apetece perguntar onde fica a noção daquela paz que Jesus veio trazer à terra, que estão os homens a fazer dela.
É verdade que há quem defenda a paz, quem lute, sem armas, pela igualdade, o respeito, a fraternidade..
É certo que todos os anos há personalidades a quem é atribuído o prémio Nobel da Paz Entre esses temos, por exemplo Nelson Mandela que tanto lutou , sem armas, pela igualdade dos direitos dos homens.
Mas são casos isolados. Aqueles que procuram a paz até parecem seres estranhos, seres isolados e idealistas, num mundo em que grassa o ódio e a luta.
E depois, se olharmos mais profundamente para o problema ficamos com a ideia que se calhar a paz não convem a muitos países. Que fariam ao armamento, à fábrica de explosivos e de material bélico? Não viriam logo as questões económicas a sobreporem-se aos problemas humanos?
Aflige-me ouvir todos os dias falar em luta, em destruição, em perseguições e em morte. E preocupa-me pensar na dificuldade em arranjar meios de sanar conflitos , de fazer que os homens se olhem com respeito e colaboração.
Mas, acreditemos. A paz é possível. Ela é um fruto do Espírito Santo. Lutemos para a conquistar.Trabalhemos para que os Homens a entendam e a ponham em prática, acompanhando os votos do Papa Francisco, ao falar aos habitantes da Coreia do Sul.
Há guerra nos países, entre irmãos. Mas mais grave ainda é o conflito dos nossos corações, o desencontro entre o que queremos e o que fazemos entre o que acreditamos e o que defendemos , o que sonhamos e pomos em prática.
Que o nosso coração se abra a esta paz e a estendamos a todos os que nos rodeiam.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A recompensa prometida

" Qual a nossa recompensa,nós que deixámos tudo e Te seguimos?" É a pergunta dos apóstolos a Jesus. Uma pergunta que talvez nos choque até porque vem num contexto do Evangelho em que são valorizados os que optaram pela pobreza ou vivem essa condição: "É mais fácil um camelo entrar pelo fundo duma agulha que um rico entrar no reino dos céus"
Mas Jesus não se aborrece nem se indigna. Limita-se a responder aos discípulos que a sua recompensa não será imediata . Tê-la-ão, sim, mas quando o seu reino for instituído.
Será que eles compreenderam esta resposta? Entenderam eles que só na eternidade receberiam a recompensa , depois de dores, sacrifícios, graças?
Ou, mais positivos e imediatos, pensavam que o reino do Mestre estava próximo e em breve teriam a sua recompensa por terem deixado família, casa, trabalho?
A compreensão só chegaria muito mais tarde , quando o Espírito Santo descesse, lhes abrisse o coração e lhes desse força para aceitar tudo o que o amor de Deus lhes pedisse.
Também nós muitas vezes temos a tentação  de imitar os apóstolos e interpelar Jesus: Que receberemos em troca do sacrifício que fizemos, do bem que praticámos, da opção de vida que escolhemos? Quando teremos essa recompensa?
Mas também a nós Jesus nos poderá responder com a certeza duma recompensa na eternidade. E é isso que não nos satisfaz porque não sabemos compreender. É a pobreza de coração, a disponibilidade, a capacidade de doação, que nos torna aptos para a Vida do Reino dos céus. E esta é a recompensa que Jesus nos reserva.
E estamos a prepará-la? Como olhamos a correspondência ao Amor que Jesus nos oferece? Como damos tudo sem esperar nada em troca ? Como estamos disponíveis para o "hoje e o aqui"?
" Será grande a  vossa recompensa" é uma promessa que não deixará de se realizar na medida da nossa oferta, da abertura do nosso coração.
Deus não falha. Quem pode falhar somos nós se não olharmos para o futuro vivendo o presente.
O importante é acreditar no amor de Deus e procurar corresponder a ele.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 16 de agosto de 2014

Viagens, cultura, surpresa, alegria

Viajar é algo sempre agradável e cultural. 
Mesmo que já conheçamos o sítio que visitamos, há sempre facetas novas que se nos deparam , pormenores que nos tinham passado despercebidos, realidades sempre as mesmas e sempre diferentes.
E depois, durante uma viagem há mil episódios que se nos apresentam mais ou menos engraçados, mais ou menos trágicos e que depois de passados são relembrados com saudade e alegria.
Sentada na praia, olhando o mar, recordo... conhecimentos adquiridos, aventuras partilhadas, amizades intensificadas.
Por exemplo aquela viagem a Veneza com a sua praça de S. Marcos,as deslocações sempre em vaporeto, as ruelas e recantos típicos.
.Não podemos esquecer aquele hotel que parecia um casinha de bonecas e aquele carnaval em que, pela primeira vez, encontrámos máscaras maravilhosas passeando pelas ruas.
E a outra viagem a Roma, em que ao chegar ao hotel o encontrámos fechado!
Claro que estava um senhor à nossa espera, mas nós nem queríamos saber de explicações. Só pensávamos em telefonar para a Agência de Viagens.
Quando finalmente acalmámos ouvimos as indicações do responsável pela Agência em Roma que nos conduziu a outro Hotel. E por sinal, ainda melhor...
A Viagem à Sicília também merece menção especial. Fomos recebidos com champanhe e honras de turistas endinheirados (que não éramos...) Mas a grande aventura foi no dia do regresso quando exigimos o pequeno almoço às quatro da manhã e o autocarro a seguir para depois estarmos duas horas no aeroporto à espera que abrisse o chec-in. A Guia bem nos avisara que Palermo não era Lisboa...
Mas, durante a viagem, a sensação foi a actuação de S. Tomás de Vila Nova que fazia que a chuva parasse de cada vez que tínhamos de sair. Até conseguimos ir ao Etna com sol!...
A Guai ficou com tal devoção ao S. Tomás que garantiu ir invocá-lo sempre que tivesse que ir com turistas  e tivesse tempo adverso.
Outra viagem notória foi a ida a Praga e Budapeste.
Devido ao mau tempo tivemos que ir aterrar a 300 Km de Praga, em Breno, onde fomos recebidos, no aeroporto, por oficiais que mais pareciam membros da Gestapo. Depois de muita perguntas e respostas, em várias línguas, conseguimos uma camioneta que nos trouxe até Praga. Mas a Viagem não se fez sem medo porque era noite e dum lado e doutro da camioneta era só neve. A toda a hora uma pergunta: " Ó Madre, não é perigoso? O motorista sabe por onde vai?
 Nestas circunstâncias que responder? Apenas calma. " Não, filhas, ele vai no intervalo da neve!" Oh poder de convicção!
À chegada, no quarto de cada um, um saco de plástico e dentro  um panado duas vezes maior que o pão dentro do qual estava e uma lata com um líquido frio que, com algum esforço, se deduziu ser café com leite.
Mas àquela hora e com tantas emoções sofridas, não havia que refilar. Era comer,deitar e sonhar com melhores acontecimentos.
Não podemos esquecer quantas aventuras, quantas gargalhadas, quantas recordações guardadas!.,..

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Maria, Mãe de Deus e mãe nossa




Dia 15 de Agosto
          Festa da Assunção de Nossa Senhora



 Maria nossa Mãe olha pelos teus filhos e que eles nunca se  esqueçam que te têm presente para olhar por eles.

Santa Maria , rogai por nós

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Fátima e emigração

Dias 12 e 13 de Agosto é a altura , de cada ano, se realizar a peregrinação dos emigrantes: De todos aqueles que há décadas deixaram as suas famílias, as suas casas, as suas terras, para ir em busca dum futuro melhor.
Todos aqueles que, todos os anos, regressam e têm um pensamento, uma oração dirigida a Maria, para lhe agradecerem a sua protecção .
Mas é também a peregrinação dos jovens de hoje, das dezenas de desempregados jovens que, saudosos, partem à procura de trabalho.
Mas, uns e outros, voltam cada ano para, em Fátima, agradecerem a Maria, nossa Mãe, a sua protecção e o seu apoio.
E ela, como Mãe, nem precisa que lhe peçamos nada. Necessita apenas que confiemos nela e a ela entreguemos as nossas inquietações e dificuldades. Aliás, Maria precisou, por acaso, que lhe dissessem que Isabel, sua prima, precisava da sua ajuda? E não foi ela a primeira, nas Bodas de Caná, a aperceber-se que os noivos não tinham vinho?
Nossa Senhora está atenta ao que nos acontece e ao que necessitamos. Mas certamente espera que reconheçamos o seu amor de Mãe. Concerteza conta que lhe confiemos as nossas preocupações e dificuldades.
Em Fátima estiveram milhares de emigrantes a agradecer a protecção da Mãe do Céu, a dizer-lhe do seu amor, a apresentar-lhe as suas esperanças, a agradecer-lhe a sua protecção.
O santuário encheu-se. A procissão das velas foi uma manifestação de devoção, apesar da chuva. A Missa, com a oferta habitual do trigo
foi um testemunho de Fé.
Estejamos também com eles, lá como cá, a dizer o nosso obrigado e a testemunha-lhe a nossa confiança.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Feira na praia

Acabou ontem a feira instalada aqui na praia. 
Uma feira na praia não é muito vulgar. Pelo menos, não tínhamos dado por isso nos outros anos.
Na verdade a feira não está instalada na areia. Antes, no local que estava destinado para lugar de lazer , o que nunca chegou a acontecer O .espaço entre a areia e o início das casas. 
É uma feira como qualquer outra. Lá está a barraca das farturas, o carrocel infantil, a banca das especialidades nacionais, o carrinho do algodão doce.
E depois, o artesanato do país, do norte ao sul de Portugal e o dos países do costume: Índia, Marrocos, Brasil, África...
Uma tarde, entrei, por curiosidade. Não fazia tenção de comprar nada mas era engraçado o contacto com os feirantes e observar as mil e uma coisas diferentes que apresentam, umas mais interessantes que outras.
" Ó freguesa, venha ver!..." é expressão ouvida e repetida. Até porque gente, muita! mas compras... muito poucas
Mas não deixa de ser original e inusitado o facto de uma feira instalada no espaço da praia. É uma variante para os olhos e  para os hábitos. Sempre se varia da toalha estendida na areia e dos passeios à beira-mar.
E como o tempo não tem ajudado, a feira veio servir de diversão.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 10 de agosto de 2014

Pedro e nós

Os domingos são sempre dias muito particulares. Já por aquilo que representam de "dias do Senhor" especialmente dedicados à calma, à reflexão, a ter um espaço particular para Deus. Mas também porque sempre nos trazem mensagens especiais que nos chamam a atenção para questões que não podem passar-nos ao lado..
Hoje temos S. Pedro como centro da nossa reflexão.. Pedro que começa por pedir ao Mestre que lhe dê uma prova de quem é :" Se és tu, Senhor, deixa-me andar sobre o mar"
E vai, confiante, certo do poder de Jesus. Mas, de repente, a sua confiança transforma-se em medo e este medo leva-o a afundar-se . E é então que volta a sua  confiança e o seu pedido de socorro que o Mestre atende , embora advertindo-o :" Homem de pouca Fé, porque duvidaste?"
É assim também muitas vezes a nossa vida, um intercâmbio entre a confiança e a dúvida, entre o entusiasmo e o medo.
Como S. Pedro começamos por acreditar que com o Pai tudo é possível. Depois, perante as dificuldades, as incertezas, as contrariedades, duvidamos.
Tudo normal. Temos Pedro como exemplo...
Mas, como ele, lembramo-nos de confiar? Somos capazes de, esquecendo medos e incertezas, pedir ajuda, acreditar, aceitar a mão  que se nos estende?
Às vezes essa mão está bem próxima. Conhecêmo-la! Só que  não a vemos como representante de Jesus junto de nós.
E continuamos, desanimadas, sem" norte  ", infelizes...
E Deus tem os Seus mensageiros e os Seus métodos. Geralmente a acção não é directa como no episódio que o Evangelho nos narra.
Será que preferimos que Jesus nos admoeste dizendo: " homem/ mulher de pouca Fé, porque duvidais?"
A Fé é uma virtude Teologal que recebemos no Baptismo. Não podemos menosprezá-la.
E depois, não devemos querer que Deus esteja sempre disponível para actuar directamente. Muitas vezes sentimos a Sua acção e a Sua presença mas quase sempre é através dos outros, dos que nos rodeiam, que vamos encontrar o apoio e a colaboração para nos erguermos das "ondas alterosas" com que a vida muitas vezes nos presenteia.
Não deixemos esmorecer a nossa Fé e tenhamos bem presente o exemplo de Pedro , ao pedir o socorro de Jesus.
Não esqueçamos que Ele está sempre presente e a Sua missão é acolher-nos  e levantar-nos, quando caímos, se Lhe pedimos com Fé : "Senhor salvai-me"  
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.