sábado, 9 de agosto de 2014

Trilogia do Reino

" O Reino de Deus é uma questão de paz, justiça e alegria no Espírito Santo" dizem as Escrituras.
E agora , pergunto eu: Como conseguir a paz? Como praticar ajustiça? Como espalhar a alegria?
Certamente temos que começar por nós mesmos, criar em nós um clima de tranquilidade, estabelecer a paz com os outros e dentro de nós, no nosso coração.
Viver com Justiça é praticar a igualdade entre os Homens, não a igualdeda de qualidades ou de dons mas a igualdade de direitos, de responsabilidades e deveres.
E se vivemos assim, se olhamos para os outros como irmãos, se procuramos dar a cada um aquilo que lhe é devido, se não fazemos diferenças baseadas na cor, no sexo, na idade, na religião, etc, estamos a procurar ser justos e damos um passo a caminho da paz.
É que paz não é apenas antónimo de Guerra. Paz, é muito mais do que isso porque implica relação de equilíbrio, satisfação pessoal e com o próximo, disponibilidade para Deus e os irmãos.
Ter paz , distribuir paz, viver em paz, significa estar de bem connosco  e com os que nos rodeiam. E, portanto, com Deus.
E desta sensação de paz e desta prática da justiça, resulta a alegria, a derteza do dever cumprido, a satisfação de ter realizado a vontade de Deus.
E com tudo isto, construímos o Reino de Deus e, se o quisermos em plenitude, deixamos tudo e seguimos o Senhor do Reino. 
Seguimo-Lo livres de prisões, de impedimentos, de encargos, que são fios ténues que nos prendem ao imediato e não nos deixam voar para caminhos mais longos e lugares mais altos, onde encontraremos a alegria
Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P..


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Dia 8 de Agosto

               Festa de S. Domingos de Gusmão
Este é um dia muito importante e sempre de festa para nós Dominicanos - homens ou mulheres, monjas ou fraternidades leigas. É aquele dia em que a Igreja lembra o grande pregador , o impagável homem,o santo... Domingos de Gusmão

A S. Domingos se deve a criação duma Ordem dedicada à pregação, resultante duma oração e contemplação intensas.
É dele o Hábito Branco que os Papas usam desde que S. Pio V , frade Dominicano, foi eleito Papa e com ele entrou na cátedra de Pedro.
Mas o mais importante foi Domingos ter dado corpo a esta ideia duma Ordem que fosse pelo mundo levar a Palavra do Evangelho.Ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, mostrando-lhes o caminho da Verdade, foi o seu objectivo e por isso a oração e a pregação fazem parte dos pilares da sua organização. A eles se junta a vida comum e o estudo, indispensáveis para , com a oração , viver e transmitir a Verdade.
S. Domingos, nosso pai, roga pelos teus filhos , homens e mulheres que, te querem seguir e, como tu, testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo.
                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

TRANSFIGURAÇÃO

   Hoje é dia de festa. A Igreja celebra a festa da                             Transfiguração de Jesus.

É um testemunho da divindade de Jesus

É uma manifestação da generosidade e disponibilidade dos Apóstolos

Também nós devemos querer fazer três tendas para Jesus, Moisés e Elias e ficar em contemplação

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Experiências de Verão

Primeiro dia de praia:  com mar, com areia, com sol ... Talvez um bocadinho de vento a mais mas assim o sol incomoda menos.
É óptimo estar assim sentada olhando o mar e pensando nas maravilhas de Deus que tudo criou e tudo pôs à disposição do Homem.
As pessoas vão vindo, a pouco e pouco , umas mais silenciosas outras mais faladoras, contentes com o tempo e a vida. As crianças, sempre animadas, com bolas, raquetes, pranchas.
Fiquei surpreendida porque, ao invés dos outros anos, muita gente chegou por volta das dez horas e às onze, quase todos os toldos se encontravam preenchidos. Começamos a seguir as regras do bom senso e a apanhar sol nas horas menos perigosas.
Mas há sempre excepções como se depreende quando vemos os grupos carregando sacos e lancheiras que denunciam permanência na praia a hora do almoço. Má escolha!
Pela praia vão surgindo os grupos de surfistas, a mulher que vende amendoim torrado, o homem das  bolas de Berlim. Há bolas pelo ar... jogos de raquetes... corridas...
Alguns jovens arriscam ir "experimentar a água" e voltam arrepiados: Está gelada!
Os mais idosos permanecem  geralmente sentados a ler o jornal  ou estendidos na toalha a apanhar banhos de sol. Aliás, essa é uma das "ocupações" obrigatórias dos dias de praia. Quando se movimentam é para ir até ao bar refrescar-se com qualquer bebida ou fumar o cigarro que começaram na praia e para o qual houve logo olhares reprovadores de algumas senhoras mais conservadoras ou de grupos anti-tabaco.
Voltei para casa cheia de sol, de mar, de silêncio e do murmurar das ondas.
Obrigada meu Deus.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Partilha na confiança

Os textos da Missa de ontem falavam-nos da confiança, da certeza de que nada nos pode separar do amor de Deus. E ao mesmo tempo, da disponibilidade, da partilha, do esquecimento de nós para pensar nas dificuldades dos outros. Na 2ª leitura, S. Paulo fala-nos de algumas tentações e dificuldades que se nos podem apresentar para nos afastar de Jesus. Mas depois, faz-nos ver que nada disso é comprável ao amor de Deus, àquele que Ele tem por nós.
Depois, no Evangelho, é-nos apresentada a multidão dos que seguiram Jesus  assim que souberam onde Ele estava. Seguiram-no sem levarem nada com eles, sem pensarem em acomodação ou farnel.
Não tinham outra preocupação que não fosse ouvir Jesus, apreender a Sua mensagem... E o tempo passava.
Os apóstolos então, aconselharam Jesus a mandar embora a multidão. Por caridade, certamente, para que pudessem ir à procura de alimentos. Eles não possuíam senão cinco pães e dois peixe; não os podiam ajudar. Mas aí, Jesus mostra-lhes como estavam enganados. Com o pouco que possuíam podia-se fazer muito, se estivessem abertos à dádiva, à confiança. "Dêem-lhes vocês mesmos...."
E os apóstolos não protestam, não interrogam. Limitam-se a distribuir o que têm. E dão de comer à multidão, mais de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Estes textos são um apelo, que nos devem fazer reflectir. Porque temos pouco, não podemos repartir com os que não têm nada?
A viúva que deitou na caixa das esmolas apenas duas pequenas moedas deu tudo quanto tinha. E Jesus elogiou-a!. 
Não serão estes os exemplos a seguir?
Bem podemos lembrar que "do pouco se faz muito" quando partilhado com generosidade.
E Deus espera a nossa confiança n`Ele e a nossa generosidader..

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.





sábado, 2 de agosto de 2014

Férias

Estou de férias na praia. Na praia ... se considerarmos como tal a povoação marítima ... porque propriamente aquilo a que chamamos praia ( o mar, a areia, os toldos) isso!... ainda só vi de longe, do pontão. O tempo não tem ajudado. De manhã, tudo nublado, sem sol, com ar de chuva próxima. De tarde, o sol saiu de entre as nuvens mas o vento não deixa nada nem ninguém sossegado.
Mas da nossa varanda podemos apreciar o azul das águas não muito revoltas, apesar de tudo.
E somos capazes de imaginar viagens através do mar, recapitular aqueles cruzeiros, no Mediterrâneo, na Noruega, no Egipto... E lembrar os Lusíadas e recordar o Canto I : " As armas e os barões assinalados / que da ocidental praia Lusitana / se foram..."
E olhando o mar, relembrar os "feitos valorosos " que nos fizeram senhores do mar e donos de impérios...
E lá volta novamente a lembrança da "Queda do Império" do Vitorino e das mil realidades que ela nos evoca.
Olho o mar e deixo-me ficar sonhando com os mil perigos enfrentados e vencidos,as muitas conquistas conseguidas, as imensas dores sofridas. Lembro o "velho do Restelo" e os seus sempre tristes presságios; evoco Camões e a magnificência com que canta os feitos dos Portugueses.
Continuo a olhar o mar e penso na descrição da criação do mundo e do Homem, na presença do Deus criador e no testemunho que o "criado" devia dar como criatura e filho de Deus.
Apetece-me ajoelhar e dar graças por este mar que nos foi oferecido e pela Vida que recebemos para a fazermos grande e digna do Pai que nos criou.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Pena ou misericórdia?

Dado que o tempo" não convida a banhos", depois dum passeio à beira - mar vim para casa arrumar papelada que trouxe para me entreter. 
Enquanto folheava apontamentos antigos, lembrei-me dum fado cujo refrão era mais ou menos assim:
"Não tenham pena de mim; não queiram mudar o meu norte..."
Em boa verdade, acho que "ter pena" não é sentimento adequado a ter por alguém. Podemos lamentar, achar penosa a situação, ter compaixão, sentir carinho... Mas pena!... cheira-me um bocadinho a caridade sem amor.As pessoas são dignas da nossa amizade, do nosso interesse, do nosso Amor. Pena... não me soa bem como sentimento a ter por alguém. Tem-se pena do gato doente ou do passarinho que não consegue voar. Mas dos amigos, dos conhecidos, mesmo dos que estimamos menos, não devemos sentir pena.
Concordo com o autor do fado que pede para que não tenham pena dele qualquer que fosse a sua situação.
E pensando na pena que o autor não quer e de que eu não gosto, lembrei-me do que ouvi há tempos sobre misericórdia, aquele dom que não é compaixão mas pressupõe antes uma partilha profunda que só Deus consegue mas que Jesus nos convida a tentar a viver como testemunhas de filhos de Deus.
Mas voltando à letra do fado, o segundo verso ainda me levanta mais interrogações : "não queiram mudar meu norte" .Claro que vem na sequência da primeira citação porque quando se tem pena é porque alguma coisa choca, incomoda, parece errada. Logo, a tendência é procurar mudar , julgando que fazemos bem.
E nem sempre o nosso parecer , a nossa opinião é coincidente com aquilo que é bem e bom para os outros. Às vezes o nosso desejo de colaboração e de ajuda excede os limites do que seria útil para o outro.
Não, não podemos ter pena dos que nos rodeiam.
Não devemos querer mudar os seus caminhos. Podemos e devemos ajudar a ver a luz, a seguir o plano que Deus traçou para cada uma
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P..