sexta-feira, 27 de junho de 2014

A variabilidade do tempo e da vida

Cada ano, cada dia, marcam uma etapa da nossa vida, sempre diferente da anterior, sempre diferente da que nos espera.
Neste momento estamos em férias porque acabaram as aulas para a maioria dos alunos. Até o trânsito manifesta esta mudança de situação. Mas também as férias vão terminar e o trânsito voltar a aumentar de intensidade, porque começou um novo ano lectivo. Mas igual ao anterior? Não! Tudo igual mas tudo diferente.É assim o ciclo da vida feito de sucessões , de igualdades e de diferenças, de contratempos e previsões, de alegrias e tristezas.
Até o tempo muda. Ora Primavera, ora Verão, alternando com Outono e Inverno. Ante-ontem chovia; ontem o tempo estava nublado com uns raios tímidos de sol a afirmar que estamos no Verão; hoje faz sol. É a variabilidade do tempo mostrando as suas várias facetas, que nos agradam mais ou menos.
E nós também mudamos como o tempo. E as mudanças ora nos agradam ora nos aborrecem.
"Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" diz o poeta. E as vontades mudam mesmo sem esperarmos ou contarmos.
E nem sempre é fácil ultrapassar vontades, mudanças, dificuldades e incertezas.
Mas quem disse que a vida era fácil? Quem se esqueceu de nos dar o testemunho de Jesus, no momento da Sua Paixão : "Pai, se é possível ,afasta de mim este cálice" ? Mas imediatamente depois, " que se faça a Tua vontade e não a minha".
Tem que ser esta a nossa atitude, vivendo intensamente a nossa humanidade, ultrapassando as nossas fragilidades, sem medo, seguindo em frente, mesmo no escuro e na incerteza.
Os tempos mudam mas a vida continua e o Pai espera-nos.
É preciso aproveitar a vida , tirar partido das mudanças, das que agradam e das que nos incomodam.
Olhar o dia-a-dia com optimismo e confiança. 
Saborear a beleza das flores, a alegria das aves, a imensidão da natureza que nos convida a construir uma vida melhor e mais feliz.
 "Nada acontece por acaso"
É um slogan que pode acompanhar as nossas vidas e nos dá a certeza da presença dum Deus que é criador e Pai.

 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os conselhos dos mais novos

Sempre que me encontro com casais amigos ou conhecidos é inevitável: a conversa acaba sempre por ser em torno da educação das crianças e jovens, das dificuldades que se encontram, dos erros que se cometem.
Rapidamente se fala na facilidade com que os pais dão licenças sem critério ou trocam a sua presença por presentes, também eles muitas vezes, inúteis ou despropositados.
É a vida moderna... o pretexto de sempre.
Para satisfazerem os pedidos dos filhos e também as suas aspirações pessoais, trabalham demasiado, estão ausentes demasiado tempo e apagaram do seu vocabulário a palavra NÃO.
A este propósito lembrei-me dum artigo que li há tempos. Era como se uma criança falasse aos pais e lhes dissesse o que eles deviam ou não deviam fazer, para ajudar à sua educação .
Nesse artigo dizia-se que se os filhos pudessem dar a sua opinião seriam os primeiros a afirmar que os pais estão muito enganados quando os deixam entregues a terceiros ou lhes arranjam múltiplas actividades para os ocuparem longe da família. Diriam aos pais que a sua presença é indispensável para os ajudar a crescer , a entender o que é bem e o que é mal, a encontrar o caminho da Verdade.
Se as crianças pudessem emitir a sua opinião diriam que sabem muito bem que as suas exigências são simples tentativas  de chamar a atenção dos adultos e de testar a sua capacidade de subornar a família.
E depois, quando de crianças passam a adolescentes e se mostram revoltados e chocam com as suas atitudes, querem simplesmente que os adultos se apercebam que eles estão ali e precisam da sua ajuda.
Se crianças e adolescentes fossem chamados a dizer aos pais como gostariam que eles procedessem, diriam para eles não serem tão transigentes e flexíveis, para não aceitarem tão facilmente as suas exigências e teimosias, para não viverem como se eles não existissem e não pagassem as ausências com brinquedos e presentes disparatados.
E o artigo terminava discorrendo sobre o que as crianças e jovens pensam mas não podem dizer  e sobre o que os pais julgam ser o melhor para os filhos e não é.
Na sequência de tudo isto fiquei a pensar que os erros das crianças  precisam de ser corrigidos e a liberdade conquistada e compreendida. E, para tudo isto, o papel do exemplo e do testemunho dos pais é indispensável.
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Teste ao discernimento

Cada vez que vou a Lisboa há sempre qualquer coisa de novo para me surpreender. Outro dia, quando estive em casa dos meus pais não foi excepção.
Começara a arrumar umas " traquitanas " que precisava para a minha estadia em Fátima e encontrava-me na fase: Levo? Não Levo? Vou precisar?  É melhor levar... quando me tocaram à campainha da porta.
Estranho! pensei. Quem sabia que eu estava em casa? Nem abrira os estores, pois não me ia demorar... Mas, sempre fui à porta. Deparei-me com uma jovem ( já nem muito jovem...)  que morava com a família num dos andares do prédio. Lembrava-me vagamente dela...
Começou por fazer uma série de perguntas sem grande sentido ou oportunidade. Pareceu-me logo um pretexto.
Mandei-a entrar e, sem preâmbulos, depois de sentada na sala, começou a contar-me a sua história recente:
Tinha ido, um tanto contrariada, para fora, fazer um estágio de três meses. Mas, entusiasmara-se. Com o trabalho, o ambiente, os elogios, as atenções, um certo bajulamento... E os três meses transformaram-se em dois anos. Deixara tudo: família, amigos, responsabilidades.
Agora estava de férias e tinha tempo para pensar no que deixara, no que trocara. Não sabia que fazer e pensava que eu a podia ajudar.
Sorri! Não tinha solução para o problema. A solução tinha ela que a encontrar, dentro do seu coração e com toda a sua razão.
Eu conhecia demasiado bem essa situação: esta troca do essencial pelo acidental que parece fazer-nos felizes; este deixar o necessário para agarrar o efémero mas que nos dá alegria; o esquecer o importante para deixar que o que não é nos envolva e nos desvie do que seria desejável.
Não dei conselhos mas ouvi e acho que ela entendeu que a decisão estava nas suas mãos  e era ela que a tinha que acolher.
Ninguém dá por nós a resposta aos nossos problemas...
Foi-se embora e eu fiquei a tentar resolver "o meu problema" : fazer uma mala com o essencial para quinze dias em Fátima.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

domingo, 15 de junho de 2014



                            
                        Domingo da Santíssima Trindade


sábado, 14 de junho de 2014

Contradições que são convites

Abrir o Evangelho e os nossos olhos caírem no Sermão da Montanha será acaso ,coincidência ou convite à reflexão? É que, se pararmos um instante para compararmos a nossa visão da vida com as afirmações de Jesus, não podemos deixar de nos interpelar. É que há um mundo de contradições entre o que pensamos habitualmente e o que o Evangelho afirma. Não podemos deixar de nos surpreender. Certamente os Apóstolos também se interrogaram sobre o significado das palavras de Jesus :
Bem-aventurados os pobres... os que têm fome... os perseguidos... os que choram...
O Sermão da Montanha apresenta-nos como felizes todos aqueles que, naturalmente, seriam considerados como infelizes pela sociedade. Diz-nos que são felizes aqueles que nós pensamos só terem motivo para se lamentarem; afirma que são felizes os infelizes do mundo.
Dá que pensar!...
Mas não podemos esquecer o final desta exortação: "Exultai e alegrai-vos porque grande será a vossa recompensa no céu".
De facto, tudo o que acontece aqui no nosso mundo, não é mais nem menos do que aspectos da caminhada que nos vai levar até Jesus, onde será grande a nossa recompensa.
Só que nós, habitualmente, vemos o céu como um futuro longínquo e nubloso , sem relação de continuidade com o presente. E pior, queremos viver o imediato, aquilo que nos faz feliz, hoje e agora.
Mas o Sermão da Montanha é um apelo à esperança, um hino ao optimismo, talvez uma recordação nova daquele convite : "Ide e não leveis nada para o caminho" .
E este caminho é toda a nossa vida.
Seria preciso acreditar que felizes somos se confiamos, se não pusermos a nossa felicidade nas alegrias imediatas, se os nossos sonhos forem mais além do fácil, do terreno.
Precisamos cultivar a certeza de que " nada acontece por acaso "  mesmo quando não vemos o porquê e o como.
Não nos podemos deixar abater por "crises" externas e internas, por dores, por mudanças, por dificuldades. Temos que ter a certeza que "grande será a nossa recompensa no céu".
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Notícias que nos chegam

Ler jornais, ver televisão ou ouvir notícias na rádio podem proporcionar-nos momentos de grande satisfação ou causar angústias e inquietações.
Ontem, grande euforia com a abertura do mundial, os casamentos de Santo António e as marchas populares. Quase esqueciam as lutas no Iraque, o encontro histórico dos líderes Palestiniano e de Israel com o Papa, as lutas internas dos partidos, os atentados nalguns pontos do mundo.
A comunicação social é pródiga em espalhar notícias, quaisquer que elas sejam mas sobretudo as que mais "fazem o momento". É o seu trabalho muito embora às vezes não sejam tão isentos quanto gostaríamos.
Ontem, em todos os meios de comunicação social os grandes títulos eram, sem dúvida nenhuma , para o mundial de futebol. É o acontecimento do ano!...
Depois, em segundo plano, as manifestações que no Brasil se fazem sentir, contestando despesas que impedem melhorias em sectores essenciais. E que deram ocasião a prisões, feridos e mesmo mortes.
E por falar em mortes, lembrei notícias que têm vindo a ser comunicadas : jovens que entram em escolas e matam, indiscriminadamente, adultos e crianças.
Choca-me! Não o modo como as notícias são dadas mas as notícias em si mesmas.
E pergunto-me: O que leva uma pessoa, por mais desvairada que esteja, a praticar tal acto? O que faz um pai, como aconteceu outro dia aqui em Portugal, atirar contra a família e matar duas pessoas?
O que leva um cidadão a esquecer a sua condição de Homem, de criatura com direitos e deveres, e praticar tais actos? Onde estão os valores de cidadania que todos os homens devem possuir por mais ignorantes e primitivos que sejam?
Não tenho resposta mas acho que é motivo para reflectirmos.
Temos que pensar na formação que damos aos nossos jovens... qual a noção de Deus e de paternidade divina que lhes transmitimos? Que valores influenciam o seu crescimento e a sua formação? Como lhes ensinamos a confrontarem-se consigo e com os outros?
Mais perguntas para as quais continuo sem respostas...
Mas, neste mundo em que os valores parecem andar esquecidos, somos nós , os que acreditamos, que temos que dar testemunho da nossa Fé.
                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A canção do àmanhã

Cantar e ouvir música são duas acções complementares que aliviam a alma e ajudam a libertar o espírito.
Cantar... Não sei! Mas música... oiço muito porque aprecio, sobretudo música clássica. Ajuda-me a descontrair e a trabalhar melhor.
Mas hoje não foi música clássica o que ouvi quando me levantei. Era uma música antiga que entrava nos ouvidos e chegava ao coração.
Ouvi! E valeu a pena, porque toda a manhã tenho pensado naqueles dois versos que fixei:
" Amanhã outro dia virá...
Amanhã, acredita, alguém te sorrirá..."
Sem dúvida nenhuma estes versos são um apelo à esperança e à confiança. Mesmo próprios para quando nos levantamos com neurastenia, sem entusiasmo, sem alegria e boa disposição.
Amanhã... que é hoje, que foi ontem, que é o sempre da nossa vida, temos que o viver, hoje e aqui ,com todo o entusiasmo e alegria. Mesmo quando não os sentimos...
Temos que ter a certeza que sempre... no meio das maiores incertezas, das dificuldades mais constantes, dos problemas mais complexos haverá um novo momento que surge, um novo projecto que se nos apresenta, uma novidade que nos animará.
Sempre... haverá alguém que nos acolhe, que seque as nossas lágrimas, que nos transmita palavras de esperança, que sorria confiante e amigo.
Sempre... haverá alguém à nossa espera para partilhar connosco alegrias e tristezas, sonhos e desilusões.
Sempre...haverá razão para acreditar que vale a pena investir na alegria e na confiança.
Sempre... que é hoje, há um caminho a percorrer na Fé e na certeza de que haverá sempre os braços do Pai para nos receber.. É preciso não desanimar!
" Amanhã... outro dia virá..."
 Amanhã, que é hoje.
                                            Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.