segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um conto adequado

A internet é um grande motor de busca e descoberta. às vezes dá-nos informações inoportunas mas outras fornece-nos conhecimentos importantes. E até nos conta histórias que nos fazem reflectir.
É o caso desta, que nos transmite uma mensagem bem oportuna.

A corda e nós
Num ponto qualquer do globo, não importa onde, vivia um homem sempre alegre e sereno. Pela sua maneira de estar atraía quantos passavam por ele e paravam para conversar.
E a todos causava curiosidade o motivo daquela constante alegria e bondade. Mas ninguém tinha coragem de o interrogar.
Um dia o Rei  daquele país procurou-o e disse-lhe:
- Você está sempre alegre. Será que nunca se preocupa com coisa alguma?
  Não se preocupa com o seu destino?
  Será que nunca pensa nos seus pecados, de que um dia Deus lhe vai pedir     contas?... Afinal, nesta vida, todos somos pecadores!...
Então, o homem respondeu:
- Vossa Majestade tem toda a razão em dizer que devemos dar contas do mal que fazemos.
  Eu por mim penso e ajo assim:
  Imagino que estou agarrado a Deus por uma corda.
- Como assim? - perguntou o Rei
- Quando eu peco corto essa corda ; mas quando me arrependo e peço perdão, Deus pega nas duas       pontas da corda  e faz um nó para reatá-la.
  Deste modo a corda fica mais curta  e eu fico mais perto de Deus.
  Os anos passam e eu, apesar do esforço, continuo a falhar, mas Deus vai fazendo mais nós na corda
  e, desta forma, vou chegando cada vez mais perto d´Ele...
  Então, porque me devo preocupar ou entristecer?

O Rei ficou muito admirado com a sabedoria do homem e entendeu a situação daqueles que, embora pecadores, conhecem e amam a Deus.
Que tal a lição para a Quaresma?

domingo, 13 de abril de 2014

Viver as contradições

Entramos na Semana Santa, a semana das grandes contradições, das grandes glórias e das grandes humilhações, dos grandes testemunhos e da imensa traição.
É Domingo de Ramos. Lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
E quando empunhamos aquele ramo simbólico, lembramos a euforia , os gritos de alegria e de louvor da multidão.
Hossana oh! filho de David.
Saúdam o Rei, o libertador, aquele que eles julgam os vai libertar do domínio do povo estrangeiro, que pensam que lhes vai conseguir um reino de abundância, de felicidade, o reino anunciado outrora pelos profetas.
Mas aqui, temos que considerar a primeira contradição: o Rei vem montado num jumentinho que nem sequer lhe pertence.
E depois, a outra grande contradição: os mesmos que o exaltam e aclamam são aqueles que o vão entregar, que o vão acusar de prejúrio e vão ser cúmplices da crucificação.
O Rei, o nosso Rei, é um Rei crucificado, morto mas ressuscitado. E o reino, o Seu reino, está dentro de nós e só será diferente quando conseguirmos ver Deus e observar a Vida  despidos da roupagem enganadora com que os tentamos disfarçar para que não os vejamos com a Luz da Verdade.
É este Reino novo, passado pelo sofrimento e centrado na Verdade, que Jesus nos quer oferecer. Um reino de desprendimento, de alegria no dom e na partilha.
É para esse reino que Ele nos convida neste Domingo, de glória e de drama antecipado. Queremos pertencer-lhe?
A escolha é nossa. Queremos um reino terreno, ilusório ou ser testemunhas deste Rei crucificado?
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 12 de abril de 2014

Tu sabes que Te amo

Meu Deus eu me entrego
nas Tuas mãos.
Modela e remodela este barro
como argila nas mãos do oleiro.
Dá-lhe uma forma
e, depois, se quiseres, desfá-la...
Pede, ordena, Que queres que eu faça?
Que queres que eu não faça?
Exaltada ou humilhada, perseguida,
incompreendida, alegre e triste
 ou inútil para tudo, só direi a exemplo da Tua Mãe:
" Faça-se em mim segundo a Tua palavra "
Dá-me o amor por excelência,
o amor da cruz. Não das cruzes heróicas,
que poderiam aumentar a minha vaidade,
mas de cruzes vulgares que, no entanto,
suporto com repugnância: aquelas que se
encontram todos os dias na contradição,
no esquecimento, no fracasso, nos falsos juízos,
na frieza, nos desaires
e nos desprezos dos outros, no mal-estar
e defeitos do corpo, na obscuridade da morte
e no silêncio e aridez do coração.
Então, e só então, Tu saberás que Te amo.
E. mesmo que eu o não saiba, isso me basta
                  R. Kennedy



sexta-feira, 11 de abril de 2014

A escolha...

Enquanto tentava pôr em ordem os pensamentos duma noite atribulada, quase instintivamente abri a Bíblia ao acaso. Saiu-me o Evangelho de S. Lucas e nele a parábola da ovelha perdida. Directamente não tinha nada a ver com os meus pensamentos revolto. E daí...
Não pude deixar de me perguntar o que tinha levado o pastor a deixar todo o rebanho para ir à procura duma única ovelha que se tinha perdido. Porquê? Era menos uma ? Tinha que dar contas dela? Era um prejuízo material acrescido? Aquela era uma ovelha especial?
Por tudo isso talvez... o pastor tinha ido à procura... mas o mais natural é que a preocupação do pastor se centrasse simplesmente na ovelha que se tinha perdido. Apenas isso. Daí a alegria ao encontrá-la.
Se das ovelhas passarmos ao " rebanho " a que nós pertencemos, constatamos como é fácil perdermo-nos.
E aqui entro no campo dos meus pensamentos. 
O trabalho, os interesses, os projectos, as preocupações, o imediato e o indispensável são outros tantos motivos que nos levam, fàcilmente e quase sem darmos por isso, a nos afastarmos do caminho certo e a nos enfiarmos por "veredas tenebrosas".
Às vezes perdemo-nos voluntariamente, sabende de antemão que estamos a escolher caminhos que nos conduzem a metas indesejáveis. Só muito mais tarde lamentamos o tempo e os esforços desperdiçados... Mas outras vezes é a inconsciência , o ambiente pelo qual nos deixamos envolver ou o grupo ao qual pertencemos que nos levam a um percurso do qual não encontramos a saída.
Perdemo-nos!... Talvez um dia , olhando para trás, para esse "passado que já não é" constatemos quão longe nos encontramos da meta onde o Senhor nos espera.
Mas não vale a pena "chorar sobre leite derramado" . Vale sim a pena recomeçar, certos de que Deus não nos quer nunca perdidos. E tal como o pastor que leva a ovelha ao colo; tal como o pai do filho pródigo, que sai ao seu encontro, também Deus nos aguarda para se congratular com o nosso regresso.
Aproveitemos este tempo de Quaresma, que é tempo de reencontro, para procurar e seguir o caminho certo.
           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O importante é dar-se

Não sei porquê, quando há pouco, estava em frente do computador, à procura de inspiração, lembrei-me daqueles dois apóstolos a quem se dirige um paralítico. Não sei a pedir o quê; não me lembro se formulou o pedido, mas recordo muito bem da resposta dos apóstolos : " Não temos ouro nem prata mas o que temos vamos dar-te: Levanta-te e anda! E o paralítico começou a andar.
Transferindo este episódio  para a nossa vida, interrogo-me se não será isto que os outros esperam de nós, os amigos, os indiferentes, os que passam ao nosso lado... Mais importante do que dar-lhes coisas não estarão eles à espera de que nos demos?
Não contarão que nos lembremos que o "sol quando nasce é para todos"  e que isto leva a pensar em igualdade, partilha, fraternidade ? Não acharão que devemos ter presente que ninguém é maior do que o outro, nem merece mais do que ele, só porque sim?
É que, de facto, todos somos iguais, irmãos, filhos do mesmo " Pai que está nos céus " e portanto a colaboração e a solidariedade são exigências de vida, sobretudo para os cristãos.
Na rádio está-se a fazer uma campanha em favor dos bebés com necessidades " Malhas que o amor tece". É habitual no Natal e na Páscoa, como têm tempos determinados as campanhas do Banco Alimentar contra a fome. Mas, a partilha não deve fazer parte do nosso dia a dia, mesmo que seja a partilha dum sorriso ou duma palavra?
Não podemos apagar o sol a nosso belo prazer , porque estamos tristes ou aborrecidos, como não o podemos fazer surgir para alegrar as nossas vidas.
" O sol quando nasce é para todos " Não deixemos que a injustiça apague o sol nos olhos daqueles que se cruzam connosco; não façamos com  a nossa atitude que o sol esmoreça no coração daqueles que esperam de nós pelo menos uma palavra, um sorriso, um olhar.
Ontem uma pessoa amiga disse-me que nos meus olhos havia luz e alegria... Fiquei a pensar se sempre era assim e se sempre partilharia desse dom.
                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 8 de abril de 2014

"LIsboa tem mais encanto..."

Lisboa tem mais encanto de cada vez que  lá se volta.  Para mim, não é como no fado, que diz que o encanto de Coimbra chega na hora da despedida... Para mim, o encanto aumenta cada vez que se volta a Lisboa. E eu estive novamente na cidade a respirar aquele ar poluído resultante do tráfico intenso, das habitações acumuladas, das chaminés mal cuidadas.Mas também a contemplar a beleza maravilhosa do estuário do Tejo, com a sua grandiosidade, a sua cor, a sua luz.
Deixei-me envolver pelo conhecido. Desci até ao Jardim da Estrela e entrei na Basílica para, no silêncio que ali reinava, poder realizar o meu diálogo com o Pai.
Apanhei o eléctrico, o célebre 28, e segui até ao Chiado. Ali, deixei-me envolver pela multidão de turistas que entra e sai das igrejas, admira as montras das elegantes lojas da não menos elegante R. Garret e acaba na Brasileira, lado a lado com o Pessoa.
Depois, desci a R. do Carmo e encontrei-me no Rossio. Parei um instante a admirar os novos-velhos estabelecimentos , o movimento, a venda de flores, a calçada portuguesa, as fontes murmurantes, a estátua de D. Pedro IV... Entrei na Pastelaria Suiça a beber um chá e continuei pela sombra até parar diante do sempre admirável teatro Nacional D. Maria II e, à esquerda, a restaurada estação dos caminhos de ferro..
Cheguei à Praça dos Restauradores e ao seu monumento comemorativo. Para além, de baixo para cima, estende-se a Av, da Liberdade, com o seu arvoredo, os seus bancos, as seus lagos, as suas lojas caras, os seus quiosques e esplanadas...
Ao fundo, bem no centro da praça, o pedestal com a estátua do Marquês de Pombal, um homem admirado por alguns , odiado por muitos...
Estava cansada e por demais emocionada. 
Não me apeteceu subir a Avenida apesar dos seus encantos e atractivos. Apanhei um autocarro e regressei à Estrela, inebriada de cor, de cheiros, das luzes da minha cidade.
E voltei a entrar na Basílica. Agora, para agradecer as mil graças deste dia na cidade. Havia silêncio. Ninguém ! Apenas uma música suave e, no sacrário, Jesus Cristo que acolhe aqueles que O procuram e a Ele se entregam.
Fiquei, na certeza de que lá, apenas Ele e eu.

                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 6 de abril de 2014

Aproveitar o tempo que passa

É engraçado como, à medida que vamos envelhecendo, nos vamos apercebendo melhor da velocidade com que o tempo passa. Os dias sucedem-se... o tempo corre... escoa-se entre os dedos como a areia com que brincamos na praia.
Ainda " ontem " foi Verão e gozávamos das alegrias do calor à beira mar e já estamos novamente quase a preparar as malas para férias. É que já estamos em férias de Páscoa. Páscoa "hoje" quando ainda "ontem" foi Natal ...  O tempo voa!
E porque estamos em férias e é domingo, há um grande silêncio a envolver-nos. Ainda não é o grande Silêncio da Semana Santa, mas acho que este nos começa a preparar para ele. 
E sentimo-nos estranhos com este silêncio  que nos rodeia, consequência da ausência de alunos, das suas brincadeiras, dos seus gritos por vezes incómodos.
Mas também fruto dum tempo sombrio, algo opressivo, apesar do sol querer despontar para dizer que estamos na Primavera.
O silêncio continua a envolver-nos neste início de manhã. Talvez aproveitarmos para criar em torno de nós o ambiente de sossego propício à reflexão tão adequada a estes dias de fim de Quaresma, de vésperas de Semana Santa.
Deus fala no silêncio! Deixemos que ele nos invada e nos encha de paz. Desprendamo-nos de conversas inúteis, de trabalhos desnecessários, de pensamentos incómodos , de planos desassossegados. Recordemo-nos que desprendimento significa libertarmo-nos, ficar "livres para"...entrar no nosso quarto, fechar a porta e encontrarmo-nos com Jesus, segui-Lo na Sua caminhada até ao Calvário; livres para testemunhar o Amor de Deus que exigiu a morte do Seu Filho para salvação dos homens; livres para, à semelhança de Maria, dizer o nosso Sim de adesão ao plano do Pai.
Procuremos o silêncio e nele fiquemos, com a certeza de que estamos sós mas... nós e Deus.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.