sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os heterónimos da Paz

Há já uns dias que a televisão nos vem bombardiando com notícias , mais ou menos,
dramáticas de ódio, violência, guerra.
É a situação da Ucrânia. 
Um desentendimento entre governo e população, sem fim real à vista e que pode degenerar em guerra civil.
Não sei quem tem razão! Se é o governo que acusa a oposição de terrorismo, se é a população que acusa  os governantes de opressores e violadores da Lei.
Não sei nem quero saber! Aquilo de que eu tenho a certeza é que não foi este o testemunho que Jesus nos deixou quando disse: "dou-vos a minha paz; deixo-vos a minha paz..." O que eu sei é que as palavras de S. Paulo têm um sentido bem diferente quando ele afirma :"Já não há judeu nem grego; escravo ou homem livre..."
De paz é que Jesus falou. Paz é o pressuposto das palavras de S. Paulo...
Paz que não é exclusivamente ausência de guerra mas muito mais do que isso.
Paz... que é tranquilidade de coração, disponibilidade para ouvir, satisfação nos pequenos e grandes actos.
Paz... que pressupõe estabilidade emocional, relação calma e tranquila com o meio e os outros, abertura à alegria, à convivência, ao diálogo.
Paz... que nos enche na madrugada clara que chega, no entardecer límpido do Outono, no canto alegre dos pássaros na Primavera, na música alegre ou triste que escolhemos para acompanhar as nossas tardes de trabalho.
Paz... que se vive na satisfação do dever cumprido, no equilíbrio entre a vontade do Pai e a nossa, na correspondência entre o querer  e o dever.
Paz... que é abertura, disponibilidade, concórdia, Amor.
Paz... que é o inverso de guerra porque é a capacidade de aceitação do outro, do acolhimento das diferenças, da compreensão dos anseios.
Lutemos pela paz na Ucrânia e no mundo...
E comecemos por apaziguar o nosso coração criando um ambiente de tranquilidade propenso à calma e à oração. Dai-nos, Senhor, a Tua paz!.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os vários tipos de riqueza

A parábola do jovem rico sempre me interpelou e levantou sérias interrogações. Aquele jovem que queria ser perfeito, que julgava que já fazia tudo o que a Lei de Deus lhe mandava e que, no momento de tomar a grande decisão, não tem coragem, questiona-me. Até porque não é caso único... Que lhe faltava? Que lhes falta? Porque hesitam?
" Vai e vende o que tens e depois segue-Me" - disse-lhe Jesus. E foi aí que residiu a questão : Vai e vende... E nós pensamos no despojamento, na renúncia total, no aniquilamento. E achamos que o que faltou ao jovem e a tantos outros foi a coragem de ficar assim pobre, desprotegido, sem apoio, sem recursos. Mas, lendo Albert Nolan, O.P. ficamos com uma impressão um pouco diferente. Ele chama a nossa atenção para o facto de que aquilo que Jesus diz ao jovem não é que fique sem conforto, na penúria, na miséria, ao desamparo. O que Jesus lhe propõe é que troque uma segurança por outra segurança, é que dê o que tem e confie na comunidade dos que seguem Jesus e o vão acolher a ele; que acredite na partilha entre os irmãos; que esteja disposto a receber aquilo que necessita dos que o vão integrar na sua fraternidade, no seu grupo.
Jesus propõe-lhe desprendimento que significa liberdade, de espírito, de coração, de acção.
E isto, não é uma proposta dirigida apenas ao jovem rico. Também serve para nós, que tantas vezes estamos libertos dos bens materiais mas presos a pequenas coisas que nos impedem de caminhar: as nossas ideias, os nossos costumes, os nossos gostos, os nossos projectos.
São cadeias , leves, invisíveis, que nos prendem, que não nos deixam ser livres para seguir o apelo do Pai.
Quando pensamos nesta liberdade não podemos ficar a pensar apenas nos bens materiais. Esses, muitas vezes, são os mais fáceis de eliminar da vida, sobretudo se sabemos o futuro assegurado...
Mais difícil é abdicar do que pensamos e queremos em favor de aceitar as opiniões e projectos dos outros; não querermos ser senhores dos nossos pareceres e planos mas sermos capazes de abdicar deles para integrar o plano de outrem.
É esse desprendimento que Deus nos pede, essa liberdade que Ele nos propõe.Queremos segui-Lo?
                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Festas

Dia 18 de Fevereiro! Foi ontem a comemoração do Bem - aventurado João de Fiésole,O.P.
Dito assim,penso que a maioria das pessoas comuns não identificam esta personagem como alguém conhecido. Talvez se falarmos em Fra Angélico se faça luz, a memória se avive  e se recorde a conhecida pintura da Anunciação ou os frescos do convento dominicano de S. Marcos em Florença.
Bem-aventurado fra Angélico! Foi assim designado devido ao conjunto magnífico das suas virtudes e da sua arte. Umas e outra tiveram tal repercussão que se estenderam pelo mundo todo.
Mas, quando nasceu, no final do sec. XIV, em Vicchio (Toscana-Itália)  o nome que lhe puseram foi Guido.
Só em 1420, quando tomou o hábito na Ordem dos Pregadores, lhe deram o nome de João- Frei João de Fiésole, local onde entrou para o noviciado e onde viveu, crescendo em santidade ao mesmo tempo que desenvolvia a sua arte de pintor. Aliás, enquanto adolescente tinha sido essa a sua actividade e o seu estudo. Frei João de Fiésole foi um frade simples e recto, pobre e humilde. Por humildade recusou a cátedra de arcebispo de Florença para a qual o Papa Inocêncio IV o indigitou e continuou, pintando, no seu convento.
Realizou inúmeros trabalhos, conhecidos em toda a parte. 
Pôs ao serviço da arte os dons com que Deus o dotou  sendo assim "um apoio pastoral e espiritual para o povo de Deus"
Morreu em Roma, no convento de Santa Maria supra Minerva, deixando-nos, com os seus trabalhos, o testemunho e o exemplo da sua vida de santidade.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Dia de Anos

Ontem fiz anos!
Fazer anos é um acontecimento. Não pela festa, pelos parabéns recebidos, pelos eventuais presentes... Mas porque é mais uma razão para dar graças a Deus por todos os dons recebidos.
Quando um bebé nasce é uma alegria para a família mas ainda ninguém sabe as opções que ele vai fazer na vida, como vai usar a sua liberdade, como vai ser conduzido o seu percurso de vida.
São tudo incógnitas que o tempo se vai encarregando de decifrar.
Depois, cada ano que passa, novos desafios se vão apresentando, novas graças se vão recebendo, nova consciencialização se vai fazendo de que escolher o Bem é fazer render dons que o Pai colocou no nosso coração.
Mas, nem sempre é fácil. Sobretudo se somos ainda jovens, pensamos pouco em atingir a meta traçada por Deus. Está-se demasiado próximo do "princípio" e ainda nos parece cedo para encarar e preparar o" fim".
Há toda uma adolescência e uma juventude para descobrir e para viver... Há mil projectos para elaborar e realizar... Há um mundo de questões a pôr e a responder...
Por vezes vai-se sentindo a angústia do "não ter realizado", da inutilidade do trabalho produzido, da pequenez do caminho percorrido... Mas, não podemos deixar-nos invadir por esse desconforto.
Deus está sempre conduzindo os nossos passos, aguardando o nosso regresso, quando nos afastamos, dando-nos forças quando desanimamos.
Nunca Deus nos pede nada para além das nossas forças e, ao criar-nos, Deus quis para nós a Felicidade, contra tudo e apesar de tudo.
Conforme vamos crescendo em idade, vamos também aumentando a nossa dose de sabedoria e compreendendo que a Felicidade se conquista e faz parte da nossa meta. 
E, de cada vez que fazemos anos, compreendemos que é mais um momento de acção de graças, de nos ajoelharmos e dizermos obrigada pela felicidade já alcançada, ao mesmo tempo que prometemos lutar mais um ano para nos aproximarmos do plano estabelecido pelo Pai para nós .
Os parabéns que nos dirigem deve ser um incentivo para fazermos bem o que a vida nos pede, cada dia.
Obrigada a todos e cada um dos que me dirigiram esse incentivo.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

DIA MUNDIAL DA RÁDIO

A rádio é, na realidade, um processo bem interessante de divulgação de notícias e não só.
Muito antes da televisão fazer a sua entrada pela casa das pessoas, já a rádio era um dos meios mais simples e populares de entretenimento das populações. E mesmo agora. Há muita gente que troca a imagem pelo som até porque este acompanha o trabalho e o pensamento sem exigir concentração no ecrã.
E depois, há locais em que, depois desta mudança entre canal digital e analógico, ficaram sem sinal . Logo, a solução é voltar à velha telefonia e aos programas de rádio.
E, a propósito, há programas e locutores que não podemos esquecer.Lembro, com alguma saudade, um programa da manhã em que António Sala e Olga Cardoso ocupavam as três primeiras horas do dia. Era o Despertar. Há quem critique, quem diga bem, mas todos recordam essas duas figuras da rádio e o seu programa, com concursos, informação, música.
Ele em Lisboa, ela no Porto, parecia estarem a falar lado a lado.
E as gargalhadas da Olga!... Eram conhecidas e davam leveza ao programa que até era algo sério, divertindo, informando, não desvirtuando a realidade, nem utilizando a graça sem graça.
Mas há outros locutores e jornalistas que não podem ser esquecidos. É o caso do Fernando Pessa. Era ele que, da BBC dava as notícias para Portugal da II Grande Guerra.
Depois, fazia reportagens sobre acontecimentos insólitos, factos do dia-a-dia, mil e uma situações vulgares que, relatadas por ele, tomavam a dimensão de grandes acontecimentos.
Há alguém que não se recorde do seu " E esta, ein!" ?
Ouçamos rádio!
Deixemo-nos embalar pelas suas palavras sem rosto e as suas músicas
Encantemo-nos com o que ela nos transmite de paz e de tranquilidade...
Mas, recordemos e peçamos por todos aqueles que trabalham na rádio para nos divertir e informar.
E hoje em particular, em que o mundo a comemora.
               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Viagem de Finalistas - 1998/99

Quem se lembra da Viagem de Finalistas de 1998 / 99?
Fomos a Budapeste e Praga

O sr. Eliseu era o nosso guia
 




Connosco foram vários professores: o sr. dr. João Carlos, a srª D.Ângela. etc.



De quem se recordam mais?
Quem eram as Irmãs que vos acompanharam?
Que aventuras podem contar?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Retrospectivas

Hoje, nem sei porquê, estive a recordar algumas das mil actividades que realizámos ao longo dos anos.
Talvez porque estive em arrumações e encontrei fotografias, marcadores e uma série de pequenas outras coisas que mas trouxeram à memória. Algumas foram mais simples e "caseiras" digamos assim. Outras, tiveram um desenvolvimento e uma envergadura que saiu do âmbito do Colégio.
Quem não se lembra dos 5 séculos de Evangelização e Encontro de Culturas?
Foi uma iniciativa não sei já se a nível do Patriarcado se da Igreja em geral. Mas lembro-me bem que houve uma caminhada debaixo de chuva torrencial, uma Missa em que participámos encharcadas e depois, durante a semana, apresentações no espaço em frente à Torre de Belém. Em determinada altura "perdemos" o sr. Antero e a camioneta. Quase se gerou o pânico mas não valia a pena, que o sr. Antero era muito consciente e cuidadoso.
E recordam-se que, na sequência disto realizámos no Colégio um Arraial de Evangelização e Encontro de Culturas?
Havia barracas alusivas a cada uma das ex-colónias, espalhadas pelo espaço da presa ,com produtos típicos das regiões e alunas vestidas com trajes das várias colónias.
Até estiveram presentes artistas africanos que expuseram trabalhos seus e animaram o ambiente com canções e música africana.
Também tenho presente a SIARC - semana de intercâmbio artístico, recreativo e cultural ou a Feira da Ciência e da Cultura. Em ambos os casos havia apresentação de actividades no âmbito da Ciência e das Letras, mas a SIARC durou uma semana, preenchendo salas, recreios e ginásios, com exposições, actividades desportivas, concursos e teatros.
Outra acção, mas esta mais séria, foi o Congresso Local da Juventude. Vieram oradores de fora falar de assuntos variados , de interesse para os jovens e houve debates entre os alunos e com os professores.
E como não recordar as Semanas Multiculturais? Um grupo ( nunca menos que oitenta, noventa) saía em viagem, simultaneamente recreativa e cultural. O outro grupo ficava no Colégio, entregue a actividades dos mais variados cariz.
Um número imenso de recordações com que me ocupei esta manhã e que vos resolvi transmitir. É que "recordar é viver"..
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.