quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Viajar cultiva o espírito e o coração

Roma, centro do cristianismo, é, sem sombra de dúvida, lugar mítico de culto e de visita. Ali morreram centenas de mártires, que deram o seu sangue pela sua Fé; ali foram reconhecidos muitos santos e enaltecidas as suas virtudes.
Fomos visitar Roma várias vezes com as alunas. Inebriarmo-nos de cultura e de mística, sentir a oração e a vida de outra maneira. Geralmente era também  o ponto de partida para visita a outras cidades italianas.
Uma vez, numa das tardes culturais, depois da visita à Trinita dei Monti, deixámos as alunas livres por um bocado, para compras de ocasião. Nós, os adultos, resolvemos ir lanchar ao mais elegante salão de chá da zona- Caffe el Greco.
Estava cheio. Quando nos preparávamos para desistir, um empregado simpático apontou-nos uma mesa acabada de vagar. Mas... em viagem há sempre aventuras que servem para diversão. Aqui, enquanto nos dirigíamos para a mesa, um grupo de chinesas ( ou japonesas, não sei, só me lembro dos olhos em bico) saltou da mesa em que estavam e foi ocupar o lugar a nós destinado. Coitadas! pois elas estavam numa mesa com um jarrão ao meio e tinham que torcer o pescoço para falar... Mas o prof. João Carlos não se compadeceu. Com a sua fleuma e no seu "melhor italiano" dirigiu-se-lhes : reservato per noi. Elas não perceberam nada mas com a velocidade com que tinham vindo se retiraram. E nós ficámos rindo sob o olhar malicioso dum senhor que, numa mesa próxima, observava a cena fingindo que lia o jornal.
Depois de Roma seguimos para Veneza.
Lá, como era 2ª feira , tivemos oportunidade de desfrutar das maravilhas do Carnaval Veneziano. Todo o dia gente mascarada , mas lindamente mascarada, passeando pelas ruas e praças. As festas, propriamente ditas, seriam realizadas à noite, em privado. De tarde, também em salões escolhidos, eram as festas das crianças.
O outro ponto de paragem na nossa viagem foi Florença que nos brindou com a sua maravilhosa paisagem e onde pudemos apreciar os frescos de Fra Angelico, no convento dominicano de S. Marcos.
Dali, Siena e as memórias de Santa Catarina, nossa padroeira e Bolonha, onde nos ajoelhámos aos pés  de S. Domingos, no seu túmulo, pedindo-lhe que intercedesse por nós e apresentasse os nossos sonhos e aspirações junto do Pai.
Mas não nos tínhamos esquecido de, antes , ir a Pádua, para visitarmos o nosso Santo António que os italianos apregoam como seu.
Que maravilha de viagem!...
Quem a não recorda e agradece a Deus a oportunidade que Ele lhe deu?
Foi cultura, foi divertimento mas também tempo de reflexão e oração. E a certeza de que Deus está presente mesmo quando contemplamos belezas saídas das mãos dos homens.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

"Os Homens não se medem aos palmos"

David era um jovem quase adolescente, quando Samuel o mandou apresentar-se. Estava guardando os rebanhos de seu pai. Ninguém o tinha preparado para a unção que ia receber e que faria dele Rei do povo de Israel.
O pai não pensava que ele pudesse ser o preferido de Deus; Samuel não sabia qual dos filhos de Isaí ia ser o escolhido, qual o que ele tinha que ungir; o jovem talvez nem se apercebesse das consequências que podiam advir de tal unção.
Deus não escolheu nenhum dos irmãos mais velhos, mais experientes, certamente com mais capacidades para se aperceberem do que era melhor para o povo, do que era esperado deles.
Deus pôs o Seu olhar sobre David e encarregou-o duma missão. Porquê David, podemos perguntar... Não temos resposta, mas podemos reflectir.
Talvez porque era o mais simples, o mais transparente, o que se apresentou aberto para acolher o apelo de Deus. Talvez porque sendo jovem, inexperiente, não marcado ainda pela vida, estava em melhores condições para ouvir o Senhor e dizer o seu Sim, seguir asSuas inspirações, corresponder aos Seus pedidos.
Façamo-nos nós simples como David. Qualquer que seja a nossa idade, procuremos a nossa alma de criança sabendo que "delas é o reino dos céus" . Abramo-nos sem falsas intenções, sem floreados ou complicações, à vontade do Pai.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Unidade é possível?

Estamos a viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 
É um sonho, um desejo, uma intenção!...
Rezamos e pedimos mas sabemos como é difícil conseguir essa relação entre todos aqueles que acreditam em Cristo, O seguem e O amam.
O que é que nos aproxima?
Precisamente esta Fé no Senhor Jesus, o Filho de Deus, em que todo o cristão acredita.
E o que nos separa?
As diferenças, que são imensas e têm mais peso do que o que nos aproxima: a cultura, o ambiente, a forma de viver, os costumes, o tipo de relações...
São diferenças que afastam os corações e que exigiriam um grande acto de humildade para aproximar as vidas, que precisariam de compreensão e despojamento.
Todos desejamos esta unidade mas ainda ninguém conseguiu dar o primeiro passo de desprendimento e condescendência, para acolher o outro, receber o que ele nos dá e lhe oferecer o que se tem.
Conseguir esta Unidade seria um imenso paradigma para muitas situações, para quantos rezam pela unificação de qualquer coisa e, neste momento, se calhar para o mundo da política  que bem precisa de se unir para atingir o ideal comum.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Panteão Nacional


Nestes últimos dias parecia ser o assunto mais importante: o Panteão e quem para lá ia ou não ia. Em boa verdade, quando foi decidido que seria ali o Panteão Nacional, destinava-se, como disse Camões "àqueles que por feitos valoroso se vão da lei da morte libertando". Simplesmente a definição dos" feitos  valorosos" é que  parece que não é fácil...
Mas também não é simples a história deste edifício.
Foi em meados do sec XVI que D. Maria I, a filha de D. Manuel, mandou que se iniciasse a construção da Igreja - Igreja de Santa Engrácia - para sede da freguesia em que estaria instalada e que ainda hoje assim se chama - freguesia de S. Vicente de fora. Simplesmente, nunca chegou a ser aberta ao culto. Primeiro, porque foi destruída e a sua reconstrução levou 284 anos; depois, porque lhe deram múltiplas aplicações que não o culto religioso.
Só depois da Implantação da República, mais precisamente em 1916, foi decretado que se transformasse o espaço em Panteão Nacional e para lá fossem transladados os tais cujos " feitos valorosos..."
Mas, até agora, apenas dez pessoas foram consideradas dentro desses padrões. Há quatro Presidentes da República, quatro escritores, um defensor dos direitos democráticos e uma fadista .
E, em abono da verdade, talvez como consequência de ignorância histórica, o túmulo mais visitado é, sem sombra de dúvidas, o da Amália Rodrigues, deixando para ver de corrida os outros cujos nomes dizem muito pouco aos visitantes: Aquilino Ribeiro ou Teófilo de Braga; Guerra Junqueiro ou Manuel de Arriaga...
São nomes do mundo da política ou das letras mas de que os Portugueses e o mundo não ouviram falar ou de que fazem apenas uma ideia vaga.
Mas agora o Panteão é assunto do momento e discutem-se os seus futuros habitantes.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Confiança

Nada te perturbe, nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, nada lhe falta;
Só Deus basta.

Eleve o pensamento, ao céu sobe,
Por nada te angusties, nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, com grande entrega,
E, venha o que vier, nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável. tudo passa.

Deseja as coisas celestes, que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-O como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, mesmo que passe
por momentos difíceis,
Sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA.
Santa Teresa de Avila

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Troféus que se ganham

Ontem foi uma manhã de tensão emocional que se estendeu pela tarde, até às 19 horas. E não foi só no mundo do futebol... Portugal ( senão o mundo ) estava ansioso. 
Assunto: Cristiano Ronaldo e bola de ouro.
Ganha? Não ganha? Tudo levava a crer que sim mas os mais incrédulos apontavam adversários fortes como Messi que já tinha conseguido o troféu em quatro anos consecutivos.
Finalmente o resultado: Ronaldo considerado o melhor jogador do mundo em 2013 e vencedor do troféu tão desejado e já a 2ª bola de ouro. Como conseguiram Eusébio e Figo...
Mas não pensemos que esta vitória se deve apenas a sorte, a habilidade, a um ou outro passo de magia. Não! É também resultado de muito trabalho, muita persistência, dum esforço continuado de cada dia e de todos os dias.
Cristiano Ronaldo começou muito novinho a mostrar gosto pelo futebol e a manifestar aptidões excepcionais para o "desporto rei". Mas, simultâneamente, esforçava-se por ser cada dia melhor. Não lhe bastavam os treinos. Depois deles ficava e fica, sòzinho a experimentar novos passos, a intensificar as habilidades possíveis , a treinar novos processos de ataque.
Trabalhava e trabalha intensamente, com gosto e com perseverança. Descobriu-o o Sporting, verificaram-no os seus treinadores e reconheceram-no os dirigentes dos clubes por onde andou e onde é desejado.
Ganhou a bola de ouro!
É uma glória para Portugal, uma alegria para a Madeira, uma felicidade para a família.
Mas também um testemunho de trabalho, de persistência, de dedicação, para todos e cada um de nós.
Compreendamos e sigamos o seu exemplo tendo a certeza de que nada se consegue sem esforço e empenho.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fazer o bem cansa?

Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem"
É uma recomendação de S. Paulo aos Tessalonicenses mas esta recomendação é também dirigida a cada um de nós : não nos cansemos de fazer o bem.
E era talvez razão para nos perguntarmos : mas fazer o bem cansa?
Em sentido restrito não parece ser uma actividade cansativa mas então, porque deixamos de o fazer? Deixamos de ouvir o amigo que precisa de nós; passamos ao lado do desconhecido que procura uma indicação; esquecemos o vizinho que necessita apoio material ou simplesmente consolação; ignoramos o colega de trabalho que implora uma ajuda; estamos ausentes da família que conta com a nossa ajuda... Não estamos disponíveis ! E porquê? Estamos cansados de fazer o bem? Ou ignoramos a frase do Evangelho que diz que Jesus passou pelo mundo fazendo o bem? Não. Nem uma coisa nem outra. Simplesmente, não ouvimos uma palavra de agradecimento, um sorriso de compreensão, um incentivo de esperança. E achamos que temos direito a essa compensação, direito a que as nossas acções beneméritas sejam reconhecidas, valorizadas e agradecidas.
E esquecemos aquele conselho Bíblico : " Que não saiba a tua mão direita o que faz a esquerda" .
E isto não se refere apenas à esmola.Num sentido mais universal, diz respeito a todo o bem que se pratica.
Não estejamos à espera de recompensa imediata; não nos cansemos de, como Santa Isabel, distribuir rosas que são pães. Não nos cansemos de fazer o bem e, como diria a nossa Fundadora, façamos o bem em silêncio.
Todos aqueles que nos rodeiam esperam o nosso testemunho de Amor, de disponibilidade, de partilha. 
Esperam de nós o dom sem retorno, a oferta que não espera recompensa.
Esperam o nosso carinho, a nossa compreensão, a nossa palavra amiga.
Esperam o nosso Amor, à semelhança do Amor de Deus, que se deu sem medida.
             Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.