segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Unidade é possível?

Estamos a viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 
É um sonho, um desejo, uma intenção!...
Rezamos e pedimos mas sabemos como é difícil conseguir essa relação entre todos aqueles que acreditam em Cristo, O seguem e O amam.
O que é que nos aproxima?
Precisamente esta Fé no Senhor Jesus, o Filho de Deus, em que todo o cristão acredita.
E o que nos separa?
As diferenças, que são imensas e têm mais peso do que o que nos aproxima: a cultura, o ambiente, a forma de viver, os costumes, o tipo de relações...
São diferenças que afastam os corações e que exigiriam um grande acto de humildade para aproximar as vidas, que precisariam de compreensão e despojamento.
Todos desejamos esta unidade mas ainda ninguém conseguiu dar o primeiro passo de desprendimento e condescendência, para acolher o outro, receber o que ele nos dá e lhe oferecer o que se tem.
Conseguir esta Unidade seria um imenso paradigma para muitas situações, para quantos rezam pela unificação de qualquer coisa e, neste momento, se calhar para o mundo da política  que bem precisa de se unir para atingir o ideal comum.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Panteão Nacional


Nestes últimos dias parecia ser o assunto mais importante: o Panteão e quem para lá ia ou não ia. Em boa verdade, quando foi decidido que seria ali o Panteão Nacional, destinava-se, como disse Camões "àqueles que por feitos valoroso se vão da lei da morte libertando". Simplesmente a definição dos" feitos  valorosos" é que  parece que não é fácil...
Mas também não é simples a história deste edifício.
Foi em meados do sec XVI que D. Maria I, a filha de D. Manuel, mandou que se iniciasse a construção da Igreja - Igreja de Santa Engrácia - para sede da freguesia em que estaria instalada e que ainda hoje assim se chama - freguesia de S. Vicente de fora. Simplesmente, nunca chegou a ser aberta ao culto. Primeiro, porque foi destruída e a sua reconstrução levou 284 anos; depois, porque lhe deram múltiplas aplicações que não o culto religioso.
Só depois da Implantação da República, mais precisamente em 1916, foi decretado que se transformasse o espaço em Panteão Nacional e para lá fossem transladados os tais cujos " feitos valorosos..."
Mas, até agora, apenas dez pessoas foram consideradas dentro desses padrões. Há quatro Presidentes da República, quatro escritores, um defensor dos direitos democráticos e uma fadista .
E, em abono da verdade, talvez como consequência de ignorância histórica, o túmulo mais visitado é, sem sombra de dúvidas, o da Amália Rodrigues, deixando para ver de corrida os outros cujos nomes dizem muito pouco aos visitantes: Aquilino Ribeiro ou Teófilo de Braga; Guerra Junqueiro ou Manuel de Arriaga...
São nomes do mundo da política ou das letras mas de que os Portugueses e o mundo não ouviram falar ou de que fazem apenas uma ideia vaga.
Mas agora o Panteão é assunto do momento e discutem-se os seus futuros habitantes.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Confiança

Nada te perturbe, nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, nada lhe falta;
Só Deus basta.

Eleve o pensamento, ao céu sobe,
Por nada te angusties, nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, com grande entrega,
E, venha o que vier, nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável. tudo passa.

Deseja as coisas celestes, que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-O como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, mesmo que passe
por momentos difíceis,
Sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA.
Santa Teresa de Avila

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Troféus que se ganham

Ontem foi uma manhã de tensão emocional que se estendeu pela tarde, até às 19 horas. E não foi só no mundo do futebol... Portugal ( senão o mundo ) estava ansioso. 
Assunto: Cristiano Ronaldo e bola de ouro.
Ganha? Não ganha? Tudo levava a crer que sim mas os mais incrédulos apontavam adversários fortes como Messi que já tinha conseguido o troféu em quatro anos consecutivos.
Finalmente o resultado: Ronaldo considerado o melhor jogador do mundo em 2013 e vencedor do troféu tão desejado e já a 2ª bola de ouro. Como conseguiram Eusébio e Figo...
Mas não pensemos que esta vitória se deve apenas a sorte, a habilidade, a um ou outro passo de magia. Não! É também resultado de muito trabalho, muita persistência, dum esforço continuado de cada dia e de todos os dias.
Cristiano Ronaldo começou muito novinho a mostrar gosto pelo futebol e a manifestar aptidões excepcionais para o "desporto rei". Mas, simultâneamente, esforçava-se por ser cada dia melhor. Não lhe bastavam os treinos. Depois deles ficava e fica, sòzinho a experimentar novos passos, a intensificar as habilidades possíveis , a treinar novos processos de ataque.
Trabalhava e trabalha intensamente, com gosto e com perseverança. Descobriu-o o Sporting, verificaram-no os seus treinadores e reconheceram-no os dirigentes dos clubes por onde andou e onde é desejado.
Ganhou a bola de ouro!
É uma glória para Portugal, uma alegria para a Madeira, uma felicidade para a família.
Mas também um testemunho de trabalho, de persistência, de dedicação, para todos e cada um de nós.
Compreendamos e sigamos o seu exemplo tendo a certeza de que nada se consegue sem esforço e empenho.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fazer o bem cansa?

Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem"
É uma recomendação de S. Paulo aos Tessalonicenses mas esta recomendação é também dirigida a cada um de nós : não nos cansemos de fazer o bem.
E era talvez razão para nos perguntarmos : mas fazer o bem cansa?
Em sentido restrito não parece ser uma actividade cansativa mas então, porque deixamos de o fazer? Deixamos de ouvir o amigo que precisa de nós; passamos ao lado do desconhecido que procura uma indicação; esquecemos o vizinho que necessita apoio material ou simplesmente consolação; ignoramos o colega de trabalho que implora uma ajuda; estamos ausentes da família que conta com a nossa ajuda... Não estamos disponíveis ! E porquê? Estamos cansados de fazer o bem? Ou ignoramos a frase do Evangelho que diz que Jesus passou pelo mundo fazendo o bem? Não. Nem uma coisa nem outra. Simplesmente, não ouvimos uma palavra de agradecimento, um sorriso de compreensão, um incentivo de esperança. E achamos que temos direito a essa compensação, direito a que as nossas acções beneméritas sejam reconhecidas, valorizadas e agradecidas.
E esquecemos aquele conselho Bíblico : " Que não saiba a tua mão direita o que faz a esquerda" .
E isto não se refere apenas à esmola.Num sentido mais universal, diz respeito a todo o bem que se pratica.
Não estejamos à espera de recompensa imediata; não nos cansemos de, como Santa Isabel, distribuir rosas que são pães. Não nos cansemos de fazer o bem e, como diria a nossa Fundadora, façamos o bem em silêncio.
Todos aqueles que nos rodeiam esperam o nosso testemunho de Amor, de disponibilidade, de partilha. 
Esperam de nós o dom sem retorno, a oferta que não espera recompensa.
Esperam o nosso carinho, a nossa compreensão, a nossa palavra amiga.
Esperam o nosso Amor, à semelhança do Amor de Deus, que se deu sem medida.
             Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Missas no Colégio

Ontem foi a Missa do Natal aqui no Colégio.
Mais dia menos dia, mais semana menos semana, por esta altura, sempre celebrávamos a missa do Natal, cá no Colégio. Participavam os alunos, os funcionários, os professores, as Irmãs e, às vezes, alguns pais. Era uma das três ou quatro missas celebradas cada ano. A 1ª era a 15 de Outubro, aniversário do Colégio; a 2ª era no Natal, a 3ª na Páscoa e, no fim do ano, por vezes, a Missa do encerramento das actividades.
Temos que concordar que muito menos vezes do que aqui há uns anos, em que havia uma Missa por semana ou, pelo menos, por mês. E se pensarmos nos primeiros anos do Colégio, então a diferença é abissal pois, nessa altura, pelo menos as internas , iam todos os dias à Missa.
Mas, muitas ou poucas, a Missa tem que ser sempre vista como uma festa, a oferta de Jesus que esteve presente no presépio, que se ofereceu por nós na cruz, e que permanece presente no sacrário. Esse mesmo Jesus que em cada consagração, se faz presença para que o possamos receber.
É frequente os jovens acharem a Missa uma maçada. E consideram- na assim porque não realizam que a Liturgia da Palavra é dirigida a todos e a cada um de nós para que a recebamos e a vivamos; que no Ofertório, cada um de nós está presente naquela gota de água que o sacerdote deita no cálice e nas ofertas que estão  no altar. E, sobretudo, que a consagração é o momento da presença de Jesus Cristo, pão e vinho, mas humanidade e divindade.
Para viver a Missa e ela ser realmente uma festa, temos que atender a cada gesto do sacerdote e fazer nossas cada palavra; temos que nos colocar na patena e fazer a nossa oblação e ser simultaneamente, como Jesus, dom e presente.
Neste tempo de Natal, que está a acabar, peçamos ao Menino de Belém, que veio por nós e para nós, que nos faça acolhê-lO e oferecermo-nos com Ele; que aprendamos a fazer da Missa uma autêntica festa que se prolonga pela vida.
                 
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Aventuras

Um dos ex-libris aqui do Colégio eram as viagens. Maiores ou mais pequenas, de autocarro ou de avião, das finalistas ou dos outros anos, eram sempre momentos de cultura, partilha e convívio.
Até começámos por ter um simulacro de agência de viagens, a Ramalhão - Tours e tratávamos das marcações directamente. Foi com a viagem de que me lembrei hoje ao ouvir o rádio que terminou, como tinha começado, esta nossa "agência de viagens". E já vão perceber porquê...
Era uma viagem com um circuito por Portugal interior. A 1ª noite correu bem. Ficámos num Hotel em Coimbra. Depois, rumámos ao Porto e por lá estivemos todo o dia visitando a cidade. À noite, devíamos jantar e ficar no Sameiro, numa casa de Retiros, dirigida por Irmãs brasileiras. E aqui, começaram os problemas.
Primeiro, contavam com sessenta alunas, e tinham jantar para elas e nós éramos só trinta... Depois, havia um retiro de casais e outro de sacerdotes. Logo, queriam silêncio. E como conseguir isso com jovens finalistas , que se estão a despedir para ir para a faculdade e são cheias de vida e de alegria?
Bem nos colocaram entre os casais e os sacerdotes mas foi uma tentativa inglória, porque nos juntámos todos num quarto a celebrar e o chius ainda aumentavam o barulho. Enfim! chegou a manhã, tão depressa quanto possível. Pedimos desculpa aos "retirados, que compreenderam, compensámos as Irmãs pelas despesas feitas e seguimos viagem, "cantando e rindo" na verdadeira acepção do termo. Ainda não havia cintos nem obrigatoriedade de "tudo sentado" e o sr. Antero, o nosso motorista, alinhava com tudo. Até era a ele que cabia fazer os ovos com chouriço para os almoços volantes...
Depois de várias paragens e "aventuras" um belíssimo almoço em Mogadouro, a posta mirandesa, no restaurante do sr. Eliseu ( que não era o nosso fotógrafo de estimação...)
A dormida seria em Viseu, num Colégio também de Irmãs. Isto tudo , claro!  em função da redução de custos. Não se falava ainda em "crise" mas éramos poupadinhas... Tínhamos feito telefonemas para lá, recebido chamadas para cá, uma carta bem explicativa. Parecia tudo acertado. Só que a Irmã responsável tinha ido de retiro e se esquecera de deixar instruções. Logo, nem jantar nem quartos. Mas, desde que haja boa vontade tudo se consegue. Então... mãos à obra e, num instante transportaram-se camas, empilharam-se colchões, improvisou-se um jantar. E ali, não havia imposição de silêncio nem horas de recolher. Foi uma festa!
Espero  que algumas das minhas leitoras recordem esta viagem, inesquecível nos seus pormenores.
E gostaria também que, sempre que forem de viagem, aproveitem para enriquecer os seus conhecimentos, apreciar as maravilhas da Natureza e agradecer a Deus todos os bens que nos proporciona.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.