segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os Padroeiros

Entre nós é costume, no início de cada ano, tirarmos à sorte, os Padroeiros, aqueles santos que nos vão acompanhar nos 365 dias que o ano comporta.
Há sempre animação, um pouco de festa, uns bolos e uns sumos no fim.
Este ano foi ontem, dia de Reis, a ocasião escolhida para o cerimonial do costume, com a surpresa inerente ao facto de ser ao acaso que saem os santos e as virtudes a praticar que sempre acompanham estas situações.
Para mim, foi uma surpresa muito agradável. Saiu-me S. José e Santa Teresa de Ávila.
S. José, o patrono do Colégio, o homem do silêncio, aquele que foi escolhido por Deus para acompanhar e proteger o Seu filho Jesus e a mãe Maria.
S. José, que aceitou um papel secundário na história da salvação mas que nos dá o seu testemunho de fidelidade, de generosidade, de abandono à vontade do Pai.
S. José, o homem de quem os Evangelhos quase não falam mas que encaminhou os passos de Maria até Belém, para cumprimento das Escrituras.
S. José, que vai ser o meu modelo de descrição e entrega aos planos do Pai .

E,como mulher, Santa Teresa de Avila, a santa do meu nome, a mulher de entusiasmos, de força, de persistência.
Santa Teresa que, ao conhecer a vontade do "Jesus de Teresa" nunca mais foi a mesma e teve a coragem e o dinamismo para reformar o Carmelo, fundar conventos, estabelecer regras, modificar normas.
A mulher que em toda a parte e sempre deu o seu testemunho de fidelidade e doação, que não se deixou abalar pelas dificuldades, que encontrou na oração a sua força e a sua luz.

Dois grandes santos que tenho como protectores este ano!...
Que eu saiba olhá-los e segui-los neste ano de 2014... Sem medos, sem desânimos, sem pessimismo ou melancolia.
O mesmo que desejo para cada um dos meus amigos.
" ... Quem nos pode separar do Amor de Cristo?... Seremos vencedores n´Aquele que nos amou"
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ser feliz é...

Hoje é domingo e está sol depois daqueles dias de mau tempo. Talvez por isso as nossas almas cantem e pensemos mais em ser felizes. Mas, segundo Gandhi, "não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho". 
Com esta frase, Gandhi sugere-nos que a felicidade a vamos nós construindo , no percurso que fazemos cada dia, ao encontro do Pai, no seguimento da Sua Palavra.
E Fernando Pessoa, num seu poema, dá-nos algumas sugestões:

" Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos
os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta."

Não podemos deixar que nada nem ninguém nos impeça de conquistar e seguir o caminho que faz de nós aquilo que Deus quer: Homens felizes.
Aliás, Pessoa começa o seu poema lembrando-nos que " A nossa vida é a maior empresa do mundo e podemos evitar que ela vá à falência"  e termina com um conselho muito expressivo: " Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Meditemos nestas suas palavras e acreditemos que tudo isso passa pelas nossas vidas e é fácil ultrapassar. É só e apenas confiar na Graça e procurar, cada dia, dar um passo mais na estrada magnífica que Deus traçou para nós.
                                                                         Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.





sábado, 4 de janeiro de 2014

Perdão sem castigo

"Se os filhos de David abandonarem a minha lei e não caminharem segundo os meus preceitos... punirei os seus delitos... mas não lhes retirarei o meu favor nem faltarei à minha fidelidade"
Isto são palavras dum salmo do Antigo Testamento mas  que encontramos formuladas, embora de outro modo, no Novo Testamento.
Não foi mesmo Jesus que disse, a várias pessoas: "os teus pecados são-te perdoados!" ?
Não foi Ele que contou a parábola do Filho Pródigo,em que o pai vai ao encontro do filho, ingrato e pecador? 
Nestes, como noutros casos do Novo Testamento, não se apresenta o pressuposto do castigo. O mal, o arrependimento,a Fé são suficientes. 
Simplesmente, Deus, no Antigo Testamento, é encarado mais como o Senhor poderoso e justiceiro do que como o Pai bondoso e condescendente. Por isso, é natural que também seja apresentada a sanção  como consequência do erro.
Mas porque Jesus nos quer mostrar o Pai como a Bondade, o que prevalece é o Amor e o Perdão.
E esta, é uma certeza que acalenta os nossos corações: podemos errar, desviar por caminhos tortuosos, escolher opções incorrectas... Deus não se desvia e  continua à nossa espera, porque Ele é fiel no seu Amor.
E neste momento, ainda tempo do Natal, em que continuamos lembrando Jesus que veio para estar entre nós, não nos devemos inquietar com erros ou desvios. Apresentemo-nos simplesmente, diante do presépio e fiquemos com a certeza de que a paz de Deus estará em nós e nos guiará. 
Assim, a alegria será constante nas nossas vidas e haverá sorrisos nos nossos olhos.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho ribeiro, O.P. 


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

E a festa continua...

Aquela estampa, "velhinha" de 21 anos, fez-me recordar tudo o que foi a celebração do 50º aniversário do Colégio.
Havia uma equipa de planeamento de que fazia parte a Luizinha Sabbo, a Cristina Soldin e a Conceição Bueso. O seu primeiro trabalho foi elaborar uma lista de actividades e acções que deviam fazer parte das festividades que duravam um ano.
Essas actividades iam desde a criação dum Hino novo para o Colégio e dum postal comemorativo, desenhado pelo professor José Carlos, até à Missa de encerramento nos Jerónimos, passando pela peregrinação a Fátima, por sessões culturais, exposições, almoço e lanche das Antigas Alunas, edição dum livro, criação de T-shirts, fatos de treino ou chapéus para a Infantil, descerramento duma lápide comemorativa dos 50 anos e dum painel de azulejo com S. José,  criação de alfinetes, pins e marcadores, etc.
Muito trabalho, muitas ideias, muita realização!...
Para as sessões culturais foram convidados artistas e pessoas conhecidas como o director do Palácio da Pena, entre outros. Artistas vieram vários e tivemos o prazer de ouvir um especialista em flauta transversal e uma "expert" em cravo.
Num dos encontros de Antigas Alunas quisemos apresentar uma exposição evocativa dos 50 anos do Colégio. Para isso, pedimos que nos emprestassem fotografias dos seus tempos de alunas e conseguimos uma representação dos vários anos, desde 1943.
O almoço e o lanche, um em cada uma das reuniões, decorreram na floresta, com produtos típicos do Ramalhão: o pão quente, as argolinhas, a marmelada caseira, os pães de leite, os pratos mais apreciados pelas alunas da época.
Foi um ano "em grande!"
Muitas coisas se fizeram... muitas se começaram... várias permanecem... algumas passaram com os anos e não se repetiram.
Mas a lembrança ficou e o que está gravado no coração não desaparece. Não deitemos fora, tudo o que recebemos e nos fez grandes.
             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Nos 50 anos do Ramalhão

Ao folhear , com algum desinteresse, um livro antigo em que não mexia há muito tempo, saltou para o chão uma estampa . Imediatamente se alertou o meu interesse. É que essa estampa tem 20 anos ou, mais precisamente, fez 21 em Maio. É que foi em 1992, numa Missa nos Jerónimos que ela foi distribuída pelos presentes.
A estampa foi uma surpresa da Ir. Inês para festejar os meus 25 anos de directora do Ramalhão. Colaborou a nossa professora de Artes - a Teresa Matos - que fez o desenho. E ele tem tudo a ver connosco: o preto e branco bem Dominicano, a abóbada que centra a personagem  e simultaneamente a projecta na cruz e em Jesus crucificado. 
As estampas foram distribuídas no início da Missa, que comemorava os 50 anos do Colégio do Ramalhão e, ao mesmo tempo os 25 da directora.
Foi extraordinário! Os Jerónimos encheram-se : alunas, ex-alunas, professores, funcionários, pais, amigos e conhecidos. Todos quiseram estar presentes.
Foi celebrante o P. Victor Feytor Pinto e com ele concelebraram, o provincial dos Dominicanos, o sr. P. Domingos e o prior das Jerónimos.
O coro do Colégio abrilhantou a celebração e o Padre Victor foi brilhante, como sempre, na sua alocução.
No fim da Missa, a cada um dos que saía, era oferecido um pãozinho dos que se faziam na altura no Ramalhão. Dois grandes cestos esperavam os participantes que não se fizeram rogados em lembrar tempos presentes e passados.
Eu, depois de recordar tudo isto e muito mais, voltei a guardar a estampa, memória de outros tempos e de outras pessoas, nas agora num lugar em que a tenha mais acessível, bem como às outras que sobraram e que encontrei depois.
Recordações que não passam porque marcaram as vidas de muita gente.
                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo






                                    Feliz Ano Novo !
Para todos os meus Amigos 

um ano novo cheio de graças, alegria e paz, em que a presença do Menino recem nascido encha os nossos  corações.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Comentário à oitava do Natal


Ao pensarmos nesta oitava do Natal, numa primeira e rápida interpretação, parece-nos estranho que logo a seguir à alegria da Festa do Natal, uma festa que nos enche o coração, venham as celebrações dos mártires, que nos parecem, à partida, situações de tristeza.
Contradição? Não!... Jesus Cristo, o menino cujo nascimento festejamos, veio ao mundo para dar a vida por nós. 
Os mártires, homens de Fé, corajosos, seguidores do Amor de Deus, dão a sua vida por Ele, pela Verdade em que acreditam.
Talvez tivéssemos que abrir uma excepção para os santos Inocentes que morreram antes de poderem afirmar a sua Fé e as suas convicções.
Mas esses, tiveram o dom de "nascer no lugar errado, no tempo errado" diriam alguns sem pensar mais. Mas não! Eles morrerem no lugar de Jesus, eles deram a sua vida por causa da maldade de Herodes que julgou assim livrar-se dum "pretenso" concorrente ao lugar - o Rei dos Judeus.
Têm razão de ser,estas festas de Mártires, convictos ou inocentes. Elas chamam a nossa atenção para o lugar que Jesus deve ter no nosso coração , para o sentido autêntico do Natal , festa de um Deus feito Homem  que veio à terra para fazer dos homens filhos de Deus.
Os Santos Inocentes, que ainda não o sabem, vão dar testemunho d`Aquele por quem morrem -Cristo - que os liberta e que eles anunciam mesmo sem palavras, por quem dão a vida mesmo sem o terem escolhido.
Nós que conhecemos Jesus, que O amamos, que O queremos testemunhar, vivamos plenamente este tempo em que tudo é um apelo e um convite a Ser-se plenamente.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.