domingo, 29 de dezembro de 2013

A nossa família

Hoje é o dia em que se festeja a Sagrada Família e, verdadeiramente, devia também ser o dia de todas as famílias.
Em Nazaré Jesus, Maria e José viviam o seu Sim de simplicidade e responsabilidade: Maria, a jovem que estava noiva , que pretendia dedicar-se a Deus e a quem o Pai pede para aceitar ser a Mãe do Seu filho; José, o jovem apaixonado que sonhava construir um lar, constituir família e a quem Deus modificou os planos e pede a sua colaboração para proteger Jesus e Maria. E depois, ou primeiro, Jesus que aceitou vir ao mundo pelos homens para lhes mostrar a Lei do Amor e os fazer filhos de Deus.
É um modelo de aceitação, de oferta, de disponibilidade, esta família. Vivem como toda a gente. Uma família que reza, que trabalha, que é solidária, certamente. Um Menino que é Deus mas que cresce como os outros meninos, muito embora também "em sabedoria e graça". Um Menino que fica no Templo, porque "tem que tratar das coisas do Seu Pai" mas que, à palavra de Maria e José desce com eles, obediente, para Nazaré.
Que a festa da Sagrada Família não seja mais uma nas nossas vidas, mas sirva de exemplo para o ano que vai começar.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 
  

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Eis o Natal




                             Boas Festas!   Santo Natal!

          Um Natal em que o coração se abra para acolher este 
  
          Menino que nos deseja livres e prontos para construir  

          a Felicidade   que Ele quer para nós.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A caminho do Natal

Estamos na ante-véspera do dia de Natal. Venho da capela, onde o presépio já se nos apresenta, no meio das suas folhagens  e enfeites do costume. Sempre igual e sempre diferente.
No meu quarto também já está o presépio. Sem verduras... apenas uma vela, como todos os anos, ali bem em evidência.
E como todos os anos, também, destronou a imagem da Sagrada Família que habitualmente está em cima da cómoda. Mas no Natal, é o presépio, com um menino pequenino, que é o centro das atenções.
É engraçado que ambos os conjuntos representam as mesmas figuras. Mas, na sua diferença, marcam situações também diferentes.  No presépio temos Jesus que se nos apresenta na sua simplicidade e fragilidade de recem-nascido.
 É o apelo para que, como Ele, aceitemos ser crianças, naquilo que elas têm de verdade, de simplicidade, de dependência.
A minha Sagrada Família representa já um Jesus rapazinho, embora ainda dependente de Maria e de José. Talvez aquele jovem que ficou no Templo porque " tinha que tratar das coisas de Seu Pai"...
É a fase de crescimento em que se prepara para dar ao mundo o testemunho do Pai e, simultaneamente,moldar o coração para fazer a vontade d´Aquele que O enviara.
O Natal, o nascimento de Jesus, é simplesmente o princípio. É o primeiro de vários Sim que englobam também o de Maria, de José e mesmo o de Ana e Zacarias.
Alegremo-nos com Jesus que nasce. Façamo-lo nascer no nosso coração e preparemo-nos para "crescer" como Ele e como Ele, repetir os nossos Sim.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Certezas ? Ou opiniões?

Estamos em vésperas de Natal e o tempo faz apelo à nossa interioridade mas também à nossa alegria.
" Alegremo-nos porque o senhor está perto!"
Mas nem sempre as coisas são assim tão fáceis. A semana passada estive em Lisboa e, como de costume, fui à Missa à minha Igreja, a Basílica da Estrela. O celebrante não era o habitual. Antes, um sacerdote idoso, um pouco monótono, sem entusiasmo. A assistência, inferior ao habitual: uma dúzia de senhoras, idosas também e dois homens.
Ao fundo da Igreja e eu só a vi na altura da comunhão, uma jovem com um bebé pela mão.
No fim da Missa, vim-me ajoelhar cá atrás e fiquei próximo dela, que rezava com um ar triste. O bebé é que se meteu comigo, puxando-me pela capa e dizendo-me adeus. A jovem não dava por isso, tão concentrada estava na sua oração. Mas, quando se preparava para sair, reparou no meu sorriso para o bebé e, aproximando-se, pediu-me: Irmã! Reze por mim...
Não tive tempo para dizer nada mas logo ali lembrei aquela jovem ao Senhor. Mais uma a quem a vida não estava, certamente, a correr bem, mas que acreditava no poder da oração duma religiosa. Quem me dera!...
E novamente me veio a convicção de que o meu hábito branco tem sido uma razão de crédito para muita gente, como o foi para aquela jovem.
Realmente nós, em Portugal, não temos muito a tradição do uso do Hábito na rua, sobretudo os frades. Influência da Implantação da República em que era proibido o uso do Hábito fora de casa, pressão depois do 25 de Abril e a conotação com fascismo... muitas coisas contribuíram para a opção pela veste civil.
Mas o facto é que o Hábito é um testemunho e leva as pessoas ao vê-lo a confiarem em nós e pensarem que somos diferentes. E somos... apesar de sabermos que "o hábito não faz o monge" e que pertencemos, também, ao grupo de pecadores.
Mas, fomos chamados a uma vida diferente e respondemos a esse apelo mesmo não sendo perfeitas. Deus, que nos escolheu, vai moldando o nosso coração e ajuda-nos a aproximarmo-nos do Seu ideal.
                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


sábado, 21 de dezembro de 2013

O Natal tempo de frio?

Estamos em vésperas de Natal. Está um frio bastante intenso, pois a temperatura desceu de repente. Mas, é natural que esteja frio. Estamos em fins de Dezembro e o Inverno começa oficialmente no dia de hoje. Aliás, Natal é sinónimo de tempo assim áspero,rígido, com frio. Um ano passei o Natal no Brasil e achei estranho aquele calor, aquelas idas à praia, as Missas com as pessoas todas a abanarem-se. Natal em Portugal é sinónimo de aquecimentos, casacos, mãos que se esfregam. Ai que frio! Mas não é isso que faz diferente o Natal. E também não foi isso que fez diferente o dia de hoje. É que está um tempo húmido, nubloso, sem sol, uma ameaça de chuva que ainda não chegou, umas nuvens escuras que encobrem o sol.
Sol!... ainda ontem o tivemos lindo, acompanhando a viagem que fiz, com outras Irmãs, para estarmos presentes na tomada de posse de um Amigo.
Mas, realmente, considero que foi uma Graça. Até o frio era menos intenso... O Pai sabia que o tempo tinha que acompanhar e ajudar situações como aquela. Tudo tinha que traduzir Alegria, Esperança, Felicidade. E fez-nos a vontade!
Aliás Ele faz-nos sempre a vontade, desde que a nossa esteja de acordo com a Sua...
Mas hoje o tempo fez-nos a partida e mostra-nos a sua faceta mais triste: um dia que convida à melancolia , à tristeza.
Mas não é por estes acidentes que os portugueses são considerados um povo triste, que até canta o Fado...
Em boa verdade, o nosso país é um país de sol .Três quartas partes do ano o "astro rei" mostra a sua versão mais acabada dum dia de bom tempo.
E mesmo se chover, mesmo que o dia amanheça triste e nubloso, isso não pode afectar a nossa disposição e as nossas almas. Sobretudo agora em que nos preparamos para acolher o Deus que se fez Homem.
Ele e apenas Ele é importante e Ele chega para encher de alegria as nossas almas .
Cantemos jubilosos os hinos do Natal.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pedir...

" O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
 Não te peço mapas, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados,
com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza.

" Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias
se entusiasmem na construção da vida.

"Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo
como uma nova oportunidade.

"Afasta de mim as palavras
que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.

" Que eu não pense saber já tudo àcerca de mim e dos outros.

" Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor: a graça de ser nova"

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As luzes e a Luz

Estamos quase em vésperas de Natal mas em muitas igrejas e capelas ainda não se vê o tradicional presépio. Em contrapartida, encontramos, em todas elas aquela coroa do Advento, com as suas velas acesas. Ainda só três, porque não chegámos ainda ao 4º domingo. São três mas são um sinal e um apelo. Um apelo que se deve ir tornando cada vez mais intenso à medida que nos aproximamos do Natal, um apelo para uma preparação mais efectiva para a festa que vamos celebrar no dia 25
Cada domingo, mais uma vela que se acende; mais uma luz que fica tremeluzindo como a chamar a nossa atenção.
Interessante este simbolismo da luz que se repete na Páscoa com o acender do círio pascal, círio esse que permanece aceso durante todo o tempo pascal, como presença de Cristo entre nos. No Natal, talvez diferente, mas a mesma luz como um sinal de esperança e uma certeza. Esperança que vai aumentando à medida que cada vela se vai acendendo. Certeza, porque no dia 25 a luz é total com a presença do Menino Jesus. 
Já não sei quem foi que definiu o Natal como a Alegria que está viva no nosso coração e brota dele para o exterior. É o Jesus que existe , presente em nós e se manifesta nesta noite abençoada.
E será assim se tivermos vivido estas semanas em Jesus e por Jesus. 
A propósito,hoje, fez-me impressão um comentário que ouvi na rádio, referindo que tudo se prepara para uma festa em que não se conta com o convidado principal. 
E impressionou-me porque me lembrei da conversa com os meus alunos e as suas definições de Natal sem Jesus.
Façamos uma grande festa, manifestemos a nossa alegria mas não esqueçamos o nosso presente para o Menino, a nossa presença, a nossa fidelidade.
                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.