terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Santos que não nasceram santos


A semana passada a Igreja celebrou a festa de Santo Ambrósio Bispo e doutor da Igreja.É uma festa fora do vulgar; ou melhor, o bispo é que teve uma eleição que está fora daquilo  a que estamos acostumados. É que santo Ambrósio é Bispo e, na realidade nem padre era. Simplesmente, como diríamos hoje, um autarca simples e bom.

Era de origem grega e fez os seus estudos, de jovem nobre, em Roma e depois realizou a sua actividade em Milão, uma das cidades mais importantes. Era simples, justo e apreciado pelos seus concidadãos.
Viveu no século. IV  e,  teve como mestre Simpliciano que o preparou para o catecumenato  e que, portanto, o introduziu  também   na prática das virtudes cristãs.
Nessa época, eram os cristãos que escolhiam o seu Bispo e, conta a lenda, que foi uma jovem que lançou para o ar o nome de Ambrósio para ser o bispo, nome esse que foi acolhido com entusiasmo pela população que se juntara para proceder à eleição.
Fosse como fosse, o facto é que os cristãos de Milão o elegeram para bispo e não se arrependeram. Ele foi um exemplo de caridade, amor ao próximo, um servidor da Igreja e, com os seus escritos e pregação, um defensor da doutrina cristã contra o arianismo.
E porque um "grande homem" não passa sem deixar marcas, foi Santo Ambrósio que levou Santo Agostinho a converter-se. Foi o seu exemplo e o seu testemunho e, quem sabe? os seus sábios conselhos que fizeram do jovem inconstante e inconsequente o Santo consciente e sábio a quem a Igreja tanto deve.
                               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


sábado, 7 de dezembro de 2013

Encontros que são alegrias

Encontro de Antigas Alunas ,hoje, aqui no Ramalhão!

Eram mais ou menos do mesmo tempo e até festejaram os anos duma delas, a Teresa. Alias, ela fez-se bem desejada pois nunca mais chegava e o almoço estava à espera. Mas que amigas pacientes!...
Depois, foram os abraços e os beijos e contaram-se histórias de há 30 anos; lembraram-se acontecimentos esquecidos por umas  e bem presentes na memória de outras; falou-se de professores e de castigos; de passeios e viagens, de alegrias e tristezas.
Mas, engraçado! elas próprias reconhecem que, do tempo que aqui passaram,o que pesa e as marca foram as coisas boas. As más... recordam-se algumas como acontecimentos que tiveram o seu lugar. E afirmam que o que são hoje o devem ao tempo que estiveram no Colégio e às boas influências a que estiveram sujeitas.
Depois do almoço, a visita à casa, à quinta, aos lugares onde tinham sido felizes.
Foi uma grande alegria para mim estar com todas estas pequenas (já grandes) alunas do Colégio. É sempre uma comoção e uma alegria . E tiraram-se fotografias, em grupo e individualmente. E voltaram-se a tirar porque as primeiras não ficaram bem... E fazem-se promessas de as enviar utilizando as novas tecnologias...
É por isso que ainda não tenho aqui nenhuma!...
Mas em contrapartida vou colocar a foto duma antiga professora cuja filha estava presente e até falou à mãe para eu ter oportunidade de a ouvir. Não a vejo há tantos anos e trabalhámos juntas tanto tempo...
São memórias, são presenças.
Gostaria que estes dias se repetissem mais, porque tornam presentes um "ontem" que queríamos que fosse base para um "àmanhã".
O meu obrigada a todas e a cada uma por quem já rezei esta noite.
E que, neste Natal, a Vinda de Jesus as encontre vigilantes.
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Conto de Natal

                                   Conto de Natal


Tinha acabado a Missa do Galo. Terminara já a Ceia do Natal. Os membros da família, a pouco e pouco, haviam saído para regressar às suas casas.
Nós, os da “casa”, arrumada minimamente a sala, recolhidos os presentes que tinham cabido a cada um, acauteladas as virtualhas para o almoço do dia seguinte, como recomendara a minha avó, íamo-nos retirando para os nossos quartos.
Deitei-me e dormi.
Acordei sobressaltada com uma luz intensa que parecia vir do presépio pequenino que estava em cima da mesa do canto.
Levantei-me num pulo, impressionada com aquela luz e aquele Menino que parecia saltar da mesa.
Fui à janela e sosseguei. A luz não era senão a do candeeiro da rua cuja luminosidade entrava pelas cortinas abertas.
Tudo normal… Tudo natural…
Mas o sorriso do Menino, esse… estava lá. E estava lá também o Seu olhar, tão intenso que parecia fitar-me. E aquela voz, dentro do meu peito, igual à que um dia fora dirigida ao jovem rico: Queres?...
Sentei-me no chão a pensar. É Natal. Natal mais uma vez. Natal que se repete ao longo de dois mil anos. Natal!... Sempre igual e sempre novo.
E o Menino que continua a olhar-me e a perguntar: Queres?
E eu quero… mas o quê?
Continuo a olhar o Menino do meu presépio pequenino e compreendo que o que Ele quer é que O amemos e nos amemos uns aos outros, fazendo, de cada coisa pequenina, o nosso Sim, como Maria.
É já manhã e eu mantenho-me a olhar esse Menino que é Deus feito Homem e que sorri, porque espera um mundo diferente, em que o amor vença o ódio e a generosidade a indiferença.
Fico olhando e acabo adormecendo. E sonho com um mundo em que “o lobo e o cordeiro habitam juntos, o menino brinca na toca da serpente e o leão e o boi comem ambos palha”.
É isto o Natal: Um homem que olha outro homem e o trata como irmão” 
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Festa de Natal


Está-se a preparar a festa do Natal no nosso Colégio. Não é novidade nenhuma,  pois todos os anos havia festa de Natal. A novidade está  em haver um bazar e a festa se realizar no dia de Nossa Senhora da Conceição
Antigamente, a festa era no fim do trimestre e incluía alunas de todos os anos. Só recentemente ficou restringida aos mais pequeninos e passou a ser na 6ª feira anterior ao fim das aulas .Os outros anos ficaram com o Carnaval e o fim do ano para as suas apresentações.
A festa do Natal era sempre uma festa solidária. Claro que não se pagavam bilhetes  nem entradas mas no fim da representação havia um lanche, trazido pelos pais e vendido a toda a gente. O lucro revertia sempre para uma instituição necessitada: as missões em África, em Timor ou na Albânia ou ainda para instituições daqui de Portugal onde também existem muitas carências.
A festa, além de ter esta vertente solidária era também um momento de partilha de interesses, de aprendizagem do trabalho em conjunto, de camaradagem e de colaboração.
Toda a gente, professores, funcionários, Irmãs, alunos, pais, estavam prontos para ajudar, dar ideias, aprontar cenários e vestimentas.
A grande mentora era a Ir. Conceição que abria o roupeiro  e, se necessário, ficava noites inteiras fazendo, desfazendo,melhorando, adaptando fatos para todos os personagens. Uns era preciso encurtar, outros apertar, outros ainda embelezar ou improvisar. Que a imaginação da Irmã não tem limites e a habilidade também não.
Eram cheios os dias que antecediam a festa e todos necessitavam qualquer coisa: Irmã! é preciso uma estrela, um fato de carneiro, um bordão para o pastor, uma túnica para o anjo, a coroa de Nossa Senhora, a cama do Menino Jesus...
A tudo a Irmã acedia e a todos satisfazia.

No fim, depois da agitação e do desassossego, todos levavam para casa a mensagem de Amor e de Paz que o presépio representa e todos enchiam o coração com o Amor que é dádiva dum Deus feito menino.
Cada Natal deve trazer-nos a certeza de que o Menino de há 2000 anos continua presente e quer encontrar-se connosco.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.






terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Contrastes


Começou o Advento e iniciaram-se, portanto, os preparativos para o Natal, a festa em que todo o mundo participa.
Há mais movimento na rua e, apesar da tão falada crise, continuam a enfeitar-se montras e casas. Ninguém quer chegar igual ao dia de Natal.
Ainda bem! Importante é que não seja só no exterior e naquilo que é secundário. Em todo caso, as pessoas parecem mais felizes embora encolhidas por causa do frio.
Mas em contraste com esta alegria, seja ela interior ou apenas aparente, os noticiários todos os dias nos dão notícia de catástrofes e acidentes: são as inundações na Madeira, é o avião moçambicano que se despenha na Namíbia, é o helicóptero que cai em Glasgow, é o comboio que descarrila nos E.U.A. E são as revoltas na Ucrânia e na Tailândia. Isto para não falar em tudo o resto que já é demasiado conhecido.
Tudo acontecimentos chocantes e preocupantes. Até parece que temos que parar para reflectir sobre as razões de tudo isto : imprevidência dos homens, actividades prejudiciais , falta de cuidado, ambição desmedida? Tudo isso ou nada disso...
Acontecimentos que não podem interferir na nossa preparação e vivência do Natal. É que Natal não é apenas nem sobretudo festa de família, jantar, presentes, enfeites, alegria...
Natal não é um acontecimento maior ou menor que todos os outros. O Natal é a comemoração do presente que Deus fez ao Homem. O presente do Seu amor feito Menino. É nisso que temos que pensar. Um presente que Deus nos deu há dois mil anos e continua a dar porque Jesus continua entre nós e o Amor de Deus não falha nem nos falta.
Tudo o resto, mesmo os presentes que damos com carinho, que recebemos com gratidão, são um reconhecimento deste Amor de Deus para connosco.
Procuremos preparar o nosso Natal não apenas nas coisas exteriores mas sobretudo mudando o nosso coração, abrindo-nos aos que nos rodeiam, vendo com olhos novos os que precisam e confiam em nós.
" Natal é sempre que um homem encontra outro homem e o trata como irmão" .
                           Mas agora é Jesus que vem e se nos dá numa fraternidade divina.
                           Preparemos e vivamos verdadeiramente este Natal.
                                                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Alegria


          Dormia
               e sonhava que
               a vida era só 
               alegria.

          Acordei
               e vi que apenas 
               o serviço era
               vida.

          Servi
              e verifiquei que
              o serviço era a
                    ALEGRIA.
                   (Tagore)
    

domingo, 1 de dezembro de 2013

Advento e compromissos

Começou o novo Ano Litúrgico!
E eu sentei-me a pensar nos inúmeros propósitos e intenções feitos, cada ano, no começo do Advento. E a recordar também quantos desses programas foram adiados por razões que considerei absolutamente irrecusáveis.
Todos nós, ao começar um novo ciclo de vida estabelecemos metas, fazemos projectos, definimos objectivos. E sentimos e dizemos a nós mesmos que isso é indispensável, necessário, fundamental, tem que se cumprir. E somos sinceros, verdadeiros...
Depois, o trabalho, o "imediato", os outros, vão-nos fazendo ir adiando o que considerávamos inadiável. E, dia após dia, ficam esquecidos, empurrados para o dia do Nunca, esses nossos "inadiáveis projectos" e necessidades.
Isto, aconteceu-me a mim!... E a vós, não acontece?
Mas o mais engraçado ou o mais incompreensível  é que, se se nos deparar um imprevisto, uma catástrofe, algo inesperado, aquilo que era suficientemente importante para nos fazer adiar os nossos planos sine die, deixou de o ser e passou para secundário. Então, deixamos trabalho, interesses, os outros, tudo.
É a caridade, a preocupação pelos outros, a disponibilidade. Certamente! E Deus, de certeza fica contente com esta nossa abertura de coração mas... fica à espera.
E lembra-nos que todos somos mais ou menos  como o homem do Evangelho a quem Jesus chamou. Ele queria segui-Lo mas considerou que primeiro tinha que ir enterrar o pai. 
E que lhe disse Jesus? " Deixa que os mortos enterrem os seus mortos. Tu, segue-me!"
E nós, nunca ouvimos isto?
Saibamos estabelecer prioridades ao fazer os nossos planos de Advento, contando já com os imprevistos. Depois, tentemos cumpri-los., sabendo que, em breve, Jesus virá e aguarda pela nossa oferta.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.