sábado, 30 de novembro de 2013

Fim e princípio

Último dia do Ano Litúrgico. Como tudo na vida também o Ano Litúrgico tem um começo e um fim. E não é por acaso! Amanhã, 1º Domingo do Advento, recomeça um novo ciclo, para a Igreja e para nós cristãos. 
É altura de parar e olhar para trás, com perspectivas de futuro. É ocasião de aferir das promessas feitas , dos planos desenhados, dos progressos projectados.
Uma pergunta se impõe: Como correspondi ao Pai que conta comigo  e não me santifica sem a minha colaboração?
Como vivi este ano, certamente cheio de aventuras, de surpresas, de alegrias e angústias?
Como realizei os propósitos estabelecidos, como corrigi as deficiências encontradas, como ampliei o que sou e o que tenho?
Mas imediatamente outra questão se levanta: Como vou viver o ano que começa?
Deus espera a minha resposta ao Seu apelo, como espera a resposta de todos os que se dizem cristãos e O amam. Espera a concretização dum projecto de vida no Livro novo que se abre e onde se escreve a História da nossa Vida.
Começa um novo Ano Litúrgico! Que comece também uma nova etapa,uma caminhada nova, leve, verdadeira.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As pessoas


Cá estão! Eram as de ontem e continuam hoje.
Com o seu jeito próprio, a sua dedicação, o seu carinho.
Eram e são a "alma" e o entusiasmo da Infantil e pré primária.






Tanto nós como os pais lhes agradecemos o seu trabalho, o seu interesse, o seu carinho.  

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ontem e hoje


Num dia de sol embora frio apetece passear pelo pinhal e dar um vista de olhos pelo "solar" observando aquelas crianças que cada vez são mais novinhas e mais infantis.
Ali trabalham as mesmas pessoas " do meu tempo " : as educadoras ( a Rita, a Joana, a Ana Rita ) e as auxiliares ( a Ana Luisa, a Isabel, a Emilia ) 
Educadoras e auxiliares  dedicadas e amigas, que muitos pequeninos acolheram e ajudaram a formar.
Olhando aquele espaço, não pude deixar de recordar velhos tempos em que não havia "solar". É que aquela construção (mais simplificada, claro!) era nem mais nem menos do que a casa do caseiro- o sr. José Marques. Quando ele mudou de residência, remodelámo-la, embelezámo-la e passou a ser o centro das actividades circum-escolares. À procura de um nome pomposo, a Paula Dias Agudo lembrou a designação de " solar das actividades" e ficou... ate lá se instalar a Infantil e o 1º ciclo. Então encurtou-se o nome e ficou apenas "solar" designação que mantem até hoje.
Antes, o 1º ciclo (antiga primária) ocupava o espaço ao pé do Laboratório de C.N. , estendia-se pelo que depois foi o Conselho geral e ia até ao 2º andar. A infantil, estava situada nas galerias do Ginásio velho.
Nessa época faziam história a Ana Augusto, ( uma educadora que era muito terna e nunca levantava a voz   ) e as professoras Fernanda, M. do Rosário, Paula e Cristina Roquete, entre outras)
A Maria do Rosário e a Rita eram assíduas e indispensáveis nas viagens. Alegres, responsáveis, atentas, amigas... Na Disney tinham "lugar cativo". Acho que nem a viagem era a mesma coisa sem elas.
Talvez por isso tenhamos deixado de lá ir...
Acho que muitas alunas recordam estes professores e estas viagens, com alegria e também com saudade.
E, certamente um grupo da 4ª classe dessa época lembra uma ida à Bélgica, integrada numa actividade da Câmara de Sintra e do movimento cultural "Princesas chegam ; princesas partem".
Ficámos num Colégio de meninas em Bruges e fazíamos grupo com os alunos dos Jesuítas. Com eles realizámos muitas actividades semelhantes às que fazíamos cá e visitámos várias cidades.
A festa do "casamento da nossa  Princesa com o príncipe belga" realizou-se com toda a "pompa e circunstância" na câmara de Bruxelas.
Belos Tempos! Viagens inesquecíveis! Trabalho e cooperação imparáveis!
O meu obrigada a todas e cada uma. Que o inesquecível seja incentivo para novos entusiasmos.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Chamados e escolhidos

"Muitos são os chamados e poucos os escolhidos"
Podíamos ter a veleidade de pensar que Deus fazia uma escolha entre aqueles que chamava ; que nem a todos achava dignos do Seu Reino!
Um pouco como aquele homem que apareceu na ceia e foi mandado embora... Mas esse... não tinha a "veste nupcial", não tinha tido a preocupação nem o cuidado de se preparar para a festa. Que os outros, todos os outros, foram chamados das ruas, das estradas, dos campos... sem nada de especial, sem distintivo, ou categoria. Simplesmente estavam preparados para o chamamento.
"Muitos são os chamados..." Na realidade todos, porque todos somos chamados à santidade; todos temos um caminho a percorrer, uma tarefa a realizar, uma Vida a viver.
A todos, como ao jovem rico, Deus faz o seu apelo e a todos Deus indica o caminho. Primeiro, o comum, o de todos os homens, o da Verdade, da Lealdade, da coerência: " Cumpre os Mandamentos " Depois, mostra um outro aspecto, o percurso a realizar por aqueles que O querem seguir mais de perto :"Vai e vende tudo o que tens..."
Agora, é a altura da opção em que poucos ficam, em que poucos aceitam e, por isso, poucos são escolhidos. Não é Deus que os elimina; são eles que O abandonam...
Daqui, a crise do sacerdócio, das vocações religiosas. Não é fácil ir "vender tudo", mesmo que seja apenas deixar o que se tem, o que se faz, o que agrada. Deixar tudo e oferecer o tudo em troca do dom de Deus. 
Não é fácil dizer Sim, entregando-se plenamente à vontade do Pai, acolhendo o chamamento que nos é feito, largando tudo e indo. Do mesmo modo que não é fácil ser perfeito na família, no trabalho, no meio em que se vive.
Não é fácil! mas é possível  e dá uma alegria que tem recompensa.
Deus continua a chamar: " Muitos (todos) são os chamados".
Ninguém é forçado, a ninguém Deus obriga mas a todos Deus convida e de todos espera acolhimento e correspondência.
Deus não impõem mas Deus não nos salva sem a nossa colaboração. É bom que tenhamos isto presente e não pensemos que fazemos parte dum grupo que não foi escolhido.
E se fomos, podemos hesitar?
                                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

domingo, 24 de novembro de 2013

Cristo Rei do Universo


Hoje, festa de Cristo - Rei
No meu tempo de Juventude,  era um  grande  dia, o dia chamado     da Acção Católica, este movimento criado pelo Papa com o objectivo   de formar cristãos comprometidos e apóstolos empenhados.
Todos nos juntávamos na Sé para fazer o nosso juramento de comprometidos e responsáveis.
Um mar de saias / calças azuis escuras e camisas azuis claras. É que também a Acção Católica tinha um uniforme, desde as aspirantes aos dirigentes, da JECF à LUC...
Que emoção quando aquele mar de gente estendia o braço direito e proclamava alto... " e assim prometo e juro e que Deus me ajude". E o momento da despedida, quando todos em coro cantavam o Hino : "Abram alas , terra em fora..."
Foram tempos e momentos que deram o seu fruto. Formaram muita gente, fizeram apóstolos, defenderam valores, estenderam a sua acção a todos os meios, idades, estados.
Depois os tempos mudaram,  a Acção Católica foi-se desmoronando e sendo substituída por movimentos profissionais como os médicos católicos, os farmacêuticos católicos, etc..
Mas cada dia de Cristo Rei eu recordo os ardores da minha juventude, o entusiasmo com que preparávamos a recepção de emblema, a seriedade com que vivíamos os propósitos saídos das reuniões, o compromisso responsável com que encarávamos os lugares de dirigentes...
Não foi a Acção Católica que fez de mim religiosa mas deu-me muitos dos valores que me foram necessários ao escolher este caminho.
Os tempos mudaram mas a formação e os valores ficaram.
Que o Pai nos ajude, a todos os que passámos por este Movimento da Igreja, a continuar a defender tudo o que vivemos.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Filosofia e Ciência

Hoje, ao folhear um velho compêndio de Filosofia do meu tempo de Faculdade, deparei-me com a célebre frase de Sócrates "Só sei que nada sei! " . Parei para pensar naquela afirmação do homem considerado o mais sábio da época e constatar que nos tornaríamos bastante mais humildes se interiorizássemos esta verdade em vez de nos pensarmos detentores do conhecimento.
Daí passei para outra ideia, a de que Cientistas e Filósofos se consideram, habitualmente, como pertencendo a mundos diferentes. É que a ciência se centra nas etapas que tem que percorrer para atingir os seus objectivos e não se preocupa com a relação da Ciência, propriamente dita, com qualquer outro ramo de conhecimento.
No entanto, há uma relação profunda entre a Filosofia e a Ciência.
Quando os gregos, mais ou menos por altura do sec. V a. C.  se desprenderam das lendas e dos mitos, vulgares nessa época, e passaram a centrar as suas reflexões sobre a razão, criaram a "filosofia ocidental" e esta, que se centrava na razão, foi por assim dizer a base que permitiu o salto para a Ciência como conhecimento e linha de pensamento e investigação.
O patrono desta filosofia ocidental, Sócrates, era realmente considerado o maior sábio do seu tempo. Só ele é que parecia não estar muito convencido disso. Por essa razão foi consultar o Oráculo de Delfos a quem afirmou que "apenas sabia que nada sabia". E esta sábia afirmação bastou para o Oráculo o definir como o homem mais sábio entre todos os outros,porque era o único que sabia que nada sabia. 
Mas o termo Filosofia não é de Sócrates mas sim de Pitágoras que foi o primeiro a utilizá-lo.
Mas esta dicotomia entre os homens da Ciência e da Filosofia  vem talvez do método científico essencialmente assente na observação, na experimentação baseada em hipóteses e na dedução resultante da experiência e que permite conclusões.
A Filosofia, ao contrário, é uma técnica de pensamento que reúne várias correntes diferenciadas e quase sempre heterogéneas, com um tipo de racionalidade próprio. Tem por objectivo levar o homem, não a experimentar e concluir, mas a entender a relação entre conhecimento e realidade.
Se pensarmos no "Método socrático" constatamos que, a finalidade era essa, mas utilizava como meio o diálogo, através de perguntas simples, dirigidas aos alunos, para os levarem a aperceber-se das contradições existentes no seu pensamento.
Também nós precisávamos de nos aperceber das mil contradições que nos impedem de ver o caminho que nos conduz à Santidade.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O homem das castanhas

Como faço tantas vezes, atravessei o Jardim da Estrela. 
À porta, como sempre nesta altura, sorridente, o homem das castanhas.
O carrinho um pouco decrépito, o grelhador já amolgado, os acessórios revelando anos de uso...
Mas no fundo, tudo como no tempo da minha juventude - castanhas assadas, com aquele aroma peculiar, vendidas às dúzias em pacotes de papel. Com as árvores do Jardim como fundo, o reflexo do fumo das castanhas que assavam e lançavam para o ar o perfume característico que nos convida a comprar. E o homem, chamando a hipotética clientela que passava, com o pregão tradicional: 
                          " Quentes e boas!"
É o anúncio do Outono que chegou e torna ainda mais apetecível este manjar próprio do tempo. E quanto mais frio está mais somos convidados a comprar estas castanhas quentes que se sorriem para nós com a sua boca aberta num pedido de que as provemos.
São lembranças de sempre as que se evocam nesta porta do Jardim da Estrela. Recordações de quando pequena, pela mão dos meus pais, aguardava impaciente, a nossa vez de adquirir um pacote de castanhas.
Lembranças do tempo do Liceu, quando corríamos para ver quem conseguia chegar primeiro e ter as castanhas mais quentes. Lembro aquele grupo de crianças à nossa volta, olhar de súplica de quem não podia comprar castanhas. E havia sempre partilha, uma a uma íamos distribuindo as nossas castanhas. O sorriso agradecido das crianças era suficiente para nos compensar.
Depois, mais tarde, vida de Faculdade, mas sempre o mesmo apelo das castanhas que ia comendo, lentamente, enquanto me dirigia para casa.
Desta vez, não comprei castanhas.
Mas isso não me impediu de sorrir para o homem e de lhe desejar uma boa venda, enquanto ia recordando outros tempos, outras castanhas, outros vendedores.
Comovi-me ao ouvir o homem dirigir-se-me, respondendo aos meus votos de boa venda, com um triste :" Obrigada, menina!"
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.