sábado, 16 de novembro de 2013

Anos que se celebram

Na 4ª feira a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena - a nossa - fez 145 anos. 
Começou, podemos dizê-lo com a chegada das duas Irmãs que tinham ido fazer o seu Noviciado para a Irlanda.
Aqui no Ramalhão o dia não passou despercebido: Houve uma exposição de livros e outros materiais produzidos ao longo dos tempos, montou-se um placard com fotos das nossas casas e das nossas obras, espalhadas pelo mundo, e vestiram-se alunas de religiosas. Tudo para marcar uma data que não pode ser esquecida, por nós Dominicanas e por aqueles que nos estimam.
A Congregação foi um sonho de Teresa de Saldanha mas mais do que um sonho foi um apelo do Pai e uma resposta de Teresa às necessidades que Ele lhe mostrou no campo da educação das jovens, do apoio aos desprotegidos, da difusão da palavra de Deus.
Foi um Sim gratuito mas com "custos" : Inquietações, dúvidas, Imaginação, persistência, sofrimento. 
Teresa, jovem de Fé e segura do que queria e persistente na resposta ao apelo que lhe tinha sido feito gostaria de se dedicar ao serviço de Deus numa Congregação Portuguesa, em Portugal e para os portugueses. Mas viu as suas intenções frustradas por um pai intransigente e por uma situação política adversa que expulsava de Portugal as Congregações religiosas.
Mas Teresa não desistiu. Sem desobedecer ao pai  e com persistência, contornando as dificuldades, contactou a Irlanda e mandou para Drogda as duas primeiras pretendentes, para fazerem o seu Noviciado.
Ela... ficou, presente nas obras sociais a que sempre se dedicara,dirigindo à distância a sua Congregação e esperando, pacientemente, o momento de se integrar nela.
Conheceu os dramas da República, foi expulsa da sua própria casa, mas não desanimou. Aquilo que parecia o fim da sua Obra foi afinal o meio de a expandir para o Brasil, os Estados Unidos, a Bélgica, etc..
Foi a dispersão, que fez  com que hoje a Congregação esteja espalhada pelo mundo.
E a Madre Teresa, a Fundadora, certamente sofreu, viu até mudados os seus sonhos de uma Congregação Portuguesa para Portugal mas, para ela, a vontade de Deus estava acima de tudo e em tudo ela via a mão de Deus.
Foi a Fé, a confiança, a persistência, a dedicação que fez de Teresa de Saldanha a pessoa que admiramos e esperamos, um dia, ver nos altares.
                                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Celebrar a vida

15 de Novembro...
Festa de Santo Alberto Magno, um frade Dominicano , filósofo e teólogo de fama, mestre da teologia medieval.
Magno (grande) designação com que passou para a História, precisamente por isso, pela qualidade dos seus conhecimentos.
Por coincidência, foi hoje aqui, no nosso Colégio, a Missa pelo sr. P. Domingos, outro Dominicano, não sei se com tão grande sabedoria mas de certeza com uma enorme caridade e uma dedicação infinita aos seus alunos, que o não esquecem.
Tantas festas em que esteve presente, tantas brincadeiras partilhadas, tantas viagens em que nos acompanhou!...
Está no céu a rezar por nós. Nós sabemos...
Mas isso, não impede a saudade que todos manifestaram hoje, professores e alunas.
                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Reflexões para um dia de sol

Novamente ontem a Igreja apresentou o Evangelho com a história dos dez leprosos. Já me fala demais de agradecimento e ingratidão, sentimentos que estão presentes nas nossas vidas e nem sempre olhamos como devíamos.
Mas , o que  verdadeiramente me chamou a atenção foi a última frase de Jesus : ..." a tua Fé te salvou".
É que a Fé não passa por acaso pela nossa vida. É ela que dá força para ultrapassar as dificuldades que se levantam a cada passo, é ela que nos ajuda a acolher alegremente aqueles projectos que não escolhemos nem desejámos.
Quando na Vida optámos por um caminho, fizémo-lo de mãos vazias e coração aberto. Para trás ficaram plano, desejos, costumes, situações.
Sabíamos onde íamos começar mas desconhecíamos os atalhos que se nos iam apresentar. Apesar disso, não hesitámos! Não pretendíamos conhecer os "se" ou os "então"... Confiávamos! Mas, queremos conhecer agora?
Há medos a paralisar-nos , a fazer adiar respostas. Ainda bem! A precipitação é inimiga da tranquilidade e da certeza. Sobretudo impede-nos de acreditar que, por detrás de cada projecto que nos é apresentado está Deus  e Ele quer sempre o melhor para nós. E depois... todo o  serviço que nos é pedido faz parte da cruz que, parece?! somos chamados  a ajudar a transportar, qual Cireneu. E, não serão reflexos daquele Sim que queríamos sem restrições?
Foi a Fé que salvou o leproso.
Que seja a Fé que nos salve de dúvidas, inquietações, erros, injustiças.
Deus está lá e acolhe-nos.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mudar o coração ou a vida?

" Tudo o que há para mudar é o nosso coração sugere-nos  Marie - Alain Couturier, Mais do que a nossa vida"
Numa primeira e muito rápida abordagem apetece-me discordar... Com convicção ou simplesmente por contestação? Não! É que considero mesmo que há coisas a mudar na vida , desde o que fazemos ao que somos. Nem tudo o que fazemos está correcto e nem tudo o que somos está perfeito.
Há uma distância entre aquilo que vemos em nós, aquilo que somos e realizamos, e aquilo que Deus queria que fôssemos. Logo... há coisas a mudar na vida.
Mas... em boa verdade, tudo o que somos e, portanto, tudo o que fazemos, resulta do que sentimos e do bem e do mal que alimentamos no nosso coração.
"É o coração que comanda a vida", diz a canção e eu não sei se isso não é, em grande parte, verdade.
É no Amor, na correspondência ao Amor que recebemos do Pai e à sinceridade daquele que Lhe damos, que se encontra toda a nossa caminhada de Bem e de Verdade , aquela que se espera de nós.
Costumava dizer às minhas alunas que "a vida inteira depende de dois ou três Sims e de dois ou três Nãos ditos durante a Juventude".  E continuo a pensá-lo. 
Simplesmente sei hoje que é fácil esquecer esses Sims  e esses Nãos . Compreendi que muitas vezes os trocamos por uma realidade que nos parece mais adequada , mais lógica, melhor, + + +... E porque não dizê-lo? Mais fácil, mais agradável, mais sedutora...
Acho que temos que voltar a rever os Sins e os Nãos, ter cuidado com os Sims que dissemos um dia e que foram sonhos que o Pai nos inspirou. Talvez hoje nos pareçam pesadelos... Estaríamos enganados? Ou é o coração que está a precisar de mudança?
Deus continua à espera, mesmo quando erramos!...
   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 10 de novembro de 2013

Recordando...

Ao lembrar a presença sempre viva, aqui no Colégio, do sr. P. Domingos (frei Domingos como lhe chamam os seus irmãos pregadores), mesmo sem querer associo-o aos muitos outros professores, seus contemporâneos e amigos, que também já não trabalham connosco.

Por exemplo os professores de Educação Física : a Rosarinho, o Francisco, o João baptista... Tantas competições de atletismo,jogos, danças eles incentivaram e realizaram 
E os professores de Desenho e afins, como o Zé Carlos, a Teresa Matos  ou a Maria João, sempre prontos para tudo o que fosse ornamentação, cenários, recordações, trabalhos gráficos.
E os professores de Ciências , que trabalhavam comigo e comigo partilhavam o Laboratório, sem problemas nem quezílias: a Adelina, a Gabriela, o António, o João Manique... 
Como não lembrar os professores de História e Filosofia : a Bárbara, o casal Gaio, o Henrique, a Maria Emília, o Pedro, a Paula, com os quais podíamos sempre contar e que sempre davam o seu contributo de apoio e de cultura?
E os professores de Matemática, de Música, de novas Tecnologias, como a M. Helena Pintassilgo, a Vanda, a Luisa Oliveira, a Lia Altavila, o Zé Maria...
E alguém esqueceu a Jeanine, as suas aulas extraordinárias, no seu francês impecável e fluente? E o Hugo, sempre calmo, sereno, seguro da sua Física ( mais do que da Química...)

Grandes
Professores!
Grandes Amigos!"
O tempo passa... os ventos mudam mas a Amizade fica.

       Ir, M. Teresa de C. Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Continua...

  
Hoje foi o último adeus.
Missa no convento em Fátima.
Sepultura a seguir!                                      8 . 11 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ausência que continuará a ser presença


Hoje, a Ordem Dominicana celebra os seus Santos, aqueles que não têm o nome inscrito no Calendário mas são amados particularmente por Deus e sempre O acolheram e seguiram.

Hoje, mais um desses santos se foi juntar aos outros no céu,  - o sr. Padre Domingos Nunes Martins, O.P.
Conheci-o há sessenta anos na Parede. Eu era jovem e ele também muito novo ainda. Mas eu admirei logo a integridade, a sensatez, a descrição, a humildade, a cultura, a bondade daquele Padre, que era frade...
Foi meu confessor, director espiritual, amigo...
Durante mais de vinte anos esteve no Ramalhão sendo capelão, professor, conselheiro de crianças e adultos. Todos o estimavam e admiravam.
Para todos tinha sempre uma palavra amiga, um sorriso...
Era dos que não condenava; antes, procurava apoiar e consolar.
Hoje está no céu, certamente rezando por todos e cada um, chamando cada um pelo seu nome que ele nunca esqueceu.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.