terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mudar o coração ou a vida?

" Tudo o que há para mudar é o nosso coração sugere-nos  Marie - Alain Couturier, Mais do que a nossa vida"
Numa primeira e muito rápida abordagem apetece-me discordar... Com convicção ou simplesmente por contestação? Não! É que considero mesmo que há coisas a mudar na vida , desde o que fazemos ao que somos. Nem tudo o que fazemos está correcto e nem tudo o que somos está perfeito.
Há uma distância entre aquilo que vemos em nós, aquilo que somos e realizamos, e aquilo que Deus queria que fôssemos. Logo... há coisas a mudar na vida.
Mas... em boa verdade, tudo o que somos e, portanto, tudo o que fazemos, resulta do que sentimos e do bem e do mal que alimentamos no nosso coração.
"É o coração que comanda a vida", diz a canção e eu não sei se isso não é, em grande parte, verdade.
É no Amor, na correspondência ao Amor que recebemos do Pai e à sinceridade daquele que Lhe damos, que se encontra toda a nossa caminhada de Bem e de Verdade , aquela que se espera de nós.
Costumava dizer às minhas alunas que "a vida inteira depende de dois ou três Sims e de dois ou três Nãos ditos durante a Juventude".  E continuo a pensá-lo. 
Simplesmente sei hoje que é fácil esquecer esses Sims  e esses Nãos . Compreendi que muitas vezes os trocamos por uma realidade que nos parece mais adequada , mais lógica, melhor, + + +... E porque não dizê-lo? Mais fácil, mais agradável, mais sedutora...
Acho que temos que voltar a rever os Sins e os Nãos, ter cuidado com os Sims que dissemos um dia e que foram sonhos que o Pai nos inspirou. Talvez hoje nos pareçam pesadelos... Estaríamos enganados? Ou é o coração que está a precisar de mudança?
Deus continua à espera, mesmo quando erramos!...
   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 10 de novembro de 2013

Recordando...

Ao lembrar a presença sempre viva, aqui no Colégio, do sr. P. Domingos (frei Domingos como lhe chamam os seus irmãos pregadores), mesmo sem querer associo-o aos muitos outros professores, seus contemporâneos e amigos, que também já não trabalham connosco.

Por exemplo os professores de Educação Física : a Rosarinho, o Francisco, o João baptista... Tantas competições de atletismo,jogos, danças eles incentivaram e realizaram 
E os professores de Desenho e afins, como o Zé Carlos, a Teresa Matos  ou a Maria João, sempre prontos para tudo o que fosse ornamentação, cenários, recordações, trabalhos gráficos.
E os professores de Ciências , que trabalhavam comigo e comigo partilhavam o Laboratório, sem problemas nem quezílias: a Adelina, a Gabriela, o António, o João Manique... 
Como não lembrar os professores de História e Filosofia : a Bárbara, o casal Gaio, o Henrique, a Maria Emília, o Pedro, a Paula, com os quais podíamos sempre contar e que sempre davam o seu contributo de apoio e de cultura?
E os professores de Matemática, de Música, de novas Tecnologias, como a M. Helena Pintassilgo, a Vanda, a Luisa Oliveira, a Lia Altavila, o Zé Maria...
E alguém esqueceu a Jeanine, as suas aulas extraordinárias, no seu francês impecável e fluente? E o Hugo, sempre calmo, sereno, seguro da sua Física ( mais do que da Química...)

Grandes
Professores!
Grandes Amigos!"
O tempo passa... os ventos mudam mas a Amizade fica.

       Ir, M. Teresa de C. Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Continua...

  
Hoje foi o último adeus.
Missa no convento em Fátima.
Sepultura a seguir!                                      8 . 11 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ausência que continuará a ser presença


Hoje, a Ordem Dominicana celebra os seus Santos, aqueles que não têm o nome inscrito no Calendário mas são amados particularmente por Deus e sempre O acolheram e seguiram.

Hoje, mais um desses santos se foi juntar aos outros no céu,  - o sr. Padre Domingos Nunes Martins, O.P.
Conheci-o há sessenta anos na Parede. Eu era jovem e ele também muito novo ainda. Mas eu admirei logo a integridade, a sensatez, a descrição, a humildade, a cultura, a bondade daquele Padre, que era frade...
Foi meu confessor, director espiritual, amigo...
Durante mais de vinte anos esteve no Ramalhão sendo capelão, professor, conselheiro de crianças e adultos. Todos o estimavam e admiravam.
Para todos tinha sempre uma palavra amiga, um sorriso...
Era dos que não condenava; antes, procurava apoiar e consolar.
Hoje está no céu, certamente rezando por todos e cada um, chamando cada um pelo seu nome que ele nunca esqueceu.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Festas que são recordações

Na 6ª feira fez-se aqui no Colégio do Ramalhão uma homenagem à Ir. Francisca, a nossa última directora. A celebração pretendia também ser o encerramento do 70º aniversário do Colégio.
Tudo muito simples : abertura com o Hino do Colégio, umas palavrinhas dum aluno, da drª Conceição Bueso e minhas, uma lembrança feita pelos alunos para a Ir. Francisca e umas flores para as Irmãs da comunidade e Missa a finalizar
Isto fez-me recordar os três grandes momentos que nunca deixávamos de celebrar, aqui no Ramalhão :
  • O 15 de Outubro, festa de Santa Teresa de Ávila e aniversário do Colégio
  • O 29 de Janeiro, dia de S. Tomás de Aquino e festa do professor católico
  • O 19 de Março, dia de S. José , o patrono do nosso Colégio. Aliás neste dia não havia aulas. Antes actividades artísticas e desportivas. E, depois dum bom almoço,uma celebração eucarística para encerrar o dia.                                               
Num desses dias, os professores fizeram uma surpresa às alunas e apareceram também de uniforme : saia ou calças azuis escuras e blusa branca. Um sucesso!...Esta ideia do uniforme não foi inédita pois num jantar de finalistas as professoras "Paulas" apareceram de meninas com uniforme a sério. Com gravata e tudo. Bem se queriam misturar com as alunas mas só que elas vinham vestidas a rigor, em traje de gala...
O dia do professor era outra ocasião de festa. Habitualmente as alunas preparavam uma pequena comédia crítica alusiva aos professores, com graça mas sem ofensas. Depois, ofereciam uma lembrança a cada um.
A comunidade encarregava-se do almoço de festa.
Mas, num desses dias, a festa começou preparada pelas " Irmãs das aulas ". Combinei com elas e mandei recado para que todos os professores se reunissem na sala de visitas pois estava cá uma inspectora.
Houve excitação, aulas interrompidas, as funcionárias de cabeça no ar, recado para a direita, indicações para a esquerda...
Depois de um bocado de confusão como é de calcular,lá se juntaram os professores na sala, uns mais assustados que outros. Eram quase horas de almoço! Quando tudo estava mais calmo e arrumado, chegou a "inspectora" conduzida pela Ir. do Rosário. Cheia de caracóis, casaco comprido,mala ao ombro, pasta na mão... não fui reconhecida às primeiras. Só uma ou outra "mente mais esclarecida" se apercebeu que a inspectora era afinal a Ir. Teresa. Houve gargalhadas, exclamações de pasmo, alegria, conversas cruzadas. Uma festa! Afinal era a 1ª vez que me viam sem Hábito, que é o meu "uniforme" de todos os dias...
Eram dias diferentes os dias do professor. E pasmem os que não sabem... nesse dia ninguém fazia disparates
para não estragar a festa. Grandes Alunas!
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Qual é o caminho?


A felicidade e a alegria são dons para os quais todos nós estamos destinados e nos apelam no nosso dia-a-dia. Mas a felicidade constrói-se e a alegria ressalta da liberdade de espírito e duma consciência tranquila, dum esforço de coerência entre o que se é e o que se quer ser, do acordo entre os nossos planos e desejos e o plano de Deus a nosso respeito.
Muitas  vezes  queremos  construir esta  felicidade pensando apenas em nós,  naquilo  que  nos agrada e envolvendo  os  outros nesses  mesmos projectos, sem pensar neles e nas suas vontades.
Muitas vezes queremos construir  a felicidade sem renunciar ao que nos agrada, ao prazer de momento; sem lutar pelo que se quer conquistar, sem nos lembrarmos que é o Espírito Santo que nos guia no nosso caminho.
Desde sempre, ainda antes de nascermos, já andamos à procura do caminho e, nos primeiros passos, somos orientados para aprendermos a percorrê-lo correctamente.
Com o crescimento, grandes e pequenos caminhos se nos apresentam; belas veredas e pedregosos carreiros; avenidas largas e ruelas estreitas. Uma imensidão que torna a escolha por vezes difícil e nos leva a opções erradas. Geralmente preferimos o belo ao triste, o fácil ao que se nos apresenta como dificuldades, o simples ao complexo.
Mas todos sabemos que há um único caminho que nos deve seduzir: o caminho d´Aquele que se nos apresenta como o Caminho, a Verdade e a Vida. Caminho para percorrer; Verdade para acolher; Vida para viver.
E é seguindo-O que encontramos a Alegria e enchemos de felicidade o nosso coração.
                                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

domingo, 3 de novembro de 2013

Àcerca do Amor!

" Que maravilha que seja suficiente amar para ser melhor"
Acabei de reler esta frase de Marie-Alain Couturier e parei para reflectir sobre o Amor, sua definição, objectividade ,grandeza...
Começando pelo Amor de Deus... não o conseguimos imaginar na sua imensidão . Ele é tão grande que Deus nos deu o Seu Filho para que, com a Sua paixão e morte, nos tornasse filhos também.
Jesus Cristo foi quem concretizou esta dádiva do Pai, tendo-se oferecido e aceite desde toda a eternidade. Não se tornou melhor porque Ele era o Bem, mas a nossa correspondência a este amor terna-nos certamente melhores, porque nos faz generosos, humildes, disponíveis.
Qualquer que seja a expressão do Amor- conjugal, paterno-filial ou de amizade - pressupõe a disponibilidade, a entrega, a partilha. Pressupõe sairmos de nós mesmos para irmos ao encontro do outro, para entrar na sua alegria ou partilhar da sua dor, para sorrir com ele ou secar as suas lágrimas, para escutar as suas vitórias ou conhecer as suas derrotas.
Nas grandes alegrias, como nos momentos de dor, Jesus apreciou a presença dos Amigos e de Sua mãe. Aliás, no Jardim das Oliveiras, não quis calar uma certa desilusão:" Não pudestes velar uma hora comigo..."
A amizade, forma mais transcendente do amor, se assim se pode dizer, pressupõe uma acção de inter-ajuda, de saída de nós para ir ao encontro do amigo, daquele que conta connosco, com a nossa partilha, com o nosso silêncio.
É a disponibilidade para estar presente, para ouvir, pelo menos... se não para responder, dar o conselho certo, na hora adequada.
E, como acabei de ouvir, "a verdadeira amizade é aquela que o vento não leva e a distância não separa".
E é essa que devemos pretender para nós  e para aqueles que temos como amigos, porque é esse Amor que nos vai fazer melhores.
                 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.