quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Guerra ou Paz?

Novamente guerra à vista!
Não aqui em Portugal, uma guerra a sério com balas e gente que morre. Aqui, são mais guerras de palavras e lutas de ideias, mais ou menos razoáveis , mais ou menos lógicas, mais ou menos exibicionistas, sobretudo destinadas a afastar o espírito das realidades  objectivas.
Mas a guerra a sério parece estar a preparar-se em Moçambique.  Durante 16 anos, as lutas de guerrilha colocaram aquele país na miséria. Há 20 anos, em Roma, foi assinado um tratado de paz, que prometia segurança, tranquilidade e desenvolvimento. E o país progrediu.
 De repente, sem causas aparentes ( que causas há sempre, mais ou menos definidas, mais ou menos conhecidas, mais ou menos declaradas) invade-se a casa do chefe do partido da oposição, temem-se retaliações, tremem os povos pela sua segurança e a sua vida.
É o prenúncio da guerra com todas as suas tremendas consequências.
Mas, paremos para pensar!São estas guerras de destruição e horror que nos afligem e fazer tremer e talvez
rezar. Mas, guerras... quantas vezes as travamos connosco mesmos, quantas vezes pomos em confronto o Bem e o Mal e lutamos pela vitória dum deles (nem sempre a que devia ser...)
Quantas vezes nos confrontamos connosco e com os outros e não nos reconhecemos nas nossas acções e opções...
É a guerra, a luta dentro de nós, entre o prazer e o dever, entre o que agrada e o que deve ser feito, entre o desejo e o sacrifício, entre o tudo e o nada, entre a conquista da santidade e a desilusão de não a ter ainda alcançado. 
É a luta silenciosa, sem balas mas com feridas que marcam a vida.
Aqui, entra a Fé e a Esperança, a certeza da Paz que nos vem do Amor de Deus.
Aqui,  temos que contar com a Graça e o esforço,  o entusiasmo e  o dom,  a oferta e a partilha.
Queremos perder ou ganhar?
Deus conta que vença a Sua Graça!...
Por isso,  continua presente,  mesmo quando, no meio da guerra, nos esquecemos d´Ele.
Ir . M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A Dedicação da Igreja

Hoje, no Calendário Romano, é mais um dia da Féria, um dia de caminhada ao encontro do Advento. Um dia em que , lentamente, a Igreja nos vai preparando para a vinda do Deus que se fez Homem para salvação da Humanidade.

Mas, na Ordem Dominicana, a celebração é outra. Festeja-se a Solenidade do Aniversário da Dedicação da Igreja conventual.
E não é por acaso. É que hoje há  festa em  Tolouse,  berço da Ordem. Lá  se comemora  a dedicação  da Igreja  Dominicana " Les Jacobins ", dedicação essa realizada em 1385.
Esta Igreja foi a primeira grande igreja entre as primitivas da Ordem.
O Papa Urbano V tinha declarado ser sua vontade que esta Igreja de Tolouse se destinasse a guardar os restos mortais de S. Tomás de Aquino. 
Realmente, em 1369 as relíquias deste doutor da Igreja foram transladadas para este templo.
E, são palavras do Papa: " Como S. Tomás brilha entre todos os doutores pela beleza do seu estilo e do seu pensamento, assim a Igreja de Tolouse supera em beleza todas as outras Igrejas dos Pregadores.
                                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O tempo e o espírito

Aqui há uns tempos, chovia e eu, à janela, pensava na inconstância do tempo.
É que, primeiro a chuva se resumia a uns pingos suaves e lentos, como lágrimas que brotam do coração. De repente, uma bátega de água que lavou  ruas e caminhos  e encharcou quantos,  imprudentes, saíram  de casa sem protecção adequada. 
Depois... tudo voltou à quase normalidade. Apenas uma chuvinha leve que refrescava o espírito e o coração a chuvinha que, no momento, eu observava da janela.
E, porque o espírito é fantasista e salta de assunto em assunto, lembrei-me duma amiga que, um dia, também de chuva assim incerta, falando da vida e das dificuldades  que se lhe apresentavam me disse: Era bom que a vida fosse assim como a chuva; simples e de transformações imediatas como o tempo. Era bom que depois das grandes "tempestades", das imensas dificuldades e lutas, das inúmeras contradições e dores... chegasse a "bonança" e o nosso coração voltasse a cantar de esperança.
Tentei esquecer tudo o que de contradição às vezes passa pela nossa mente e responder-lhe com entusiasmo: Mas é assim a Vida, sim! É assim se nós fizermos por isso; se acreditarmos que Deus conta connosco e nos guia; se O tivermos como companheiro de viagem; se deixarmos que o Espírito Santo seja a nossa luz e a força que nos conduz em frente.
Não podemos é deixar, disse-lhe, que o desgaste, o cansaço, o desânimo, a neurastenia ou a depressão possam mais que a Graça; que nos levem a adiar pequenas e grandes decisões que modificariam o que queremos e sentimos. Não podemos permitir que o dia-a-dia nos arraste e nos leve a conformarmo-nos com o que temos, sem desejar o mais e o melhor. Não deixemos para àmanhã o que tem que ser feito hoje; não adiemos a procura das soluções que se impõem  nem nos enganemos,  tentando convencer-nos que está tudo bem.
Deus conta com o nosso querer em procurá-Lo e em corresponder aos dons com que encheu a nossa Vida.
No fim, acho que ambas acabámos mais ricas e que tinha valido a pena.
                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


domingo, 20 de outubro de 2013

Fátima em Roma


Realmente Fátima é o altar do mundo e Nossa Senhora de Fátima é reconhecida e venerada por toda a parte. 
No fim de semana passado, no âmbito da Peregrinação Mariana, integrada neste ano da Fé, a imagem da Virgem de Fátima viajou até Roma. O objectivo era a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, a qual, segundo Lúcia , devia ser feita na presença dos cardeais. Por isso, a pedido do Santo Padre, lá foi a imagem da capelinha passar o fim de semana à praça de S. Pedro. 
E foi um acontecimento pois esta imagem, nestes 96 anos, apenas três vezes saiu da capelinha das aparições em Fátima. E foi um acontecimento pois, da praça de S. Pedro, Maria vai assumir-se como traço de união entre Fátima e o mundo.
É a consagração do mundo ao Imaculado coração de Maria mas é também o reconhecimento de Fátima como local de culto, como espaço de devoção, como crédito na palavra de três crianças que, contra tudo e todos, continuavam a afirmar: " Nós vimos a Senhora ".
Mas mais do que dizer, eles viviam, testemunhavam.
Nossa Senhora pedira-lhes para rezar o rosário e eles faziam-no; Maria solicitara que o sacrifício fizesse parte das suas vidas e eles corresponderam, muito acima do que seria de esperar de crianças.
Tudo isto tem que ser  uma chamada de atenção para nós. Os pedidos de Nossa Senhora não eram destinados apenas àquelas três crianças. Eles eram para nós, para os cristãos e os não cristãos, para todos "os Homens de boa vontade".
Tal e qual como a promessa que lhes foi feita " No fim, o meu Imaculado Coração triunfará!" se dirige a todos os que temos Fé e consideramos Maria como Mãe, bem como aos outros que Ela também ama.
Confiantes na Mãe que nos guia e nos acolhe, olhemo-La,correspondamos ao que nos pede e, sem medo, sigamos em frente.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 19 de outubro de 2013

O Ramalhão fez anos

Dia 15 de Outubro. Festa de Santa Teresa de Ávila

Estávamos a festejar o encerramento do 70º aniversário da abertura do Colégio de S. José - Ramalhão.
Sonhávamos com uma grande festa, uma Missa com alunos, professores, funcionários, pais, antigos alunos..., actividades desportivas várias, uma tarde cultural, que sei eu!... Tudo aquilo a que 70 anos de existência, de cultura e formação tinham direito. Mas, "o homem põe e Deus dispõe". As circunstâncias trocaram-nos as voltas e os nossos planos abortaram. "Não vale a pena chorar sobre leite derramado". Os tempos mudam, as circunstâncias modificam-se mas a vida continua. Por isso, recordamos...
O ano passado, neste dia, houve realmente uma grande festa. Era o início das comemorações.
De manhã,houve competições desportivas, entre turmas, com os professores Tiago e Ricardo presidindo a elas. Muita competição, muita alegria, muito desportivismo.
Aliás repetimos estas competições no dia de S. José, outra ocasião de festa, em que o Colégio do Restelo veio festejar connosco. E houve medalhas e tudo para as equipas participantes.
Mas voltando ao 15 de Outubro... Depois do almoço, uma tarde aberta . Na Biblioteca, um chá, durante o qual os prof. João Carlos, Ângela e Manuela tinham preparado uma sessão cultural. E houve declamações, récitas, etc. apresentadas pelos alunos. Simultaneamente, uma exposição de cartas geográficas, preparada pela professora Agostinha.
Na sala de Moral era o reino da Matemática, com as professoras Paula Cruz, Sofia Lopes e Ana Festas. Havia quebra-cabeças, jogos, puzzles... tudo para entusiasmar jovens e adultos e desenvolver as suas aptidões matemáticas. O facto é que teve imensa adesão, mesmo dos pais. Acho que todos queriam testar as suas capacidades.
Na "sala escura" e na sala de Desenho eram os ateliers de artes e História. Foram patrocinadoras as respectivas professoras: Ana Passarinho e Ana Isabel que apresentaram uma grande variedade de trabalhos. Aqui colaborou também o 1º ciclo que fez pequenas lembranças para oferecer aos visitantes, bem como bolinhos e bolachinhas, fabrico dos próprios.
No Laboratório de Química, as actividades científicas, coordenadas pelas respectivas professoras. Houve experiências, demonstrações, explicações detalhadas dos procedimentos a realizar.
O final passou-se no Ginásio, com o Hino do Colégio, dirigido pela professora Ilka e cantado por todos e um power point sobre a história do Colégio, preparado pelos professores Angela, Sofia Lopes e João Paulo.
Foi um dia inesquecível!...
Temos que o agradecer a Deus  e a todos aqueles que  o tornaram possível, preparando, colaborando, incentivando e participando.
                                           Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nossa Senhora da Lapa


Nossa Senhora da Lapa

Barro pintado apenas
Duas, três mãos de barro,
amassado e moldado
por duas mãos serenas.

Mas em toda a capela,
e a capela é imensa,
nada tem mais presença
do que a presença d`Ela.

Quem não se comovera?
Tão íntima, tão minha,
como se as mãos que põe
por mim só as pusera.

E um vago sentimento
de ter que lhe pedir
(mas por quem? mas o quê?)
me desprende do tempo.  

Criança ajoelhada,
falei-lhe num murmúrio,
não fosse perturbar
a penumbra em que estava


Que palavras Lhe disse
(se é que disse palavras...)
tão cá dentro, tão baixas,
que só Ela as ouvisse?

                                       
O que pedi? por quem?
Que vai acontecer
que eu possa perceber
que é de Ela que vem?

 Mas não, Virgem, não quero
 um sinal que me explique.
 - em Tuas mãos me entrego
 como se ao mar me desse.
             Sebastião da Gama

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ramalhão - o começo


Engraçado como quase sem querer, nos chegam às mãos dados que tornam vida aquilo que foi passado e muita gente desconhece. Ocasionalmente li um comentário dum Dominicano sobre uma carta da Madre Teresa Catarina Lavradio para o Padre Tomás Videira, outro Dominicano. Conheci bem uma e outro e por isso me impressionou esta carta, que o comentador transcreve, carta dum tempo em que eu ainda não pensava em ser Dominicana. Era demasiado pequena...
A carta em causa, falava das perspectivas da compra do Ramalhão para aqui instalar o convento e um Colégio.
Nela, citam-se muitas coisas diferentes mas sobretudo fala-se das "andanças" das Madres , na busca duma casa adequada, das preocupações que tiveram, das dificuldades, de toda a ordem, com que se depararam, dos sonhos que as alimentavam, dos desejos que as mantinham.
Como parece longe tudo isto!... Já lá vão 70 anos!... Certamente a maioria das pessoas que por aqui passou não imagina o que foi necessário de esforço e de persistência para que em 1942/43 o Colégio abrisse as suas portas.
No seguimento desta carta, o comentador transcreve um poema da mesma Madre Teresa Catarina, poema esse sobre o Ramalhão já aberto e a funcionar. E diz como o chocaram os últimos versos que pareciam pronúncio dum futuro que agora é presente: "... e quando te falarem, verás que, de repente
 te custará a crer não estares no Ramalhão "
Claro que o Ramalhão continua a ser a nossa casa, o nosso Colégio; não o vendemos nem o alugámos; continuamos a viver aqui e a marcar aqui a nossa presença e o nosso testemunho Dominicano.
Simplesmente, 70 anos de Projecto Educativo deram lugar a outra linha orientadora, outro projecto, outra maneira de fazer e de viver. É assim a vida..." Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades..."
Há lágrimas nos olhos de muita gente; há revolta no coração de outros tantos; há aceitação nas mentes dos restantes.
Como diria a Madre Fundadora, que o mesmo artigo evoca, "temos que viver na esperança, e continuar esperando, contra toda a esperança".
Esperando... não sei bem o quê. Mas certamente que a alegria, a felicidade e o bem renasçam das cinzas e que aqui se continue a educar crianças e jovens que serão o futuro de Portugal.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.