terça-feira, 8 de outubro de 2013

Escadas que falam

Revendo o power point que apresentámos na Reunião dos Antigos alunos que deu início às comemorações do 70º aniversário do nosso Colégio, encontrei um slide que me chamou a atenção. Eram várias fotos sobrepostas, de locais do Colégio, que tinham por objectivo levar os antigos alunos a recordarem sítios e acontecimentos.
Entre elas, a fotografia duma escada que já não existe, mas muitas histórias teria para contar. Foi retirada recentemente com receio de que houvesse um acidente, coisa que nunca aconteceu em 70 anos. Mas... são outros tempos e outras crianças e jovens.
Esta escada, a que me refiro, muitos se lembrarão dela, quer alunos, professores ou funcionários. Começava na "sala escura" que dá acesso à sala de Desenho e terminava na sacristia.
Por ela desciam as alunas internas, ao fim do dia, no mês de Maio, para irem à capela rezar o Rosário a Nossa Senhora.
Dela se serviam, em tempos mais recuados, as internas quando, de manhã cedo, iam à Missa da comunidade.
Por ela subia a Irmã sacristã, que vinha da capela e ia até às tribunas fazer qualquer mudança ou arranjo.
Por ela subiam também os alunos, quando havia Missa na capela para um grupo mais diminuto.
Era uma maneira rápida e eficiente de chegar às aulas sem ninguém se "perder" pelo caminho.
Mas, claro! há sempre mentes ardilosas que arranjam ocupação para espaços que têm outras funções... Por isso, aquelas escadas eram também utilizadas para quem, à hora do recreio do almoço,  se queria esconder para conversar ou estudar. Sempre houve e sempre haverá "desvios de utilização".
Hoje essa escada foi tapada, desaparecendo também a balaustrada, evidentemente. Em seu lugar, mesas e cadeiras para quem quer estudar ou fazer trabalhos.Mas, cada vez que por ali passo, recordo a escada e as mil aventuras que ela evoca. O nosso Colégio está cheio de pequenos e grandes espaços que evocam outras vidas e outras aventuras.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Magia em Outubro


Este mês de Outubro é um mês especial para mim, um mês mágico. É o mês do Rosário, aquele em que, no dia de hoje, se festeja Nossa Senhora do Rosário, aquela a que todos nós, Dominicanos, temos especial devoção.

Também foi o mês em que Nossa Senhora apareceu, pela última vez, em Fátima; em que João Paulo II foi baleado... enfim... Tudo direccionado para Maria e para a reza do Rosário.
Aliás, como Dominicanos, o Rosário é uma das nossas devoções especiais. A tradição até diz que foi Nossa Senhora que deu o Rosário a S. Domingos, como forma de tornar mais eficaz a sua pregação. E não há capela ou convento em que não se encontre um quadro com S. Domingos aos pés de Nossa Senhora que lhe estende um Rosário...
Mas claro, que isto é história e ninguém pode pensar que Maria deu o Rosário assim como nós o conhecemos: 10 contas que representam Avé-Marias, uma que é o Pai Nosso, outras 10 Avé Marias e por aí fora... Mas Nossa Senhora deve realmente ter inspirado S. Domingos para rezar assim. Aliás, também contam as vidas dos Santos Dominicanos que enquanto uns iam pregar, sempre havia outros Irmãos que ficavam rezando o Rosário , pedindo à Mãe do céu o sucesso para a pregação.
Em Outubro, na Igreja, honra-se de modo particular a Virgem Maria e convida-se os cristãos a rezar-lhe, com mais devoção, a oração do Rosário, lembrando  assim o pedido que Maria fez em Fátima aos pastorinhos.
Mas, como vimos, a devoção do Rosário é muito anterior a Fátima. Vem da Idade Média embora não com a estrutura que utilizamos actualmente. Esta é do sec. XV e deve-se ao venerável Alano de la Roche e depois, no sec. XVI ao Papa Dominicano S. Pio V. E são os Dominicanos que ficam como depositários desta devoção e da sua divulgação pelo mundo.
Aliás em Portugal a prática do Rosário é um tradição generalizada. Reza-se nos conventos, nas comunidades religiosas, nas paróquias, na família. Rezam os pobres e os ricos, os intelectuais e os humildes, os idosos e as crianças.
Façamos um esforço para este mês tornarmos ainda mais viva esta tradição.
                               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

domingo, 6 de outubro de 2013

"O dom de viver com serenidade"













" Obrigada , Pai, por mais este dia.
Cada manhã acho normal acordar e seguir em frente,
como se me fosse devida esta ementa de cada dia,
como se o que não for hoje, amanhã logo haverá.
Hoje queria pedir-te, Pai,
aquele dom de viver com serenidade,
a certeza de que tudo acaba e nada se repete.
Obrigada por mais este dia, Senhor,
e ajuda-me nesta manhã
a sentir, na sombra fugitiva de mais este dia,
a Luz da Tua eternidade que lhe dá sentido.
Aqui e agora!"
                                                                                                                                 
                          Conceição Barreiro de Sousa

sábado, 5 de outubro de 2013

Compaixão ou economia?

Ouvi ontem na rádio um comentário que me deixou bastante impressionada e inquieta.

Era feito por um teólogo conhecido e versava a liberalização da eutanásia, na Bélgica, em casos de deficiência grave em crianças ou idosos. Em qualquer circunstância, esta liberalização da eutanásia era dirigida a pessoas que não podiam fazer uma opção livre, uma escolha consciente.
E isto é qualquer coisa que põe problemas, que levanta questões,que suscita dúvidas e preocupações.
E, perguntava o comentador, esta lei em nome de quê? Em nome da compaixão, parece... Mas a compaixão é uma manifestação de Amor. Então, será mesmo por amor que se permite matar e matar aqueles que não têm escolha e que são merecedores do nosso carinho e atenção porque são indefesos?
Será amor o tirar a vida mesmo que seja a título de evitar sofrimento ?
Ou será antes em nome de interesses económicos, numa sociedade egoísta, que não está interessada em aumentar gastos com a saúde daqueles que não são produtivos?
Ou será fruto dum mundo sem valores em que se desconhece o significado autêntico da dor, do sofrimento, da vida e da morte, da participação na Paixão de Cristo?
O comentário focava a Bélgica mas eu pergunto-me se em Portugal não haverá também grupos que pensam assim. Se não haverá pais para quem filhos deficientes são um encargo e preocupações acrescidos...
Se não existirão filhos para quem pais, que não se bastam, constituem uma duplicação de despesas e de dificuldades...
É talvez altura de ler o profeta Baruc e atentar no seu incentivo de coragem, para encarar as dores e os problemas que a vida nos apresenta, para ultrapassar contratempos e revezes-
Graças a Deus ainda há muitos pais e muitos filhos para quem a Vida é um dom e que confiam na misericórdia do Pai  e no Seu Amor.
Ainda há muitos cristãos que esperam "o pão nosso de cada dia" e que consideram bem aventurados os que são pobres de bens , quaisquer que eles sejam, mas ricos de dons. Que defendem valores de Verdade e de Bem.
Lutemos por uma visão optimista e mais conforme ao Amor de Deus, que a todos acolhe e a todos recebe no Seu Reino.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
                      

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dias especiais

Entre os dias internacional da música, dia da água ou das pessoas idosas  e o dia Nacional da Implantação da República Portuguesa, fica sediado o dia mundial do Animal.

Não sei se devemos considerar irónica esta mistura  entre arte, bens essenciais, a terceira idade, a mudança de regime em Portugal e... a vida animal.
Evidentemente que eu  não quero, de modo nenhum, deixar  de  ter  em consideração   todos os animais, o zelo pelo seu bem-estar, a luta   pela preservação das espécies em vias de extinção.
Tudo muito lógico, necessário e útil.
Mas o que às vezes me incomoda um pouco é ver  falar e tratar  de animais com mais fluência e cuidado do que o utilizado com as pessoas, sobretudo doentes, crianças e idosos. E, particularmente se são deficientes.
Mas hoje achei interessante que, num programa de rádio, em que celebravam o dia mundial do animal, tivessem tido a ideia de utilizar aqueles símbolos dos programas infantis que, nos anos 90, fizeram as delícias das crianças e, porque não? dos adultos. 
E lá veio o Cocas... o Pato Donald... o Topo Gigio... entre outros.
Eram "bonecos", representação de animais, que falavam e transmitiam ensinamentos, davam lições de vida, exprimiam verdades, chamavam a atenção , duma maneira simples para realidades que marcavam os tempos.
Quem não se lembra destes programas, delícias da infância dos adultos de hoje? Quem não recorda as observações que faziam e as lições que nos queriam fazer passar?
Animais? talvez! mas com experiências e moral E pelos vistos com futuro, porque não foram esquecidos.
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Papas e Santos

O Papa Francisco anunciou a canonização próxima de dois Papas já Beatos: João XXIII e João Paulo II. Esta canonização será concretizada a 27 de Abril deste ano .em Roma.
Foi um anúncio previsível, não inesperado. Há tempos que se aguardava este desfecho para estas duas vidas tão diferentes mas tão grandes em testemunho. Ambos Chefes da Igreja, ambos escolhidos em conclave, um italiano outro vindo de leste; um do sul da Europa, com um percurso sábio, talvez difícil  mas mais tranquilo: foi delegado apostólico e núncio; o outro, um jovem trabalhador, perseguido, estudante clandestino; um, conciliador, simpático, lutando na 2ª Guerra mundial para salvar judeus; o outro, o maior embaixador da paz e conciliação entre os homens e entre as Igrejas.
O pontificado de João XXIII foi relativamente curto, apenas sete anos. Um Papa de transição, dizia-se. Mas, foi dele a ideia e a concretização dum Concílio que revolucionou a Igreja e o mundo.Pretendia a renovação da Igreja e a adaptação da pastoral ao mundo moderno e em mutação. A ele devemos novas regras, novas normas, novas orientações para a vida dos cristãos. Duas grandes encíclicas marcaram o seu pontificado: Mater et Magistra e Pacem in Terris. Alegre,jovial,simpático, era o Papa da bondade.
Com João Paulo II, outro tipo de revolução: a queda do muro de Berlim, a perda da supremacia da Rússia sobre os países de leste, a mudança de conceito de comunismo, a tentativa de conciliação entre católicos, ortodoxos e judeus.
João Paulo II é um Papa especial. Polaco, desportista, amante do teatro, um amigo dos jovens, um arrebatador de multidões.
Mesmo doente, não fugiu nem se escondeu. Continuou a participar em tudo e dar o seu testemunho de paz e de oferta.
Criticado por alguns, exactamente por isso, foi admirado pela maioria por ter a coragem de enfrentar a sua doença em frente dos "grandes" do mundo.
Dois santos a acrescentar ao calendário; dois santos para admirar o seu testemunho e tentar imitar naquilo que nos for possível. Ser santo é o apelo que Deus faz a cada um de nós. Sê-lo é o trabalho de toda uma vida, na correspondência à graça do Pai.
                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

S. José ou S. Domingos?


"O melhor do mundo são as crianças". Realmente! Com a sua ingenuidade , curiosidade natural, espontaneidade.
Ainda ontem uma pequenina do 1º ano me interpelou naturalmente àcerca do nome do Colégio: Afinal é S. José ou Ramalhão?
Com um sorriso, respondi-lhe que eram as duas coisas: Ramalhão é o nome do local onde o Colégio se encontra ; S. José o seu padroeiro.
Mas logo outra, mais velhinha, se meteu na conversa para dizer: " mas se as Irmãs são Dominicanas, porque razão o Colégio não se chama de S. Domingos?"
Aqui, a explicação era mais complexa e foi necessário remontar às origens, falar-lhes da Madre Fundadora, da sua devoção a S. José, do desejo que ela tinha que todos os Colégios o tivessem por patrono e protector. 
Ainda bem que estávamos na hora do recreio porque aqui começaram as questões e as dúvidas. Aproximaram-se outros alunos e o "inquérito " começou. É que S. José conheciam-no eles mais ou menos. Pelo menos sabiam que era o pai adoptivo de Jesus, esposo de Maria, a Mãe do menino Jesus. Mas de S. Domingos não conheciam nada. No entanto, não o tinham esquecido. E um rapazinho, que se juntou ao grupo, perguntou a razão porque, sendo S. Domingos um homem, nós Irmãs nos dizíamos Dominicanas. Ele pensava que só havia Dominicanos...
Aqui, a explicação teve que ser mais completa. Tive que falar do primeiro convento fundado por S. Domingos em Prouille, precisamente para albergar as primeiras monjas Dominicanas, um grupo de mulheres convertidas pelos frades Dominicanos. Houve que explicar a diferença entre vida contemplativa e activa, a existência de três ramos distintos numa só Ordem Dominicana, a qual foi fundada no sec. XIII e se manteve até hoje, fiel ao seu carisma.
Mas eles eram demasiado pequenos para entenderem tudo isto, apesar da visão simplista que lhes dei. Duvido mesmo que tenham entendido até ao fim. Mas, satisfizeram-se , mesmo não lhes mostrando o que havia de novo e original na Fundação de S. Domingos: A originalidade duma vida religiosa que associava a versão contemplativa da vida monástica com a missão apostólica da pregação da Igreja. Não lhes falei da necessidade do estudo que anima os Frades dominicanos e da oração persistente que os leva à contemplação e se traduz em pregação. Isso, fica para outra altura e outro "público".
"Contemplata allis tradere" é o seu lema que tentam viver e transmitir.
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho ribeiro, O.P.